Lula veste o keffiyeh, tradicional lenço símbolo da resistência palestina (Foto: Ricardo Stuckert)
Durante uma visita oficial à França, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu veementemente a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) e defendeu o reconhecimento do Estado Palestino como uma obrigação ética e medida necessária para a estabilidade global. Ele enfatizou que a ONU completou 80 anos com uma grave falta de legitimidade e eficácia, e que o atual sistema multilateral está paralisado devido a conflitos armados e crises humanitárias. Lula enfatizou que a reforma do Conselho de Segurança da ONU é inevitável.
Eduardo Galeano (*) | Segunda-feira, 14 de julho de 2014
Desde
1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem
nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água,
sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a escolher seus
governantes.
Quando votam em quem não devem
votar, são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma
ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou de forma limpa as eleições
no ano de 2006. Algo parecido aconteceu em 1932, quando o Partido
Comunista venceu as eleições em El Salvador.
Banhados
em sangue, os salvadorenhos foram castigados por sua má conduta e,
então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo
que nem todos merecem. São filhos da impotência os foguetes caseiros que
os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com péssima
pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação
israelense usurpou.
E o desespero, a espera pela
loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência
de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra
de extermínio está negando, há anos, o direito à existência da
Palestina.
Já resta pouco da Palestina.
Pouco a pouco, Israel a está apagando do mapa.
Os colonos invadem e depois deles os soldados vão restabelecendo a fronteira.
As balas sacralizam a remoção, como legítima defesa.
Não existe guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva.
Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha.
Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo.
Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel engole outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam.
De punho em riste: quem é a garota que desafiou a ocupação
israelense? Ahed Tamimi, de apenas 13 anos, enfrenta os soldados
israelenses e diz que a dor já faz parte de sua vida
No meio de uma estrada deserta, cercada de paisagem árida, uma
pequena menina com a insígnia da paz estampada no peito enfrenta dezenas
de soldados, protegidos com capacetes e metralhadoras. O contraste da
imagem choca, mas nem as armas em punho foram capazes de amedrontar a
garotinha, que continuou a gritar e empurrar os oficiais em busca de
respostas (veja o vídeo abaixo).
Menina palestina, Ahed Tamimi enfrenta soldado israelense após prenderem seu irmão. (Foto: Oren Ziv/ ActiveStills)
Os risos jocosos dos militares, que se entreolhavam em desprezo,
apenas alimentaram o desespero e raiva da jovem. No fim, a única
resposta recebida foi o disparo de balas de borracha. As imagens da
bravura da menina, na reedição de uma espécia de batalha entre Davi e
Golias, correram o mundo. Ahed Tamimi, de apenas 13 anos, queria apenas
saber para onde o irmão, Waed, de 15 anos, havia sido levado durante os
protestos do dia 2 de novembro em Nabi Saleh, pequeno vilarejo na
Cisjordânia onde vivem.
Sentada na cama do hospital, em Ramallah, com a mão enrolada em
curativos, a palestina não reclama do ferimento e conta que a dor já se
tornou parte de sua vida. Filha do líder comunitário Bassem Tamimi,
considerado pela União Europeia um “defensor dos direitos humanos” e
pela Anistia Internacional “um prisioneiro de consciência”, Ahed já teve
de lidar com o encarceramento dos pais, a morte de dois tios e a
violência cotidiana de soldados israelenses contra a família e amigos.
“Eu lembro que o pior período da nossa vida foi quando prenderam o
meu pai pela primeira vez. As autoridades israelenses não nos deram
autorização para visitá-lo”, contou ela ao portal Opera Mundi.
Detido por oficiais israelenses por seu papel de liderança nos protestos
pacíficos, Bassem teve de enfrentar a corte militar de Israel por 13
vezes e chegou a passar mais de três anos no cárcere, sem nenhum
julgamento.
Há mais de três anos, os residentes de Nabi Saleh se concentram toda
sexta-feira às 13h30 no centro da vila e tentam caminhar com bandeiras
da Palestina até a Alqaws, fonte de água da cidade confiscada pelos
oficiais israelenses em 2009 e atualmente de uso exclusivo dos colonos. O
recurso era necessário para as plantações na aldeia e também funcionava
como local de lazer, mas Israel restringiu a visita e proibiu a
construção de qualquer tipo de infraestrutura no local pelos palestinos.
“Toda sexta-feira, choques começam quando tentamos começar nosso
protesto pacífico contra o assentamento que nos cerca”, contou a garota.
