Confira o curta metragem produzido pelas Forças Revolucionárias da
Colômbia (Farc) e entenda por que causa lutam seus guerrilheiros no
país. Além de destacar as belezas da América Latina, o vídeo denuncia o
genocídio contra todos os lutadores que defenderam a soberania a
independência desde o início do processo de colonização do continente.
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sexta-feira, 1 de março de 2013
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Farc pedirão em Oslo cessar-fogo conjunto e admitem entregar armas
Presidente colombiano disse que não haveria trégua durante negociação que começa em outubro
Mauricio Jaramillo fala com a imprensa em Havana, hoje
HAVANA - A guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciou nesta quinta-feira, 6, que vai propor aos mediadores indicados pelo governo de Juan Manuel Santos um cessar-fogo na reunião que as partes devem ter em Oslo, Noruega, no dia 8 de outubro.
A informação foi dada em Havana pelo comandante Mauricio Jaramillo,
que lidera a delegação de guerrilheiros envolvidos na aproximação.
"Vamos propor o cessar-fogo assim que nos sentarmos à mesa", disse
Jaramillo, reiterando que os sequestros não são mais parte da tática das
Farc.
O debate sobre uma trégua deve ser o primeiro ponto de atrito entre
as partes, uma vez que Santos garantiu ao anunciar o começo das
conversas com a guerrilha, no início da semana, que as ações militares
do governo continuariam e não haveria zona desmilitarizada no país
durante a negociação da paz.
Jaramillo também anunciou os nomes dos negociadores da guerrilha.
Segundo ele, Iván Márquez e José Santrich participarão das negociações
em Oslo. Márquez participou de negociações no passado e integra o
secretariado das Farc. Santrich é um líder de segundo escalão. Estadão
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quarta-feira, 11 de julho de 2012
Quem é quem no conflito armado da Colômbia
Conflito armado contribui para que Colômbia seja considerada pela ONU o quinto país mais violento do mundo
As Farc são a maior e mais antiga guerrilha de esquerda na Colômbia
Com quase meio século de duração, o conflito armado colombiano contribui para que a Colômbia seja considerada pela ONU o quinto país mais violento do mundo. Além dos milhares de homicídios, desaparecimentos e sequestros, o conflito causou o deslocamento interno de quase 4 milhões de pessoas.
A BBC Brasil ouviu especialistas na Colômbia para descobrir quem é quem nesta guerra de quase 50 anos. Ao longo dos anos, alguns componentes deixaram de existir, enquanto outros foram reformulados.
Entre os que "desapareceram", está o Movimento 19 de abril (M-19), voltado à guerrilha urbana e iniciado nos anos 1970, que atuou na tomada do Palácio da Justiça em 1985.
Entre os que "desapareceram", está o Movimento 19 de abril (M-19), voltado à guerrilha urbana e iniciado nos anos 1970, que atuou na tomada do Palácio da Justiça em 1985.
"Após um acordo, o M-19 deixou as armas em 1989. O mesmo caso é o do Exército Popular de Libertação (EPL), reintegrado nos anos 1990", conta o cientista político Álvaro Villarraga, presidente da Fundação Cultura Democrática.
Um caso de reformulação é do das Autodefensas Unidas de Colombia (AUC), que reunia diversos grupos paramilitares regionais de extrema direita para combater o crescimento das guerrilhas insurgentes. Formadas em 1997, as AUC desmobilizaram-se após acordo com o governo de Álvaro Uribe.
"Mas algumas facções não deixaram as armas e não se reintegraram. Daí surgiram as Bandas Criminais (Bacrim), também conhecidas como neoparamilitares", explica Villaparra.
Farc e ELN
As guerrilhas de esquerda começaram a atuar na Colômbia nos anos 1960. A mais antiga e maior são as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Analistas independentes apostam na existência de 10 mil a 15 mil homens, mas para o governo, seriam cerca 8 mil mobilizados.
As Farc fortaleceram-se nos anos 1990 graças ao maior poder de autofinaciamento, resultado da associação ao narcotráfico e a uso do sequestro extorsivo (prática que prometeram abandonar em fevereiro deste ano).
