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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Verba desviada ia para deputada do AP, diz petista

Um dos 36 presos na Operação Voucher, da Polícia Federal, disse em entrevista à Folha que recursos pagos pelo Ministério do Turismo a uma empresa voltavam para a deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP), autora da emenda parlamentar que permitiu a liberação da verba.
O servidor público Errolflynn Paixão (já solto), vice-presidente do PT do Amapá, atribuiu a informação a seu sócio na empresa Conectur, Wladimir Silva Furtado, destinatária de R$ 250 mil.
Segundo a investigação da PF, foram desviados R$ 3 milhões dos R$ 4,4 milhões liberados pelo Turismo a partir da emenda.
O dinheiro foi repassado inicialmente à ONG Ibrasi, que o repassou a empresas de fachada, segundo a PF.
"Ouvi do Wladimir que o dinheiro voltava para a deputada Fátima, é isso o que eu disse à Polícia Federal. Se repassou [o dinheiro] é outra história, aí eu não sei, mas o Wladimir me falou isso."
A conversa, de acordo com Errolflynn, não teve outras testemunhas. "Infelizmente, estávamos só eu e ele naquele momento, mas ele falou isso para mim."
Presos na Operação Voucher, da Polícia Federal, chegam ao aeroporto de Brasília
Presos na Operação Voucher, da Polícia Federal, chegam ao aeroporto de Brasília
Ele afirma que "nunca prestou serviço turístico para o Estado". Segundo as investigações, a Conectur seria uma das subcontratadas pelo Ibrasi, mas os serviços nunca foram executados.
Errolflynn também é dirigente nacional da CUT e secretário-geral do Sindicato dos servidores federais no Estado do Amapá.
Ele disse que se afastou da Conectur em 2006, quando concorreu ao governo do Amapá pelo PT. "Fui sócio-fundador [da empresa]."
CONTRATAÇÕES
De acordo com Errolflynn, Wladimir e a deputada são amigos. "Ele trabalhou em campanhas dela para deputada", afirmou ele.
Em 2008, Wladimir candidatou-se a vereador na cidade de Ferreira Gomes (interior do Amapá) pelo PTC.
A investigação mostra que o Ibrasi teria direcionado licitações para escolher outras cinco empresas para executar os serviços.
Além da Conectur, foram contratadas as empresas Barbalho Reis Comunicação e Consultoria (R$ 250 mil), Manhattan Propaganda (R$ 1,2 milhão), Luaxe Produções (R$ 950 mil) e Sinc Recursos Humanos (R$ 1,2 milhão).
OUTRO LADO
A deputada Fátima Pelaes classificou de 'caluniosas' as declarações de Errolflynn Paixão e negou o suposto recebimento de recursos.
"Meus sigilos bancário, fiscal e telefônico estão à disposição", afirmou em nota enviada por sua assessoria. Ela diz que não tem responsabilidade pela fiscalização do convênio.
"Se alguém fica sabendo de algo tão grave assim e não faz nada, no mínimo é conivente", disse a deputada a um blog do Amapá.
Ao blog, ela negou ser aliada de Wladimir Furtado: "Se ele fizesse parte do meu grupo, ele teria me apoiado (na eleição), e não lançado a candidatura de sua mulher".
O Ministério do Turismo disse, em nota enviada pela assessoria de imprensa, que a subcontratação faz parte do convênio. Sobre a acusação de que os recursos enviados pelo ministério voltariam para a deputada, informou que "desconhece a prática de atos dessa natureza e, por isso, não pode se pronunciar".
O ministro Pedro Novais é do PMDB, mesmo partido de Fátima.
Wladimir Furtado não foi encontrado ontem para comentar sobre o caso. A Folha também fez contato no celular do advogado da Ibrasi, Alessandro Brito, que estava desligado. Não houve retorno até o fechamento desta edição.

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