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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Quem é Tourinho Neto, o desembargador que deu habeas corpus a Cachoeira

 
Na Operação Diamante, de 2002, o nome de Tourinho Neto foi envolvido num grampo da PF, que investigava a rede do supertraficante de cocaína Leonardo Dias Mendonça, parceiro de Fernandinho Beira Mar. Tourinho tornou-se suspeito de vender habeas corpus aos criminosos (ele relatou decisão que libertou o traficante Leonardo), numa quadrilha que envolvia o ministro Vicente Leal de Araújo (STJ, afastado), o desembargador do TRF Eustáquio Silveira (colega de Tourinho, afastado) e o ex-deputado Pinheiro Landim (que renunciou ao mandato). Os traficantes, segundo a PF, referiam-se a Tourinho como “o reprodutor”.
 
 
Em 2007, Tourinho Neto relatou acórdão em mandado de segurança em que a empresa de telefonia Americel se recusava a fornecer à Polícia Federal uma linha de acesso para grampear os telefones tipo GSM de clientes da empresa. A decisão, favorável à Americel, é um verdadeiro libelo contra o uso de escutas telefônicas em investigações policiais. Segundo Tourinho Neto, falta rigor aos juízes que autorizam as escutas, e estas, em poder da polícia, se transformariam em instrumento de chantagem e destruição de reputações pela imprensa.
 
 
Anular prisões em inquéritos que tenham-se valido de escutas, desqualificar juízes de primeira instância e procuradores são procedimentos contumazes de Tourinho Neto em seus julgamentos:
 
1. Em 2002, ao libertar o senador Jader Barbalho, Tourinho Neto ofende o juiz de Palmas que havia decretado a prisão.
 
 
2. Em 2007, num despacho, ele ofendeu e chamou de desidiosa a procuradora Lívia Tinoco, acusando-a de retardar uma ação que ela havia assumido apenas semanas antes. O MP moveu contra ele uma ação penal:
 
 
3. Em 2009, Tourinho Neto reverteu decisão do juiz de Rondônia que cassava o mandato e afastava do cargo o governador Ivo Cassol. Ele era acusado de usar a polícia civil para coagir testemunhas em inquérito por compra de votos.
 
 
4. Em maio de 2010, Tourinho liberta 40 acusados de roubo e comércio ilegal de madeira, em reservas florestais e áreas indígenas, incluindo a mulher do presidente da Assembleia de Mato Grosso e o ex-chefe de gabinete do governador Silval Barbosa. Alegou que a decisão do juiz de primeira instância foi “política”. A PF tinha 89 mandados de prisão em curso.
5. Em 2010, Tourinho Neto arquivou, sem examinar o mérito, ação de improbidade do MP contra os responsáveis pela privatização da Tele Norte-Leste (Mendonça de Barros, André Lara Rezende e Pio Borges). Decidiu que a anulação do leilão, em que o MP viu financiamento ilegal do BNDES aos vencedores, “não era de interesse público”.
 
 
6. Em 2011, Tourinho Neto liberta o rei do café, acusado de fraudes no Porto Seco de Varginha.
 
 
7. Em junho de 2012, Tourinho solta o lobista Josino Guimarães, acusado de mandar matar juiz em Cuiabá (denunciado pelo procurador e hoje senador Pedro Taques).
 
 
Militante histórico e vice-presidente da Associação dos Juízes Federais, Tourinho Neto tem um comportamento escandalosamente corporativo ao julgar seus pares, nos tribunais em que atua e no CNJ:
 
1. Em 2009, Tourinho relatou – e considerou inocente, em seu voto – o corregedor do Tribunal de Justiça do Rio, Roberto Wider, que acabou punido (aposentado) por ter chefiado a máfia dos cartórios no Estado.
 
2. Em 2011, Tourinho pediu vistas e votou contra abertura de inquérito que investigou o ex-presidente do Tribunal Eleitoral e desembargador do Tribunal de Justiça do Rio, Luiz Zveiter, acusado de favorecer a imobiliária Cyrela.
 
3. Em janeiro de 2012, Tourinho Neto foi relator, no CNJ, do pedido de revogação da nomeação de 17 desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Mesmo reconhecendo que as promoções tinham sido ilegais, recomendou que as promoções fossem mantidas.
 
