Serbin Argyrowitz, no Monitor Mercantil
Síria: cabeça de ponte para atingir o Irã
Imperialistas não conseguem camuflar seu verdadeiro objetivo
Iskenderun (fronteira Turquia-Síria) - Em antítese aos países da
Primavera Árabe, onde ocorreram, realmente, levantes populares, como
Tunísia, Egito, Iêmen (onde o povo está ainda nas ruas) e Bahrein, na
Síria, o Ocidente, de acordo com o padrão da Líbia, empreende um
conflito civil objetivando a derrubada do regime, com a diferença que,
aqui, por causa da Rússia e da China, não pode tentar uma imediata
intervenção militar fechando o espaço aéreo e bombardeando alvos
militares das forças governamentais.
O mundo, através da televisão, está vendo, somente, bombardeio de
civis desarmados, massacres de crianças e derrubadas de casas e
edifícios de apartamentos pelas forças do governo. O mundo fica
revoltado contra o carrasco do povo sírio, Bashar Al-Assad.
Assim, parece que os denominados "contra o regime" atiram no ar. E
assim evoluía a situação até, há cerca de uma semana, os "contra ao
regime" entrarem em Damasco. Mas como são terríveis esses "contra ao
regime" que, sozinhos, com um fuzil na mão, lutam de igual para igual
contra um exército moderno com armamento pesado e, vira e mexe, o
vencem?
O que está acontecendo aqui e, principalmente, o que existe por trás?
Quem comanda com tanta competência estratégica estes "contra o regime"?
Quem proporciona o apoio logístico? Quem espiona e com os satélites
mantém informados os "contra o regime" sobre os movimentos das forças do
regime?
Todas estas perguntas não foram merecedoras de respostas pelo
veículos de comunicação do Ocidente. Porque aqui, por motivo da
Primavera Árabe, com financiador a Arábia Saudita e o Catar, apoio
técnico e militar da Turquia, Israel e EUA, e apoio político da França,
empreende-se a derrubada da ordem política na Síria e a mudança das
correlações no Grande Oriente Médio em benefício do Ocidente, da Turquia
e, naturalmente, de Israel.
Sete pontos
Mas que interesse desperta a Síria, que não possui a riqueza
petrolífera da Líbia? Será que está sendo empreendido um conflito única e
exclusivamente para expulsar a Rússia do único porto que dispõe no
Mediterrâneo, ali em Tartüs?
Não, não é nada disso. Primeiro, a Síria é a cabeça de ponte, antes
do completo isolamento do Irã e seu obstinado estrangulamento. Segundo,
encontra-se, ainda, em estado de guerra não declarada com Israel,
considerando que o último ocupa ainda territórios sírios (as Colinas de
Golan).
Terceiro, com a dissolução da Síria (sempre seguindo o modelo da
Líbia) e sua transformação, Israel poderá, facilmente, livrar-se da
incômoda presença de Hezbollah do Líbano.
Quarto, a Turquia passa a dominar o norte da Síria e cerca os últimos
curdos livres (cerca de 2,5 milhões). Quinto, no litoral da Síria,
perto de Tartüs, é o ponto final de dois gigantescos oleodutos que
transportam petróleo do Iraque.
Sexto, a Síria, na região dos rios Tigre e Efrates e no deserto do
Sul, dispõe de grandes jazidas de petróleo com produção diária atual de
350 mil barris, enquanto, simultaneamente, é um dos maiores produtores
de fósforo no mundo.
Sétimo, além de aliado da Rússia (proporcionando-lhe uma gigantesca
base naval no Mediterrâneo), a Síria é um dos maiores compradores de
material bélico de tecnologia russa.
Divisão à moda Líbia
Quem são, então, os "contra o regime" que o mundo pensa que lutam
para libertar o povo sírio deste regime autoritário? São cerca de 25% da
população sunita e o alvo não é a reconstituição da democracia, como
vociferam a Hillary Clinto e o François Hollande, mas um novo regime
islâmico.
A estrutura populacional da Síria tem a classe de liderança política,
na qual predominam os muçulmanos laicos, os aleuitas (cerca de 7%); os
cristãos (10%) dominam a vida econômica do país; há ainda os sunitas
(63%), os xiitas (10%), os curdos (10%) e alguns druzos.
Com a derrubada de Bashar Al-Assad, do jeito que são os fanatismos
tribais e religiosos, é impossível o país permanecer unido. A exemplo de
como aconteceu na Líbia, onde ninguém sabe quem está governando o país
e, principalmente, quem vende, a que preço e para quem o petróleo líbio.
Os vandalismo cometidos pelos "contra o regime" sunitas em todos os
monumentos ortodoxos a caminho de Damasco foram revelados pelos veículos
de comunicação do Ocidente - com grande atraso - por não constituírem
matérias de interesse.
A maioria da população já começa a reagir diante da ameaça de
dissolução do país pelos sunitas, os quais ficam escondidos nos bolsões
de Aleppo. A guerra não está decidida definitivamente, mas, dificilmente
os "contra o regime" conseguirão unificar a multicidadã população
síria. Mas isso não interessa aos promotores do conflito. A Síria é a
cabeça de ponte para a conquista do verdadeiro alvo
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