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| Kassab: nota 10 (Foto: José Cruz/ABr) |
Há quem enxergue na humildade uma virtude. A maioria dos políticos, porém, despreza esse entendimento. São poucos os que deixam transparecer em público a modéstia e, por outro lado, muitos preferem mostrar uma personalidade forte que muitas vezes é pura arrogância mesmo.
O caso do prefeito paulistano Gilberto Kassab é emblemático.
Surgido no meio político do nada, ungido à condição de alcaide por obra do padrinho José Serra, Kassab é hoje figura nacional menos pelo que realiza na prefeitura paulistana e mais por ter fundado um "partido" extremamente maleável, propício a se dar bem em qualquer um desses inúmeros balcões de negócios que prosperam pelo país afora.
Talvez por isso, por estar praticamente desligado da administração da cidade, Kassab esteja tão por fora do que ele próprio faz ou deixa de fazer.
E isso explica o fato de ter-se dado uma nota 10 como gestor da megalópole, quando até o momento cumpriu apenas 30% de seu programa de governo.
Não se sabe ainda se a nota autoconferida foi um ataque de imódestia ou reflexo de algum problema mental até então ignorado.
De todo modo, a autoavaliação do prefeito deixou muita gente atônita.
Se o seu exemplo for seguido, se outros administradores públicos tiverem a mesma avaliação sobre o seu trabalho, o Brasil está irremediavelmente perdido.
As pessoas costumam definir quem muda de comportamento quando melhoram de vida dizendo que "o sucesso subiu à cabeça".
Kassab, ao contrário, é um dos casos pitorescos de quando, em vez do sucesso, o fracasso sobe à cabeça.

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