Após o aumento da ofensiva militar a partir de 2001, as Farc foram enfraquecidas, mas continuam atuantes, financiadas pelo narcotráfico e, recentemente, pela mineração.
A segunda guerrilha em atividade é o Exército de Libertação Nacional (ELN). Criado em 1965, o grupo teria atualmente entre 3 mil e 4 mil homens.
O ELN "dialogou" com os últimos quatro governos da Colômbia e, segundo analistas, tem agido mais politicamente que militarmente, embora ainda não tenha fechado um acordo de paz.
Neoparamilitares ou Bacrim
As Bacrim são compostas de vários grupos de ação regional. Atualmente os cinco principais são Los Rastrojos, Los Urabeños, Los Paisas, o Exército Popular Anti-Subversivo da Colômbia (Erpac) e a "Nueva Generación".
Os três mais poderosos são Los Rastrojos, com cerca de 2 mil homens, e Los Urabeños e Los Paisas, cada um com aproximadamente mil integrantes.
Alguns grupos mantêm a estrutura de milícia uniformizada, e a característica comum entre eles é a associação ao narcotráfico, no controle, regulação, produção e distribuição de drogas.
Para alguns analistas, as Bacrim atuam contra as guerrilhas de maneira mais limitada que as AUC e tendem a se tornar delinquentes comuns.
Políticos, militares e opinião pública
O governo colombiano representa a parte legalmente institucionalizada, que tem como atores os políticos e os militares que executam as ações de combate, conforme as diretrizes dos governos.
Ao longo da história, o governo da Colômbia tem assumido diferentes posições com relação ao conflito. O ex-presidente Uribe defendia combater as Farc até sua rendição e, para isso, intensificou a ação militar.
Por outro lado, o atual presidente, Juan Manuel Santos, tem demonstrado interesse em buscar uma saída negociada com as Farc, enquanto chama as Bacrim de "grupo subversivo".
Com mais de 450 mil homens, o Exército é quem efetivamente participa do combate. Alguns setores mais progressistas das Forças Armadas enxergam uma saída negociada para o conflito, outros acreditam na manutenção da guerra até a rendição dos mobilizados.
Na classe política, a extrema direita tende a se posicionar contra saídas negociadas, e os partidos de centro e de esquerda apostam na possibilidade de negociação.
A opinião pública também sempre esteve presente na "discussão" de saídas negociadas para o conflito, mas atualmente a alternativa preferida é a ação militar.
"Hoje a sociedade prefere a derrota das guerrilhas pela via militar, ainda que no passado tenha estado favorável ao diálogo", avalia Jorge Restrepo, diretor do Centro de Recursos para a Análise do Conflito Armado.
"No papel de principal atingida, a sociedade parece ter se cansado de esperar pela conversa entre as partes" completa.
Do DefesaNet
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sexta-feira, 1 de junho de 2012
Jornalista francês defende Farc: guerrilha quer saída negociada
Via Cebrapaz
O jornalista francês Romeo Langlois, que foi entregue nesta quarta-feira (30) após ser retido durante 33 dias pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), afirmou em coletiva de imprensa que as Farc "querem uma solução negociada ao conflito interno da qual participem outros países”.
Langlois disse que sua visão se mantém igual que antes de ter se entregado ao grupo armado. "O que lhes digo agora é o que pensava desde antes de ter me entregue. É necessário juntar muita gente e organizações para solucionar este problema”.
O jornalista francês, que esteve em cativeiro, explicou que as Farc enviaram uma carta ao presidente Francois Hollande. "As Farc enviaram uma carta ao presidente Francois Hollande. De fato, me pediram opinião a respeito do conteúdo desta carta. Eu tive autoridade para lê-la. Por razões óbvias não posso falar sobre o conteúdo desta carta a Hollande, a menos que as Farc e o presidente Hollande estejam de acordo”.
Langlois também detalhou que no momento de sua entrega às Farc se recordou que o compromisso do grupo é conseguir um país melhor "me falaram de sua luta e do chamado que fazem aos países do mundo a ajudar a Colômbia a conseguir com franqueza uma solução negociada ao conflito interno, nada diferente do que leram ontem (terça-feira, 29) no comunicado”, afirmou.
