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segunda-feira, 17 de março de 2014

1964: Cerra e a versão “bolinha de papel”

Jango só caiu porque não ouviu os conselhos do Cerra !
Como se sabe, o Padim Pade Cerra era o presidente da UNE em 1964.

Saiu do palanque do Comício da Central, ao lado de Jango, para a embaixada da Bolívia, dali para o Estádio Nacional do Chile, onde sobreviveu ao morticínio do Pinochet, e apareceu na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, onde tirou um diploma de Economista que não consegue exibir.

Singular, não, amigo navegante ?

Esses são alguns dos atributos que fazem dele “a elite da elite”, segundo o PiG (*) de São Paulo.

(Clique aqui para ler post com  a aula inaugural do professor Bercovici sobre as “reformas de base”).

Neste fim de semana, a Folha (**) de São Paulo, que teve destacado papel na logística dos torturadores de 1964, na seção Ilustríssima (sic), cede quatro páginas para um artigo do Padim: “As Entranhas do Golpe – o teatro de operações de 1964”.

Trata-se de um trecho editado (sic) de livro que o consagrado autor publicará em junho, pela Editora Record, de título “Cinquenta Anos Esta Noite”.

É a versão “bolinha de papel” do Golpe contra Jango.

Contém algumas fantasias típicas de quem confunde bolinha de papel com míssil balístico.

Ou, de quem sai do Comício da Central para liderar a Extrema Direita do pensamento político brasileiro, a direita homofóbica, entreguista, anti-aborto, neo-libelista (***), preconceituosa contra os nordestinos de São Paulo etc etc…

E suspeita de participar de alguns dos escândalos mais fulgurantes do tucanato de São Paulo: o trensalão.

O mais interessante do livro do Cerra será o que os leitores de Folha não conseguiram vislumbrar: a explicação de como saiu do lado do Jango para acabar onde acabou …

Vamos às fantasias, à bolinha de papel.

- Jango disse a ele e a mais ninguém que não chegaria ao fim do Governo;

- que, se Jango tivesse seguido sua instrução, não teria pedido o Estado de Sítio para enfrentar Lacerda e Ademar – e foi isso o que derrubou Jango (Jango retirou o pedido);

- Cerra se disporia a trair Jango porque não queria cair como “janguista”;

- Jango caiu porque não manteve um paulista como Ministro da Fazenda, Carvalho Pinto, tese que só o Cerra defende …;

- Jango caiu porque perdeu a confiança do empresariado, com a saída de Carvalho Pinto – empresariado esse que ele, Cerra, passou a cultivar, especialmente os donos do PiG (*);

- o Comício da Central foi uma “fantasia”, embora ele tivesse defendido a encampação das refinarias de petróleo e o projeto de Reforma Agrária…;

- a “besta fera”, o inimigo número um da sobrevivência de Jango era o Brizola, o maior dos radicais – tese que acompanhou os militares e a UDN;

- em nenhum momento Cerra questiona a hipocrisia das “marchadeiras” pela Família e a Propriedade – afinal, elas estão aí, em Higienópolis, até hoje;

-  outro motivo da queda de Jango foi nomear Amaury Kruel comandante do Exercito de São Paulo, o mesmo Kruel que Cerra tinha chamado de Golpista – um jenio !; Cerra, provavelmente, já sabia que Kruel ia trair Jango por seis malas de dólares.

- na hora em que botaram fogo na UNE que ele presidia, ele não estava lá. Mas estavam lá o Oduvaldo Vianna Filho e o Carlos Vereza. O Cerra, coitado, fugido, se sentiu “mortificado” com a invasão;

- e a resistência de Jango, o tal “dispositivo militar” ? “Apagara-se sem ruído, como uma bolha de sabão”, diz o notável memorialista.


O “depoimento” do Cerra é uma tentativa mal dissimulada de cobrir o passado, com uma explicação que coincide, nos pontos cruciais, com a versão dos direitistas com que ele passou a conviver, e onde se inspira desde que foi recebido de braços abertos nos Estados Unidos.
 
Por exemplo.

Jango caiu porque era um despreparado.

Como diz o historialista dos múltiplos chapéus, Jango caiu porque se dedicava às pernas: de coristas e de cavalos.

Agora, se sabe: Jango caiu porque não seguiu a orientação de Cerra.