Idosos, como sua avó, de 90 anos, crianças, mulheres e homens, são
atingidos indiscriminadamente por munições e projéteis. Com balas de
borracha, bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e o líquido
“skunk”, os soldados impedem que a passeata chegue ao local de destino
mas, pela primeira vez, em junho deste ano, o grupo conseguiu entrar na
fonte.
Ahed e sua prima tentam impedir a prisão de sua mãe Nariman em um
protesto contra os assentamentos em Nabi Saleh. (Foto: ActiveStills)
Depois dos primeiros protestos, as Forças de Defesa de Israel
começaram a fechar todas as entradas e saídas da vila, impedindo a
chegada de ativistas internacionais e de outras cidades palestinas e
restringindo a manifestação às ruas da vila.
“O uso de todos os meios para finalizar o protesto pelas forças de
segurança é excessivo e ocorre mesmo quando os manifestantes não são
violentos e não representam ameaça. As forças disparam enormes
quantidades de gás lacrimogêneo dentro da área urbana da vila, que é o
lar de centenas de pessoas”, disse em relatório a organização israelense B’TSelem. “Em um protesto, pelo menos 150 latas de gás lacrimogêneo foram disparadas”, completou.
Mortes
Foi em uma dessas vezes que Ahed perdeu um dos primos. Há exatamente
um ano, Mustafa morreu quando foi atingido na cabeça com uma bomba de
gás lacrimogêneo durante os protestos. De acordo com testemunhas, ele
jogava pedras contra um tanque israelense e um soldado, não
identificado, mirou em sua cabeça.
No entanto, segundo organizações de direitos humanos e residentes de
Nabi Saleh, os oficiais não usam inadequadamente apenas munições menos
letais, mas também armas de fogo. Em 19 de novembro, o tio de Ahed,
Rushdi, policial palestino de 31 anos, faleceu de complicações médicas
depois de ferimentos com balas de fogo no intestino.
Ahed Tamimi (no fundo à direita), sua mãe, Nariman, abraçada a seu
irmão, Waed, no funeral de Rushdi Tamimi. (Foto: ActiveStills)
Apesar da crescente repressão, Ahed e sua família continuam a
participar dos protestos semanais na aldeia, de 500 habitantes, contra
os assentamentos israelenses e o muro que separam os territórios. Sob o
argumento de que a manifestação é uma “reunião ilegal”, os oficiais
prendem civis e tentam dispersar o grupo logo nos primeiros minutos.
Prisões
“Minha mãe disse a eles para saírem das nossas terras e o soldado,
com raiva, respondeu que estávamos em uma zona militar. [Ela] então
disse a ele para retirar os colonos também e ele ordenou sua prisão”,
lembrou Ahed, mencionando a manifestação do dia 24 de agosto (vídeo). Ao
lado das primas, a garota protestou contra a detenção e acabou
apanhando dos militares. Nariman foi libertada e logo, voltou a
participar das manifestações com sua câmera e kit de primeiros socorros.
O pai foi preso novamente em 24 de outubro, durante uma manifestação a
favor do boicote contra o supermercado israelense Rami Levy. Ele
posteriormente foi condenado a quatro meses de prisão e a uma multa
poucos meses depois de ter sido solto. Após uma semana, o filho mais
velho foi levado pelos soldados, mas permaneceu detido poucos dias na
delegacia do assentamento de Sha’as Benyamin.
Nariman, coberta com o lenço palestino, é levada pelos oficiais
israelenses; Ahed tenta impedir que eles levem sua mãe. (Foto:
ActiveStills 24/08/12)
“A prisão de Waed Tamimi, enquanto ele estava andando pacificamente
em sua vila, aponta para o contínuo abuso do ativista Bassem Tamimi, de
sua família e da comunidade de Nabi Saleh pelas forças militares
israelenses”, afirmou Ann Harrison da Anistia Internacional. “Este abuso
e assédio deve parar”, acrescentou ela.
As Forças de Defesa usam as fotografias para identificar os menores
que jogam pedras contra os oficiais nos protestos e depois, vão às suas
casas durante a noite para prendê-los. Segundo a organização palestina
Addammeer, que luta pelo direito dos presos políticos, o depoimento
desses jovens é fundamental para Israel construir denúncias contra os
líderes do movimento. Foi o interrogatório de uma criança de 10 anos que
levou à prisão de Bassem.
Ahed conta que os oficiais estão por perto “toda vez que quero
brincar com meus amigos, quando vou à escola e quando estou em casa”.