O comunicador francês afirmou que é necessário "baixar o tom à polêmica. Esta sempre é necessária, o importante hoje é resolver o conflito” e lamentou que na Colômbia haja "muito ódio de ambos os grupos”.
Em coletiva de imprensa o comunicador afirmou que a guerrilha ia entregá-lo após dois dias "mas ao ver a revolta causada decidiram retê-lo mais para fazer política”.
Afirmou que "eles (Farc) querem a paz, mas não vão ser comprados com "entreguem as armas" e um sermão e pronto, por isso vai ser complicado para a Colômbia e para a sociedade” conseguir um acordo de paz. As Farc "estão preparadas para seguir a guerra por mais 50 anos. Querem uma paz negociada, mas não confiam no governo nem no Exército”, apontou.
Destacou que a guerrilha colombiana deixou claro que a imprensa não é inimiga nem é objetivo militar e agradeceu que lhe tenham pedido desculpas "no dia da minha entrega me pediram desculpas pela lesão no braço e por tratar-me a princípio como prisioneiro de guerra”.
Outro mundo
O jornalista fez um chamado aos meios de comunicação para que penetrem nos povoados esquecidos da Colômbia e contem o que os campesinos vivem. "Você vai lá e é outro mundo porque os campesinos dizem coisas que não se vê na televisão, dizem que o Exército é terrorista”.
Apontou que os meios apresentaram uma versão "light” deste conflito "e este conflito é muito duro”. "Os campesinos me repreenderam e me disseram 'vocês dos meios não dizem a verdade, digam a verdade, o Exército chega aqui coloca em nós vestimentas militares e nos matam'”, acrescentou Langlois.
Afirmou que para a imprensa nacional e internacional o conflito armado vivido pela Colômbia está muito esquecido e lamentou que "para que Caquetá saia nos meios tenha que acontecer um sequestro”.
Langlois, de 35 anos, viajava em um helicóptero do Exército colombiano, em 28 de abril, para realizar uma reportagem sobre o narcotráfico na região. De acordo com a imprensa colombiana, a aeronave aterrissou em um campo minado e aconteceu um enfrentamento entre tropas do Exército e as Farc que culminou na entrega voluntária de Langlois.
Fonte: TeleSUR
Tradução: Adital
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terça-feira, 29 de maio de 2012
Narcotráfico, instrumento de dominio imperial

Salvador Capote*
Después de varias décadas de “guerra contra las drogas”, acompañadas de un costo colosal en vidas humanas y recursos materiales, los narcotraficantes son hoy más fuertes que nunca y controlan un territorio más amplio que en cualquier época anterior.
En los últimos seis años, ocurrieron en México más de 47,000 asesinatos relacionados con el tráfico de drogas. De 2,119 en 2006 aumentaron a cerca de 17,000 en 2011. En 2008, el Departamento de Justicia norteamericano advirtió que las DTOs (Organizaciones de Tráfico de Drogas), vinculadas a cárteles mexicanos, se encontraban activas en todas las regiones de Estados Unidos. En la Florida actúan mafias asociadas con el cártel del Golfo, los Zetas y la Federación de Sinaloa. Miami es uno de los principales centros de recepción y distribución de la droga. Además de los mencionados, otros cárteles, como el de Juárez y el de Tijuana, operan en Estados Unidos.
Los cárteles de México cobraron mayor fuerza después que sustituyeron a los colombianos de Cali y Medellín en los años 90 y controlan ahora el 90 % de la cocaína que entra en Estados Unidos. El mayor estímulo al narcotráfico es el alto consumo estadounidense. En 2010, una encuesta nacional del Departamento de Salud reveló que aproximadamente 22 millones de norteamericanos mayores de 12 años consumen algún tipo de drogas.
Estos, que son sólo algunos de los más inquietantes datos estadísticos, permiten cuestionar la eficacia de la llamada “guerra contra las drogas”. Es imposible creer que exista realmente una voluntad política para poner fin a este flagelo universal cuando observamos el papel que ha desempeñado el narcotráfico en la contrainsurgencia, la expansión de las transnacionales y las ambiciones geopolíticas de Estados Unidos y otras potencias.
