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segunda-feira, 2 de julho de 2012

O drible democrático sobre o golpismo paraguaio

Golpistas paraguaios atropelaram a vontade do povo em nome de interesses exógenos... Mas Mercosul e Unasul driblam, com categoria democrática, o golpe e seus apoiadores, e avançam com a inclusão da Venezuela ao bloco
Um velho jargão: em toda crise há sempre algo que se aproveite como positivo, oportunidades que se apresentam ou novas perspectivas que se apresentam.
 
A crise paraguaia criou a oportunidade de, sem a inoportuna oposição do parlamento conservador, retrógrado e sem visão de integração regional de Assunção, tornar possível a associação venezuelana ao bloco comercial mais importante da América Latina, o Mercosul.
 
O golpismo praticado pelos opositores de Lugo serviu para isolar o Paraguai com seus parceiros políticos e econômicos do continente.
 
A entrada da Venezuela significa importante avanço rumo a integração regional e dá maior peso político e econômico ao Mercosul.

Em um completo artigo publicado no portal Carta Maior, Luciano Wexell Severo apresenta alguns desdobramentos que resultam da decisão do Mercosul e Unasul em suspender o Paraguai destes blocos e promover a entrada Venezuelana como membro oficial deste grupo de nações.

Abaixo ele enumera alguns importantes aspectos e a dimensão da admissão da Venezuela ao Mercosul:

"(...)Com o ingresso do país caribenho, o PIB do MERCOSUL passará a somar cerca de US$ 3,2 trilhões, alcançando 75% do total da América do Sul. Por sua vez, a população dos países membros aumentará para 272 milhões, para 70% do total da região. O bloco se estabelecerá como um dos mais importantes produtores mundiais de energia, alimentos e produtos manufaturados. A Venezuela possui outras vantagens comparativas, relacionadas com as suas imensas reservas de minerais, água potável e biodiversidade, que lhe projetam um crescente papel no cenário mundial. Além disso, o país tem uma localização geográfica especial, relativamente muito mais inserida nos fluxos internacionais do comércio do Hemisfério Norte.

Como fruto da crise internacional e da queda dos preços do petróleo, a economia venezuelana terminou 2010 com o quarto maior PIB da América do Sul, atrás de Brasil, Argentina e Colômbia. Em 2009, havia acumulado o segundo maior PIB, somente abaixo do Brasil. A sua população venezuelana, física e culturalmente muito parecida com a brasileira, se aproxima dos 29 milhões, distribuídos ao longo de um território de 916 mil km2. O país conta com as riquezas em torno da Cordilheira dos Andes, da bacia do Orinoco e da Floresta Amazônica, na fronteira com a região Norte do Brasil.

Segundo relatório anual da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), divulgado em julho de 2011, a Venezuela chegou ao fim de 2010 com uma reserva comprovada de mais de 250 bilhões de barris, superando a Arábia Saudita. As reservas venezuelanas triplicaram nos últimos cinco anos e alcançaram quase 20% do total mundial. O resultado está relacionado com as recentes descobertas e certificações da Faixa Petrolífera do Orinoco. Desde 2010, empresas multinacionais também vêm descobrindo imensos campos de gás na Faixa Gasífera do Caribe venezuelano. O Informe Estatístico de Energia Mundial 2011, da British Petroleum, aponta que o país detém a oitava maior reserva de gás do planeta. As recentes descobertas fortalecem a iniciativa de constituir uma Organização dos Países Exportadores de Gás (OPEG) e impulsionam as articulações para a construção do Gasoduto do Sul, que conectaria o subcontinente desde a Venezuela até a Argentina."

Apesar da conclusão favorável a direita em Assunção, os governos progressistas do cone sul, reunidos em Mendoza, conseguiram, em primeiro momento, fazer deste limão destro uma limonada sinistra.

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