Em tempo: o citado historialista troca receitas de veneno com o Padim Pade Cerra nas madrugadas insones. Não surpreende que pensem o mesmo de Jango.

Em tempo2: não fosse a contumaz escassez de princípios – também intelectuais – se poderia dizer de Cerra o que Stendhal disse do jovem Fabrice, de “Cartuxa de Parma”, que esteve em Waterloo e não percebeu. Ou, como Machado, de Capitu, que o Cerra do aborto – no Chile pode – já estava no Comício da Central.

Em tempo3: será que o livro “Cinquenta Anos Esta Noite” explicará de que vive o Cerra ?

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(***) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Promotoria apura se Serra foi omisso com a Siemens que fraudou licitações de trens

O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito civil para apurar se o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) foi omisso em relação à atuação do cartel de empresas que fraudou licitações de trens no estado. A apuração foi iniciada pelo promotor Silvio Marques a pedido dos deputados estaduais do PT João Paulo Rillo, Adriano Diogo, Carlos Neder e Francisco Campos.

Em maio do ano passado, a multinacional Siemens fez uma delação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) na qual apontou a ação do cartel em licitações de trens em São Paulo de 1998 a 2008, nos governos de Mário Covas, Geraldo Alckmin e Serra, todos do PSDB.

Há a denúncia de o governo Serra (2007-2010) nada fez em relação a tais indícios.

Alstom fechou novos contratos com José Serra

Mesmo sob suspeita de prática de propina no setor público brasileiro, a Alstom, fornecedora de equipamentos para o setor de energia e transporte, anunciou  em 2008 o fechamento de contratos com o governo estadual paulista José Serra PSDB no valor de R$ 712 milhões (ou 280 milhões de doláres).

As denúncias em torno dos negócios da Alstom com o PSDB  vieram à tona, após o "Wall Street Journal" publicar matéria relatando que a multinacional estava sendo investigada por autoridades francesas e suíças sobre o pagamento de  suposta propina de milhões de dólares para ganhar contratos no governo tucano.

Em São Paulo, as denúncias giram em torno de propina de US$ 6,8 milhões, valores que teriam sido pagos pela Alstom para ganhar um contrato de US$ 45 milhões para a expansão do metrô de São Paulo, a chamada linha amarela. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Serra comprou trens por R$ 2 bilhões sem pesquisar

247 – Durante sua gestão no governo de São Paulo, José Serra (PSDB) autorizou a compra de 48 trens para a CPTM por cerca de R$ 2 bilhões sem pesquisar preço, conforme determinação da lei. 

A empresa que levou os contratos foi a companhia espanhola CAF (Construciones y Auxiliar de Ferrocarriles), citada no cartel denunciado pela Siemens, montado em contratos com governos tucanos desde a gestão de Mario Covas (1998).

A decisão foi comprovada em relatório do Tribunal de Contas do Estado. A CPTM alega ter usado "orçamento estimativo", baseado em preços de compras anteriores.

Investigações da Corregedoria Geral da Administração, órgão montado pelo atual governador Geraldo Alckmin (PSDB), atribuem a responsabilidade ao engenheiro Osvaldo Spuri - que foi presidente da comissão de licitação nos dois casos. Atualmente, ele ocupa o posto de secretário municipal de Infraestrutura Urbana da Prefeitura de São Paulo.

Segundo números apurados a partir de dados do Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo) do governo do estado, em 2013 foi empenhado R$ 1,1 bilhão e pago às empresas vinculadas ao cartel quase R$ 784 milhões. 

Três secretários do governo Geraldo Alckmin (PSDB) são citados como destinatários do suborno: o chefe da Casa Civil, Edson Aparecido, o secretário de Energia, José Aníbal e o hoje secretário do Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia (DEM) (leia aqui reportagem da Folha de S. Paulo sobre o assunto).

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Qual Zé ? O Dirceu ? Nããão !

“Follow Mauro Ricardo !”, disse o diretor do Washington Post em Watergate ! 

 

O Kassab sempre foi vice do Cerra

Quem governou São Paulo – e os auditores – foi o Cerra


Telefona o Vasco, navegante de longo curso, ancorado na lagoa Rodrigo de Freitas, feliz da vida com a demissão do Vanderlei Luxemburgo.

- Meu filho, vocês que moram em São Paulo se esquecem de um fato elementar nessa questão da máfia dos auditores…

- O que é, Vasco, o que você entende de São Paulo ?