Repasemos, en síntesis, la historia reciente (1). La administración de Richard Nixon, al iniciar la “guerra contra las drogas” (1971), desarrollaba al mismo tiempo el tráfico de heroína en el Sudeste Asiático con el propósito de financiar sus operaciones militares en esa región. La heroína producida en el Triángulo de Oro (donde se unen las zonas montañosas de Vietnam, Laos, Tailandia y Myanmar) era transportada en aviones de “Air America”, propiedad de la CIA (2)(3). En una conferencia de prensa televisada el primero de junio de 1971, un periodista le preguntó a Nixon: “Señor presidente ¿qué hará usted con las decenas de miles de soldados americanos que regresan adictos a la heroína?”. (4)
Las operaciones de “Air America” continuaron hasta la caída de Saigón en 1975. Mientras la CIA traficaba con opio y heroína en el Sudeste Asiático, el tráfico y consumo de estupefacientes en Estados Unidos se convertía en tragedia nacional. El presidente Gerald Ford solicitó al Congreso en 1976 la aprobación de leyes que sustituyesen la libertad condicionada con la prisión, estableciesen condenas mínimas obligatorias y negasen las fianzas para determinados delitos de drogas. El resultado fue un aumento exponencial del número de convictos por delitos relacionados con el tráfico y consumo de drogas y la consiguiente conversión de Estados Unidos en el país con mayor población penal del mundo. El peso principal de esta política punitiva cayó sobre la población negra y otras minorías.
Las administraciones estadounidenses durante los años 80 y 90 apoyaron a gobiernos sudamericanos involucrados directamente en el tráfico de cocaína. Durante la administración Carter, la CIA intervino para evitar que dos de los jefes del cártel de Roberto Suárez (Rey de la Cocaína) fuesen llevados a juicio en Estados Unidos. Al quedar libres, pudieron regresar a Bolivia y jugar papeles protagónicos en el golpe de estado (“Cocaine Coup”) del 17 de Julio de 1980, financiado por los barones de la droga. La sangrienta tiranía del general Luis García Meza fue apoyada por la administración de Ronald Reagan.
La participación más conspicua de la administración Reagan en el narcotráfico fue el escándalo conocido como “Irán-contras” cuyo eje más publicitado fue la obtención de fondos para financiar a la contra nicaragüense mediante la venta ilegal de armas a Irán, pero está bien documentado, además, el apoyo de Reagan, con este mismo propósito, al tráfico de cocaína dentro y fuera de Estados Unidos.
Estas conexiones las explica el periodista William Blum en su libro “Rogue State” (5). En Costa Rica, que servía como Frente Sur de los contras (Honduras era el Frente Norte) operaban varias redes CIA-contras involucradas en el tráfico de drogas. Estas redes estaban asociadas con Jorge Morales, capo colombiano residente en Miami. Los aviones de Morales eran cargados con armas en la Florida, volaban a Centroamérica y regresaban cargados de cocaína. Otra red con base en Costa rica era operada por cubanos anticastristas contratados por la CIA como instructores militares. Esta red utilizaba aviones de los contras y de una compañía de venta de camarones que lavaba dinero para la CIA, en el traslado de la droga a Estados Unidos.
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quarta-feira, 11 de abril de 2012
Especial Colômbia : 8.000 presos políticos: Rompamos o silêncio!
Sanguessugado do Solidários
Texto de Azalea Robles, imagens de Areito
Estima-se em mais de 7.500 os homens e as mulheres que atualmente são vítimas do encarceramento político na Colômbia, um último informe de finais de 2011, fala de 9.500 presos políticos; a cifra de 7.500 é uma cifra com a qual vêm trabalhando as organizações de defesa de direitos humanos já há alguns anos, o que indica que muito provavelmente essa cifra hoje estaria defasada, dado o incremento de encarceramentos políticos nos últimos anos sob os governos de Uribe e agora de Santos, sob o qual estes encarceramentos políticos continuam se incrementando de maneira exponencial. A existência de milhares de presos políticos é testemunho da guerra repressiva desatada pelo estado colombiano contra a reivindicação social; portanto exigir a liberdade para os presos políticos é parte medular da construção de uma verdadeira paz com justiça social.
