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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Correios dos EUA correm o risco de quebrar

Pressionados por uma queda de 18% no volume de correspondência só nos últimos dez anos e por uma folha de pagamento que hoje consome 80% de sua receita, o Serviço de Correios dos EUA está prestes a quebrar.

Em audiência ontem no Senado americano, a estatal pediu autorização para demitir 120 mil de seus 574 mil funcionários ou 20% de um quadro que já havia encolhido 26% de 2001 para cá.

Segundo reportagem do "New York Times", a empresa pode ficar sem caixa para pagar empregados e combustível para seus veículos já em janeiro ou fevereiro, fechando as portas.

Antes disso, porém, há expectativa de um calote de US$ 5,5 (R$ 8,8 bilhões) no seguro-saúde de funcionários aposentados, cuja conta vence no fim deste mês.
"Se o Congresso não fizer nada, daremos calote", disse o diretor do USPS (sigla para Serviço Postal dos EUA), Patrick Donahoe, ao "Times".

Donahoe pediu ao Senado permissão para demitir, fechar 10% das agências e, em último caso, deixar de fazer entregas aos sábados.

ADAPTAÇÃO

Uma série de ajustes foi feita aos serviços ao longo da última década, depois que a internet passou a substituir os Correios tanto na troca de correspondências pessoais como na mala direta.

Os catálogos ainda entopem as caixas postais americanas, mas com a preferência por spams, a quantidade vem caindo rapidamente. Projeções do USPS indicam que neste ano, o volume de correspondência já deve ser 2,3% menor do que em 2010.

Outro filão que os Correios americano perdem é o das contas, com mais gente aderindo aos boletos on-line.

Para piorar, a estatal não diversificou seus serviços. A única exceção aberta foi a confecção de passaportes, também pouco rentável.

No Brasil e em países europeus, as agências passaram a oferecer serviços bancários; e em lugares como a Suíça, o serviço postal chega até a vender eletrônicos e material de escritório.

Por fim, pesa o ônus trabalhista: os Correios nos EUA têm um quadro de funcionários altamente sindicalizado, e muitos contratos incluem cláusulas contra demissão sem justa causa e programas de pensões generosos.

Apesar do enxugamento drástico na última década, os custos não se comparam aos da concorrência no cálculo do "New York Times", a FedEx consome 32% de sua receita com salários.

De olho nesse gasto, entre as medidas debatidas pelo Congresso no Dia do Trabalho, está um saque no fundo de pensões dos funcionários.

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