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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Blatter é alvo de pedidos de renúncia após afirmações sobre racismo

Esse é um canalha completo, estranho seria se ele não fosse racista
Personalidades ligadas ao futebol pediram nesta quinta-feira a renúncia do presidente da Fifa, Joseph Blatter, por ele ter dito que não existe racismo entre jogadores.

O dirigente afirmou ainda que qualquer incidente ocorrido em campo identificado como exemplo de racismo deve ser "resolvido com um aperto de mão".
 
O ministro britânico dos Esportes, Hugh Robertson, disse que as afirmações de Blatter são "moralmente indefensáveis".
 
Já o ex-capitão da seleção inglesa Rio Ferdinand afirmou que as declarações foram "tão condescendentes quanto risíveis".
 
Após dar as declarações, Blatter disse que foi mal interpretado e que está comprometido com o combate ao racismo no futebol.
 
No Blog do Cappacete
 
Do Contexto livre

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Mais uma vez Kotscho desmascara o Cansei

Quantos segundos o jn deu para a multidinha?
O Conversa Afiada reproduz post do Balaio do Kotscho:

Por que os protestos fracassam em todo o país?


O que houve? Ou melhor, por que não houve?


Apareceram apenas 150 “protestantes” na Cinelândia, Rio de Janeiro, na manifestação anticorrupção organizada por cinco entidades em redes sociais.


Em São Paulo, na avenida Paulista, outros cinco movimentos (Nas Ruas, Mudança Já, Pátria Minha, Marcha Pela Ética e Lojas Maçônicas) juntaram apenas 200 pessoas. Na Boca Maldita, em Curitiba, o grupo Anonymous reuniu 80 pessoas.


A maior concentração de manifestantes contra a corrupção foi registrada na praça da Liberdade, em Belo Horizonte, calculada em 1.500 pessoas, segundo a Polícia Militar. E, a menor, ocorreu em Brasília, onde 30 gatos pingados se reuniram na Esplanada dos Ministérios.


Será que a corrupção é maior em Minas do que em Brasília? Juntando tudo, não daria para encher a Praça da Matriz da minha querida Porangaba, cidade pequena porém decente.


Desta vez, nem houve divergências sobre o número de manifestantes. Eram tão poucos no feriadão de 15 de novembro que dava para contar as cabeças sem ser nenhum gênio em matemática.


Até os blogueiros mais raivosos que, na véspera, anunciaram “protestos em 37 cidades de todo o país”, com horário e local das manifestações, parecem ter abandonado o barco. Não se tocou mais no assunto.


Parece que a sortida fauna que organiza protestos “contra tudo o que está aí” desde o feriadão de 7 de setembro já se cansou.


Os organizadores colocaram a culpa na chuva, mas não conseguem explicar como, no mesmo dia, sob a mesma chuva, 400 mil pessoas foram às compras na rua 25 de Março e 40 mil fiéis se reuniram a céu aberto no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, numa celebração evangélica.


Nem se pode alegar falta de assunto, já que a velha mídia não se cansa de dar manchetes todos os dias sobre os “malfeitos” do governo, com destaque no momento para o Ministério do Trabalho do impoluto Carlos Lupi.


Na minha modesta opinião, o fracasso destas manifestações inspiradas na Primavera Árabe e nos protestos contra o capitalismo selvagem nas capitais européias e nos Estados Unidos, reside na falta de objetivos e de sinceridade dos diferentes movimentos que se apresentam como “apartidários” e “apolíticos”, como se isto fosse possível.


Pelo jeito, o povo brasileiro está feliz com o país em que vive _ e, por isso, só vai às ruas por um bom motivo, não a convite dos antigos “formadores de opinião”.


Afinal, todos somos contra a corrupção _ até os corruptos, para combater a concorrência, certamente _, mas esta turma é mesmo contra o governo. Basta ver quem são seus arautos na imprensa, que hoje abriga o que sobrou da oposição depois das últimas eleições presidenciais.


Dilma pode demitir todos os ministros e fazer uma faxina geral na máquina do governo que eles ainda vão querer mais, e continuarão “convocando o povo” nas redes sociais. Valentes de internet, não estão habituados a enfrentar o sol e a chuva da vida real.


Ao contrário do que acontece em outros países, estes eventos no Brasil são mais um fenômeno de mídia do que de massas _ a mesma grande mídia que apoiou o golpe de 1964 e escondeu até onde pode a Campanha das Diretas Já, em 1984 (com a honrosa exceção da “Folha de S. Paulo”, onde eu trabalhava na época).


Eles não enganam mais ninguém. O povo não é bobo faz tempo.

Do Conversa Afiada

sábado, 29 de outubro de 2011

Brasil deve se impor à Fifa na Copa, diz Jennings


Em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, jornalista escocês que denunciou escândalos na federação mundial de futebol e na CBF diz que o Brasil não precisa se curvar às exigências feitas que ferem a sua soberania
"Mandem eles tomar no ..." Essa é a sugestão de
Andrew Jennings para o Brasil com relação às
exigências da Fifa
A Copa do Mundo é nossa, e não da Fifa. Assim se pode resumir a opinião do jornalista escocês Andrew Jennings sobre o campeonato mundial de futebol que o Brasil sediará em 2014. Para Jennings, o Brasil deve aproveitar o momento de fragilidade da Federação Internacional de Futebol Associação (Fifa) para impor suas atuais leis e não admitir nenhuma retirada de direitos, como prevê o projeto de Lei Geral da Copa. Jornalista da rede de televisão britânica BBC, Andrew Jennings tem sido uma dor de cabeça constante para a Fifa. Autor do livro Jogo Sujo – o mundo secreto da Fifa, ele denunciou esquemas de corrupção na federação de futebol, que resvalaram também na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e em seu presidente, Ricardo Teixeira. Na quarta-feira (27), esteve na Comissão de Educação e Desporto do Senado para uma audiência pública. No mesmo dia, concedeu uma entrevista exclusiva ao Congresso em Foco. Segundo ele, a Fifa não tem escolha: ou faz a Copa no Brasil ou não faz em lugar nenhum devido ao pouco tempo que resta para o Mundial de 2014. Some-se isso à crise financeira européia e norte-americana e à falta de estrutura de países como Rússia e Catar. O apelo turístico do Brasil é infinitamente maior, asseverou Jennings.
 