Na Colômbia, o capitalismo expressa os estertores de um agonizante: o terror correspondente ao saque dos recursos para benefício do grande capital é aplicado da maneira mais escancarada contra a população, com a finalidade de expulsar quantidades enormes de pessoas das zonas cobiçadas, e de eliminar reivindicações. E, nesses tempos nos quais o capitalismo mundial aprofunda ao extremo as contradições entre acumulação capitalista e a sobrevivência da espécie, as estratégias repressivas desenvolvidas na Colômbia são destinadas também a ser aplicadas na região, o que constitui mais uma razão para se solidarizar com o povo colombiano – além das razões éticas.
Para aprofundar mais, segue esse texto que faz parte de uma série de textos sobre o tema:
Milhares de presos políticos são o rosto da empatia crivada de balas
A quantidade alarmante de presos políticos manifesta uma situação gravíssima de repressão contra o pensamento crítico, contra a reivindicação social e o direito à participação política, só comparável a situação das liberdades feridas de uma ditadura militar.
1. Introdução a uma realidade tornada invisível
Há pelo menos 7.500 presos políticos na Colômbia, outro triste “recorde” de um Estado cujo nível de repressão e de extermínio da oposição ultrapassa inclusive o das ditaduras assumidas como tal e que, contudo, goza de amplo beneplácito da diplomacia internacional, porque a chamada “comunidade internacional” fecha muito facilmente os olhos sobre os genocídios se estes permitem o saque dos recursos do país invadido. A maioria dos presos políticos na Colômbia são civis encarcerados sob montagens judiciais: sindicalistas, jornalistas, acadêmicos, estudantes, ambientalistas e camponeses presos para calar sua reivindicação social, desagregar a organização política e calar o pensamento crítico. A prática repressiva dos encarceramentos arbitrários seguem se agravando. 90% dos presos políticos são civis, os presos políticos e de guerra das organizações políticas e militares FARC e ELN são aproximadamente 10% do total de presos políticos.
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segunda-feira, 2 de abril de 2012
‘Na Colômbia, estamos diante de uma das maiores crises humanitárias do planeta’
Valéria Nader e Gabriel Brito
A Colômbia esteve recentemente em grande evidência nos noticiários nacionais em função de novo posicionamento das FARC que, em comunicado, disseram que não dariam prosseguimento às suas atividades de seqüestros, ao mesmo tempo em que libertariam novos reféns. Como sempre, quando se trata de questões afeitas aos nossos vizinhos latino-americanos, especialmente se envolvem as entidades tidas a priori como ‘terroristas, o teor das análises varia entre a superficialidade e a apelação. Quando muito, a apresentação de uma biografia de algum dos personagens envolvidos nos ‘seqüestros’ ou ‘atentados’, principalmente se vier a corroborar os dogmas tão caros - e manjados - à nossa imprensa.
O fato é, no entanto, que, na medida em que nos dispomos a nos aprofundar, um tanto que seja, na realidade latino-americana, são incontáveis e surpreendentes as descobertas que se podem fazer face às caricaturas às quais estamos expostos. A Colômbia talvez seja um caso extremado desse quadro, em função da notoriedade das suas guerrilhas e do potencial de visibilidade que trazem as notícias e artigos nos quais são citadas. Pietro Alarcon, colombiano e professor de Direito na PUC-SP, concedeu-nos uma entrevista sobre a conjuntura atual do país, da qual se apreende um cenário político, econômico e social complexo e, ao mesmo tempo, dramático.
De acordo com estatísticas oficiais, o país de cerca de 46 milhões de habitantes abriga hoje 29 milhões de pobres e por volta de 9 milhões de habitantes na pobreza absoluta; 3,4 milhões de pessoas são refugiadas internas, o que, por si só, dá a dimensão da crise humanitária vivida pelo país. A participação da população civil em conflitos armados, planejando ações contra as entidades de classe, sindicatos e outros órgãos comunitários, ocorre, por sua vez, em flagrante desrespeito às normas do Direito Internacional Humanitário.
