Julho foi o mês com mais roubos e furtos de carros neste ano na cidade de São Paulo. Criminosos levaram 7.190 veículos (ou 232 por dia), superando em 2,6% o mês de março, antes o pior mês de 2011. O número também representa uma alta de 6,9% em comparação à média mensal (6.723 casos). Especialistas atribuem o quadro à falta de investigação. A Polícia Civil culpa o crescimento da frota da capital.
A Vila Clementino, na zona sul, apresentou o pior cenário. No bairro, 213 veículos foram furtados ou roubados no mês, quase sete por dia. A região se enquadra no perfil cobiçado por ladrões: reúne faculdades, colégios, hospitais e shopping.
“Cheguei às 7h e deixei na rua. Por volta das 10h, o carro não estava mais lá”, conta a técnica de laboratório Talita Martins, de 25 anos, cujo veículo sumiu na Rua Loefgren. Como o veículo era segurado, ela já está com outro. “Mas não venho mais trabalhar de carro”, disse, enquanto andava para o metrô.
“Metade dos carros roubados ou furtados é abandonada. Mas a outra metade evapora e precisa de um trabalho de investigação, pois eles são adulterados ou levados para desmanche”, diz o coronel da reserva da PM José Vicente da Silva, ex-secretário nacional de Segurança Pública. “As delegacias dispõem de poucos recursos para fazer investigação”, diz consultor de segurança Carlos Alberto de Camargo, ex-comandante-geral da PM paulista. “E é um crime organizado, que tem de olheiro a receptador.”
O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Marcos Carneiro Lima, disse que a situação deverá se reverter. “Houve um desvio (em julho), mas a tendência será de equilíbrio para, futuramente, decrescer.”
Assassinatos crescem em SP nos últimos dois meses
número de homicídios dolosos (quando há intenção de matar) em SP teve duas altas consecutivas em junho e julho, revertendo uma tendência de queda que vinha desde o início de 2010.
Em junho, o aumento foi de 4,1%. Em julho, foi ainda maior: 20,1% (308 casos em 2010 contra 370 neste ano).
Essa alta ameaça a meta do governo de manter o índice de assassinatos no Estado abaixo de dez casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Nos últimos 12 meses, a taxa foi de 9,95 por 100 mil.
A taxa de assassinatos seguia em queda desde março de 2010, quando chegou a 11,25 para cada 100 mil moradores. Em março de 2011, a meta do governo foi atingida, com 9,92, e o número continuou caindo até maio, quando atingiu a menor taxa dos últimos 15 anos (9,77).
Os indicadores poderiam ser ainda mais desfavoráveis. A taxa considera apenas o número de casos. Não leva em conta o número de vítimas. Ou seja, se morreram quatro pessoas em uma chacina, não são computadas quatro vítimas, mas um caso.
Os latrocínios também não estão inclusos, pois são considerados crimes contra o patrimônio -a vítima é morta durante um roubo. Até julho, 188 pessoas morreram em latrocínios no Estado neste ano.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
”Sendo este um espaço democrático, os comentários aqui postados são de total responsabilidade dos seus emitentes, não representando necessariamente a opinião de seus editores. Nós, nos reservamos o direito de, dentro das limitações de tempo, resumir ou deletar os comentários que tiverem conteúdo contrário às normas éticas deste blog. Não será tolerado Insulto, difamação ou ataques pessoais. Os editores não se responsabilizam pelo conteúdo dos comentários dos leitores, mas adverte que, textos ofensivos à quem quer que seja, ou que contenham agressão, discriminação, palavrões, ou que de alguma forma incitem a violência, ou transgridam leis e normas vigentes no Brasil, serão excluídos.”