Israel obrigou 240.000 palestinos a se retirarem de Gaza e da Cisjordânia desde que ocupou estes territórios em 1967 até a assinatura dos acordos de paz de Oslo (1993), segundo informações até agora secretas e que o Ministério da Defesa foi obrigado a divulgar para uma ONG após uma determinação judicial.
"Cerca de 140.000 moradores da Cisjordânia e 108.000 da Faixa de Gaza perderam suas permissões de residência, por motivos burocráticos e administrativos. É uma violação clara da lei internacional e que pode ser considerado uma forma de deportação, absolutamente ilegal", disse à Agência Efe Ido Blum, um dos diretores da ONG israelense Hamoked: Centro para a Defesa do Indivíduo.
A estes números é preciso se somar mais 14.000 palestinos residentes em Jerusalém Oriental que perderam suas permissões de residência israelenses desde que se iniciou a ocupação.
"Estes números foram secretos durante muito tempo", explicou Blum, que acrescentou que sua organização obteve a informação após reivindicar este direito na justiça com base em leis de liberdade de informação.
Em Gaza, as autoridades militares israelenses retiraram a permissão de residência de cerca de 45.000 palestinos por estarem fora do território durante mais de sete anos, de outros 55.000 por não estarem presentes durante o censo de 1981 e a mais de 7.000 por não participarem desta mesma sondagem, sete anos mais tarde.
Na Cisjordânia, moradores que permaneceram ausentes por mais de três anos perderam o direito de residência, o que prejudicou estudantes e trabalhadores que viajaram ao exterior.
"Em 1994, após Oslo, foi estabelecido um comitê misto palestino-israelense para tratar a devolução das permissões de residência, mas não se fez nada" explicou Blum.
Nessa data, terminaram as revogações de permissões em Gaza e Cisjordânia, apesar de continuarem até hoje em Jerusalém Oriental.
"São um quarto de milhão de pessoas em menos de três décadas, é um ritmo muito alto. Representa a revogação das permissões de pelo menos 15% da população palestina, que não tem agora nenhuma forma de recuperar suas permissões e voltar para sua terra" acrescentou Blum.
A Efe tentou sem sucesso contactar os ministérios israelenses de Defesa e Relações Exteriores para obter uma resposta para estas informações.

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