 
Na defesa de privilégios de sua “categoria”, ele não se incomoda em despir a toga e incitar motins da magistratura por maiores salários.http://paginadoenock.com.br/juiz-tourinho-neto-conselheiro-do-cnj-apoia-greve-dos-juizes-federais-marcada-para-o-dia-30-de-novembro/
Foi assim que ele entrou em choque, mais uma vez, com sua desafeta ministra Eliana Calmon:
 
 
Em nome da categoria, Tourinho Neto defendeu o escandaloso empréstimo da Granja Comary, que a CBF - esta santa entidade que nada tem a temer dos tribunais - cedeu graciosamente para um torneio de futebol entrem juízes federais
 
 

segunda-feira, 5 de março de 2012

A dura vida do presidente da OAB

 
É dura a vida do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante. No último ano, ele condenou o tamanho da fila dos precatórios de São Paulo, a farra dos passaportes diplomáticos, as fraudes nos exames da Ordem, a atuação de advogados estrangeiros em Pindorama, o enriquecimento de Antonio Palocci, e a blindagem dos “fichas-sujas”. Defendeu a autonomia salarial do Judiciário e os poderes do Conselho Nacional de Justiça.
 
Como se sabe, Ophir Cavalcante é sócio de um escritório de advocacia em Belém e procurador do governo do Pará, licenciado desde 1998, quando se tornou vice-presidente da seccional da Ordem. Até aí, tudo bem, pois Raymundo Faoro era procurador do Estado do Rio, apesar de não lhe passar pela cabeça ficar 13 anos com um pé na folha da Viúva e outro na nobiliarquia da Ordem.
 
Em agosto do ano passado, quando o Tribunal Regional Federal permitiu que o Senado pagasse salários acima do teto constitucional de R$ 26.723, Cavalcante disse o seguinte: “O correto para o gestor público é que efetue o corte pelo teto, e que as pessoas que se sentirem prejudicadas procurem o Judiciário, e não o contrário”.
 
Em tese, os vencimentos dos procuradores do Pará deveriam ficar abaixo de um teto de R$ 24.117. Seu “comprovante de pagamento” de janeiro passado informa que teve um salário bruto de R$ 29.800,59.
 
O documento retrata as fantasias salariais onde a Viúva finge que paga pouco, e os doutores fingem que recebem menos do que merecem. Isso não ocorre só com ele, nem é exclusividade do Ministério Público do Pará.
 
O salário base do doutor é de R$ 8.230,57. Para os cavalgados, é isso, e acabou-se. No caso de Cavalcante, somam-se sete penduricalhos. Há duas gratificações, uma de R$ 6.584 por escolaridade; outra de R$ 7.095 por “tempo de serviço”; (na repartição, ficou três anos, mas isso não importa); R$ 4.115 por “auxílio pelo exercício em unidade diferenciada” (a procuradoria fica em Belém, mas ele está lotado na unidade setorial de Brasília).
 
Esse contracheque levou uma mordida de R$ 5.196 do Imposto de Renda. Se o doutor trabalhasse numa empresa privada, com salário bruto de 29.800,59, tivesse dois dependentes e pagasse, como ele, R$ 2.141 na previdência privada, tomaria uma mordida de R$ R$ 6.760.
 
Finalmente, há R$ 314 de auxílio alimentação, o que dá R$ 15,70 por almoço. A OAB precisa protestar: o Ministério Público paraense passa fome.
 
Elio Gaspari
No Folha
 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Advogados do Pinheirinho entram com recurso no TRF


Eles querem a cassação da liminar que manteve a reintegração de posse

Aline Scarso

O grupo de advogados da ocupação Pinheirinho entrou com recurso nesta quarta-feira (18) no Tribunal Regional Federal (TRF) contra a liminar expedida pelo juiz titular da 3ª Vara Federal, Carlos Alberto Antonio Junior. O juiz cassou a liminar da juíza Roberta Monza Chiari, da Justiça Federal, no final da tarde da terça-feira (17), provocando tensão nas 1600 famílias da ocupação em São José dos Campos (SP).

Foto: solidariedadepinheirinho.blogspot.com

O terreno pertence ao especulador Naji Nahas preso em julho de 2008 pela PolíciaFederal durante a operação denominada Satiagraha. Na ocasião, Nahas foi preso junto com o banqueiro Daniel Dantas por crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

Segundo o juiz Carlos Alberto Antonio Junior, o interesse do Ministério das Cidades em comprar a área e regularizar o terreno, “não é suficiente para afastar a competência do Juízo Estadual que já determinou a desocupação da área e que não vê motivos para dilação do prazo de cumprimento da ordem [de reintegração de posse]”. Com isso, passa a valer novamente a posição da juíza Márcia Loureiro, da 6ª Vara Cível, favorável à desocupação.

