Guerrilheiro Virtual

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Imperialistas usam a Síria como cabeça de ponte para atingir o Irã


Serbin Argyrowitz, no Monitor Mercantil

Síria: cabeça de ponte para atingir o Irã

Imperialistas não conseguem camuflar seu verdadeiro objetivo

Iskenderun (fronteira Turquia-Síria) - Em antítese aos países da Primavera Árabe, onde ocorreram, realmente, levantes populares, como Tunísia, Egito, Iêmen (onde o povo está ainda nas ruas) e Bahrein, na Síria, o Ocidente, de acordo com o padrão da Líbia, empreende um conflito civil objetivando a derrubada do regime, com a diferença que, aqui, por causa da Rússia e da China, não pode tentar uma imediata intervenção militar fechando o espaço aéreo e bombardeando alvos militares das forças governamentais.

O mundo, através da televisão, está vendo, somente, bombardeio de civis desarmados, massacres de crianças e derrubadas de casas e edifícios de apartamentos pelas forças do governo. O mundo fica revoltado contra o carrasco do povo sírio, Bashar Al-Assad.

Assim, parece que os denominados "contra o regime" atiram no ar. E assim evoluía a situação até, há cerca de uma semana, os "contra ao regime" entrarem em Damasco. Mas como são terríveis esses "contra ao regime" que, sozinhos, com um fuzil na mão, lutam de igual para igual contra um exército moderno com armamento pesado e, vira e mexe, o vencem?

O que está acontecendo aqui e, principalmente, o que existe por trás? Quem comanda com tanta competência estratégica estes "contra o regime"? Quem proporciona o apoio logístico? Quem espiona e com os satélites mantém informados os "contra o regime" sobre os movimentos das forças do regime?

Todas estas perguntas não foram merecedoras de respostas pelo veículos de comunicação do Ocidente. Porque aqui, por motivo da Primavera Árabe, com financiador a Arábia Saudita e o Catar, apoio técnico e militar da Turquia, Israel e EUA, e apoio político da França, empreende-se a derrubada da ordem política na Síria e a mudança das correlações no Grande Oriente Médio em benefício do Ocidente, da Turquia e, naturalmente, de Israel.

Sete pontos

Mas que interesse desperta a Síria, que não possui a riqueza petrolífera da Líbia? Será que está sendo empreendido um conflito única e exclusivamente para expulsar a Rússia do único porto que dispõe no Mediterrâneo, ali em Tartüs?

Não, não é nada disso. Primeiro, a Síria é a cabeça de ponte, antes do completo isolamento do Irã e seu obstinado estrangulamento. Segundo, encontra-se, ainda, em estado de guerra não declarada com Israel, considerando que o último ocupa ainda territórios sírios (as Colinas de Golan).
Terceiro, com a dissolução da Síria (sempre seguindo o modelo da Líbia) e sua transformação, Israel poderá, facilmente, livrar-se da incômoda presença de Hezbollah do Líbano.

Quarto, a Turquia passa a dominar o norte da Síria e cerca os últimos curdos livres (cerca de 2,5 milhões). Quinto, no litoral da Síria, perto de Tartüs, é o ponto final de dois gigantescos oleodutos que transportam petróleo do Iraque.
Sexto, a Síria, na região dos rios Tigre e Efrates e no deserto do Sul, dispõe de grandes jazidas de petróleo com produção diária atual de 350 mil barris, enquanto, simultaneamente, é um dos maiores produtores de fósforo no mundo.

Sétimo, além de aliado da Rússia (proporcionando-lhe uma gigantesca base naval no Mediterrâneo), a Síria é um dos maiores compradores de material bélico de tecnologia russa.

Divisão à moda Líbia

Quem são, então, os "contra o regime" que o mundo pensa que lutam para libertar o povo sírio deste regime autoritário? São cerca de 25% da população sunita e o alvo não é a reconstituição da democracia, como vociferam a Hillary Clinto e o François Hollande, mas um novo regime islâmico.

A estrutura populacional da Síria tem a classe de liderança política, na qual predominam os muçulmanos laicos, os aleuitas (cerca de 7%); os cristãos (10%) dominam a vida econômica do país; há ainda os sunitas (63%), os xiitas (10%), os curdos (10%) e alguns druzos.

Com a derrubada de Bashar Al-Assad, do jeito que são os fanatismos tribais e religiosos, é impossível o país permanecer unido. A exemplo de como aconteceu na Líbia, onde ninguém sabe quem está governando o país e, principalmente, quem vende, a que preço e para quem o petróleo líbio.

Os vandalismo cometidos pelos "contra o regime" sunitas em todos os monumentos ortodoxos a caminho de Damasco foram revelados pelos veículos de comunicação do Ocidente - com grande atraso - por não constituírem matérias de interesse.

A maioria da população já começa a reagir diante da ameaça de dissolução do país pelos sunitas, os quais ficam escondidos nos bolsões de Aleppo. A guerra não está decidida definitivamente, mas, dificilmente os "contra o regime" conseguirão unificar a multicidadã população síria. Mas isso não interessa aos promotores do conflito. A Síria é a cabeça de ponte para a conquista do verdadeiro alvo

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