Mesmo quando os soldados estão longe, os palestinos lembram
diariamente de que sua terra está sendo ocupada e confiscada. Nabi
Saleh, assim como toda a Cisjordânia, é cercada por um muro de 10 metros
de altura e por todos os lados da aldeia, os apartamentos modernos dos
colonos construídos ilegalmente em seu território podem ser vistos. A
falta de parentes e amigos que estão presos ou foram mortos impedem que
essas pessoas se esqueçam da sua realidade.
Sonhos de uma criança
“Eu gostaria que toda a minha família fosse libertada assim como
todos os outros prisioneiros palestinos logo e quero ver o meu grande
sonho de um dia viver em uma Palestina livre”, declarou Ahed.
Bassem e Nariman Tamimi se reencontram depois de periodo de encarceramento. (Foto: Oren Ziv/ActiveStills)
O sentimento de tristeza e desespero, pesado demais para uma criança,
preocupa os pais de Ahed. “Durante as visitas ao meu marido, Bassem me
pediu que os corações dos nossos filhos fossem purificados de todo e
qualquer ódio por conta das sementes de amor que plantamos neles”,
contou Nariman. “Agora, nós estamos esperando por redenção, felicidade,
justiça e liberdade”.
A libertação nacional parece estar longe da vida de Ahed e dos
Tamimi. Enquanto a família ainda enfrenta uma ordem de demolição de sua
casa em Nabi Saleh, as autoridades israelenses já anunciaram que vão
continuar com a expansão dos assentamentos nos territórios palestinos.
No entanto, o espírito de resistência dessa família não parece
diminuir, apesar das seguidas provações pelas quais passaram.
Metaforicamente, os Tamimi são a Palestina.
As contínuas e incompreensivelmente impunes invasões e apropriações da Palestina (em verde) pelos israelenses
Por Joseph Massad, no jornal inglês “The Guardian”
Joseph Massad
“Dia 29/11/1947, a Assembleia Geral da ONU votou e aprovou a divisão da
Palestina entre os palestinos nativos e colonos judeus majoritariamente
europeus. O plano de partição assegurava aos colonos (1/3 da população) 57% da terra; e aos habitantes originais (2/3 da população) somente 43%.
No dia seguinte, 30/11, os colonos iniciaram a conquista militar da
Palestina, expulsando de lá centenas de milhares de palestinos.
Declararam seu Estado no dia 14/5/1948. Dos 37 judeus que assinaram a “Declaração do Estabelecimento do Estado de Israel”, apenas um era nascido na Palestina, o marroquino Behor Chetrit.
Os palestinos rejeitaram o plano, que os expropriava de terras suas.
Exércitos árabes intervieram para fazer parar a expulsão dos nativos,
mas falharam, e mais centenas de milhares de palestinos foram expulsos.
Os colonos “conquistaram o território” a eles atribuído pelo plano de partição da ONU, e “plus” metade do território que a ONU atribuíra aos palestinos.
O plano de partição estipulava que até 47% da população do Estado judeu
seria composta de árabes; e que a população do Estado árabe teria menos
de 1% de judeus. O plano insistia em que os dois Estados ficavam
proibidos de expulsar ou discriminar contra suas minorias. Para a ONU,
“Estado judeu” significava Estado que pregava e defendia o nacionalismo
judeu, sem discriminar contra não judeus; e a definição de “Estado
judeu” e “Estado árabe” não permitia limpeza étnica, razão pela qual os
colonos [não-]judeus a aceitaram imediatamente. Mas, desde então, os
colonos e seus descendentes insistem em que, para eles, o “Estado judeu”
pode discriminar, mediante leis e políticas, contra, por exemplo, não
judeus; e promovem “limpeza étnica”.
A ONU afirmou o direito dos refugiados, de retornar às próprias casas e
receberem compensação pelas perdas; Israel recusa-se a cumprir o que a
ONU afirmou. Depois que Israel ocupou 22% da Palestina restante, em
1967, e estabeleceu mais colônias nos territórios ocupados, mais
resoluções foram aprovadas na ONU, de condenação às violações pelos
israelenses, da lei internacional.
Em 1974, a ONU reconheceu a “Organização para a Libertação da Palestina”
(OLP) como única representante legítima dos palestinos. Desde então, a
ONU várias vezes reiterou o compromisso com as resoluções aprovadas
desde 1948, e conclamou Israel a reverter as medidas ilegais implantadas
por sucessivos governos israelenses.
Depois dos “Acordos de Oslo” de 1993, a OLP foi marginalizada, e a “Autoridade Palestina” (AP) foi reconhecida como representante dos palestinos da Cisjordânia e de Gaza (mas não dos palestinos habitantes de Jerusalém Leste, embora eles também votassem nas eleições em área da “Autoridade Palestina”).
