Guerrilheiro Virtual

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Escândalos financeiros que não se vê na mídia


KENNETH MAXWELL
Palavrão excluído
Da Folha de S. paulo

O departamento de serviços financeiros do Estado de Nova York divulgou relatório no qual critica o Standard Chartered Bank, alegando que o banco conspirou com o governo iraniano para ocultar mais de US$ 250 bilhões em transações ilegais em quase uma década.

Entre os e-mails divulgados pelas autoridades há um, de outubro de 2006, no qual o chefe das operações do banco nos EUA alerta o diretor-executivo em Londres sobre a possibilidade de as transações com o Irã poderem causar "danos catastróficos à nossa reputação".

A resposta do executivo: "Seus americanos de merda. Quem vocês acham que são para dizer a nós, do resto do mundo, que não podemos negociar com os iranianos?"

O Standard Chartered nega as acusações. Mas suas ações caíram em 30% na Bolsa de Londres. Sua licença bancária para operar em Nova York pode ser revogada.

O caso surgiu após um relatório do subcomitê permanente de investigação do Senado americano informar que o HSBC, outro banco internacional sediado em Londres, havia permitido que traficantes mexicanos usassem agências do banco no México para transferir aos EUA US$ 7 bilhões.

O subcomitê constatou que o banco havia transferido US$ 290 milhões em cheques de viagem denominados em dólar da Rússia, uma fonte conhecida de transações financeiras criminosas e ilegais, via Japão.

O Chartered Bank foi fundado em Bombaim, Calcutá e Xangai em 1858. O Standard Chartered foi criado em 1969 pela fusão entre o Standard Bank, da África do Sul, e o Chartered Bank, da Índia, da Austrália e da China.

O banco é regulamentado pela autoridade britânica de serviços financeiros. Seu escritório em Nova York conduz US$ 190 bilhões em compensações a cada dia para clientes internacionais.

A legislação americana contra o Irã é de 1979, quando o xá foi derrubado e militantes islâmicos capturaram 52 americanos como reféns na Embaixada dos EUA em Teerã.

As medidas foram reforçadas pelos presidentes Reagan e Clinton e, recentemente, passaram por novo aperto. Multas de US$ 1 milhão e sentenças de prisão de até 20 anos podem ser impostas.

A alegação é que o Standard Chartered ocultou transações em dólares para clientes iranianos, canalizadas ilegalmente via EUA. O banco recebeu milhões em honorários e, de acordo com as autoridades regulatórias de Nova York, se tornou "uma instituição renegada, motivada pela cobiça".

Há quem veja o caso como mais um exemplo de prepotência americana. Mas, com o mundo obcecado pelos Jogos Olímpicos, e o Brasil, pelo mensalão, os escândalos envolvendo o setor financeiro londrino não param de se agravar em meio às sombras.

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