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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Governo Estadual admite erro no rio Pinheiros

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Adriano Diogo

Mais uma dos tucanos em São Paulo. Depois de gastar R$ 160 milhões ao longo de uma década para limpar 25 quilômetros do o rio Pinheiros pelo sistema de flotação o governo tucano paulista desistiu do processo. Só agora descobriu que não funciona. Ele transforma a sujeira e o esgoto doméstico despejado na água em lodo que, posteriormente, deve ser removido. Mas testes realizados em 2010 demonstraram que a flotação no rio Pinheiros não barra o nitrogênio amoniacal, um claro indicador de esgoto na água. Pior: o modelo produzir um grande volume de lodo.


Na prática, a técnica não limpou o rio e, segundo o próprio governo, continuar com ela exigiria novos investimentos sem sucesso garantido. Até aqui, dos R$ 160 milhões, metade foram custeados pela Petrobras e a outra parte pelo estado. A estatal deixou o projeto em 2007. E, agora, o estado terá que custear a retirada dos aparelhos da flotação e o transporte do lodo.

Para o ex-secretário do Verde e do Meio Ambiente da gestão de Marta Suplicy, Adriano Diogo, geólogo e hidrogeólogo, especializado em controle de qualidade de águas, o uso do sistema de flotação a céu aberto “é a maior picaretagem que existe no campo no saneamento básico”. Em entrevista para este blog afirmou: “É pior do que se imagina, pois ainda por cima é uma técnica carésima”.

Sistema não funciona em água corrente

Ele explica que a flotação é um método de purificação que pinga um conjunto de produtos químicos sobre a água. O processo faz com que a matéria sólida que fica na água decante, forme uma massa que, depois, submerge. “Mas em água em movimento não funciona”, afirma.
De acordo com o especialista, a base do sucesso do processo depende da volumetria da química aplicada sobre a água. “Quando você trata a água por flotação dentro de tanques de 500 litros, mil litros, põe os produtos químicos e vai tratando água, porque está parada”, conta. “Mas em água corrente o sistema não funciona. Inclusive porque, se chove ou não, colocam a mesma quantidade de produto”, acrescenta. Diogo ressalta, ainda, um problema adicional: a massa decantada vai parar no fundo do leito do rio. “Ou seja, o processo tem um efeito estético, mas não limpa a água, não purifica”, conclui.

Diogo conta que já denunciou o sistema “mais de cem vezes”, sem qualquer sucesso. “Quando fui secretário de São Paulo, vieram nos oferecer esse método para limpar os lagos e o córrego do Sapateiro do parque Ibirapuera”, lembra.
Criticado amplamente por ambientalistas e o MP

O sistema foi amplamente criticado pelos ambientalistas ao ponto de ser questionado pelo Ministério Público em 2003, que obteve uma liminar proibindo sua adoção. Mas o Tribunal de Justiça de São Paulo autorizou sua adoção no ano seguinte. Apesar da polêmica, os tucanos insistiram no projeto. À época, o governador Geraldo Alckmin afirmou que a flotação do rio Pinheiros iria “criar um círculo virtuoso no tratamento do esgoto no canal do rio Pinheiros, com um método muito mais econômico”.

Mas o sistema, segundo Diogo é “inócuo e pífio”, ainda, devido a outro problema maior. O sistema de águas adotado em São Paulo, que inverte o curso dos rios da cidade. “Ele foi usado pela Light no começo do século XX. O rio Pinheiros deveria correr em direção ao Tietê. Hoje é o rio Tietê que entra no rio Pinheiros para gerar energia elétrica com sua água imunda, contaminando o rio Pinheiros”.
Tietê “imundo” deságua no Pinheiros
Diogo frisa que o rio Tietê está “imundo e assoreado”. “Gastaram bilhões de reais para fazer o rabaixamento da sua calha, mas esqueceram de que, depois, é preciso tirar os sedimentos, o lodo, areia, argila, a massa vegetal que se deposita no fundo. Para complicar, só limpam o rio a partir da barragem da Penha para cima. A água fica represada ali. E aquilo virou um lago assoreado”, conta.

O geólogo conta que desde o governo Montoro segue-se o mesmo modelo. Para Diogo, se o governador Alckmin suspendeu a flotação agora foi apenas para se redimir de todos os erros da dinastia tucana que governa o Estado há décadas

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