Depois de 2007, a “Autoridade Palestina” deixou de representar os palestinos de Gaza, que passaram a ser representados pelo “Hamás” eleito. O novo projeto da “Autoridade Palestina”
passou a ser estabelecer um miniestado, em território não contínuo na
Cisjordânia e sem soberania. Esse projeto logo entrou em dificuldades,
porque Israel não interrompeu a [invasão e] colonização ilegal da
Cisjordânia (e de Jerusalém Leste). Cessaram as negociações, o que
deixou a “Autoridade Palestina” sem qualquer legitimidade ou objetivo final real que explicasse sua existência.
Semana passada, a Assembleia Geral da ONU votou a favor de a Palestina ser admitida como “Estado observador”. Por mais que alguns digam que não, a nova situação mina ainda mais o status da OLP na ONU: a OLP representava todos os palestinos; a Autoridade Palestina só representa os habitantes da Cisjordânia.
O reconhecimento também diminui geograficamente o Estado palestino, que
passa, dos 43% da Palestina histórica assegurados pelo plano de partição
inicial [pela ONU, em 1947], para menos de 18% do território original (e, provavelmente, para 10%, se se descontarem as anexações, colônias, áreas militares etc.);
e reduziu a população palestina, de cerca de 12 milhões, para 2,4
milhões de habitantes da Cisjordânia, 40% dos quais ali vivem como
refugiados.
A votação não passa, na essência, de uma atualização do plano de
partição de 1947, posto que, agora, a ONU garante aos colonos judeus e
seus descendentes 80-90% da Palestina, deixando o restante aos
habitantes originários; e há alta probabilidade de o plano, agora
reconhecido pela ONU, cancelar o direito de retorno dos refugiados.
Uma pequena minoria de nativos da Cisjordânia (cerca de 1,3 milhões de pessoas), pelos quais a “Autoridade Palestina” diz falar, ganhará da ONU status de “Estado-sob-ocupação”; e os refugiados palestinos que vivem na Cisjordânia (1 milhão de pessoas), além dos 6 milhões de outros refugiados, correm o risco de perder o direito de retorno.
Ao reconhecer um Estado palestino diminuído, o voto da ONU, de fato,
abandona a interpretação original da ONU, pela qual “o estado judeu” não
teria direito de discriminar e estava impedido de promover limpeza
étnica contra não judeus. O novo arranjo abençoa Israel e a leitura
israelense do que seja um “estado judeu” e tudo o que essa leitura
implica: a saber, a atual, real e existente discriminação, por lei e por
políticas; e a limpeza étnica que Israel pratica. Tudo isso passa a ser
aceitável. Já quase, na prática, é tudo legal.
A evidência de que a “atualização” tenha acontecido também num 29 de novembro – data do primeiro plano de partição
– contribui para demarcar a mesma data como data de repetidas derrotas
dos palestinos, que continuam a sofrer sob as leis colonialistas de
Israel. A data marca a repetição, também, do crime e da culpa da ONU,
que nega outra vez, aos palestinos, seus direitos humanos básicos de não
serem expropriados de suas propriedades e de não serem alvo de práticas
racistas.
Mas, de garantido, é que os palestinos, cuja maioria não é representada pela “Autoridade Palestina”,
não se renderão ao novo plano de partição, como nunca se renderam ao
primeiro plano. Os palestinos continuarão a resistir contra o
colonialismo israelense, até derrotá-lo, e até que Israel, afinal, se
converta em estado para todos os seus cidadãos, todos com direitos
iguais e assegurados, independente de nacionalidade, origem étnica ou
religião.” FONTE: escrito por Joseph Massad, no jornal inglês “The Guardian”, sob o título original “The UN vote to recognise Palestine legitimises a racist status quo”.
O autor é professor associado de Política Moderna e História
Intelectual Árabes, na Columbia University, USA. Artigo traduzido pelo
“pessoal da Vila Vudu” e transcrito no blog “Redecastorphoto” (http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/12/resistencia-palestina-2012-votacao-na.html).
O Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino foi marcado
por uma grande mobilização pelas ruas de Porto Alegre (RS) nesta
quinta-feira (29). A atividade foi a abertura oficial do Fórum Social
Mundial Palestina Livre, que ocorre nesta semana na capital gaúcha.