“São dois anos e meio. O tempo é curto, e você está apertado por ela para fazer a Copa de qualquer forma. A essa altura, ninguém além do Brasil pode ou gostaria [de sediar a Copa]”, afirmou ele. O momento não poderia ser melhor para o Brasil impor suas condições, disse o jornalista. “Na guerra, você ataca quando o inimigo está fraco”. Ele acha que a presidenta Dilma Rousseff está com a posse da bola. “Este é o melhor momento para a presidenta Dilma dizer: ‘Nós adoramos a Copa, nós vamos fazer o máximo para ganhar a Copa do Mundo, mas nós governamos este país’.”

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Globo e Ricardo Teixeira perdem o sono: Blatter quer quebrar sigilo dos subornos

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, afirmou nos bastidores paraTVs da Inglaterra que pensa em tornar público o caso judicial que trata do julgamento de propinas pagas a cartolas ligadas à Fifa, entre eles Ricardo Teixeira, presidente da CBF.

A investigação foi deflagrada em 2001, a partir do pagamento pela TV Globo do sinal de U$ 60 milhões pelos direitos de transmissão da Copa-2002. A empresa ISL que representava a FIFA nestas negociações, havia desviado esse dinheiro para o paraíso fiscal de Liechtenstein (confira
aqui).

Neste paraíso fiscal, Ricardo Teixeira teria recebido cerca de US$ 9,5 milhões por meio de uma empresa de fachada chamada Sanud, segundo reportagens investigativas da TV BBC britânica e TV Record.

Na segunda-feira, a Polícia Federal confirmou a abertura de um novo inquérito sobre estas transações envolvendo Teixeira.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Capo da máfia do futebol vai ser investigado pela Procuradoria Geral da República

Via UOL

Procurador criminal recebe pedido para investigar Ricardo Teixeira, no Rio de Janeiro
Roberto Pereira de Souza

Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do COL, na mira da Justiça
Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do COL, na mira da Justiça

FUTURO DE TEIXEIRA SERÁ DECIDIDO NA PGR
DILMA E TEIXEIRA DIVIDEM ATOS DOS MIL DIAS
TEIXEIRA CITA FHC EM OPOSIÇÃO A DILMA

O procurador federal Marcelo Freire, da vara criminal, está com a missão de analisar o pedido de investigação contra Ricardo Teixeira, por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Freire está lendo os documentos e ainda não divulgou qual será o primeiro passo da investigação.

O pedido de inquérito criminal foi feito junto a Procuradoria Geral da República, em Brasília, em julho. Depois de análise feita pelo Grupo de Trabalho que reúne procuradores federais, representantes das 12 sedes da Copa 2014, decidiu-se pelo envio da petição ao Rio de Janeiro, cidade onde reside o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira.

A petição é assinada pelo presidente do Partido Republicano Brasileiro,Marcos Pereira. A bancada do PRB é formada majoritariamente por evangélicos. O partido usou a série de denúncias que a Rede Record levou ao ar contra os negócios de Teixeira dentro e fora do Brasil.

No Rio de Janeiro, foi tomada outra decisão para agilizar o processo: distribuir o caso para uma vara criminal e o contemplado acabou sendo o procurador Marcelo Freire.

Ricardo Teixeira também preside o Comitê Organizador Local da Copa 2014. As denúnicas contra ele são antigas desde a saída de seu ex-sogro João Havelange nos 70. Há quase dez anos, foi formada no Senado uma Comissão Parlamentar de Inquérito para levantar as piores denúncias contra Teixeira e a CBF.

O relatório de número 2 da CPI é bastante revelador, quanto ao estilo empreendedor de Teixeira: em alguns anos, ele chegou a trazer do exterior US$ 36 milhões, na forma de empréstimo para a CBF, junto a bancos estrangeiros. Um dos bancos era dirigido por financistas brasileiros. O que causou espanto foi a descoberta do  nome do único avalisa:  era o próprio Teixeira.

Interrogado, o presidente da CBF foi simplista:

"Faço a mesma coisa que João Havelange fazia enquanto dirigia o o futebol brasileiro".

Havelange deixou de dirigir o futebol brasileiro em 1974, quando assumiu a Fifa. Recentemente, a BBC de Londres fez uma série de reportagens sobre corrupção no futebol internacional. Parte das denúncias, segundo o jornalista escocês Andrew Jennings, atingiram Ricardo Teixeira e João Havelange.