Outro argumento da 3ª Vara Federal é que há interesse político e não jurídico da União na área. O argumento é contestado pelo advogado das famílias do Pinheirinho, Antônio Donizete Ferreira. “Está comprovado o interesse jurídico da União por dois pontos. Primeiro porque a União já disse que vai adquirir a área e que quer regularizar a situação das famílias. E também porque tem o interesse jurídico de respeito aos direitos humanos. Quase 2 mil crianças vivem na ocupação, lá também vivem muitos idosos. Se essas famílias saírem vão ficar perambulando por onde?”, pontua.

Ele também lembra que o direito à moradia é constitucional e deve ser garantido pelo Estado. Segundo ele, a Advocacia Geral da União (AGU) também vai entrar na Justiça com um pedido de medida cautelar para transferir a ação da Justiça estadual de São Paulo para a Justiça Federal.

Enquanto são realizados os tramites jurídicos, as famílias estão apreensivas com a possibilidade de desocupações. Há informações de que a juíza Márcia Loureiro conversa nesta quarta-feira com a Polícia Militar (PM) sobre as providências para cumprir a ordem de reintegração de posse, que pode acontecer a qualquer momento.

“A Justiça é morosa para a maioria das coisas. Mas com relação a essa integração, por que tanta pressa? A Justiça estadual quer fazer a reintegração a todo custo, não se importando com o modo como isso seria feito. Isso nos causa bastante estranheza”, avalia Ferreira.

A Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) deve pedir à PM que tenha calma em cumprir o mandado e que espere a resposta do recurso enviado pelas famílias ao TRF. Nesta quarta-feira, a secretária Nacional de Habitação, Inês Magalhães, também está em São José dos Campos e tenta um acordo com o prefeito Eduardo Cury (PSDB) para garantir a regularização.
 
Na última semana, representantes do Ministério das Cidades e da Secretaria Estadual de Habitação elaboraram um protocolo de intenções para regularizar o terreno, que prevê ações conjuntas do governo federal, estadual e da Prefeitura. Mas até o momento a Prefeitura não vem se mostrando aberta a negociações, segundo Ferreira.
 
De acordo com o advogado, se mantida a reintegração de posse, deve haver confronto entre PMs e as famílias. “A vida delas tem sido assim, vai da euforia à aflição em poucas horas. Hoje elas estão realmente muito tristes, e se preparando para fazer a resistência. Vai ter enfrentamento se tiver essa reintegração”, destaca.
 
As famílias que moram no terreno de 1 milhão e 300 mil metros quadrados ocupam o lugar desde 2004. A maioria são formadas por trabalhadores da construção civil, migrantes, que conseguiram construir casas de alvenaria e uma estrutura de convivência no local.


Do Gilson Sampaio

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

TRF libera pagamento de supersalários também na Câmara

O presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), Olindo Menezes, liberou o pagamento de salários acima do teto constitucional - R$ 26.723,13 mensais - a servidores da Câmara. Ele acatou recurso da União e suspendeu uma liminar da 9ª Vara da Justiça Federal do DF que proibia os supersalários. A decisão é da última segunda-feira, mas foi publicada no Diário da Justiça Federal da Primeira Região apenas nesta sexta-feira (09).
 
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Os argumentos de Menezes foram semelhantes ao que ele usou quando liberou os supersalários no Senado, no mês passado. Ele alegou que o teto constitucional existe e deve ser observado, mas que também deve ser respeitada a independência harmônica dos poderes.

Segundo o presidente do TRF1, a liminar de primeiro grau suspendendo a remuneração acima do teto substituiu a atribuição legislativa da Câmara e impôs regras remuneratórias gravosas aos servidores e membros da Câmara dos Deputados. Isso, em sua opinião, atentaria claramente contra a ordem pública, pondo em xeque o normal funcionamento dos serviços públicos da Câmara.

Ele ressaltou, no entanto, que "não está julgando nem revendo, em definitivo, a decisão da 9ª Vara Federal - DF no plano do juiz natural, na perspectiva do seu aprumo ou desaprumo em face da ordem jurídica. Está somente emitindo um juízo cautelar e interino, para preservar a ordem pública administrativa da Câmara dos Deputados, até que se torne definitivo o julgamento da ação de fundo".

Menezes informou ainda que o exame conclusivo da questão ficará a cargo de uma das turmas especializadas do TRF1, no tempo e pelo modo devidos.

O corte de salários excessivos havia sido determinado pela 9ª Vara do Distrito Federal em julho deste ano, a pedido do Ministério Público Federal. Em agosto, Mônica Sifuentes, desembargadora do TRF1, manteve válida a decisão, que agora foi derrubada por Olindo Menezes.