A
marcha saiu do Largo Glênio Peres, no centro, reunindo movimentos
sociais e organizações que participam do Fórum temático. A caminhada
seguiu pela avenida Borges de Medeiros com destino à Usina do Gasômetro,
onde as entidades realizaram um ato em apoio à causa palestina.
Durante
o ato, ativistas de diferentes países destacaram a decisão da
Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que concedeu à
Palestina nesta quinta-feira o status de Estado observador. Entretanto,
frisaram que será necessária muita luta e resistência para garantir que
as leis internacionais sejam cumpridas e os direitos do povo palestino,
respeitados.
A marcha ganhou a participação de movimentos sociais
e sindicais que também realizaram protestos nesta quinta-feira, como a
Marcha dos Sem, mobilização que ocorre todos os anos no Rio Grande do
Sul, e um protesto de professores da rede estadual de ensino por
reajuste salarial.
As atividades do Fórum Social Mundial
Palestina Livre ocorrem até sábado (1º) em diversos pontos de Porto
Alegre. A programação inclui conferências, oficinas, seminários e
diversas ações autogestionadas. Segundo os organizadores, é esperada a
participação de cinco a seis mil pessoas, oriundas de 36 países.
Mais informações e a programação do evento estão disponíveis na página oficial do evento, http://wsfpalestine.net/pt-br.
Chamado à mobilização sindical internacional para o
FSM Palestina Livre!
"Sintoniza o teu passo com o do homem livre e
bom... E tu que está de pé, dê a mão àquele que se encontra na terra."
Poeta Afegão
Companheiros e companheiras,
Fruto do acúmulo das reflexões no interior do Fórum
Social Mundial – FSM, o conjunto de organizações e movimentos sociais que dele
participam trabalha para organização de uma edição temática do FSM sobre a
solidariedade com o Povo Palestino.
Este fórum temático já esta com seu nome definido
como o “Fórum Social Mundial Palestina Livre - FSMPL” e, como sede, as
organizações elegeram o Município de Porto Alegre, Rio Grande do Sul Brasil,
por seu simbolismo para o movimento altermundista. O evento FSMPL ocorrerá nos
dias 28,29 e 30 de novembro e 01 de dezembro, reunindo participantes,
organizações, movimentos sociais de todo o mundo em um encontro global pela
solidariedade e diálogos pela paz.
Pela primeira vez estaremos reunindo no âmbito do
FSM organizações, redes, entidades intelectuais e lideranças políticas para
dialogar sobre a grave condição humana na Palestina. O FSMPL se desenvolve no
marco do direito internacional, das resoluções da Organização das Nações Unidas
e procura estabelecer um momento de reflexão sobre as ações de solidariedade
desenvolvidas até o momento.
Já confirmaram presença o ex Presidente do Brasil,
Luís Inácio Lula da Silva, a Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, o Presidente
da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, entre várias autoridades,
lideranças intelectuais e uma forte mobilização dos moimentos sociais e de
solidariedade com a Palestina no mundo.
O Movimento Sindical Mundial tem longa trajetória
de apoio ao povo palestino e uma forte presença sindical no FSMPL será
significativo para o sucesso do evento.
Maiores informações poderão ser obtidas na
Secretaria do Fórum, por telefone (+55 11 2108-9299) ou por e-mail
(secretaria.fspl@gmail.com).
Atenciosamente,
Setembro de 2012.
Vagner Freitas de Moraes – Presidente da CUT
João Antonio Felício – Secretário
de Relações Internacionais da CUT
Federação Árabe Palestina do Brasil assina Termo de Compromisso com o Governo Estadual para a realização do Fórum Palestina Livre
Governador participa de lançamento do Fórum Palestina Livre
Governador conversa com embaixador palestino, Ibrahim Al Zeben, no Fórum Livre Foto:
Caco Argemi/Palácio Piratini
O
Fórum Social Mundial Palestina Livre, evento que ocorre de 28 de novembro a 1º
de dezembro, em Porto Alegre, foi lançado nesta segunda-feira (24), no
auditório do Memorial do Rio Grande do Sul, no centro da Capital. O objetivo é
reunir pessoas e organizações no apoio à causa palestina, através de conferências
e atividades culturais que ocorrerão no centro de Porto Alegre e ao longo da
orla do Guaíba.
Ao
manifestar apoio à causa e solidariedade aos refugiados palestinos, o
governador lembrou que o Brasil defende o reconhecimento do Estado Palestino e
o cumprimento dos acordos de Oslo, além de ser contrário à ocupação militar na
Faixa de Gaza e na Cisjordânia. "É necessário que os setores políticos de
Israel e da comunidade palestina se unifiquem, para que, com base na
tolerância, no respeito à autodeterminação dos povos e ao direito de existência
do Estado Palestino, comunguem para uma grande movimentação política, global,
para o reconhecimento deste Estado e dos direitos históricos, culturais e
sociais do povo palestino", afirmou Tarso.
