Novo presidente paraguaio desdenha das pressões externas e diz que é "responsável por garantir que não vai haver uma guerra civil"; o clima no país pós governo Lugo também foi usado por Federico Franco para justificar sua ausência na cúpula do Mercosul que começa nesta quarta-feira.
247 com Agência Brasil - As pressões de vizinhos como Brasil, Argentina, Equador e Colômbia não terão efeito sobre a condução do governo do Paraguai por enquanto. Pelo menos no que depender do novo presidente do país, Federico Franco. Segundo o sucessor de Fernando Lugo, deposto na sexta-feira passada, seu governo deixou em "segundo plano" as relações exteriores do país, pois a prioridade é evitar que ocorra uma "guerra civil" no Paraguai.
Franco disse que, enquanto vice-presidente, se não tivesse assumido após a destituição de Lugo pelo Senado, haveria "um derramamento de sangue", pois o Paraguai não está "em condições de ficar três ou quatro meses sem eleições". "Sou responsável por garantir que não vai haver uma guerra civil", disse, durante encontro, em Assunção, com a imprensa estrangeira. Ele ressalvou, entretanto, que procura alcançar "boas relações" com o resto do mundo.
O novo presidente também descartou participar da cúpula do Mercosul, que começa amanhã em Mendoza (Argentina). "Não podemos participar de nenhuma cúpula nessas condições. Não me agrada, temos que garantir que o país esteja em operação. A última coisa que eu faria agora é sair do meu país", disse.
Impeachment
O presidente da Comissão Constitucional do Congresso paraguaio, senador Miguel Saguier, defendeu, também nesta terça-feira 26, a legalidade do impeachment do presidente Fernando Lugo e justificou a celeridade do processo ao temor de que o ex-presidente, no pleno exercício do cargo, atropelasse o Congresso paraguaio durante o julgamento político.
Acompanhado por um grupo de parlamentares e produtores rurais paraguaios, Saguier está no Brasil para tentar reverter as sanções impostas ao seu país pelo Mercosul e também buscar apoio da presidenta Dilma Rousseff e do Congresso brasileiro para o novo governo.
"Estão dizendo que violamos o direito de defesa do Lugo, mas não nos deixam participar da reunião do Mercosul. Não nos dão nenhum minuto para poder mostrar nossos argumentos. Creio que estão julgando de maneira injusta o Paraguai. De 80 deputados, 76 votaram contra Lugo. De 45 senadores, 39 votaram contra o presidente Lugo", argumentou Saguier antes de encontro com deputados e senadores brasileiros da Frente Parlamentar da Agropecuária.
"O nosso sistema é muito distinto do sistema brasileiro. No Brasil, quando a Câmara dos Deputados acusa o presidente, o suspendem de suas funções. No Paraguai, não. O presidente que está sendo submetido ao julgamento político continua com a totalidade dos seus poderes, sendo comandante das Forças Armadas e sendo administrador-geral do país. Alem disso, soubemos da presença de conselheiros da Unasul que foram visitá-lo. Ele poderia atropelar o Congresso. O que poderíamos fazer?", disse o senador paraguaio, acrescentando, "não poderíamos esperar três meses".
Ex-preso político, Saguier ressaltou que não houve desrespeito à democracia. "Não estamos querendo matar a democracia paraguaia. Não é uma questão de grupos conservadores e reacionários. Fui preso político durante muito tempo na ditadura, sou um democrata. Não podem nos acusar de que estamos violando os direitos", afirmou.
O presidente da Associação de Produtores Rurais do Paraguai, Germán Ruiz Aveiro, disse que a falta de apoio político e os constantes conflitos entre agricultores e sem-terra foram as principais razões para o impeachment de Fernando Lugo.
"A nossa preocupação é que se lançou uma ideia internacional de que houve um golpe de Estado e esse foi um recurso parlamentar em que o presidente perdeu apoio. Quando o Partido Liberal retira o apoio e pede o juízo político, ele [Fernando Lugo] cai. Fizeram um juízo político por todos os acontecimentos políticos que vinham acontecendo", disse.
Direitos humanos
O uso da força será o último recurso para a desocupação de camponeses, disse hoje (26) o novo ministro do Interior, Carmelo Caballero, levando em conta o incidente ocorrido em Curuguaty, próximo a fronteira com o Paraná, onde a desocupação de uma fazenda acabou levando a morte de 17 pessoas.
O conflito foi usado como uma das justificativas do Congresso paraguaio para a votação do impeachment que levou à destituição do então presidente Fernando Lugo, na semana passada.
Caballero afirmou que para cada desocupação há um procedimento a ser seguido e que as ações judiciais devem ser cumpridas e não devem ser questionadas. "Teremos firmeza e um grande respeito aos direitos humanos", disse.
Ele disse ainda que, no caso de Curuguaty, houve falhas e que a partir de afora será feira uma avaliação mais objetiva para saber qual é a situação das propriedades ocupadas por camponeses sem terra.
O confronto entre policiais e camponeses sem terra em Curuguaty, levou a morte de 17 pessoas. As autoridades foram fazer a reintegração de posse da fazenda e durante a ação aconteceu um tiroteio.
Do Brasil247
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