KENNETH MAXWELL
Palavrão excluído
Da Folha de S. paulo
O
departamento de serviços financeiros do Estado de Nova York divulgou
relatório no qual critica o Standard Chartered Bank, alegando que o
banco conspirou com o governo iraniano para ocultar mais de US$ 250
bilhões em transações ilegais em quase uma década.
Entre os
e-mails divulgados pelas autoridades há um, de outubro de 2006, no qual o
chefe das operações do banco nos EUA alerta o diretor-executivo em
Londres sobre a possibilidade de as transações com o Irã poderem causar
"danos catastróficos à nossa reputação".
A resposta do
executivo: "Seus americanos de merda. Quem vocês acham que são para
dizer a nós, do resto do mundo, que não podemos negociar com os
iranianos?"
O Standard
Chartered nega as acusações. Mas suas ações caíram em 30% na Bolsa de
Londres. Sua licença bancária para operar em Nova York pode ser
revogada.
O caso surgiu
após um relatório do subcomitê permanente de investigação do Senado
americano informar que o HSBC, outro banco internacional sediado em
Londres, havia permitido que traficantes mexicanos usassem agências do
banco no México para transferir aos EUA US$ 7 bilhões.
O subcomitê
constatou que o banco havia transferido US$ 290 milhões em cheques de
viagem denominados em dólar da Rússia, uma fonte conhecida de transações
financeiras criminosas e ilegais, via Japão.
O Chartered
Bank foi fundado em Bombaim, Calcutá e Xangai em 1858. O Standard
Chartered foi criado em 1969 pela fusão entre o Standard Bank, da África
do Sul, e o Chartered Bank, da Índia, da Austrália e da China.
O banco é
regulamentado pela autoridade britânica de serviços financeiros. Seu
escritório em Nova York conduz US$ 190 bilhões em compensações a cada
dia para clientes internacionais.
A legislação
americana contra o Irã é de 1979, quando o xá foi derrubado e militantes
islâmicos capturaram 52 americanos como reféns na Embaixada dos EUA em
Teerã.
As medidas
foram reforçadas pelos presidentes Reagan e Clinton e, recentemente,
passaram por novo aperto. Multas de US$ 1 milhão e sentenças de prisão
de até 20 anos podem ser impostas.
A alegação é
que o Standard Chartered ocultou transações em dólares para clientes
iranianos, canalizadas ilegalmente via EUA. O banco recebeu milhões em
honorários e, de acordo com as autoridades regulatórias de Nova York, se
tornou "uma instituição renegada, motivada pela cobiça".
Há quem veja o
caso como mais um exemplo de prepotência americana. Mas, com o mundo
obcecado pelos Jogos Olímpicos, e o Brasil, pelo mensalão, os escândalos
envolvendo o setor financeiro londrino não param de se agravar em meio
às sombras.
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