A opção pela militarização para a solução de conflitos, o autoritarismo do Estado em sua relação com a sociedade e um forte e incondicional alinhamento com os EUA persistem, pois, sob o comando do atual presidente Juan Manuel Santos – de forma menos visível, mais camuflada, mas com a mesma lógica existente à época de Uribe. Uma situação que em nada contribui para um processo de paz. Assim como para ele não colabora a negação, pelo Estado, da existência de presos políticos na Colômbia – forte contradição face à admissão da existência do conflito armado.
Leia a seguir a entrevista completa.
Correio da Cidadania: O que pensa da atual conjuntura política, econômica e social na Colômbia? O que se pode dizer do absurdo número de assassinatos políticos, como nas últimas eleições, e também do incrível número de mortes de sindicalistas, líderes comunitários, camponeses, além de outras brutalidades contra indígenas, mulheres, agricultores?
Pietro Alarcón: A verdade é que existe, como é lógico, uma variedade de aspectos que podem ser abordados, de cunho político, econômico, social, militar e jurídico.
Acho possível estabelecer uma espécie de marco geral de análise de uma sociedade na qual se verifica um confronto de projetos sobre a saída ao conflito social e armado, uma constante nos últimos 50 anos. Por um lado, segmentos do Estado, nos quais há civis e militares, propõem e executam uma ação dirigida à imposição da saída militar, que não inclui modificações do regime político ou transformações sociais significativas do modelo econômico.
Por outro lado, há os setores convencidos da necessidade da saída pela via do diálogo, da negociação, da necessidade de criar mecanismos de distensão que possibilitem caminhos de paz acompanhados de uma discussão ampla sobre os problemas históricos que ocasionaram a violência na perspectiva de um novo cenário, de efetivação de direitos, de abertura democrática.
Neste marco geral é possível continuar a enxergar alguns elementos pontuais que revelam as idas e vindas da situação.
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
O Narcotráfico: uma arma do império
Gilberto López y Rivas
La Jornada
A Argenpress, em suas edições virtuais, colocou à venda o livro “O Narcotráfico: Uma Arma do Império”(2010), de Marcelo Colussi, cuja leitura se torna imprescindível para a análise sobre o assunto no âmbito planetário e, em particular, para a compreensão da trágica situação que nosso país (*) vive atualmente. Considerando-se seu trabalho como uma contribuição para uma área onde existem demasiadas mentiras, o autor sustenta que, ao redor do narcotráfico há uma versão oficial, usada incansavelmente pelos meios de comunicação de massa, e uma realidade oculta.
Observando a magnitude descomunal do negócio das drogas ilícitas, afirma que o circuito comercial movimenta cerca de 800 bilhões de dólares anuais, acima do valor das vendas de petróleo, mas abaixo do valor das vendas de armas, que continua sendo o mercado mais rentável de todo o mundo. A hipótese principal de Colussi consiste em explicar que o poder hegemônico liderado pelos EUA encontrou nesse novo campo de batalha um terreno fértil para prolongar e readequar sua estratégia de controle universal. Assim “como o encontrou também com o chamado `terrorismo`, nova `praga bíblica´ que tem possibilitado a nova estratégia de dominação militar unipolar, com sua iniciativa de guerras preventivas”.
Sustenta-se que os mesmos fatores de poder que movem a maquinaria social do capitalismo global criaram a oferta de entorpecentes, geraram sua demanda, e sobre a base desse circuito, teceram o mito de algumas maléficas máfias super poderosas enfrentadas com a humanidade, causa das angústias e ansiedades dos honestos cidadãos, motivo pelo qual está justificada uma intervenção policial-militar em escala planetária.
