A especulação e a sabotagem promovidas pelos grandes grupos estrangeiros que passaram a dominar a produção de álcool no Brasil, além de colocarem em risco o programa do álcool, estão também causando um prejuízo significativo à economia do país. A falta do produto, conseqüência da ação monopolista de redução da produção, desvio em direção à exportação de açúcar e da estocagem criminosa de etanol, já obrigou o país a importar um volume que até abril de 2012 chegará a 500 milhões de litros de álcool anidro dos EUA.
Pressionado pela ameaça de falta de combustíveis, o governo vem tomando medidas com muito pouca eficácia para enfrentar a ação desestabilizadora dos monopólios. Ao contrário, vai agravar mais ainda a crise. Depois de anunciar que a ANP (Agência Nacional do Petróleo) passaria a fiscalizar a atuação dos produtores de etanol, o governo anunciou mais uma, que como a anterior, não terá nenhum efeito no sentido de um real controle da situação: a desoneração de impostos para os produtores de etanol. Ou seja, além de não garantir o aumento da produção pelas empresas estrangeiras, essas medidas que incluem redução das alíquotas de PIS/COFINS, aumentarão os prejuízos no Orçamento da Seguridade Social. As medidas, que devem ser anunciadas nos próximos dias, foram adiantadas pelo secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone. O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, também já falou sobre o assunto. O governo também sinaliza para os grupos produtores de etanol com financiamento do BNDES com taxas de juros mais baixas, 7% ao ano, a pretexto de para estimular a estocagem.
Além disso, a falta de álcool, provocada pela ganância dos monopólios estrangeiros, obrigou também o governo a reduzir de 25% para 20% o percentual da mistura do álcool à gasolina. Essa decisão forçará o governo a importar mais cerca de 1 bilhão de litros de gasolina. Isso se dará porque atualmente, por falta de refinarias suficientes, o Brasil produz menos gasolina do que é necessário para cobrir o consumo. Com a decisão de reduzir a mistura de álcool à gasolina, o déficit de refino de derivados de petróleo, que, de janeiro a agosto deste ano ficou em 492 milhões de litros/dia, aumentará ainda mais.
Com um preço de R$ 0,21 centavos por litro mais caro do que a gasolina na refinaria no Brasil, a Petrobrás deverá ter um prejuízo de R$ 200 milhões para importar esse volume adicional de gasolina. O voluma adicional de gasolina que o país deverá importar para atender a demanda provocada pela falta de álcool deverá ser o dobro do que o país já importou até agora. Esse fato deverá refletir numa piora da balança comercial brasileira, que já está bastante pressionada pela desvalorização artificial do dólar e pela explosão das importações.
Os problemas no abastecimento de combustíveis no Brasil começaram a se agravar com a desnacionalização que o setor sucroalcooleiro brasileiro vem sofrendo nos últimos anos. Desde 2006, mas sobretudo a partir de 2008, a produção de etanol no Brasil sofreu o mais intenso e selvagem processo de monopolização e desnacionalização dos últimos tempos no país. Um setor que tinha 400 empresas, algumas mais ou menos grandes, muitas médias e pequenas, é hoje dominado por cinco empresas que produzem 50% do etanol do país. Desde então a produção vem sendo reduzida. De 27,5 bilhões de litros no período 2010/2011, por exemplo, caiu para 23,8 bilhões de litros em 2011/2012. Muito antes de terminar o período, portanto.
Quatro dessas empresas são estrangeiras: a Shell/Cosan (agora chamada Raizen); a francesa Louis Dreyfus; a norte-americana Bunge; a francesa Tereos. A quinta é a ETH, do grupo Odebrecht. Mas há uma sexta, também importante: a norte-americana Adecoagro, pertencente a George Soros. Além disso, a British Petroleum comprou a brasileira CNAA; a indiana Shree Renuka comprou as também brasileiras Equipav e Vale do Ivaí; a trading suíça Glencore comprou a Rio Vermelho; e a Cargill e a Archer (ADM), maior produtora de etanol de milho, tentam entrar no setor.
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