Em visita ao Brasil, Jennings afirmou que os dois brasileiros teriam feito um acordo com a Justiça suíça para não serem incriminados. O jornalista garante que Havelange e Teixeira teriam devolvido cerca de US$ 9  milhões, recebidos supostamente como proprinas eleitorais e negócios ilícitos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Estádio da Juventus de Turim custou 1/4 do “Fielzão”


Foi inaugurado, na última semana, um portentoso estádio, com capacidade para 41 mil torcedores, de propriedade da Juventus de Turim.
Mesmo com todas as modernidades possíveis, o custo da obra do “Juventus Stadium”, foi de “apenas” R$ 275 milhões.
Demonstração clara do quanto seremos roubados até a Copa do Mundo de 2014.
Para se ter uma idéia, o “Fielzão”, com 48 mil lugares, tinha previsão de custar, segundo Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Corinthians, mais de R$ 800 milhões.
Agora, com a ampliação para tentar virar sede do Mundial, não sairá por menos de R$ 1 bilhão.
Valores que, segundo os dirigentes alvinegros, pelo menos com relação à parte do BNDES, terão que sair dos cofres do clube.
Se é que algum dia o clube conseguirá quitá-los.
Dívida que, acrescida de juros, deverá, no mínimo, dobrar de valor.
Mesmo o projeto de R$ 330 milhões, aprovado pelo Conselho Deliberativo do Corinthians, e depois engavetado por Andres Sanches, se comparado ao da Juventus, demonstra diferença de valores acima do mercado.
Mas não é apenas no estádio do Timão que os indícios de superfaturamento são escancarados.
Há casos, como o do Maracanã, entre outros, que apenas para “reforma”, sairão muito mais caros do que o estádio construído na Itália.
Confira abaixo a relação de cada estádio brasileiro escolhido para o Mundial 2014, com seus respectivos orçamentos.
SÃO PAULO (novo)
Fielzão – mais de R$ 1 bilhão
Capacidade: 68 mil
RIO DE JANEIRO (reforma)
Maracanã – mais de R$ 1 bilhão
Capacidade: 76 mil
MINAS GERAIS (reforma)
Mineirão – mais de R$ 800 milhões
Capacidade: 69.950
CURITIBA (reforma)
Arena da Baixada – próximo de R$ 300 milhões
Capacidade: 42 mil
PORTO ALEGRE (reforma)
Beira Rio – próximo de R$ 300 milhões
Capacidade: 60 mil
BRASÍLIA (reforma)
Mané Garrincha – mais de R$ 800 milhões
Capacidade: 71 mil
CUIABÁ (novo)
Verdão – mais de R$ 600 milhões
Capacidade: 43.600
FORTALEZA (reforma)
Castelão – próximo de R$ 550 milhões
Capacidade: 67.037
MANAUS (novo)
Vivaldão – próximo de R$ 550 milhões
Capacidade: 42.200
SALVADOR (novo)
Fonte Nova – próximo de R$ 700 milhões
Capacidade: 65 mil
NATAL (novo)
Arena das Dunas – próximo de R$ 500 milhões
Capacidade: 47 mil
RECIFE (novo)
Arena Pernambuco – próximo de R$ 600 milhões
Capacidade: 46 mil

A mil días del Mundial 2014

 
La Copa del Mundo llega a Brasil en el momento adecuado para el país
 
No es nuevo que Brasil enamora a todo aquel que lo conoce. La belleza natural, la biodiversidad y la cultura, la creatividad y la alegría que contagia el pueblo brasileño siempre dejaron huella en aquellos que tuvieron la oportunidad de conocer mi país.
 
A mil días de la Copa del Mundo FIFA 2014, tengo motivos para creer que, junto con esas cualidades que siempre nos caracterizaron, hay otros atributos como la competencia, la seriedad, la innovación, la transparencia, la sostenibilidad, la diversidad y la democracia que contribuirán a que los que vengan a Brasil se enamoren todavía más del país.
 
Nuestra economía, hoy la séptima del mundo, es diversificada e innovadora y combina crecimiento, estabilidad, sostenibilidad e inclusión social. En la última década, de forma espectacular, más de 40 millones de personas pasaron a formar parte de la clase media, hoy mayoritaria en el país. Este contexto contribuye al descenso significativo de los índices de criminalidad en las ciudades brasileñas, de modo que cada vez estamos más preparados para garantizar la seguridad de nuestra población y de los turistas que nos visitan.
 
La evolución también es visible en el ámbito de las infraestructuras. No se trata únicamente de estadios, que, como veremos, estarán acabados de acuerdo con el calendario establecido, sino también de la ampliación y la modernización de puertos, aeropuertos y equipamientos urbanos, importantes legados en los ámbitos de transporte, turismo, comunicaciones y energía. Toda la información, las obras y las inversiones relacionadas con la Copa pueden seguirse por Internet en tiempo real, y será incluso más fácil poder hacerlo cuando el Gobierno Federal lance hoy la página oficial de la Copa (www.copa2014.gov.br). Los medios de comunicación y la sociedad quieren conocer todos los detalles. Éste y otros mecanismos de transparencia, de seguimiento y de control han servido para evitar e identificar eficazmente desvíos potenciales, por lo que la propia democracia brasileña ha salido enriquecida.
 
El brasileño está orgulloso de ser el fruto de una mezcla de etnias, religiones, orígenes y colores. Somos una nación en la que todos -los turistas incluidos- se sienten como en casa. Estamos convencidos de que nuestra fuerza y nuestra creatividad en todos los campos, también en el fútbol, nace de esa diversidad, de esa mezcla. Es por ello por lo que creo firmemente que la democracia ha echado raíces profundas en Brasil.
 
Por supuesto, queda todavía mucho por hacer. Por supuesto, todavía persisten problemas antiguos y van surgiendo nuevos obstáculos que suponen un desafío. Lo que me hace ser optimista es el hecho de que Brasil está cada vez más capacitado para lidiar con ellos. En este sentido, considero que la Copa del Mundo FIFA 2014 llega a Brasil en el momento adecuado, como una gran oportunidad para que nuestro pueblo pueda mostrar al mundo que sabemos hacer las cosas bien, y no solo en el deporte.
 
