A notícia pouco divulgada mesmo na internet, de que a tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco deflagrou um movimento pela adoção do sistema de cotas raciais na Universidade de são Paulo (USP) merece ser comemorada, mesmo que revele um lado preocupante e lamentável.
A comemoração é pelo fato da centenária São Francisco e de seu Centro Acadêmico XI de Agosto tomarem a louvável iniciativa posicionando-se, mais uma vez, na vanguarda da marcha pela igualdade e pelo avanço da História, como já fizeram tantas vezes antes.
O lado lamentável da notícia é descobrir-se que nenhuma das três grandes universidades estaduais públicas paulistas - líderes nos rankings das maiores do país - adotou o sistema de cotas até agora. Isto simplesmente mostra que os tucanos, que governam o Estado de São Paulo há quase 30 anos (a contar do governo Franco Montoro, 1983/1986), são mesmo a vanguarda oposta nessa história.
Brasil já adota o sistema há uma década
A USP não adotou o sistema de cotas, a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) não tem e descarta adotá-lo, e a Universidade Estadual Júlio de Mesquita Neto (UNESP) não tomou até agora qualquer iniciativa nesse sentido e nem sequer discute o assunto. Vejam bem, isso no mais rico e desenvolvido Estado do país!
Surgidas nos Estados Unidos na década de 1960, no bojo das ações afirmativas adotadas na esteira do movimento pelos direitos civis, as cotas raciais existem, portanto, há mais de meio século; e no Brasil são adotadas há uma década, desde 2002.
Em abril deste ano, ao julgar uma ação do grande parceiro dos tucanos, o DEM - sim, ele mesmo! - contra a adoção do sistema pela Universidade de Brasília (UnB), o Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, julgou constitucional as cotas.
Decisão histórica
“Esta é uma decisão histórica”, comemorou o professor Marcus Orione ao término da reunião, ontem, em que a congregação da São Francisco decidiu reivindicar à USP a adoção das cotas raciais. Além desse sistema, a Faculdade vai pedir, também, a adoção de cotas sociais para candidatos que estudam em escolas públicas e para pessoas portadoras de necessidades especiais.
A congregação decidiu deflagrar o movimento pró-instituição de cotas por constatar que os programas de bônus para estudantes de escolas públicas em universidades paulistas são insuficientes para proporcionar o acesso nestas instituições de estudantes negros, de baixa renda e de portadores de deficiência, especialmente nos cursos mais concorridos como, por exemplo, direito e medicina.
Parabéns, Arcadas!

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