Seguindo uma metodologia de perguntas e respostas, nosso autor estabelece uma interrogante chave: quem se favorece com o tráfico de drogas ilegais? Ele responde que, para as grandes maiorias, não há benéficio algum: o dependente de drogas entra em um inferno no qual não mais de 10 por cento dos que tentam consegue se recuperar; seus familiares levam uma carga de agonias, pois o vício envenena toda a convivência; aos agricultores que cultivam a matéria prima nos países do sul somente chega 1% dos lucros totais do negócio; entre os povos indígenas, o pagamento em dinheiro, a repressão e a cultura deliquencial rompem com as estruturas dos auto-governos comunitários; a economia camponesa de consumo próprio é substituída por outra mercantilizada; a cultura do dinheiro fácil vinculada à criminalidade liga-se a toda uma desagregação do tecido social, que entra em um processo de decomposição e de guerra; todo o aparato de banditismo e o dedicado à comercialização, seja o mula, o jibaro ou o capo, têm um histórico de vidas breves e fortunas efêmeras (de alguns poucos), nas quais a morte e a prisão estão sempre ao redor na esquina. Não é uma economia sustentável. É uma história de sofrimento e dor. A nós, latino-americanos, nos sobram a crise, a guerra civil, os mortos, sociedades destruídas e somente alguns dólares que movem as máfias locais.
Essas máfias, afirma Colussi sem lhes tirar sua quota de responsabilidade, não são senão uma pequena parte de toda a cadeia. Os mafiosos são comerciantes que fazem seu trabalho e não passam disso;ganham dinheiro, muito dinheiro sem dúvida, mas não tem poder de decisão sobre os termos macro do assunto... os que fazem a grande fortuna, definitivamente são os banqueiros: “essa massa enorme de dinheiro que move o negócio - que certamente se traduz em poder, muito poder político e poder social – também chega a outras esferas de ação: esse dinheiro é “lavado” e chega a circuitos aceitos... Não é nenhuma novidade que existe toda uma economia ´limpa´, produto de ações de branqueamento dos capitais do narcotráfico, e são bancos ´limpos´ e honoráveis os que costumam fazer essas operações, os mesmos que manejam o capital financeiro multinacional que hoje controla a economia mundial, e aos quais o Sul pobre aporta cifras astronômicas na qualidade de dívida externa”.
Mas, além de ser um enorme negócio, o tráfico de drogas ilegais tem outro significado: é utilizado como mecanismo de controle das sociedades. É um dispositivo que permite uma supervisão do coletivo por parte da classe dominante. Passa-se a controlar a sociedade em seu conjunto e ela é militarizada, tendo-se a desculpa ideal para que o poder possa mostrar os dentes. Uma população assustada é muito mais manobrável.
Por sua parte, o imperialismo norte-americano vem aplicando de forma continuada um suposto combate ao negócio das drogas ilícitas, cujo objetivo real é permitir aos EUA intervir onde desejar, tenha interesses ou onde estes sejam afetados. Terminar com o consumo está absolutamente fora de seus propósitos. Onde há recursos que ele precisa explorar – petróleo, gás, minerais estratégicos, água doce, etc, e/ou focos de resistência popular, aí aparece o demônio do narcotráfico. Isso é uma política consubstancial a seus planos de controle global. Graças a ela, o governo dos Estados Unidos conta com uma arma de dominação político-militar. Na realidade, o suposto combate ao narcotráfico é a montagem de uma sangrenta obra de teatro. É um combate frontal contra o campo popular organizado, no qual na Colômbia e agora no México, por exemplo, as oligarquias e seus governos tem-se sujeitado docilmente às estratégias dos EUA, sendo a plataforma para a contra-insurgência, a criminalização das resistências e a militarização e paramilitarização de nossos países. O consumo induzido de drogas é parte medular da manutenção do sistema capitalista, tanto como o é a guerra, razão por que o autor apresenta em sua conclusão a mesma disjuntiva de Rosa de Luxemburgo: socialismo ou barbarie.
(*) México (N.do T.)
Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
FARCs denunciam responsabilidade do governo colombiano na morte de reféns
Denúncia grave que, como era de se esperar, não ganhou nenhuma repercussão na grande mídia reacionária.
As FARCs publicam carta em que responsabilizam manobra provocadora do governo Manoel Santos, da Colômbia, em episódio que deveria proporcionar a libertação de reféns que terminaram sendo assassinados num confronto provocado, desnecessariamente, pelas forças governistas.