- Não entendo nada de São Paulo, mas entendo de Cerra.

- E daí, Vasco ?

- É que o Kassab nunca deixou de ser vice do Cerra.

- Como assim ? Ele não se elegeu, não derrotou a Marta ?

- É o que você pensa. E os paulistas também. Ele pode até ter sido eleito, mas quem governou sempre foi o Cerra.

- Você quer dizer que ele sempre foi vice e não prefeito.

- Exato. Tinha uma side letter, daquelas do Don Vito Corleone.

- Como provar isso, de forma que a Folha (*) considere resultado de uma reportagem investigativa ?

- Elementar. O Mauro Ricardo era o Secretário das Finanças. O Alexandre Schneider, que foi candidato a vice prefeito do Cerra, era o Secretário da Educação. E  Januário Montone, notável especialista em terceirização e merendas era o Secretario da Saúde…

- E o Kassab mandava em quê ?

- No cafezinho.

- No ninho ?

- Não, cara ! No cafezinho !

Pano rápido.

Paulo Henrique Amorim

Clique aqui para ler “Quem liga Cerra ao rombo na Prefeitura de SP”

Aqui para “De quem é o rosto que a Folha não mostra ?”

Aqui para “Olha o Cerra aí. Mauro Ricardo indicou suspeito”

E aqui para “E se Mauro Ricardo fosse do Dirceu e não do Cerra”

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
 
Do Conversa Afiada

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

José Serra não conseguiu reunir 160 pessoas para assistir sua palestra


Muitos se perguntam: Como vive o eterno candidato á presidência José Serra, desde que ficou desempregado? Segundo a coluna, Poderonline, do Ig, com palestras, o tucano não tem ganhado nada. De acordo com a coluna desse sábado (09), a  Juventude do PSDB preparou com pompa os fundos da sede diretório estadual do PSDB para receber o ex-governador José Serra.

Cerca de 160 cadeiras foram colocadas no espaço, além da decoração. No entanto, a lotação esperada não foi alcançada e a palestra foi transferida para uma sala com cerca de 60 pessoas.

Acompanham o evento o senador Aloysio Nunes, o deputado líder do governador Geraldo Alckmin na Assembleia, Barros Munhoz, o presidente do diretório estadual, deputado Duarte Nogueira, o presidente do diretório municipal, Milton Flávio, e o vereador líder da bancada tucana na Câmara, Floriano Pesaro.

Máfia do ISS: Deputado do PSD joga Serra na fogueira

247 – Na tentativa de limpar a imagem do PSD no escândalo da máfia dos fiscais do ISS, o deputado federal Guilherme Campos (PSD) jogou a responsabilidade pela equipe da secretaria de Finanças da administração de São Paulo para o ex-prefeito José Serra.

"É só fazer uma constatação. Dentro do acordo de assunção veio o compromisso de manter a estrutura montada pelo prefeito José Serra e do secretário de finanças Mauro Ricardo", disse. Braço-direito de Serra teria mandado arquivar investigações sobre a fraude.

Kassab foi citado em grampos de conversas de auditores presos no esquema que desviou até R$ 500 milhões de Imposto Sobre Serviços (ISS) da Prefeitura de São Paulo durante sua gestão.

Campos também afirmou que o auditor Ronilson Bezerra, que envolveu Kassab no esquema, queria incriminar o ex-prefeito, pois sabia que estava sendo investigado. "É uma fala perdida no tempo e no espaço, de alguém desesperado. Numa situação de estar acuada, a pessoa sai dando tiro em todo mundo", disse.

sábado, 9 de novembro de 2013

Nogueira critica blindagem de Serra na mídia

247 – Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, aponta a ligação de José Serra com Mauro Ricardo, ex-secretário de Gilberto Kassab, como sinal de seu envolvimento em casos de fraudes em São Paulo. Ele critica a blindagem do ex-governador na mídia. Leia:

Quem é Mauro Ricardo, homem de Serra tão citado no escândalo de SP

Troque um José por outro.

Em vez de Serra, Dirceu.

Imagine agora: um homem de Dirceu – um daqueles que acompanham alguém por toda parte, de Brasília a São Paulo – ignora uma denúncia de corrupção que pode chegar a meio bilhão de reais.

São cinco Mensalões, para você ter uma ideia da magnitude da ladroeira.

Continuemos. O homem de Dirceu confirma que recebeu a denúncia. E afirma que desistiu de levar adiante qualquer investigação depois que os acusados disseram que não estavam roubando nada.

