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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Síria alerta que pode reagir com armas químicas

Síria alerta que pode reagir com armas químicas 
Há informações, não confirmadas oficialmente, de que o governo da Síria tem gás mostarda, mísseis e uma série de outras armas não convencionais; Liga Árabe pediu hoje que ditador renuncie; só ontem, 123 pessoas morreram.



Agência Brasil –  O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Síria, Jihad Makdissi, disse nesta segunda-feira 23 que o governo sírio pode usar armas químicas, se considerar que há necessidade. De acordo com ele, as armas químicas serão adotadas em "caso de ataque externo e nunca contra os seus cidadãos". Há 16 meses a Síria vive sob clima de guerra matando mais de 16 mil pessoas, inclusive crianças e mulheres.

"Todas essas armas estão armazenadas e seguras, sob supervisão direta das Forças Armadas sírias, e só serão usadas, se a Síria for exposta a uma agressão externa", disse o porta-voz. "Nenhuma arma química ou biológica será usada. Repito: nunca essas armas serão usadas durante a crise na Síria sejam quais forem os desenvolvimentos dentro do país", completou.

Há informações, não confirmadas oficialmente, de que o governo da Síria tem gás mostarda (que pode causar cegueira, irritações na pele e até a morte) , mísseis e uma série de outras armas não convencionais. As autoridades de Israel temem que a possível saída de Bashar Al Assad da Presidência síria abra espaço para o acesso a esses armamentos. Israel trabalha com a hipótese de intervenção militar.

Sana/Reuters
Sana/Reuters

Liga Árabe pede que Assad renuncie

A Liga Árabe, da qual o Brasil é integrante, pediu hoje ao presidente da Síria, Bashar Al Assad, que renuncie e aceite um processo de transição política no país. Foi o apelo mais contundente desde a eclosão da crise na região, em março de 2011.

O bloco, que é formado por 26 países, inclusive a própria Síria, pediu que a oposição colabore com o processo. "Existe um acordo em relação à necessidade da rápida demissão do presidente Bashar Al Assad", disse o emir do Catar, Sheikh Hamad Bin Khalifa Al Thani.

Para o emir do Catar, Assad deve tomar a "decisão corajosa" de se demitir para "salvar o país". O emir disse ainda que a alternativa no momento é buscar a transição política com base na democracia.  "Apelamos à oposição e ao ESL [Exército Sírio da Libertação, ligado à oposição] para que constituam um governo de unidade nacional", disse ele.

Só neste domingo 22 na Síria, 123 pessoas morreram em decorrência de confrontos em várias cidades. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, em Londres, no Reino Unido, informou também que pelo menos 1.290 pessoas morreram nos últimos sete dias, três quartos das quais eram civis. Em Doha, no Catar, representantes da Liga Árabe informaram que vão repassar cerca de US$ 100 milhões para ajudar os refugiados sírios.

Sana/Reuters
Sana/Reuters

União Europeia aumenta sanções ao país

A violência se intensifica nas nas principais cidades sírias. Uma nuvem de fumaça foi vista na manhã de hoje no bairro de Mazzé, a oeste de Damasco. A agência oficial de notícias, Sana, informou que nesta madrugada o Exército expulsou grupos de terroristas que se escondiam até em canais de esgoto. Além disso, o agravamento dos conflitos fez com que a União Europeia (UE) anunciasse hoje que vai ampliar as sanções à Síria impondo mais restrições aos voos oriundos da região e a um grupo de 26 pessoas, ligadas ao governo.

Tropas foram enviadas para várias regiões da capital, onde confrontos foram registrados até de madrugada. As ruas da capital estão praticamente desertas. Também foram registrados confrontos violentos em Alepo, a segunda cidade mais importante do país. Há informações, não confirmadas, de que helicópteros das Forças Armadas bombardearam a cidade de Homs – símbolo da contestação.

Sana/Reuters
Sana/Reuters

No começo desta manhã, a União Europeia acrescentou mais 26 pessoas e três entidades na lista que impede a entrada e comércio com o bloco. A decisão foi tomada em reunião dos ministros das Relações Exteriores da UE. As sanções incluem ainda o reforço ao embargo de armas ao regime. O bloco também deverá proibir a entrada da companhia aérea síria no território europeu.

A França, o Reino Unido e a Alemanha defenderam ainda o reforço da ajuda humanitária para os refugiados sírios que se exilam principalmente na Jordânia e no Líbano. De acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, pelo menos 120 mil refugiados sírios se instalaram na Jordânia e no Líbano, além da Turquia e do Iraque.

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