O
Ministério Público de Nanterre, em Paris, na França, abriu hoje (29) um
inquérito judicial para investigar a morte de Yasser Arafat,
ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), em 2004. Há
suspeitas de que ele tenha sido envenenado. Os restos mortais de Arafat
foram exumados, com autorização da família, levados a Paris para análise
de peritos.
A investigação ocorre depois que Suha Arafat, viúva do líder,
levantou suspeitas sobre a morte do marido. Uma queixa formal foi
apresentada em 31 de julho deste ano. Arafat morreu em novembro de 2004,
no hospital militar francês Percy de Clamart, perto de Paris.
A queixa de Suha Arafat – também em nome da filha Zahwa – foi
apresentada depois da divulgação de um documentário pela televisão
Al-Jazeera. No documentário, a emissora informou que um instituto da
Suíça localizou uma quantidade elevada de polônio, substância
radioativa, em amostras biológicas dos bens pessoais de Arafat. (mais…)
Com o objetivo de reforçar o apoio e solidariedade da luta na
Palestina, ocorre nesta quinta-feira (16) em Brasília o Seminário
Nacional dos Movimentos Populares Sobre a Questão Palestina, com o apoio
de dezenas de organizações brasileiras como o Cebrapaz, a CTB, a UNE e a
UBES, a Confederação Nacional de Associações de Moradores (Conam) e o
Comitê Brasileiro pela Libertação dos Cinco Heróis Cubanos (CL5).
Joanne Mota, da Rádio Vermelho em São Paulo Também participam do evento ativistas sociais ligados à causa do
povo palestino, como os editores Beto Almeida, da TeleSur e José
Reinaldo de Carvalho, do Portal Vermelho, além da presença do embaixador
palestino no Brasil, Ibrahim al-Zeben.
Em entrevista exclusiva para a Rádio vermelho, o
embaixador Ibrahim al-Zeben falou sobre a importância da realização do
evento e da gratidão do povo palestino pela solidariedade recebida. “O
nosso povo agradece todas as manifestações de solidariedade à justa
causa do povo palestino. O seminário vem no momento oportuno, em que
ocupantes israelenses intensificam suas ações de colonização na
Palestina e sua negativa ao processo de paz entre as duas regiões”,
externou o Ibrahim al-Zeben.
Segundo ele, o evento será muito importante, pois está em curso uma
visita às Nações Unidas para reivindicar espaço nesta organização
internacional. Além disso, o embaixador explicou que a realização do
Seminário vem como um estágio preparativo para oFórum Social Mundial
Palestina Livre, que acontecerá de 28 de novembro a 1º de dezembro, em
Porto Alegre.
Ibrahim al-Zeben também falou sobre a influência da cobertura da mídia
em relação à questão Palestina. “A mídia realiza uma cobertura
deficiente, quando não tergiversada sobre a realidade do conflito. Essa
postura constrói um ideia sobre o povo palestino e não informa que quem
ocupa o território são os israelenses, que muitas vezes são colocados
como vítimas. E lamentavelmente somos muitas vezes agredidos pela
imprensa internacional”, externou.
Sobre o avanço do imperialismo no Oriente Médio, o embaixador falou que
esta investida “é uma campanha integrada e global, na qual as nações
imperialistas lutam para preservar seus interesses e ampliar sua
hegemonia”.
Acompanhe a entrevista na íntegra:
Clique AQUIDestaques do Vermelho: Entrevista com Ibrahim al-Zeben Do Vermelho
Será realizado nesta quinta-feira (16) em Brasília o Seminário
Nacional dos Movimentos Populares Sobre a Questão Palestina, com o
apoio de dezenas de organizações brasileiras como o Cebrapaz, a CTB, a
UNE e a UBES, a Confederação Nacional de Associações de Moradores
(Conam) e o Comitê Brasileiro pela Libertação dos Cinco Heróis Cubanos
(CL5).
Além do apoio dessas organizações, o
Seminário contará com a participação de vários ativistas sociais
ligados à causa do povo palestino, como os editores Beto Almeida, da
TeleSur e José Reinaldo de Carvalho, do Portal Vermelho, além da
presença do embaixador palestino no Brasil, Ibrahim al-Zeben.