Diz que ficou surpreso ao saber que estavam sim roubando. Pausa para rir. Surpresa mesmo seria se sujeitos acusados de roubar admitissem.
Enfim.

Você faz conta do que aconteceria o José fosse Dirceu: capas sobre capas da Veja pontificando sobre o mar de lama. Reportagens histéricas do Jornal Nacional repercutindo cada ‘descoberta’ nova da Veja. Editoriais do Estadão dando lições de decência. Colunistas como Jabor, Merval e derivados disputando quem usa mais vezes a palavra corrupção.

Mas como o José é Serra não acontece nada. O homem de Serra – Mauro Ricardo – é apresentado como ‘secretário de Kassab’.

Até quando Serra vai escapar da obrigação de prestar contas em casos de corrupção como o do Metrô e, agora, o das propinas na prefeitura de São Paulo para liberar prédios?

Para saber quanto são ligados Serra e Ricardo pego uma reportagem de 2010 do Valor Econômico e reproduzo algumas palavras. O título era: “O implacável braço direito de Serra”.

Ricardo trabalhava então fazia 15 anos com Serra. E era “um nome certo para compor um eventual ministério do candidato tucano à Presidência”.

Mauro Ricardo é um dos raros elos entre Serra e Aécio. Em janeiro de 2003, então governador de Minas, Aécio pediu a Serra alguém para a presidência da Copasa, a estatal mineira de saneamento. Serra indicou Mauro Ricardo.

Mais recentemente, ele foi contratado para ser secretário das Finanças do prefeito de Salvador ACM Neto. O site Bahia Notícias, em março passado, publicou uma reportagem que trazia documentos com problemas judiciais que Ricardo vem enfrentando.

O título: “Secretário ‘importado’ de SP por ACM Neto já foi condenado e responde por supostos desvios”. Um dos casos listados pelo site se refere ao tempo em que Ricardo, por indicação de Serra, comandava a Suframa, Superintendência da Zona Franca de Manaus.

Disse o site Bahia Notícias:

“O Ministério Público Federal o responsabilizou pelo superfaturamento de uma obra de melhoramento e pavimentação de um trecho de 34 km da BR-319, entre o Amazonas e o Acre. Para a Procuradoria da República, a obra, que custou R$ 11,3 milhões aos cofres da União, era “superfaturada” e “desnecessária”, pois a conservação da rodovia estava sob supervisão do Exército.”

Mais uma vez. Troque de José. Imagine se Mauro Ricardo fosse ligado a Dirceu, e não a Serra.

As manchetes, as colunas, as denúncias.

Mas, em vez disso, um silêncio camarada, como se nada estivesse ocorrendo.
Palmas para a mídia brasileira, aspas, e seu cinicamente seletivo conceito de moralidade.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Campanha de José Serra recebeu cerca de R$ 4 milhões de banco falido de parentes do candidato a vice Índiio da Costa. Essa gente nauseabunda não resiste a 30 segundos de uma investigação séria.

Credores do Cruzeiro do Sul pedem R$ 113 milhões ao Morgan Stanley
 
PF investiga se verbas fradulentas foram destinadas a políticos como José Serra

Os credores do Banco Cruzeiro do Sul (BCSul) pedem R$ 113 milhões ao Morgan Stanley, com notificação judicial, referente à venda de ações pelos ex-controladores Luís Octavio e Luiz Felippe Índio da Costa, justamente duas semanas antes da intervenção do Banco Central. Os dois são acusados de provocar a falência do banco e causar prejuízo de R$ 3,8 bilhões ao Sistema Financeiro. Ficaram conhecidos também pela contribuição a campanhas de políticos. O principal beneficiado teria sido José Serra, que se candidatou à presidência tendo o sobrinho e primo dos ex-controladores como vice, o ex-deputado Índio da Costa. A Polícia Federal investiga se as verbas fraudulentas eram colocadas em paraísos fiscais, contas de laranjas ou campanhas políticas, como de Serra.

Documentos revelados anteriormente apontavam que os banqueiros chegaram a grampear o Banco Central. Duas semanas antes do BC decretar a intervenção do BCSul, os ex-controladores providenciaram a venda de R$ 89 milhões em ações preferenciais (sem direito a voto) ao fundo de investimento Caieiras, sob gestão do Morgan Stanley, de acordo com informações da Folha de S. Paulo. O pagamento recebido, em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), permaneceram depositados no próprio Morgan Stanley, como garantia. O contrato firmado entre as duas partes previa ainda a recompra dessas ações pelos ex-controladores, futuramente.