Pelé es el Embajador Honorario de Brasil para la Copa del Mundo FIFA 2014

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

FIFA lança gerador automático de declarações para jogadores


O gerador de respostas também será usado por técnicos durante coletivas de imprensa para evitar frases desagradáveis e arroubos patrióticos assustadores
ZURIQUE - Atendendo a pedidos de clubes, seleções, assinantes de canais de futebol e ouvintes de radinho de pilha, o presidente da FIFA Joseph Blatter anunciou o lançamento de um gerador automático de frases e declarações para jogadores de futebol. Apresentado em 5 idiomas – português, inglês, espanhol, italiano e alemão –, a máquina será testada nos campeonatos nacionais e deverá ser peça obrigatória para a Copa de 2014. "Queremos que nossos atletas digam coisas elegantes. De quebra, eliminamos o risco de ouvirmos críticas direcionadas a treinadores, patrocinadores ou dirigentes", explicou Blatter.
 
Desenvolvido por um consagrado físico alagoano, o gerador será obrigatoriamente acoplado aos equipamentos de transmissão. Uma vez ligado, ativará um teleprompter com frases que devem ser lidas pelos jogadores. "Fizemos um estudo e desenvolvemos 1.200 frases que podem ser empregadas sem levar em conta a pergunta do jornalista esportivo, como já acontece hoje", explicou o presidente da FIFA.
 
Antes da partida começar, os atletas poderão escolher entre “Vamos jogar com muita humildade”, “O NOME DO ADVERSÁRIO é uma grande equipe” (a ser dita, sem ironia, até mesmo em relação ao América Mineiro e ao atual Flamengo) e “Esse isotônico que patrocina a Copa do Mundo é excelente e lá em casa damos até para o meu filho recém-nascido”.
 
Terminada a primeira etapa, algumas das frases selecionadas são: "Vamos conversar com o professor para tentar corrigir o posicionamento de alguns setores", "Não podemos dar espaço para o adversário crescer" e "Temos de manter a pegada firme e o comprometimento, pois faltam 45 minutos para conseguirmos mais três pontos".
 
Para o final do jogo, o gerador traz a opção de ativar o modo "vitória" ou "derrota" para filtrar mensagens otimistas, mas com pé no chão, no caso de êxito; e frases motivadoras que empreguem a expressão “agora é trabalhar duro”, em caso de fracasso. Na hipótese do jogo terminar em empate, todos lembrarão que tiveram mais oportunidades de gol do que o adversário, que futebol é isso mesmo, e que o árbitro foi leniente com a violência dos volantes adversos. Ninguém se esquecerá de elogiar a qualidade do material esportivo da empresa patrocinadora da Copa do Mundo.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

"A Copa é no Brasil, mas não é para os brasileiros, afirma Kajuru”

Baixar(áudio) Para facilitar o download do arquivo, o áudio  foi dividido em duas partes. A parte 2 encontra-se no final do texto.

(7’37” / 1,75 Mb) - O Brasil será sede da Copa do Mundo de 2014. Desde 2007, quando o país foi escolhido como sede do mundial, vários questionamentos surgiram em torno desse evento.

Em entrevista a Radioagência NP – parceira do Brasil de Fato - o jornalista Jorge Kajuru afirma que o país tem plenas condições e estrutura para realização do evento. Porém, relata que o problema da Copa ser no Brasil está relacionado “a crise moral dos representantes.”

Ele critica o financiamento através de dinheiro público do BNDES no evento e pede mais postura da presidente Dilma sobre o tema. Para Kajuru, a Copa é no Brasil, mas não é para os brasileiros. E acrescenta: “É uma Copa para turistas. Quem vai pagar a conta é o brasileiro, vai sair do imposto”.

Conhecido por sua coragem de enfrentar os cartolas do futebol, Kajuru, também detalha a relação entre a Federação Internacional de Futebol (Fifa)  e o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, no qual ele descreve como “ladrões públicos do futebol mundial.”

O jornalista também acusa a  Rede Globo. “O Ricardo Teixeira também é intocável pela proteção da Rede Globo de Televisão”. Segundo ele, a emissora é sócia em negócios envolvendo futebol, principalmente, monopólio e exclusividade de transmissões.  Leia a seguir a entrevista.

Radioagência NP: Brasil será sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Como você avalia a realização deste evento em nosso país?

Jorge Kajuru: Não sou contra a Copa do Mundo no Brasil. O país tem condições e estrutura. O problema da Copa ser aqui não é estrutural, e sim, de crise moral. Vão roubar de nós brasileiros, pagadores de impostos, porque sairá de forma pública a maior parte de dinheiro gasto em Copa do Mundo. O governo federal, em pleno o governo do presidente Lula, teve que assinar um documento no qual a Fifa ganhará todo o dinheiro da Copa sem pagar qualquer centavo de tributos. A Fifa aceitou o Brasil como sede da Copa tendo essa condição como base de negócio. Todo dinheiro faturado aqui ela (Fifa) vai levar para a Suíça e fazer o divisão entre os ladrões públicos do futebol mundial.

Radioagência NP: Você já declarou que vai torcer contra a seleção brasileira na Copa, por quê?

JK: Vou torcer contra o Brasil na Copa de 2014. Também vou rezar para que na final o Brasil esteja, e que, exatamente na final, o Brasil perca de forma vergonhosa. E que haja, no Maracanã, com o segundo maracanasso, um linchamento público verbal contra a figura do senhor Ricardo Teixeira. O estádio inteiro em eco para que ele criasse vergonha na cara e deixasse a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e também o Brasil, e se juntasse ao seu bando e quadrilha lá da Suíça.

