Em uma coletiva de imprensa concedida na manhã desta segunda-feira (24), o senador Carlos Filizola, do Partido País Solidário, afirmou que serão tentados todos os meios possíveis para que Lugo volte ao poder e a ordem democrática seja reestabelecida no país.
Por Vanessa Silva, de Assunção, para o Vermelho
O senador reafirmou a importância da participação popular neste processo e disse que o povo, que o elegeu, está se mobilizando em todo o país para que a decisão do congresso, que destituiu o presidente da República em menos de 24 horas, e sem o devido direito à defesa, seja revista.
Filizola esclareceu que há três maneiras possíveis de isso acontecer e há uma equipe empenhada em estudar e executar essas possibilidades: pela via jurídica – foi dada entrada em um pedido de inconstitucionalidade da medida; parlamentar – com o próprio Congresso voltando atrás da decisão e internacional – com as sanções que já estão sendo aplicadas ao Paraguai por países como a Venezuela – que cortou o fornecimento de petróleo e Argentina – que expulsou o diplomata paraguaio do país.
Os demais países do Mercosul, Brasil e Uruguai, estudam as medidas cabíveis e os demais países da Unasul também.
Ele deixou evidente que a questão internacional é particularmente importante para pressionar o atual presidente, Federico Franco, a dar uma resposta: “Vamos trabalhar pela restauração do Estado de Direito, da ordem democrática de distintas formas. É preciso entender que hoje o Paraguai sequer é convidado para a Cúpula do Mercosul o que é uma vergonha”, disse Filizola.
Questão internacional
A próxima reunião do Mercosul será realizada na sexta-feira (29). Franco não foi convidado e Lugo irá à reunião como cidadão para esclarecer os episódios ocorridos no país.
“O Paraguai está isolado e vai sofrer muito mais que outros países da região se for afastado do Mercosul, da Unasul. É uma grande irresponsabilidade dessa gente que não levou em conta as pessoas e um país não pode fazer o que aconteceu aqui. É um terreno onde se viola o legítimo processo, fazem um julgamento do presidente da República e sequer dão tempo dele se defender. Estas coisas que violam o direito humano não pode ser toleradas no conjunto das nações. Por isso estamos isolados e é grave porque quem vai ser afetado é o povo paraguaio, que não tem nada a ver com isso”, disse Filizola.
Manifestações pacíficas
O integrante do partido País Solidário, fez questão de ressaltar que Lugo apenas aceitou a resolução do Congresso para evitar violência entre os manifestantes que estavam nas ruas declarando apoio a ele. As pessoas, no entanto, têm se manifestado espontaneamente, sobretudo em frente à TV Pública. O local virou estandarte da resistência principalmente depois de uma pessoa a mando de Franco ter tentado invadir a TV para interferir na grade de programação.
Lugo denuncia que a liberdade de expressão e de imprensa está em risco no país: “a programação só não foi interrompida devido à manifestação cidadã, que, apesar da chuva, do frio está em frente à TV. Se não houvesse essa manifestação, a programação seria interrompida com certeza”.
Sobre episódios de violência, o senador esclareceu que “não há porque reprimir uma manifestação se ela é pacífica. Não houve uma só manifestação violenta, então não há porque reprimir”.
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