Com a entrada do Cruzeiro do Sul em regime de recuperação e com a suspensão de suas ações, o Morgan Stanley considerou que a operação estava encerrada, colocou preço zero nos papéis e ficou com os CBDs. A notificação dos credores do BCSul ressalta que a operação não deveria ter sido desfeita, já que logo depois as ações voltaram a ser negociadas e que só foram retiradas depois que o banco foi liquidado.

Para o Cruzeiro do Sul, o Morgan deve devolver os R$ 113 milhões, já que os bens da família Índio da Costa ficaram indisponíveis quando o banco entrou em regime de recuperação. Já para o Morgan, conforme apurou a Folha, o valor não se enquadra entre os bens da família justamente porque a operação foi fechada antes do regime.

No total, nas eleições de 2006, 2008 e 2010, foram quase R$ 12 milhões doados pelo Banco Cruzeiro do Sul a políticos de diversas legendas partidárias - tendo o PSDB como o mais beneficiado. A campanha do governador do Rio, Sérgio Cabral, para sua reeleição, recebeu R$ 200 mil. A de José Serra para presidência, em 2010, recebeu cerca de R$ 4 milhões, contando com verbas distribuídas para diretórios empenhados na campanha, por exemplo. Se a fonte dessas verbas eram as operações fraudulentas do banco, contudo, ainda está sendo investigado pela Polícia Federal.

De acordo com documentos revelados pela Isto É em maio deste ano, que faziam parte de relatório da Comissão de Inquérito do BC, o BCSul contava com a "omissão de grandes empresas de consultoria e até com um aparato de arapongagem que garantia acesso a informações privilegiadas". 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Homem forte de Serra indicou auditor investigado por corrupção em São Paulo

Um dos novos nomes investigados pela Prefeitura de São Paulo sob suspeita de enriquecimento ilícito chegou ao ponto mais alto de sua carreira por indicação de Mauro Ricardo, secretário de Finanças quando Serra era prefeito (2005-2006).

O próprio Ricardo confirmou à Folha que fez a indicação do auditor Arnaldo Augusto Pereira, que foi subsecretário da Receita municipal.

Segundo ele, Pereira tinha uma boa reputação na Secretaria de Finanças.

“Eu convivi com ele em 2005 e 2006 e os procedimentos dele sempre foram aparentemente corretos”, afirmou Ricardo, atualmente secretário da Fazenda da Prefeitura de Salvador.

A Corregedoria Geral do Município tem indícios de enriquecimento ilícito de outros três auditores da Secretaria de Finanças. Além de Pereira, são investigados Moacir Fernandes Reis e Vladimir Varizo Tavares.

Saiba Mais: Folha

terça-feira, 5 de novembro de 2013

“O implacável braço direito de Serra” e o caso de corrupção em SP

Ricardo e Serra
Ricardo e Serra 
 
Troque um José por outro.

Em vez de Serra, Dirceu.

Imagine agora: um homem de Dirceu – um daqueles que acompanham alguém por toda parte, de Brasília a São Paulo – ignora uma denúncia de corrupção que pode chegar a meio bilhão de reais.

São cinco Mensalões, para você ter uma ideia da magnitude da ladroeira.

Continuemos. O homem de Dirceu confirma que recebeu a denúncia. E afirma que desistiu de levar adiante qualquer investigação depois que os acusados disseram que não estavam roubando nada.

Diz que ficou surpreso ao saber que estavam sim roubando. Pausa para rir. Surpresa mesmo seria se sujeitos acusados de roubar admitissem.

Enfim.

Você faz conta do que aconteceria o José fosse Dirceu: capas sobre capas da Veja pontificando sobre o mar de lama. Reportagens histéricas do Jornal Nacional repercutindo cada ‘descoberta’ nova da Veja. Editoriais do Estadão dando lições de decência. Colunistas como Jabor, Merval e derivados disputando quem usa mais vezes a palavra corrupção.

Mas como o José é Serra não acontece nada. O homem de Serra – Mauro Ricardo – é apresentado como ‘secretário de Kassab’.