Radioagência NP: A realização da Copa demanda um investimento financeiro muito alto. Grande parte vem por meio do financiamento do BNDES. Você é a favor de financiamento público em um evento, que como você disse, terá o lucro dividido em meios privados?

JK: A Copa é no Brasil, mas não é para os brasileiros. É uma Copa para turistas. Quem vai pagar a conta é o brasileiro, vai sair do imposto. O BNDES já colocou R$ 4,8 bi na Copa. Até 2014 pode dobrar esse valor. O mais grave é que quando foi definido o Brasil como sede da Copa, ficou estabelecido de forma pública, para todos os brasileiros – nas palavras do então presidente Lula e do Ricardo Teixeira – que não se gastaria nenhum centavo público para Copa do Mundo, que todas as despesas seriam privadas. O governo e o Ricardo Teixeira mentiram, foram canalhas.

Radioagência NP:  E como você avalia o papel da presidente Dilma neste processo?

JK: O que ela disse foi o mais grave. A presidente Dilma afirmou que não poderia divulgar os valores financeiros gastos pelo governo até 2014, que eram informações sigilosas. Isso é revoltante. Qualquer brasileiro minimamente sério, qualquer jornalista minimamente descente e qualquer veículo de comunicação minimamente ético teriam que cobrar da presidente essa postura lamentável. Não pode gastar dinheiro público e não informar e divulgar para onde foi.

Radioagência NP:  Recentemente, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, recebeu uma série de acusações. Mesmo assim, ele continua impune. Por que essas acusações não surtem efeito internacionalmente, dentro da Fifa?

JK: O Ricardo Teixeira é blindado porque ele faz parte da quadrilha da Fifa. Ele é intocável porque é sócio do Joseph Blatter [presidente da Fifa] e protegido por João Havelange, presidente de honra da Fifa e dono da máfia do futebol internacional. Havelange e Ricardo Teixeira são donos da Traffic – a empresa que detêm os direitos internacionais de venda de transmissão de futebol para veículos de comunicação do mundo inteiro. A Traffic não é do jornalista Jota Ávila. O Jota é “laranja” do Havelange e do Ricardo, a imprensa esportiva sabe disso é ignora de forma vergonhosa.

Radioagência NP: E no âmbito nacional, por que nada acontece?

JK: Primeiro porque o povo brasileiro não tem coragem de protestar. O povo brasileiro é uma decepção no que se refere a protesto contra coisas públicas horríveis. Ninguém tem coragem de falar isso, falar isso é brigar com o povo, mas não faço média com o povo. Amo o povo porque é a maior celebridade deste país, é feliz recebendo um salário mínimo de R$ 600. Mas não vou dizer que o povo tem cultura de protesto. O Ricardo Teixeira também é intocável pela proteção da Rede Globo de Televisão. A Globo é sócia em negócios envolvendo futebol, principalmente, monopólio e exclusividade de transmissões. Isso se chama ditadura da audiência.

Radioagência NP: Mas a Globo não vende direitos de transmissão para a Bandeirantes?

JK: A Band não paga pelos direitos de transmissão. Ela é presenteada pela Rede Globo desde que, editorialmente, cumpra as mesmas regras da Globo para com o Ricardo Teixeira.

Radioagência NP: Muitas pessoas defendem que a CBF teria uma melhor gestão se as eleições fossem mais democrática, com participação popular.  Você concorda com essa proposta?

JK: Tudo isso não passa de uma fantasia neste Brasil dirigido e presidido por quem é. O PT fará com que a CBF se perpetue com esses mesmos canalhas que estão lá. Embora o ex-presidente Lula – nas eleições de 2002 – tenha prometido que tiraria o Ricardo do comando do futebol brasileiro e que abriria a caixa da CBF. Foi mentira dele. No primeiro mês de governo ele já era melhor amigo do Teixeira. Ninguém é amigo do Teixeira sem que financeiramente tenha nenhum benefício. Portanto, o PT como partido político deve ter ganhado muita grana do futebol brasileiro – da CBF. É um sonho essa história de eleição direta, do povo votando.

Radioagência NP: E qual o participação das federações, dos clubes e da Rede Globo nesse processo de permanência do Ricardo Teixeira dentro da CBF? 

JK: As federações são Ricardo Teixeira. Já nos clubes isso não acontece mais. Na última votação para escolher o presidente do Clube dos 13, a CBF e a Rede Globo tomaram uma derrota vergonhosa. Eles queriam uma vitória do Cleber Leite contra o Fábio Koff. E como isso não aconteceu, o São Paulo foi punido, o Morumbi foi punido e não será sede de abertura de Copa do Mundo. O Ricardo Teixeira, ao lado do seu amigo Andrés Sanchez – presidente do Corinthians – não quiseram. Se o país fosse sério, Andrés e Ricardo Teixeira estariam presos. É por isso que agora a Rede Globo quer tirar o Fábio Koff do comando dos 13 e ameaça acabar com o Clube e montar uma Liga Nacional para mandar mais ainda no futebol brasileiro.

Radioagência NP: Recentemente, a Rede Record entrou na disputa com a Globo para transmitir jogos do campeonato Brasileiro. Essa quebra de monopólio seria boa para o futebol?

