Fiador de Nelson Jobim no governo Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira em Bogotá que, se forem verdadeiras, as declarações do ministro da Defesa à revista "Piauí" "criam uma situação constrangedora".
Questionado, o ex-presidente afirmou que não sabia se as críticas feitas por Jobim às colegas de gabinete Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil) à revista, antecipadas pela coluna de Mônica Bergamo, justificavam demissão.
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Comparou, no entanto, o ministro com Pelé jogando mal numa equipe: "O ministro Jobim é o homem que tem conduzido o Ministério da Defesa com muita grandeza. Um trabalho excepcional. O programa estratégico de defesa é muito importante. Mas se até o Pelé não estiver jogando bem, o técnico tira..."
E continuou: "De qualquer forma, é ela quem vai conversar com ele. Dois gaúchos se entendem. Ou não se entendem".
Lula contou que anteontem houve uma reunião entre Dilma e Jobim, com resultado positivo. "Ela teve uma conversa, que eu fui informado, que foi boa ontem com ele. Ele tava satisfeito, ela tava satisfeita", disse.
"Se ele não falou para ela da Piauí e ela ficou sabendo da Piauí, realmente cria uma situação constrangedora para ele que não falou e para ela. Foi muito deselegante", seguiu o ex-presidente, que participa nesta quinta-feira de um fórum do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para promover investimentos no Brasil e na Colômbia.
Dilma decidiu manter Jobim no cargo de ministro da Defesa por influência de Lula. Pesou a favor de Jobim seu reconhecimento no meio militar e seu trabalho para institucionalizar o Ministério da Defesa, criado há 12 anos.
Nesta quinta, Lula elogiou Jobim, mas minimizou a influência na decisão. Afirmou que, como ministra da Casa Civil, Dilma se reunia mais com os ministros do que ele próprio.
"A presidente Dilma Rousseff se reunia com os ministros do meu governo muito mais do que eu. Porque cada reunião que eu tinha era precedida de dez reuniões com ela. Qualquer proposta que o ministro Jobim levava para mim era discutida antes com a Casa civil. Os ministros eram mais amigos dela do que meus amigos."
GAÚCHO EMPEDERNIDO
Mais cedo, Lula havia dito que as declarações de Jobim eram incompreensíveis. "Tem coisas que a gente não compreende. [...] Por que falar de outros ministros? É tão mais fácil falar bem das pessoas, tão mais tranquilo."
"Se o senhor não compreende imagina eu", respondeu, ao lado de Lula, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
Bernardo, marido de Gleisi Hoffmann, completaria as críticas mais tarde: "Como um daqueles gaúchos empedernidos do interior, talvez ele tenha uma arraigada insatisfação em ser comandado por mulheres". "Mas eu não quero falar de outros ministros."
| Leonardo Mu-Oz/Efe | ||
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| Ex-presidente Lula participou de um fórum do BID para promover investimentos no Brasil e na Colômbia |

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