"As FARCS queriam devolver os reféns vivos. Mas o governo Santos os queria mortos", diz a carta endereçada às mediadoras que tinham a senadora Patricia Córdoba, à frente, com quem os guerrilheiros haviam acertado a libertação. As razões são evidentes: a devolução de mais esses reféns, vivos, comprovaria que cabe ao governo, submetido aos ditames do Departamento de Estado, a responsabilidade pela não abertura de negociações para uma saída política na guerra civil que assola a Colômbia há mais de quatro décadas.
Os detalhes estão na íntegra da matéria do Correio do Brasil:
Farc lamenta morte de prisioneiros e responsabiliza governo colombiano
8/12/2011 0:59, Por Adital
A entrega de seis prisioneiros de guerra dasForças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (Farc-EP), queseria realizada no último dia 26, em Caquetá, na Colômbia, terminou de modoinesperado – com a morte de quatro prisioneiros. O fato aconteceu porque oExército colombiano surpreendeu a ação.
A ação mal sucedida provocou a morte do coronel Édgar Yesid Duarte, domajor Elkin Hernández e do intendente Álvaro Moreno, todos policiais, e dosargento José Libio Martínez, do Exército, o mais antigo prisioneiro daguerrilha, capturado em 21 de dezembro de 1997.
Na quinta-feira (1º), uma carta do Secretariado do Estado Maior Central das Farc-EP direcionada àsmediadoras internacionais Piedad Córdoba, Lucía Topolanski, Jody Williams,Elena Poniatowska Amor, Alice Williams, Mirta Baravalle, Isabel Allende,Rigoberta Menchú, Socorro Gómez, Hermana Elsie Mongue e Ángela Jeira lamentavaa morte dos quatros prisioneiros e assegurava que todos seriam libertados emresposta a pedido feito em agosto pela ex-senadora Piedad Córdoba.
“A dor não é somente dos familiares dos prisioneiros em nosso poder. Ohumanitarismo deve olhar, sempre, com seus dois olhos. Em sã lógica, um acordode paz na Colômbia deve estar antecedido por uma troca de prisioneiros entre aspartes combatentes porque, sem dúvida, um evento tal aplanaria o caminho doentendimento e o fim da guerra, do conflito social e armado que se prolonga porseis décadas pela intransigência estéril dos governos”, assinala a carta.
As Farc nomearam de irracional a tentativade resgate militar por parte do exército colombiano, quando todos sedirecionavam para o local onde seria feita a entrega aos mediadores/as.”Surpreende a atitude do governo colombiano, que não duvidamos, estava cientede nossa determinação. As Farc queriam libertá-los vivos, mas o governo de JuanManuel Santos preferiu devolvê-los mortos a seus entes queridos”, manifestaramem carta.
As Farc rechaçaram a justificativa do ministro de Defesa, Juan Carlos Pinzón, de que a operação executada pelo Exército não era de resgate, mas sim debusca. E reforçaram que a intenção era entregar com vida os prisioneiros – comofeito em outros resgates – com o objetivo de abrir espaço para o diálogo e apaz.
“Acostumados a impor uma guerra sem regras,à degradação que encarnam os ‘falsos positivos’, à eliminação física dopensamento revolucionário, à criminalização da opinião e do protesto, aos massacres,às fossas comuns e ao deslocamento forçado da população, pretendem agora que seconsagre o direito perpétuo à impunidade. Quem deve ser conduzido aostribunais, é o outrora ministro dos ‘falsos positivos’ que hoje ostenta a faixapresidencial”, criticaram.
Apesar dos acontecimentos, as Farc afirmamque a luta pela paz não para. Devido à entrega dos prisioneiros não ter sidobem sucedida e em nome da memória de Alfonso Cano –máximo dirigente das Farc morto em confronto com o Exército em quatro denovembro deste ano- os guerrilheiros asseguraram que será realizada alibertação de outros prisioneiros de guerra “apesar de que alguns deles caíramna insensata tentativa de resgate militar”.
Vários resgates de prisioneiros de guerradas Farc já foram feitos com o apoio da Cruz Vermelha, de organizações dedireitos humanos, como Colombianas e Colombianos pela Paz, e de países como oBrasil. Pelo menos cinco pessoas foram resgatadas com vida neste ano.
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Colombia
sábado, 19 de novembro de 2011
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