JK: Não existe nenhuma diferença na maneira em que Record e Rede Globo cresceram e se transformaram em império. A Globo nasceu de um escândalo chamado Time Life e a Record se transformou em império com dinheiro de fiéis. Acrescente, além do monopólio, a expressão ditadura de audiência. Mesmo não havendo diferença, também na parte editorial, é preciso reconhecer que a proposta da Record é três vezes maior. E ainda, a Record garantia que o jogo, em sua grade de programação, seria às 20h e não às 22h. Hoje, ainda temos que esperar a novela acabar para começar um jogo. Pior, esses jogos acabam meia noite ou 1h quando já não tem mais transporte público. Isso é um absurdo, um crime. Tudo ficou na mesma e seja o que Deus quiser.

Radioagência NP: Qual o papel da Rede Globo e dos veículos de comunicação no Brasil para que essas mazelas do futebol se perpetuem?

JK: O papel da Globo é somente o dinheiro. Quanto o papel dos demais veículos de comunicação deveria ser o jornalismo. A imprensa foi feita para servir o povo, e não se servir do povo. E o que acontece com a maior parte da imprensa, nesta questão que estamos debatendo aqui, é que a imprensa está se servindo do povo. São raras as exceções que não fazem isso, como a ESPN, o jornal o Lance. Também existem alguns jornalistas independentes, como o Juca Kfouri. Poucos veículos ousam falar de Ricardo Teixera. O problema é que as grandes empresas brasileiras também são amigas do senhor Teixeira. E são todas calhordas quanto Ricardo Teixeira essas grandes agências de publicidades,  esse monopólio de grandes empresas que só anunciam em veículos que não praticam o jornalismo esportivo independente, investigativo, sério e descente. É mais que uma máfia, é um cartel.

Radioagência NP: Muitas pessoas te classificam como um pessimista e inimigo do futebol. Você realmente gosta deste esporte?

JK: Tem pessoas que me consideram um crítico, um louco, um do contra e um pessimista. Eu amo o futebol nas quatro linhas. Quem não vai gostar de um drible do Neymar [Santos Futebol Clube]. Uma bela jogada e um passe de calcanhar do jogador Ganso [Santos Futebol Clube] e do Lucas [São Paulo Futebol Clube]. Ninguém vai me fazer deixar de gostar, de ver e de falar bem do bom futebol. Vou defender e aplaudir jogadores e treinadores acima da média. Agora não queiram que eu dê uma entrevista e que deixe de falar em relação a essa escumalha que comanda o futebol brasileiro. Se eu não denunciasse isso eu não seria um jornalista, e sim, um picareta e assessor do Ricardo Teixeira. Mas o futebol dentro de campo é minha paixão e alegria.

Baixar/parte_2

De São Paulo, da Radioagência NP, Danilo Augusto.

O jornalista Jorge Kajuru é autor do livro “Condenado A Falar De A a Z - Pólvora Pura.” Para adquirir o livro você pode fazer o pedido pelo e-mail: livrokajuru@gmail.com

sábado, 13 de agosto de 2011

Jornalista que denunciou Ricardo Teixeira é entrevistado por Romário

O jornalista escocês Andrew Jennings é repórter investigativo há 30 anos e comanda um programa de grande audiência na TV inglesa BBC. Depois de investigar a máfia italiana, a corrupção na Scotland Yard (policia inglesa), há 13 anos comprou uma guerra com a poderosa Federação Internacional de Futebol (FIFA). Passou, então, a ser o principal inimigo dos dirigentes esportivos internacionais.

Descobriu, entre outras coisas, que as eleições internas são compradas, há manipulação de resultados de jogos e negociatas para a escolha de países-sedes da Copa do Mundo. Reuniu tudo no livro, recém-lançado no Brasil: Jogo Sujo, o Mundo Secreto da FIFA. “São negócios que fariam corar a máfia italiana”, afirmou Jennings.

Romário - Há quanto tempo você vem investigando a corrupção no esporte?

Andrew Jennings - Eu tenho sido um repórter investigativo há 40 anos e 20 anos atrás eu estava investigando a máfia de Palermo e as suas operações na Europa, Reino Unido e América do Norte. Um dia, durante as filmagens em Palermo, fiquei frente a frente com um mafioso muito irritado, que nos mandou parar de filmar.

Esta experiência e entendimento de como as famílias do crime organizado operam foi o treinamento perfeito para o próximo alvo - as federações esportivas internacionais. Eu pensei que este trabalho não iria durar muito tempo. Vinte anos depois ainda estou desenterrando evidências de corrupção - especialmente na FIFA! Não tenho dúvidas de que a FIFA é uma família do crime organizado e que Blatter (presidente da FIFA) mantém a sua influência distribuindo fartamente ingressos da Copa do Mundo.

Romário - Por que está tão interessado em Ricardo Teixeira, na CBF e no envolvimento deles na Copa do Mundo de 2014?

Andrew Jennings - Qualquer fã - ou repórter - tem de estar interessado em quem está hospedando a próxima Copa do Mundo e como os preparativos estão indo. Após a corrupção na África do Sul quando tantos estádios de futebol desnecessários foram construídos - e os lucros que foram para políticos e empreiteiros corruptos – o Brasil, que ainda tem de superar a pobreza, será analisado pelo resto do mundo. Globalmente, não há confiança na CBF.

Há também pouca confiança nas demonstrações freqüentes do secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, de que o Brasil não está se preparando rápido o suficiente. Se isso é verdade ou não, de qualquer maneira, observadores internacionais notam a relação calorosa entre Teixeira e Valcke.

O Brasil precisa resistir à pressão da FIFA.

Estou certo de que nos últimos anos, Blatter prometeu a Teixeira que o brasileiro seria o próximo presidente da Fifa. Mas com os dois envolvidos em tantos escândalos, isso é menos provável.

Romário - Quem é Ricardo Teixeira, no contexto do futebol internacional?

