Guerrilheiro Virtual

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Beijo da morte: Reinaldo pede voto em Serra

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Ele sugere ainda aos internautas que façam spam com o texto de Marcelo Madureira, do Casseta. “Ele sabe ser engraçado, mas é das pessoas que podem falar sobre o país com impressionante seriedade”, diz o blogueiro responsável por parte da rejeição de 52% ao tucano

247 – Após o segundo turno das eleições municipais, será publicado um “Manual de Sobrevivência tucano”. Um dos itens versará sobre a proibição expressa de que qualquer postulante do PSDB a cargo relevante se aproxime de Reinaldo Azevedo ou pareça merecer sua simpatia. Com sua retórica do ódio aos petralhas, Azevedo fala apenas aos que já votariam contra o PT e amplia a rejeição daqueles que, eventualmente, poderiam votar no PSDB. Se José Serra hoje tem 52% de rejeição no Datafolha, isto se deve, em parte à proximidade com Reinaldo. Nesta quarta, ele publica o texto “Por que votar em Serra em São Paulo” e pede aos internautas que façam spam com o texto de Marcelo Madureira, do Casseta & Planeta. “Fosse um manifesto, eu o assinaria sem pestanejar”, diz Reinaldo.


Dei uma capa da revista “Primeira Leitura”, certa feita, para o pessoal do “Casseta & Planeta”. E expliquei: lá estava uma turma que fazia “humorismo-verdade” num país em que a verdade não se cansava de parecer uma piada — às vezes macabra.

Marcelo Madureira é um dos “cassetas”. É fato que ele sabe ser engraçado. Mas é das pessoas que podem falar sobre o país com impressionante seriedade — não que o humor, reitero, por si, renegue a gravidade. O lema que define o Arlequim fala por si: “Ridendo, castigat mores”. Ou: “Rindo, moralizam-se os costumes”.

Madureira publicou um texto na Folha explicando por que votaria no tucano José Serra em São Paulo. Fosse um manifesto, eu o assinaria sem pestanejar. Leiam. Os que concordarem com o que aí vai o espalhem.

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O Brasil é um país complicado. Por um lado, a democracia dá um salto de qualidade, impulsionada pela ação do Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão. Do outro lado, assistimos nestas eleições de 2012, mais uma vez, articulações de forças intestinas na direção do atraso, do patrimonialismo autoritário e obscurantista.

A cidade de São Paulo é a principal arena deste MMA político brasileiro. Queira ou não queira, o segundo turno paulistano, como sempre, alcança dimensão nacional. São Paulo não é só a nossa maior metrópole, mas também, por sua multiplicidade, uma síntese do Brasil. Além da gestão da cidade, o que esta em jogo são dois projetos políticos distintos e antípodas.

Coerente com o perfil autoritário do ex-presidente Lula, o candidato Fernando Haddad, enfiado goela a dentro do PT, dá continuidade ao projeto lulista.

Esse lulismo traz dentro de si tudo aquilo que a civilização brasileira quer transformar em página virada. O projeto caudilhesco de Lula usa o aparelhamento do Estado, a demagogia populista e não contempla uma transformação virtuosa da sociedade brasileira.

Fernando Haddad é mais uma peça desse projeto. Projeto que tem como único arcabouço “ideológico” o poder pelo poder, a qualquer preço, e com as alianças com aquilo de pior que existe na política brasileira. E a lista é grande: são Malufes, Sarneys, Barbalhos, Calheiros, Collors e Valdemares Costa Neto. Está nos autos.

O mensalão foi um atentado à democracia brasileira. Uma traição explícita à Constituição, pedra fundamental do Estado de Direito que, no ato de posse, o presidente jura manter, proteger e cumprir.

Mas palavra de honra não me parece que seja coisa para se levar em conta no lulismo. Para Lula e os seus áulicos, a democracia é um valor burguês, uma figura de retórica a ser utilizada segundo a conveniência do momento.

O povo de São Paulo, guardião intransigente da Constituição brasileira, honrando o movimento constitucionalista de 1932, tem o dever de derrotar esse projeto político.

José Serra pode não ser um candidato simpático. Muito pelo contrário. O ex-governador de São Paulo Mário Covas também não era. Mas, como o saudoso Covas, Serra já provou mais de uma vez retidão e competência na gestão da coisa pública, e isso é o mais importante. O eleito, afinal, não vai ganhar um programa de humor, mas uma prefeitura para administrar.

A única lembrança que Haddad deixou do seu período à frente do Ministério da Educação, por outro lado, foi a sua desastrosa gestão do Enem, com fraudes e erros de organização que prejudicaram milhões de alunos em um momento crucial das suas vidas.

Desnecessário dizer que, se votasse em São Paulo, votaria no Serra. Subtraindo seus defeitos e somando as suas virtudes, José Serra é a melhor alternativa.

Inclusive acredito que o compromisso que o candidato tucano propõe aos paulistanos não será interrompido por uma eventual candidatura à presidência, como tanto se comenta. Serra sabe que o seu sonho com o Planalto já passou e que a oposição brasileira, em nível nacional, pede novos protagonistas.

Caramba! Nunca escrevi tão sério! Deve ser a influência do Serra…

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