O evento será realizado em Brasília, das 14 às 19 horas no auditório do
Sindicato dos Bancários de Brasília, localizado na Asa Sul, quadra
314/315. Leia abaixo a programação do Seminário:
Seminário Nacional dos Movimentos Populares Sobre a Questão Palestina Quinta-feira, 16 de agosto, no Distrito Federal. PROGRAMAÇÃO
14 às 15 horas – Exibição do DVD sobre o Seminário de 2011 – Palestina Livre.
15 às 15h40 – Abertura Oficial. Composição da Mesa Diretora. Informes
Gerais. Saudação do Reitor da UDF e da professora Maria Valéria, da
Unipop. Exposição do jornalista Beto Almeida e exibição do Clipe sobre a
luta do povo palestino.
15h40 às 16 horas – Palestra – A Palestina e a Conjuntura Política
Mundial, com o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim al-Zeben.
16 às 16h20 – Palestra – A Palestina e a Solidariedade Internacional,
com embaixador do Irã no Brasil, Mohammad Ali Ghanezadeg Ezabadi.
16h20 às 16h30 – Exibição de Clipe-Documentário sobre a Palestina;
16h30 às 16h45 – Palestra – A Questão Palestina e o Sionismo na Mídia
Internacional, com o jornalista José Reinaldo de Carvalho, do Portal
Vermelho;
16h45 às 17 horas – Palestra – a Questão Palestina no Direito
Internacional, com o professor Fábio Duval da UCB - Universidade
Católica de Brasília.
17 às 17h30 – Palestra – A Questão Árabe-Palestina, a Geopolítica do
Oriente Médio e a situação Religiosa de Jerusalém como Capital das três
religiões, com a professora Beatriz Bissio, da UFRJ; Universidade
Federal do Rio de Janeiro.
17h30 às 18 horas – Tribuna Livre, com espaço destinado aos
representantes do Corpo Diplomático, partidos políticos, Movimentos
Sociais e participantes do evento em geral.
18 à 18h15 – Entrega dos certificados aos participantes; leitura e
deliberação do Documento Final do Encontro com distribuição á imprensa.
Informes Finais e encerramento.
18h15 às 19 horas – Coffee Break. Confraternização da Comunidade
árabe-palestina-brasileira e visita a exposição de fotos, cartazes e
posteres/bunners, lançamento de livros e DVDs (Filmes e Documentários)
sobre a Palestina.
APOIO:
CMP- Conselho Mundial da Paz;
CMS-Coordenação dos Movimentos Sociais;
MST- Movimento dos Sem-Terra;
IA- Instituto de Autonomia e Solidariedade aos Povos;
CEBRAPAZ - Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz;
Dentre
povos sem pátria, os curdos, um grupo de cerca de 36 milhões de pessoas
que se espalha pelo leste da Turquia, norte da Síria e do Iraque e
noroeste do Irã, são os maiores. Até o início do século 20, os curdos
pouco se importavam em ter um país, levando uma vida de pastores
itinerantes de cabras e ovelhas e tendo como principal elemento de
identidade sua organização social, baseada na lealdade aos clãs. Porém, o
maior controle das fronteiras nacionais após a Primeira Guerra Mundial
(1914-1918) impediu o livre deslocamento de seus rebanhos e forçou a
maioria dos curdos a estabelecer-se em aldeias fixas e adotar a
agricultura, fazendo surgir o nacionalismo e a luta pela criação de uma
nação própria, projeto duramente reprimido pelos governos da Turquia e
dos países vizinhos. Mas conseguir o próprio país não é aspiração
exclusiva dos curdos. Ela faz parte das reivindicações de vários outros
povos - grupos de indivíduos que são originários de uma mesma região,
falam o mesmo idioma e têm costumes, hábitos, história, tradições e
cultura em comum. Em geral esses povos não possuem hoje o próprio país
por serem minorias étnicas na área que habitam, sendo submetidos a
poderosas forças políticas ou militares, que representam interesses
contrários à sua autonomia.
Os seis maiores povos sem nação totalizam 56 milhões de pessoas
1. Curdos
POPULAÇÃO - 36 milhões
TERRITÓRIO REIVINDICADO - 191 mil km2 (equivalente ao Paraná)
QUEM
SÃO - Descendentes de tribos nômades que viviam ha 3 mil anos nas
montanhas do que são hoje Turquia, Irã e Iraque. Apesar de ocuparem por
séculos a mesma região, nunca tiveram um pais, mantendo-se sob domínio
político e militar de outros povos.