Andrew Jennings - Poucos fãs fora do Brasil não reconheceriam Teixeira na rua. Aqueles que o conhecem veem um homem que se tornou rico e poderoso explorando o futebol brasileiro e a FIFA. As notícias internacionais expõem histórias sobre seu envolvimento em contratos duvidosos da Copa do Mundo.

Teixeira está permanentemente envergonhado pelo relatório Dias de 2001 (refere-se ao relatório elaborado pelo senador Álvaro Dias durante a CPI do Futebol), que foi relatado internacionalmente.

"Tricky Ricky ' o apelido de Ricardo Teixeira, está agora se espalhando ao redor do mundo.

Romário - Como o Brasil conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014?

Andrew Jennings - Blatter, o poderoso chefão da mafia, tem que manter seus Sub-Chefes ao redor do mundo felizes. Ricardo queria sua própria Copa do Mundo para saquear. A melhor maneira de Blatter mantê-lo fiel era deixá-lo organizar a Copa de 2014. Depois que a África do Sul foi roubada em 2000, quando perdeu a sede da Copa do Mundo de 2006 - subornos foram pagos em nome da Alemanha – a África ficou furiosa. Blatter apressadamente introduziu a idéia de girar a Copa do Mundo entre os continentes. Em seguida, a África do Sul conseguiu sediar o evento em 2010 e 2014 foi prometida à América do Sul. Vocês (brasileiros) têm que descobrir que negócios foram feitos secretamente entre Teixeira e o resto dos países que formam o Comnebol.

Romário - Você se refere aos segredos em Zug? O que é essa história?

Andrew Jennings - Este é o grande escândalo da FIFA, maior do que qualquer outro que a instituição já se envolveu. Um verdadeiro espectro que tem assombrado Blatter, Teixeira e João Havelange na última década. Nas duas décadas passadas foram pagos grandes subornos por uma empresa suíça de marketing esportivo em retorno por terem sido concedidos contratos lucrativos para a Copa do Mundo FIFA. Essa empresa, ISL, foi à falência no início de 2001 e os gângsters na FIFA têm tentado desesperadamente, desde então, minar as investigações realizadas por promotores criminais.

Romário - Que tipo de suborno estamos falando?

Andrew Jennings - Sentei em um tribunal suíço em março de 2008 e ouvi um juiz revelar que a ISL havia pago cerca de US$ 100 milhões em subornos para obter os seus contratos. Os repórteres no tribunal ficaram surpresos com o valor. $ 100 milhões em subornos! Esta seria a maior história de corrupção na história da FIFA - e talvez do esporte mundial.

Romário - E as investigações continuaram?

Andrew Jennings - Esse caso tratava como os administradores da ISL tinham se comportado mal. As investigações da polícia continuaram em relação aos subornos e o caso foi resolvido fora do tribunal, no verão do ano passado - o anúncio foi feito durante a Copa do Mundo na África do Sul e teve pouca atenção. A declaração formal do procurador em Zug disse: juiz de instrução Thomas Hildbrand, em agosto de 2008, começou uma investigação sobre alegações de que certos membros do Comitê Executivo da FIFA receberam propina em contratos de marketing. Após cinco anos de investigações os acusados concordaram em pagar CHF5.5million e o caso foi encerrado."

Romário - O que isso significa, em poucas palavras?

Andrew Jennings - Os três alvos da investigação tinham que confessar que sabiam sobre os subornos e que dois deles tinham aceitado propinas. Pagaram uma parte do dinheiro e, assim, garantiram o sigilo de suas identidades. Essa é a maneira suíça judicial de resolução de alguns casos criminais.

Romário - E a história acabou?

Andrew Jennings - Certamente que não. Nosso dever como jornalistas da BBC foi para descobrir quem havia admitido tomar o suborno. Sentimos que o mundo tinha o direito de saber.

Romário - Então o que você fez?

Andrew Jennings - Como todo repórter faz, nós fizemos inquéritos confidenciais na Suíça e soubemos muito mais. Assim, em 23 de maio deste ano eu apresentei um programa Panorama BBC no qual dei o nome do Ricardo Teixeira e do João Havelange como os dois funcionários da FIFA que haviam admitido ter recebido subornos. Eu também denunciei a FIFA - e aqui nós só podemos estar falando de Blatter - admitindo que o dinheiro devido à FIFA, da ISL, tinha sido desviado em subornos.

Romário - Você tem sido justo com Ricardo Teixeira?

Andrew Jennings - É claro. A BBC insiste que qualquer pessoa denunciada em um programa tem tempo suficiente para responder às acusações e nos conceder uma entrevista. Para ambos os programas nos quais citamos Teixeira - novembro do ano passado e maio deste ano - enviamos dois e-mails cada vez, informando-o das nossas alegações e convidando-o a participar do programa para contar o seu lado da história.

Romário - Como ele reagiu?

Andrew Jennings - Ele nunca respondeu. Ele ignorou e não aproveitou a oportunidade para negar qualquer coisa. Ao contrário, ele atacou a BBC e o jornalismo britânico como "corruptos. 'Isso não é resposta para denúncias tão sérias e graves que estão documentadas.

Quais são os documentos que você tem para provar que Teixeira - e Havelange - aceitaram suborno?

Para o nosso programa em novembro do ano passado consegui uma lista de 165 subornos pagos pela ISL a à maioria dos funcionários da FIFA - os US $ 100 milhões. Nós mostramos a lista na TV - destacando os nomes de Teixeira e Havelange. Nós também temos mais evidências de que Teixeira tinha aceitado cerca de US$ 10 milhões por meio de uma empresa chamada Liectenstein Sanud.

