Guerrilheiro Virtual

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A FRANQUEZA ADIPOSA DE FERNANDO HENRIQUE

Por Miguel do Rosário

“Em seu artigo de domingo, publicado no ‘Globo’ e no ‘Estadão’, Fernando Henrique Cardoso dá mostras mais uma vez de seu talento incomparável para textos adiposos, enfadonhos e convenientes aos interesses norte-americanos. Só mesmo um blogueiro político para se aventurar nesse mar de colesterol entreguista. FHC ainda é o principal “mentor” da oposição e, por isso, temos a dolorosa obrigação de acompanhar seus textos.

Ele aponta seu dedo pernóstico e gorduroso para todos os problemas brasileiros, mas não aborda nada em profundidade.

Por outro lado, seus artigos têm uma utilidade sim: eles são como que um resumo de tudo que a mídia falou e pensou e defendeu nas últimas duas semanas, além de sinalizar as últimas tendências do neoliberalismo tupi. Quando ele fala, por exemplo, que “fingimos não ver que o arco do pacífico é um contrapeso à inércia brasileira“, FHC sintetiza uma ideia: esqueçamos esses pruridos de soberania e independência; entreguemos nosso destino aos patrões do norte.

FHC também resume seu pensamento sobre os juros:

“Antes os governistas se gabavam da baixa de juros (“Ah, esses tucanos, sempre de mãos dadas com os juros altos!”, diziam. De repente, é o governo do PT que comanda nova arrancada dos juros. E nem assim aprendem que não é a vontade do governante que dita regras nos juros, mas muitas vontades contraditórias que se digladiam no mercado”.

Novamente, o ex-presidente confunde a bolas. Estamos criticando, sim, pesadamente, o governo Dilma pela alta nos juros, mas o que FHC faz aqui é, ao atribuir a decisão ao “mercado”, defender mais uma vez a entrega da nossa soberania econômica às forças alienígenas aos interesses nacionais. E, só para refrescar a memória, fiz um gráfico com a evolução dos juros dos últimos anos. Dilma, apesar dos tropeços do Banco Central dos últimos meses, ainda pode se gabar de ter baixado os juros. Seu governo, até aqui, ofereceu aos brasileiros os menores juros de sua história. Sem falar na pressão que ela fez para a queda também dos spreads bancários, um fator fundamental, visto que o juro real ao consumidor é uma soma do juro básico do Banco Central (taxa SELIC) com o 'spread' de cada banco.

Por compaixão aos leitores (e a mim mesmo), agora me limitarei a comentar e analisar a primeira frase do texto.

“Não é preciso muita imaginação, nem entrar em pormenores, para nos darmos conta de que atravessamos uma fase difícil no Brasil.”

Talvez seja implicância minha, mas, em minha opinião, nunca vi um início de texto tão ruim. Já é vulgar começar um texto com “não é preciso”, mas tudo bem. Entretanto, abrir um texto com uma chamada à falta de imaginação do leitor, me parece de um mau gosto atroz.

Em seguida, fala que não precisa entrar em pormenores. Ou seja, não há necessidade de apresentar dados, contrapontos, argumentos lógicos. É uma postura vergonhosa para alguém que se pretende acadêmico e cientista social. É claro que é preciso entrar em “pormenores”!

É como se ele dissesse aos leitores: “Prezados leitores, mesmo sendo burros, ou antes, justamente por serem burros e manipulados, vocês entenderão as baboseiras que vou dizer; não preciso entrar em detalhes, porque vocês são trouxas e vão acreditar em qualquer coisa”.

Quanto à “fase difícil” vivida pelo Brasil, aí se trata de uma platitude. Não quer dizer nada. Desde que Cabral aportou por aqui vivemos uma “fase difícil”. Uma das mais angustiantes, por exemplo, foi a era tucana, e o leitor de boa memória sabe muito bem do que estou falando: juros alucinantes, recessão, desemprego, alienação de estatais estratégicas, subserviência internacional, ausência de programas sociais relevantes, esperança zero no futuro.

E vai mais um gráfico que preparei especialmente para ilustrarmos “a dificuldade que vivemos”:

Bem, talvez a fase difícil mencionada pelo tucano seja a dele mesmo, agora que suas maracutaias estão expostas no excelente livro de Palmério Dória, intitulado ‘O Príncipe da Privataria’…”

FONTE: escrito por Miguel do Rosário em seu blog “Tijolaço” (http://tijolaco.com.br/index.php/a-franqueza-adiposa-de-fernando-henrique/).
 

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