Até quando Serra vai escapar da obrigação de prestar contas em casos de corrupção como o do Metrô e, agora, o das propinas na prefeitura de São Paulo para liberar prédios?

Para saber quanto são ligados Serra e Ricardo pego uma reportagem de 2010 do Valor Econômico e reproduzo algumas palavras. O título era: “O implacável braço direito de Serra”.

Ricardo trabalhava então fazia 15 anos com Serra. E era “um nome certo para compor um eventual ministério do candidato tucano à Presidência”.

Mauro Ricardo é um dos raros elos entre Serra e Aécio. Em janeiro de 2003, então governador de Minas, Aécio pediu a Serra alguém para a presidência da Copasa, a estatal mineira de saneamento. Serra indicou Mauro Ricardo.

Mais recentemente, ele foi contratado para ser secretário das Finanças do prefeito de Salvador ACM Neto. O site Bahia Notícias, em março passado, publicou uma reportagem que trazia documentos com problemas judiciais que Ricardo vem enfrentando.

O título: “Secretário ‘importado’ de SP por ACM Neto já foi condenado e responde por supostos desvios”. Um dos casos listados pelo site se refere ao tempo em que Ricardo, por indicação de Serra, comandava a Suframa, Superintendência da Zona Franca de Manaus.

Disse o site Bahia Notícias:

“O Ministério Público Federal o responsabilizou pelo superfaturamento de uma obra de melhoramento e pavimentação de um trecho de 34 km da BR-319, entre o Amazonas e o Acre. Para a Procuradoria da República, a obra, que custou R$ 11,3 milhões aos cofres da União, era “superfaturada” e “desnecessária”, pois a conservação da rodovia estava sob supervisão do Exército.”

Mais uma vez. Troque de José. Imagine se Mauro Ricardo fosse ligado a Dirceu, e não a Serra.

As manchetes, as colunas, as denúncias.

Mas, em vez disso, um silêncio camarada, como se nada estivesse ocorrendo.

Palmas para a mídia brasileira, aspas, e seu cinicamente seletivo conceito de moralidade.

 
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.
 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Como José Serra deu o abraço do afogado em Roberto Freire

Eles
José Serra deu o abraço do afogado em Roberto Freire, o presidente do PPS, seu amigo de fé e irmão camarada.

Serra era a grande esperança branca de Freire e do PPS. Depois que JS voltou para o lugar de onde nunca saiu, o PSDB, Freire tentou a qualquer custo trazer Marina Silva para sua legenda. Era sua chance de permanecer respirando politicamente. Fez questão de deixar público seu apelo: “Estou à disposição. Ela [Marina] diz o que quer fazer. Temos abertura. Não tem problema vir a Rede apenas em um período. Não há impedimento nenhum”.

Marina optou pelo PSB. Restou a Freire dizer que aquele foi “um grave equívoco”.

Freire foi trazido para São Paulo por Serra. Acabou se elegendo deputado federal por SP, mas é uma espécie de desterrado. É criticado por seus colegas paulistas por não ter ligação histórica com o estado (toda sua carreira foi construída em Pernambuco) e pelos conterrâneos por ser considerado um desertor.

O PPS é, hoje, uma linha auxiliar do PSDB. “O Serra joga xadrez político com as pessoas e só leva em conta as enormes ambições dele. Se, para chegar onde quer chegar, tiver de se livrar de alguém, ele não tem dúvida”, disse um ex-pessedebista histórico ao DCM. (Freire não é o único náufrago serrista em São Paulo. Soninha, candidata à prefeitura e ao governo pelo mesmo PPS, também tornou-se uma sombra).

Freire foi acomodado em cargos de conselho na EMURB e na SPTuris. Era uma maneira de Serra costurar apoios futuros. Freire continua, aparentemente, fiel. “Serra é líder democrático de esquerda. Não tem apoio de banqueiros e grande capital”, escreveu no Twitter, onde passa o tempo batendo boca com pessoas que pegam em seu pé por conta de seu antigovernismo maluco beleza (a coisa chega a tal ponto que ele caiu numa pegadinha segundo a qual a frase “Lula Seja Louvado” seria impressa nas cédulas de real).

Abandonado, folclórico, uma saída para Freire seria, finalmente, trabalhar — por São Paulo, que o colocou em Brasília, ou por um projeto que não dependesse de um salvador da pátria. Mas isso está fora de questão. Como diz o Zé Simão, Roberto Freire é “um Fernando Henrique sem chantilly”.

