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terça-feira, 26 de junho de 2012

Convocação de arquiteto comprova timidez da CPI

Convocação de arquiteto comprova timidez da CPI 

Deputado tucano Carlos Sampaio (dir) se revolta com relator Odair Cunha (PT-MG) por priorizar convocação do arquiteto Alexandre Milhomen (esq), que depôs hoje à comissão, e postergar a de Fernando Cavendish, dono da Delta; "Eu me sinto envergonhado"; para ele, atuação deprecia papel da CPI

247 – O deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) criticou com veemência a atuação do relator da CPI do Cachoeira, deputado federal Odair Cunha (PT), durante sessão nesta terça-feira 26. Segundo ele, a convocação do arquiteto Alexandre Milhomen, que trabalhou na casa que pertenceu ao governador de Goiás, Marconi Perillo, é "vexatória". Sampaio afirmou que a convocação de Milhomen ao Congresso é "totalmente descabida e despropositada" e que se sente "envergonhado" com a atitude.

O deputado tucano provocou o relator, insinuando que ele estaria tendo uma atuação partidária ou ainda atendendo a um pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para agir contra o governador Perillo. Sampaio citou os depoimentos desta semana, afirmando que sete deles são ligados ao governador de Goiás e apenas três ligados ao governador do DF, Agnelo Queiroz, que é do PT.

A convocação do dono da Delta, Fernando Cavendish, foi o principal motivo da revolta dos parlamentares, visto que o empreiteiro teve a convocação adiada por votação da CPI, com forte apoio da bancada petista. "Não é o arquiteto que tem que vir aqui e dizer qual papel de parede ele comprou, mas o Cavendish que tem que vir e dizer que parlamentar ele comprou", protestou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

Sampaio se irritou com o mesmo fato. "O requerimento [da convocação do arquiteto] priorizado dentre tantos outros pelo relator deprecia e muito o papel de uma comissão parlamentar de inquérito", disse. O deputado ironizou ainda o papel de parede citado em pergunta de Odair Cunha – quer questionou o arquiteto onde ele teria comprado o produto – e o papel que ele tem exercido na CPI. "O relator não entendeu ainda que não é o papel de parede da reforma, mas o papel que ele exerce na CPI que deprecia a comissão", apontou.

Cunha justificou a presença do arquiteto afirmando que com seu depoimento é possível criar vínculos com o contraventor Carlos Cachoeira, que já morou na casa. "Esses depoimentos ajudam sim no esclarecimento dos fatos." O responsável pelo requerimento da convocação de Alexandre Milhomen é o deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), que não está hoje na sessão da CPI.

Depoimento

247, com Agência Brasil - Em seu depoimento, o arquiteto Alexandre Milhomen confirmou que foi contratado por Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira. O arquiteto informou que foi contratado para decorar o interior da casa que havia pertencido ao governador Marconi Perillo e onde o empresário foi preso, em fevereiro, pela Polícia Federal. No entanto, Milhomen disse que não conhece o governador nem sabia que a casa havia pertencido a ele.

"Quero informar que eu não conheço o governador Perillo e não sabia que a casa pertencia a ele. Fui contratado por Andressa Mendonça para fazer uma casa provisória, para ela permanecer por um período. Fiz apenas uma decoração interna", disse Alexandre Milhomen.

O arquiteto também disse que trabalhava para Cachoeira e Andressa desde fevereiro de 2010. Pelo serviço de decoração, Milhomen informou que recebeu cinco pagamentos de R$ 10 mil. Ele também disse que não conheceu o empresário Walter Paulo Santiago, que afirmou ser o comprador da casa. Milhomen ainda questionou o motivo de ser chamado à comissão. "Sou um pai de família. Eu sou um trabalhador, sou um sobrevivente do Brasil e vivo do meu trabalho", destacou.

Antes, outros depoentes optaram por ficar em silêncio e foram dispensados pela comissão. Lúcio Fiúza Gouthier, ex-assessor do governador, e Écio Antônio Ribeiro, um dos donos da empresa Mestra Administração e Participações, exerceram o direito de não responder as perguntas, protegidos por habeas corpus concedidos pelo Supremo Tribunal Federal.

Do Brasil247 

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