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quarta-feira, 11 de julho de 2012

'Estávamos diante de um ídolo de pés de barro' - Assista Ao Vivo

'Estávamos diante de um ídolo de pés de barro'

Em discurso, senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) diz que parlamentares têm que dar exemplo; antes dele, Mario Couto (PSDB-PA) afirmou que a "Casa está desmoralizada"; Pedro Taques sentenciou: "O senhor feriu de morte a dignidade do mandato"; assista processo contra Demóstenes Torres

247 – Está em curso a sessão do Senado que deve cassar o mandato do senador Demóstenes Torres, por quebra de decoro parlamentar. Presidida pelo senador José Sarney, a sessão tem as galerias lotadas pelo público. O relator da Comissão de Ética, Humberto Costa, será o primeiro a falar. Em seguida, o relator da Comissão de Constituição e Justiça, Pedro Taques. Cada senador poderá se pronunciar por dez minutos. A defesa a ser feita pelo próprio Demóstenes tera vinte minutos. Mesmo pelo sistema de votação secreta, ele deve ser o segundo senador da história cassado por seus pares.

"Como alguém da intimidade desse cidadão (Carlinhos Cachoeira) poderia não saber das atividades criminosas dele, que fora indiciado por seis crimes em Goiás, onde o senhor foi procurador de Justiça por dois mandatos?", perguntou o senador Humberto Costa, da tribuna, na direção de Demóstenes Torres, em seu discurso de acusação. "O senhor procurou constranger o governo federal, por meio da Caixa Econômica Federal, em 2003, por um acordo com a Getec", acusou.

"Em seguida, participou da acusação de Valdomiro Diniz, como se tivesse uma antevisão, mas poupou seu amigo Cachoeira". O senador lembrou que Demóstenes chegou a visar Cachoeira sobre operações da Polícia Federal. "Isso poderia ter custado a vida de agentes públicos", frisou Costa. Não é aceitável que um senador tenha contas pagas por alguém, quanto mais um contraventor. Costa enumerou que Demóstenes ganhou, entre outros bens, uma geladeira e um fogão que custaram 25 mil dólares a Cachoeira. "Eram encomendas", frisou o senador que presidiu a Comissão de Ética.

Terceiro parlamentar a falar, o senador Mario Couto (PSDB-PA) também condenou as atitudes de Demóstenes e afirmou que a "Casa está desmoralizada". O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), em seu discurso, destacou que não seria possível o senador desconhecer as atividades ilegais de Carlos Cachoeira. "O que está em jogo não é apenas o mandato de um parlamentar, mas a reputação de todo o Senado federal", afirmou.

João Capiberibe (PSB-AP) cravou não ser possível que um político conviva tanto tempo com uma pessoa sem saber de suas atividades, em referência a Cachoeira. E brincou com as palavras "impunidade" e "imunidade", que rimam e, segundo ele, "são muito similares". O senador disse concordar com os votos dos relatores Pedro Taques, da Comissão de Constituição e Justiça, e Humberto Costa, do Conselho de Ética do Senado. "[Ele] engabelou a todos nós e a nação", concluiu.

Em discurso contundente, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) alogiou as investigações da Polícia Federal e disse que é em nome dos agentes da corporação e dos procuradores do Minitério Público que o julgamento contra Demóstenes deve ser inspirado. "Estávamos diante de um ídolo de ideias de barro", disse. Segundo ele, o que está em jogo neste processo não é apenas a punição à conduta errônea por parte de um parlamentar, mas um sinal para milhões de brasileiros sobre a credibilidade de uma instituição centenária.


Um comentário:

  1. Até que em fim se fez um pouco de justiça no Brasil com a cassação do senador Demóstenes Torres. Que outros corruptos como ele tenham o mesmo destino. Foi cassado,tudo bem, e sobre as falcatruas que fez não há outras punições alem da cassação?

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