Guerrilheiro Virtual

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Capitalismo, movimentos e a grande encruzilhada


Antonio Martins, Outras Palavras

Saiu há semanas, na Inglaterra, um livro especialmente provocador, sobre os movimentos rebeldes de 2011. Seu título, em português, poderia ser Por que tudo está começando1. Seu autor, o jornalista britânico Paul Mason, cobriu quase todas as revoltas sociais que marcaram o ano passado: Cairo, Madri-Barcelona, Atenas, Londres, Madison, Nova York. Mas a obra vai muito além do relato factual. Mason, um repórter experimentado [aqui, seu blog e verberte na Wikipedia], hoje na BBC, é também estudioso incomum da história das revoluções e do movimento operário; das mutações do capitalismo; das teorias sobre redes, políticas horizontais e internet. Ao articular vivência real nas ruas rebeladas com ferramentas teóricas capazes potentes, ele pôde chegar a três grandes hipóteses – tão esperançosas quanto perturbadoras. Elas aparecem em duas entrevistas recentes: uma, ao site norte-americano Alternet; outra, à revista londrina Red Pepper, traduzida e reproduzida alguns parágrafos adiante.

A primeira hipótese de Mason está diretamente relacionada ao título do livro. Ele ressalta que, apesar de terem surgido em cenários políticos, sociais e culturais muito distintos – de um Egito empobrecido e governado com mão-de-ferro à opulenta e liberal Wall Street –, há uma identidade crucial entre as rebeliões de 2011. Todas elas foram deflagradas pelo “colapso” (aqui, não há meias palavras) do padrão de acumulação capitalista inaugurado no início dos anos 1980.

Mason julga que a crise devastou a capacidade do neoliberalismo para produzir algo sem o quê nenhum sistema se sustenta: esperanças e consensos. Até 2008, elas se mantinham, graças aos diversos aspectos que a financeirização das economias assumiu. O crédito fácil e barato mascarava a redução dos salários e o aumento das desigualdades. A perda de empregos industriais era amenizada por um setor de serviços vasto e, em alguns de seus segmentos, sofisticado e florescente. Os antigos vínculos com a empresa (“sou empregado da GM”), família e nação eram substituídos pela ideia de que, ao consumir produtos de uma determinada marca, garantia-se acesso a um mundo particular (“uso um Iphone”). 
No momento em que estas ilusões caem por terra, ressurge (em Tunis, Telavive ou Santiago) um sujeito revolucionário particular. Mason identifica-o como “o jovem bem-formado e sem futuro”. Não é um personagem novo. Tipos assim, frisa o autor, foram centrais para que eclodisse a Revolução Francesa. O que os domesticou por séculos, mais tarde, foi a perspectiva de um trabalho decente e uma vida confortável. Ora, provoca Mason, “o que o neoliberalismo fez, nos últimos trinta anos, foi exatamente destruir estas barreiras”… 
 
Artigo Completo, ::Aqui::

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