Guerrilheiro Virtual

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O "CAPITALISMO DE ESTADO" VENCEU E MELHOROU A VIDA DO POBRE

capa da revista inglesa "The Economist"
 
Por Paulo Henrique Amorim [PHA] no portal “ Conversa Afiada”

“A ‘Economist’ [revista semanal inglesa] entendeu quase tudo. Os neolibelês demoram um pouco mais

Um artigo de Delfim Netto na [revista] “Carta Capital” que está nas bancas trata de importante estudo da revista inglesa “Economist”, um dos bastiões do Neolibelismo (*), sobre o “Capitalismo de Estado”.

Nada que se compare à obra da Urubóloga, a única, de fato, herdeira do pensamento de Milton Friedman no Hemisfério Sul.

A própria “Economist” é obrigada a reconhecer que as multinacionais dos países emergentes, como a Petrobras e a Vale, são a prova da ascensão vertiginosa do “Capitalismo de Estado”, em prejuízo do sistema Neolibelês que nasceu com Ronald Reagan e Margaret Thatcher.

(Aqui no Brasil, o mensageiro da boa nova foi o Farol de Alexandria, que, com seu Planejador Maximo, Padim Pade Cerra, naufragou na Privataria Tucana.)

O neolibelismo levou um tiro no peito com a quebra do banco americano “Lehman”, em 2008, e “agora sufoca boa parte do mundo rico”, diz a revista.

Ela se concentra, sobretudo, na associação indistinguível entre Estado, Partido Comunista e Empresas na China.

O “Capitalismo de Estado” tenta reunir o poder do Capitalismo com o poder do Estado.

A China de Deng se inspirou em Cingapura, que praticava o “Capitalismo de Estado”, em oposição ao liberalismo da vizinha Hong Kong, ainda inglesa.

A China engoliu o mestre.

Nos últimos 30 anos, o PIB chinês cresceu a 9,5% ao ano e, nos últimos dez anos, o PNB mais do que triplicou para chegar a US$ 11 trilhões (o do Brasil é de US$ 3 trilhões).

Das 13 maiores empresas de petróleo, com mais de 3/4 das reservas mundiais, todas são de alguma forma estatais – inclusive as do Oriente Médio.

As empresas estatais são 80% dos negócios da Bolsa chinesa e 62% da russa.

No Brasil, representam 38%.

A maior empresa de gás do mundo , a Gazprom, é russa e estatal.

A “China Mobile” tem 600 milhões de clientes.

O Estado é o maior acionista das 150 maiores empresas da China.

A “Saudi Basic Industries” é uma das mais rentáveis empresas químicas do mundo.

A “Dubai Ports” é a maior operadora de portos do mundo.

“Capitalismo de Estado” já houve antes.

No berço da hegemonia (liberal) inglesa está a “Companhia das Índias”.

A Alemanha da reunificação no século XIX foi “Capitalista de Estado”.

Como o Japão do pós-Segunda Guerra.

Como Alexandre Hamilton, o primeiro Ministro da Fazenda dos Estados Unidos, que montou furiosa e impenetrável rede de proteção à nascente manufatura americana.

(Os neolibelês fazem de conta que Hamilton morreu num duelo antes de tomar posse. Foi muito depois …)

Só que, agora, diz a “Economist”, o desenvolvimento do “Capitalismo de Estado” se dá numa amplitude muito maior – e mais rápido !

Além disso, o “Capitalismo de Estado” hoje usa mecanismos muito mais sofisticados.

Por exemplo, a nova engenharia financeira das empresas do “Capitalismo de Estado”.

O Estado não é dono, mas um acionista do bloco de controle.

O que profissionaliza a gestão e dá mais flexibilidade.

As economias do “Capitalismo de Estado” criaram bancos de fomento – como o BNDES e a BNDESpar – que estabelecem as políticas industriais.

E criaram fundos soberanos para garantir recursos para a inovação e financiar os riscos das empresas estatais.

Progressivamente, as economias do “Capitalismo de Estado” – observa a “Economist” – fazem operações diretamente entre si e dispensam as casas de intermediação em “Wall Street” e na “City de Londres”.

A coisa pode ficar feia para os bancos das economias ricas, acredita a “Economist”.

O estudo dispensa a Índia – onde as empresas beneficiadas parecem ser, apenas e ainda, capitanias escolhidas pelo Raj.

E se concentra na ligação entre “Capitalismo de Estado” e autoritarismo na Rússia e na China.

Mas, ressalva, sempre, que o Brasil é uma democracia.

Talvez seja um exagero dizer que o “livre mercado chegou ao fim” – pondera a “Economist”.

Mas, é verdade que um número surpreendente de países, sobretudo entre os emergentes, aprendeu a usar o mercado para atingir objetivos políticos.

A mão invisível do mercado é substituída pela mão visível, e muitas vezes autoritária, do Estado, diz a “Economist”.

Não é o caso do Brasil – onde o Estado não rompe contratos nem confisca empresas, uma marca registrada de Putin.

E, no Brasil, a Presidenta foi vítima, sob tortura, da mão autoritária.

Autoritários e torturadores são os que se beneficiam de uma Lei de Anistia -e, não, ela.

A “Economist” diz que o “Capitalismo de Estado” é bom para a infraestrutura (o PAC), mas fraco em bens de consumo.

(No Brasil, o problema são as empresas da privataria: o amigo navegante já ligou para reclamar de uma conta de telefone ?)

A “Economist” acredita que o “Capitalismo de Estado” encoraja a corrupção.

(O repórter inglês não teve o prazer de conhecer Mr Big, o Dr Escuta e o Itagiba …)

Acha também que a empresa do “C de E” é lenta para inovar.

A Petrobras e as pesquisas no pré-sal parecem não concordar …

Delfim Netto, que tem especial apreço pelos neolibelês brasileiros, se preocupa com a fome da China por energia e comida – e a disponibilidade de um e outro no mercado.

A “Economist” lembra que a China não tem nenhum compromisso com as regras de um jogo – o mercado de petróleo e comida – que, por muito tempo, a marginalizou.

E isso pode ser um perigo.

Como se chama “Economist”, a revista inglesa pouco se dá sobre a relação entre pobreza e desigualdade e neolibelismo e Capitalismo de Estado.

Enquanto a pobreza e a desigualdade crescem nos Estados Unidos, o Marcelo Neri, ao analisar o Ano I da Dilma, observou que a pobreza e a desigualdade continuam a cair.

Que horror !”

(*) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro [PHA] aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.”

FONTE: escrito pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu portal “Conversa Afiada”  (
http://www.conversaafiada.com.br/economia/2012/02/27/o-capitalismo-de-estado-venceu-e-melhorou-a-vida-do-pobre/).

Do Democracia e Política

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