Kiko Nogueira No DCM

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Serra não quer negócios com a China; só “negócios da China”, como vender a Vale


Em artigo hoje, no Estadão, José Serra junta-se aos lamentos americanófilos com a provável aliança entre a Petrobras e a China para explorar, sob o controle brasileiro, o megacampo de Libra, no pré-sal.

Diz ele:
“A recente habilitação de empresas para explorar o campo de Libra, o primeiro do pré-sal sob o modelo de partilha, causou decepção. Após tantos anos sem realizar leilões em áreas exploratórias, o Brasil deixou de ser o foco das atenções do mercado, em busca de novas oportunidades, como a costa africana e a reabertura do mercado mexicano. Em razão dos riscos regulatórios e do excessivo intervencionismo do governo, o modelo afastou grandes empresas mundiais e atraiu estatais estrangeiras, como da China, mais interessada em garantir reservas e abastecimento de petróleo do que em gerar receitas e lucros.”
Quer dizer então que nós devemos escolher sócios que, em lugar de interesses estratégicos em comprar nosso petróleo estejam mais interessados em “gerar receitas e lucros”? Receitas e lucros, claro, para si mesmos, sem olhar os interesses do Brasil.

Serra, que segundo o insuspeito Fernando Henrique Cardoso, foi o grande artífice da venda da Vale, defende o mesmo modelo para o nosso pré-sal. Vender o máximo, no mais curto espaço de tempo, gerando um sucesso de lucros e dividendos que a imprensa aplaude, não importando se isso se reflete no desenvolvimento e nas compras internas, se vai gerar emprego e renda aqui…

Foi por isso que fez vender a Vale inteira por US$ 3,3 bilhões, metade do que está sendo pedido apenas no bônus inicial de Libra.

A esperança de Serra é o “fracasso” que a mídia vem apregoando.

Vai se juntar à turma da raposa das uvas verdes, que acha uma porcaria aquilo que não consegue abocanhar.

Fernando Brito
No Tijolaço 
 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

PSD fecha a porta para o tucano José Serra

O PSD (Partido do ex prefeito de São Paulo Gilberto Kassab  está decidido a caminhar com a presidente Dilma Rousseff na eleição do ano que vem e não tem motivos para cogitar um apoio ao tucano José Serra, caso ele decida deixar o PSDB.

 A avaliação é do secretário-geral do PSD, em entrevista para o IG, Saulo Queiroz. Integrante da velha guarda do extinto PFL, Queiroz diz não ver razões para seu partido apoiar uma candidatura “com pouca chance de êxito”. Era no PSD que Serra apoiava parte das esperanças de amarrar um projeto presidencial competitivo para 2014. 

No melhor dos mundos, o tucano esperava conseguir um acordo que envolvesse PSD, PPS e PV. Chegou a ser discutida a possibilidade de Serra se filiar ao próprio PSD, não ao PPS, que hoje se mostra como único possível destino do ex-governador fora do tucanato. Queiroz reconhece que a especulação em torno do assunto era natural, dada a proximidade entre Serra e o fundador do PSD e presidente da sigla, Gilberto Kassab. Mas diz que quem deveria torcer por uma candidatura de Serra no PPS é o próprio PSDB. Afinal, diz ele, esta seria a melhor forma de empurrar uma disputa com Dilma para o segundo turno.
 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Cerra dá o Golpe. Contra Aécio. Por enquanto

Cerra vai destituir, primeiro, Aécio da Presidência do PSDB. Depois, a Dilma …

Saiu no Estadão, em estado comatoso:

Ex-governador provoca Aécio Neves e cobra definição clara para que as prévias não sejam ‘restritivas’

Ao comentar a decisão de Aécio, de aceitar as prévias para escolher o candidato, Serra lembrou que o senador é candidato. “Embora ele seja candidato, ele está falando como presidente do partido. Nesse sentido, eu gostaria de saber quais são as condições dessas prévias: me refiro à abrangência, número de pessoas, tipo de participação, qual a taxa democrática, prazos, condições de competitividade que, evidentemente, deveriam ser iguais entre todos”, disse ele.

“Uma vez esclarecido isso, então, alguns poderão tomar a decisão de participar ou não. Eu próprio, que é possível que eu seja candidato a presidente; o senador Alvaro Dias pode também se inscrever de acordo com as regras que sejam propostas. É preciso primeiro conhecer essas regras. Não cabe a mim agora falar de regras”, afirmou o ex-governador. Serra lembrou mais de uma vez que Aécio é presidente do partido, e está numa dupla condição. 







