A Suprema Corte do Paraguai ratificou a decisão do Congresso daquele país que destituiu o presidente Fernando Lugo. Ou seja, consolidou politicamente na Presidência o vice Federico Franco, do Partido Liberal Radical Autêntico. O velho Partido Colorado, o alto clero da Igreja Católica, os chefes militares e os fazendeiros paraguaios — e brasiguaios — apoiam o golpe constitucional. Sim, golpe, pois não houve o "devido processo legal". A cassação foi em rito sumário.
A destituição de Lugo tem suas semelhanças institucionais com o que aconteceu no Brasil em 31 de março de 1964, quando o senador Auro de Moura Andrade (PSD-SP), presidente do Congresso Nacional, declarou vaga a Presidência ocupada por João Goulart, lembra-me Gilvan Cavalcanti de Melo, um velho amigo. "Alegou que o presidente havia saído do Brasil e que o comunicado de Darcy Ribeiro, chefe da Casa Civil, afirmando que ele se encontrava no exercício da função, era mentiroso. Andrade empossou o presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, como governante provisório (...) Em seguida, mandou desligar os microfones e as luzes rapidamente, sob protestos de Tancredo Neves. Entrava em ação a "escola" do golpe legal."
Por que, então, "quase perfeito"? Ora, até agora, Franco não obteve nenhum respaldo internacional. Somente o Vaticano apoia o novo governo, num acerto de contas com o ex-bispo mulherengo que se elegeu presidente da República. Sem muito alarde, a presidente Dilma Rousseff intercedeu perante os Estados Unidos e a União Europeia para que o novo governo não fosse reconhecido, e conseguiu que a Espanha voltasse atrás nessa decisão.
Calendário
A reunião da Unasul, na sexta-feira, pode consolidar o isolamento internacional do Paraguai. Será difícil reverter a destituição de Fernando Lugo, mas é possível manter o calendário eleitoral e eleger um novo presidente daqui a nove meses, num pleito limpo e monitorado. Para quem viveu tantos ciclos autoritários, não é pouca coisa. Azedo
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