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domingo, 4 de setembro de 2011

Chinaglia:"O PT sabe o peso que tem"

Relator do primeiro Orçamento do governo Dilma Rousseff, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), ex-presidente da Câmara, defende a faxina promovida pela presidente, mas diz que, se o PT fizesse discursos ácidos contra os demais partidos, destruiria a base do governo. Considera um erro a tese de que as emendas parlamentares são fonte de corrupção. Enxerga uma evolução no relacionamento entre o governo e o PT, diz que o lulismo existente no partido é natural, mas ressalta que a presidente é Dilma.


Quanto à base no Congresso, o horizonte traz turbulências. Para Chinaglia, o governo ainda não tem segurança no voto dos aliados em temas polêmicos. No caso da Emenda 29, o relator do Orçamento defende a criação de outro imposto, mas é contra a legalização dos bingos para financiar a saúde. Confira a seguir os principais trechos da entrevista ao Correio.


Entrevista Arlindo Chinaglia


Por que o PT tem dificuldades em defender publicamente a faxina feita pela presidente Dilma Rousseff?


Eu acho que ela tem razão quando diz que o objetivo do governo não é a faxina, é governar bem e a população se beneficiar. Mas, se aparecesse um problema com um partido A, partido B e partido C, e o PT fizesse discurso, nós arrebentaríamos com a base do governo.


Não defender publicamente a faxina não dá um sinal contraditório?


Não. Quem está fazendo a faxina não é a Dilma? Qual o partido dela?


Por que tem tanto lulista no PT? Após a faxina, ressurgiu o tema Lula 2014.


O tema Lula 2014 começou quando Dilma não era candidata, continuou durante a campanha e vai durar. Qualquer um que imaginar o Lula trancado em qualquer lugar, invisível, sabe que essa hipótese não existe.


Não existir essa hipótese é bom ou ruim para o governo Dilma?


Sem o Lula, a Dilma seria presidente da República? Não. Se até nós sabemos disso, o que você acha que a Dilma pensa? Agora, institucionalmente, ela é a presidente, acabou.


Até as mudanças ocorridas na Casa Civil e na articulação política, o PT reclamava de que tinha dificuldades em manter um diálogo com a presidente. Essa relação mudou?


Algumas pessoas reclamaram que ela não consultou ninguém ao trocar o Palocci e o Luiz Sérgio (respectivamente por Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti). Presidente da República não precisa consultar ninguém.


Mas ela consultou o PMDB na substituição de Wagner Rossino Ministério da Agricultura.


Pode fazer (a consulta) se ela quiser. É um processo que não tem fórmula, não é uma linha reta. O PT sabe o peso que tem. Respeita os demais. Mas se o PT não segurar a posição do governo, ninguém segura.


A base é confiável?


O governo não tem uma base como já tiveram Lula e Fernando Henrique, organizada em defesa do governo. Falta um trabalho de convencimento político.
O que falta?


Em temas polêmicos, o governo ainda não está seguro do resultado de votações. Me surpreende a facilidade com que a base se movimenta e o governo fica sabendo apenas depois.


Ao marcar a votação da Emenda 29, o Congresso não está indo na contramão do processo de austeridade fiscal pedido pela presidente Dilma Rousseff?

A luta pela regulamentação da Emenda 29 é antiga. Nós votamos toda a regulamentação e ficou faltando apenas um destaque que previa a criação da CSS (Contribuição Social para a Saúde). Não vejo como intencional (a posição do Congresso).


De onde virá a fonte de financiamento?


Fonte só tem uma, imposto. Sou contra propostas como regulamentar bingo para depois mandar dinheiro para a saúde (feita pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza). Não concordo com essa equação porque eu não sei o que é mais importante, se é a verba para saúde ou a legalização.


Historicamente, a Comissão de Orçamento aparece envolvida em escândalos, especialmente envolvendo as emendas. Como fazer com que elas deixem de ser fonte de corrupção?


A Comissão discute todos os recursos e investimentos. A realização dos investimentos é feita pelo Poder Executivo. Se alguém recebe um recurso e usa mal esse recurso, a responsabilidade está ali. Não é fácil, tem que ter fiscalização da própria sociedade e dos poderes fiscalizadores.


E a ideia de acabar com as emendas individuais e deixar apenas as de bancada ou Comissão?


Há um erro brutal de avaliação. A emenda mais problemática, pelo que eu observo, não é a individual. Ela tem o nome de quem apresentou e os valores menores do que as emendas de bancada ou de comissão. Não podemos prestar atenção no lambari e deixar o tubarão passar.

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