Navalha

Cerra só participará das prévias se Aécio renunciar à presidência do PSDB. 
 
Ou, se Aécio, como presidente, não concorrer às prévias.

E se ele, Cerra, for o candidato único nas prévias. 

Cerra, como se sabe, é o último autoritário, sobrevivente solitário do regime militar.

Ou, como diz o Luis Nassif, demonstra, crescentemente, distúrbios psíquicos.
Deve ser a aproximação do trensalão.

De que vive o Cerra, amigo navegante ?

Como o Cerra saiu do Estádio Nacional do Chile do Pinochet e apareceu na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos ?

Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 20 de agosto de 2013

PPS isola Roberto Freire e fecha a porta para José Serra

O Serra representa o establishment rejeitado pelas manifestações mais do que a presidente Dilma", afirmou Luiz Castro Andrade Neto. "Ele promove luta interna no PSDB e nos usa como forma de pressão."


Integrantes do diretório nacional do PPS criticaram ontem, durante reunião em Brasília, a possível filiação do ex- governador de São Paulo José Serra (PSDB) para ser candidato à Presidência pelo partido.

As críticas se dividiram entre os que não querem atrelar a filiação do tucano à sua candidatura pelo partido, os que defendem estreitar as conversas com outros candidatos da oposição e os que acham que Serra iria enfraquecer o PPS por "não representar o que as manifestações de junho pediram". Luiz Castro Andrade Neto, do Amazonas, pediu ao diretório que fizesse uma leitura mais apurada do cenário. "O PPS apostar na candidatura do Serra significa caminhar para a redução do partido.

O Serra representa o establishment rejeitado pelas manifestações mais do que a presidente Dilma ", afirmou. A reunião em que foram expostas as divergências sobre a filiação do tucano foi convocada para discutir a conjuntura depois da fracassada fusão do PPS com o PMN, que tinha como objetivo atrair para a oposição políticos insatisfeitos com o governo.

A maioria dos discursos evitou tomar posição sobre 2014, mas alguns militantes usaram o espaço para criticar a possibilidade de Serra concorrer pela legenda. Nenhum fez defesa explícita da candidatura do tucano. Luiz Antônio Martins, do Rio, disse que isso faria Dilma "ganhar com facilidade". "Não tenho dúvida que a eventual vinda do Serra será muito ruim para a oposição.

Ele vai competir no mesmo campo do senador Aécio Neves e dividir os votos do PSDB", afirmou. Também representante do Rio, Roberto Percinoto afirmou que o tucano tem grande rejeição no Estado. "Nas duas vezes em que foi candidato à Presidência, Serra não conseguiu fazer sequer um evento relevante no Rio", disse. "Ele promove luta interna no PSDB e nos usa como forma de pressão." O secretário de Comunicação do PPS de São Paulo, Maurício Huertas, disse que os reiterados convites de filiação ao ex-governador dificultam as conversas com outros candidatos, como a ex-ministra Marina Silva.

Presidente do diretório do PPS de Minas, a deputada estadual Luzia Ferreira disse que Serra seria um grande quadro para o partido, mas que sua filiação não pode estar atrelada à obrigação de ser o candidato. "Ele tem que correr o risco. Mas se ele pensar bem, pelo menos aqui ele teria esse risco, no PSDB nem essa chance haveria", ponderou. Defensora de que o PPS apoie Aécio na disputa, Luzia terá hoje uma primeira reunião para tratar do assunto com o mineiro.

No comando da reunião, o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), rebateu as críticas e disse que tem conversado com todos os candidatos da oposição e que o diretório vai decidir no final. "Estamos dialogando com todas as forças políticas, mas não há definição, nem nossa nem da parte de quem serão os candidatos", afirmou. Freire, que é apontado como um dos principais entusiastas da candidatura do ex-governador, disse que nenhum dirigente do PPS lhe disse ser contra a filiação.

Reiterou, porém, que a decisão tem que ser tomada logo - o prazo para que os candidatos estejam filiados aos partidos pelos quais vão concorrer termina um ano antes da eleição. "O seu Serra deve saber que se quiser ser candidato tem que decidir até 6 de outubro", pontuou. As informações são do Valor Econômico