Romário - Por que foi tão importante?

Andrew Jennings - No relatório do senador Alvaro Dias, de 2001, sobre a corrupção na CBF, o parlamentar brasileiro identificou esta empresa estrangeira (Sanud) como sendo a fonte de dinheiro que foi para Teixeira. Mas ele não conseguiu descobrir e rastrear onde Sanud conseguiu o dinheiro. Mas nós encontramos - muitas vezes - na lista de propinas pagas pela empresa ISL. Assim, o dinheiro era lavado da Suíça para Liechtenstein e depois para o Brasil. Continua sendo uma decepção que o Ministério Público brasileiro não tenha agido sobre o as revelações do relatório apresentado pelo senador Álvaro Dias.

Romário - O que pode acontecer agora?

Andrew Jennings - Investigamos e descobrimos que na lei suíça, é possível obter o relatório secreto da polícia revelando quem recebeu o suborno. Agora temos de convencer um tribunal suíço que é de interesse público a divulgação desta evidência. Isso vai acontecer - há um precedente legal importante.

Romário - O que você está fazendo para provar que Teixeira é um dos que aceitaram suborno?

Andrew Jennings - A BBC e alguns meios de comunicação suíços - e eu acredito que um jornal brasileiro - começaram um processo judicial formal na Suíça. O Ministério Público em Zug diz que está preparado para divulgar as provas, mas ele está sendo contestado pelos homens acusados. Eles (os acusados) estão gastando grandes somas com advogados suíços para argumentar contra a publicação desta informação.

Parte do processo é que nos são dadas cópias das razões pelas quais a publicação está sendo bloqueada. Os advogados suíços dizem que seus clientes sofreriam "cobertura negativa da imprensa." Sua reputação seria "danificado irreparavelmente." Eles podem até sofrer 'roubo ou seqüestro. "Estas cartas, judicialmente legais, identificam a FIFA, mas os outros dois homens são chamados de B2 e Z . A partir das descrições dadas temos evidências adicionais de que eles são Ricardo Teixeira e João Havelange.

Romário - Quanto tempo levará para o relatório secreto ser revelado?

Andrew Jennings - Pode demorar até 12 meses. O tribunal de Zug nos apoiou em 24 de maio, e agora os bandidos estão apelando para a próxima esfera. Eventualmente, ele vai acabar no Supremo Tribunal de Lausanne e estamos confiantes de que vamos obter os documentos e os culpados serão expostos.

Romário - Qual é a importância disso? O último suborno foi pago no início de 2001?

Andrew Jennings - As implicações são enormes. FIFA e os dois brasileiros serão expostos como bandidos. O mundo vai aprender que o homem encarregado da Copa de 2014 é corrupto. O dano à reputação do Brasil será imensa.

Romário - O que o Congresso do Brasil e o governo brasileiro devem fazer?

Andrew Jennings - É o momento para a presidente Dilma Rousseff tomar medidas para encerrar este escândalo. Meu conselho é que ela deve chamar Teixeira e dizer: 'Por favor, venha ao meu escritório - e traga todo o processo que corre na Suíça com você. Eu quero ver esse relatório secreto e toda a correspondência na qual você está tentando bloquear da divulgação da mídia de alguma coisa de que você está sendo acusado de ter feito. "

Romário - E se ele se recusar?

Andrew Jennings - Então ele deve ser despejado rapidamente de qualquer parte da organização de 2014. E deve ir com sua família e aliados. Uma faxina no Comitê Organizador Local. Há uma abundância de talento no Brasil para substituí-los e produzir um grande torneio com o orçamento disponível.

Romário - O que mais pode ser feito?

Andrew Jennings - O Congresso Nacional também deve pedir para ver estes documentos suíços. E o Governo, por meio do Ministério das Relações Exteriores, também deve requerer junto ao governo suíço que os documentos se tornem públicos. É do interesse nacional do Brasil saber o que está acontecendo.

Romário - Ricardo Teixeira afirma que a BBC é controlado pelo governo britânico.

Andrew Jennings - Isso é um absurdo e ele deve saber isso. A BBC é totalmente independente de qualquer governo. Você deve se lembrar que, quando estávamos preparando o nosso programa em novembro do ano passado, o primeiro-ministro britânico David Cameron nos atacou por causa dos danos que poderiamos causar à candidatura dele na Inglaterra. Ele pareceu não compreender que a Inglaterra não pagar subornos, nunca poderíamos vencer.

Romário - Mas Ricardo Teixeira também diz que seus programas na BBC que o identificam como corrupto representam uma vingança porque a Inglaterra perdeu a sede da Copa do Mundo de 2018?

Andrew Jennings - Isso é um absurdo. Fizemos nosso primeiro programa expondo a ISL subornos aos altos funcionários da FIFA em Junho de 2006! O segundo programa, sobre as propinas pagas pela Alemanha, foi exibido em 2007 e o primeiro a identificar Ricardo Teixeira foi transmitido em novembro passado, três dias antes da votação para 2018 e 2022. Nosso dever como livre e independentes jornalistas britânicos foi para avisar o que iria acontecer na votação. E assim foi. E, claro, nós fizemos esses programas para demonstrar para a Inglaterra e para o resto do mundo que a única maneira de ganhar o direito de sediar o torneio é pagar subornos.

Romário - Algo mais a acrescentar?

Andrew Jennings - Adoro visitar meus amigos no Brasil e estou ansioso para um grande torneio no Brasil, em 2014, com o Ricardo Teixeira fora da organização. E que todos os orçamentos sejam públicos - para evitar a corrupção. Assim teremos uma grande festa!