Parte nesta quarta-feira do porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, um navio com a primeira remessa de alimentos brasileiros doados ao chifre da África. São 204 contêineres, com 19 toneladas cada, em média, totalizando 4,5 mil toneladas.
Os milhares de sacos de feijão serão carregados no navio MSC Marta, que atraca amanhã de tarde e parte no dia seguinte, por volta de 8h da manhã. As informações foram confirmadas à Folha por Maria de Lourdes, gerente de operações da Superintendência Regional da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento).
| Divulgação/Programa Mundial de Alimentos | ||
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| Sacos de feijão brasileiros doados à crise de fome na Somália; Brasil inicia envio amanhã |
No final de julho, o governo brasileiro anunciou que enviaria 38 mil toneladas de doações de alimentos para a Somália, onde mais de 3,7 milhões de pessoas enfrentam uma crise de fome e a pior seca na região em 60 anos.
Em setembro, o Itamaraty aumentou esse total para 46,6 mil toneladas. Mais 15 mil toneladas serão enviadas à Etiópia e 10 mil ao Quênia. A soma final é de quase 72,5 mil toneladas de alimentos brasileiros doados, em valor aproximado de US$ 32,5 milhões.
"Cerca de 10 mil toneladas de alimentos brasileiros já estão sendo embarcadas para o chifre da África. O carregamento nos navios é um processo que pode demorar semanas, mas a expectativa é de que até o final de setembro todo esse montante tenha sido enviado", afirmou por telefone Daniel Balaban, diretor representante do PMA (Programa Mundial de Alimentos da ONU) no Brasil.
O envio dos alimentos do Brasil à África levará cerca de 20 dias, para cruzar o oceano Atlântico. Com o apoio de navios mercantes, partindo de portos em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, o Brasil enviará à África até o fim de setembro carregamentos de arroz, feijão, milho, leite em pó e sementes.
Os números são recordes brasileiros em matéria de ajuda humanitária internacional. É a primeira vez que o Brasil faz um envio de alimentos à Somália e é a maior doação do tipo já realizada.
As entregas de alimentos colocam o Brasil como o décimo maior doador de fundos humanitários para a crise no chifre da África -região que compreende Somália, Quênia, Etiópia, Djibuti. Na última lista da ONU, o país soma US$ 22 milhões em contribuição, em 2011. À frente de potências como Alemanha, França e Suíça.
ACESSO RESTRITO
O navio brasileiro aporta em Mombaça, no litoral do Quênia. De lá, a carga será enviada a campos de refugiados na fronteira com a Somália. Mas não chegará ao sul da Somália, onde está a grande maioria dos famintos.
| Feisal Omar/Reuters | ||
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"O PMA está proibido de entrar na Somália pelos rebeldes do Al Shabab [que controlam a área], por isso não temos presença no sul do país", admitiu Balaban.
Ontem, o presidente internacional da ONG Médicos Sem fronteiras (MSF), Unni Karunakara, afirmou que é "quase impossível" ajudar os somalis que passam fome. O motivo principal seria o número escasso de agências humanitárias trabalhando dentro da Somália.
Há 20 anos, reina a instabilidade política na Somália. Desde o fim do regime de Siad Barré, em 1991, grupos radicais e clãs disputam o poder. Entre eles, está o Al Shabab, ligado à rede Al Qaeda e considerado um grupo terrorista pelos EUA.
Um governo central interino (GFT) foi estabelecido em 2004, com o apoio da ONU, mas não é reconhecido pelas forças locais, nem pela população somali.


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