SITUAÇÃO
ATUAL - Na Turquia, onde vive a maioria do povo curdo, seu idioma é
proibido e cerca de 10 mil deles estão presos por motivos políticos. Na
década de 1990, milhares de curdos foram mortos por armas químicas
lançadas pelo ex-ditador Saddam Hussein no Iraque. Apos a queda dele, a
situação do povo no país melhorou.
2. Tibetanos
POPULAÇÃO - 6,2 milhões
TERRITÓRIO REIVINDICADO - 1,2 milhão de km2 (equivale ao Pará)
QUEM
SÃO - Descendentes de pastores que vivem na região noroeste do que e
hoje à China há 2 200 anos, os tibetanos costumavam viver numa sociedade
semifeudal dominada pela classe de sacerdotes budistas. Desde o século
13, o povo sofre a dominação de outros inimigos. Em 1990, o Tibério foi
invadido pela China, sendo ocupado e anexado em seguida. Para
contrabalançar a demografia da região, o governo de Pequim enviou mais
de 6 milhões de chineses para viver no Tibete.
SITUAÇÃO
ATUAL - A china continua a reprimir as atividades políticas e
religiosas e região, que tem passado por rebeliões esporádicas, sempre
duramente combatidas por Pequim.
3. Palestinos
POPULAÇÃO - 5,3 milhões
TERRITÓRIO REIVINDICADO - 6 mil km2 (equivale ao Distrito Federal)
QUEM
SÃO - Os palestinos são descendentes dos filisteus, povo que chegou ao
Oriente Médio há 14 mil anos, época em que explodiram os primeiros
confrontos com israelitas, que também habitavam a região. Submetidas ao
Império Otomano e depois pelos britânicos, os palestinos perderam a
chance da independência em 1948: com a de Israel, boa parte de seu
território foi ocupado pelo novo país.
SITUAÇÃO
ATUAL - Em 1994 foi estabelecida a Autoridade Palestina, um governo
semi-autônomo que obteve controle sobre partes do antigo território. Os
palestinos moderados defendem a ampliação da autonomia e a convivência
com os israelenses. Os radicais exigem a destruição de Israel.
4. Ciganos
POPULAÇÃO - 5 milhões
TERRITÓRIO REIVINDICADO - Nenhum
QUEM
SÃO - Originário do norte da Índia, de onde saíram por volta do século
11, os ciganos espalharam-se pelo mundo. Hoje, habitam praticamente
todos os país do Ocidente. Nômades sem reivindicação territorial, eles
têm sido vitimas de preconceito cultural, repressão política e até mesmo
campanhas de extermínio. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)
os nazistas mataram pelo menos 400 mil deles.
SITUAÇÃO
ATUAL - Resistindo a integrar-se à sociedade, eles procuram manter seus
costumes nômades tradicionais. As perseguições são coisa do passado na
maior parte do mundo. O preconceito cultural e a discriminação não.
5. Bascos
POPULAÇÃO - 2,1 milhões
TERRITÓRIO REIVINDICADO - 234 km² (1,2 vez o território do Distrito Federal)
QUEM
SÃO - A tribo dos Vascones antepassados dos bascos atuais, vivia em
áreas que hoje fazem parte da Espanha e da França há pelo menos 2 mil
anos. Depois de resistir a diversas invasões estrangeiras, eles foram
incorporados em sua maioria ao território espanhol e, no século 20,
sofreram intensas perseguições durante o governo do ditador Francisco
franco, a quem se opuseram inclusive com luta armada
SITUAÇÃO
ATUAL - Após a morte de Franco e a redemogratização da Espanha, na
década de 1970, os bastos obtiveram mais liberdade e certa autonomia
política. Mas isso não apaziguou os movimentos separatistas mais
radicais, que continuam com seus atentados.
6. Chechenos
POPULAÇÃO - 1,2 milhões
TERRITÓRIO REIVINDICADO - 15 800 km2 (três vezes o território do Distrito Federal)
QUEM
SÃO - Em sua maioria muçulmanos os chechenos originam-se de tribos que
vivem há séculos nas montanhas da região do Cáucaso. Entre as décadas de
1830 e 1850, eles opuseram feroz resistência armada às conquista que a
Rússia fazia naquela área. Como fim da União Soviética, em 1991, a
região virou república independente. Mas, em dezembro de 1994, a Rússia
invadiu a Chechênia, causando uma guerra com cerca de 100 mil mortes.
SITUAÇÃO
ATUAL - As tropas russas têm controle das principais cidades. Mas a
rebelião contra sua presença prossegue com atentados e violência.