Não é preciso ser nenhum gênio para perceber que o julgamento do chamado 'mensalão', marcado para iniciar em 1º de agosto, será um prato cheio para a oposição demotucana fazer proselitismo na campanha eleitoral.
Para não misturar com eleições, seria mais adequado que tal julgamento tivesse sido realizado no ano passado, no início deste ano ou após o processo eleitoral. Mas o STF tem seus ritos, e se isso for sinal de independência de fatores externos, seja do calendário eleitoral, seja da 'faca no pescoço', tanto melhor, pois um julgamento olhando para as provas ou falta delas, ignorando a pressão publicada por aí, pode ser bastante favorável para os réus políticos, sobre quem não provas conclusivas.
Há réus políticos de partidos como PT, PP, PR, PTB e PMDB. Mas o alvo da oposição e da velha imprensa é só o PT. A exploração do tema na campanha eleitoral será inexorável e caberá ao PT traçar suas estratégias para enfrentá-la. Obviamente, parte da pauta denuncista será rebatida com as revelações que emergirem da CPMI do Cachoeira e da Privataria Tucana.
O problema, tanto para o PT como para o PSDB (os dois partidos que deverão travar os maiores embates), é que campanhas eleitorais exclusivamente denuncistas favorecem candidatos de terceira via, que correm por fora. Então ambos terão que calibrar a dose dessa pauta denuncista em muitas cidades.
É preciso lembrar, também, que em eleições municipais os efeitos das CPIs e do julgamento no STF serão menores. Os problemas locais têm peso, e quem só agride adversários, sem apresentar soluções, costuma ser rejeitado pelo eleitor.
Outro aspecto é que a velha imprensa já condenou por antecipação todos os envolvidos no chamado Mensalão. Então, talvez o longo julgamento produza tédio no eleitor, como se fosse apenas 'homologação' requentada de tudo o que já foi dito, em vez de produzir o efeito desejado pela oposição.
Outra estratégia ao alcance do PT é fazer do limão, limonada, diante de três cenários possíveis:
1º) Caso o julgamento conclua pela inocência da maioria dos réus, o PT sairá fortalecido do processo e em vez de fazer campanha na defensiva, poderá fazer na ofensiva mesmo quando seus adversários baterem nessa pauta. É como aqueles paredões do programa de TV BBB. Quem passa por um, volta mais forte.
2º) Caso o julgamento seja desfavorável, e parte importantes dos réus seja condenado a ponto de causar constrangimentos – o que é pouco provável –, restará ao PT explorar a contradição de seus membros responderam à Justiça, serem alcançados por ela, e pagarem pelos seus erros, mesmo quando o partido está no poder, enquanto o 'mensalão' tucano continua 'blindado', mesmo que os fatos venham desde 1998, cinco anos antes do outro 'mensalão'.
Ou seja, “com o PT no poder as instituições funcionam.” A grande imprensa denuncia, pressiona, e a Justiça anda rápido contra governistas. Já quando a oposição estava no poder (ou ainda está no caso de vários estados), a grande imprensa não denuncia, não pressiona, e a Justiça anda lentamente.
3º) O pior cenário é o julgamento se esticar por toda a campanha eleitoral sem decisão. Neste caso, do ponto de vista eleitoral, só servirá para alimentar o noticiário com campanha negativa contra petistas (apesar de poder cansar o telespectador ou leitor), e para produzir manchetes que alimentarão o horário eleitoral gratuito das campanhas tucanas, e numa campanha 'sanguinária' e polarizada, a probabilidade dos dois lados perderem é grande.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
”Sendo este um espaço democrático, os comentários aqui postados são de total responsabilidade dos seus emitentes, não representando necessariamente a opinião de seus editores. Nós, nos reservamos o direito de, dentro das limitações de tempo, resumir ou deletar os comentários que tiverem conteúdo contrário às normas éticas deste blog. Não será tolerado Insulto, difamação ou ataques pessoais. Os editores não se responsabilizam pelo conteúdo dos comentários dos leitores, mas adverte que, textos ofensivos à quem quer que seja, ou que contenham agressão, discriminação, palavrões, ou que de alguma forma incitem a violência, ou transgridam leis e normas vigentes no Brasil, serão excluídos.”