Secretário estadual de Energia ataca coligação tucana com partido do prefeito Kassab; "a cooptação que ele faz não é ideológica, mas pragmática", diz; José Serra tiraria proveito do enfraquecimento da sua própria legenda; "ele ouve muito o Kassab e muito pouco o PSDB"
Marco Damiani _247 – Num partido em que, publicamente, todos falam mansamente, o deputado federal José Aníbal vai se tornando exceção como a voz mais clara entre os descontentes. Ele é o maior crítico da coligação entre o partido dos tucanos e o PSD na eleição municipal de São Paulo. "O PSD já é o cupim do PSDB, comendo a nossa estrutura por dentro, à base da cooptação não ideológica, mas pragmática", disse ele ao 247. "A maioria da bancada de vereadores deles saiu do PSDB, o que mostra que a corrosão da nossa estrutura por esses insetos agressivos começou cedo".
Após a criação do partido, a bancada tucana na Câmara paulistana decresceu de 13 para 8 vereadores, enquanto o PSD saiu do zero para nove, recebendo cinco tucanos, entre eles o atual presidente da casa, José Police Neto. Com a coligação, projeções indicam mais benefícios eleitorais para o PSD do que para o PSDB. Em convenção, na semana passada, o PSDB votou a favor da coligação com o PSD, mas, para Aníbal, o processo eleitoral interno foi pautado pelo medo de represálias no futuro. "O voto foi aberto e, portanto, vigiado. Se tivesse sido fechado, a coligação teria sido vetada", acredita.
Secretário estadual de Energia, Aníbal aponta para o prefeito Gilberto Kassab como o grande chefe da nuvem de ataque às estruturas tucanas. "Ele é um mestre da cooptação e da montagem de esquemas", define o integrante da equipe do governador Geraldo Alckmin. "O verdadeiro fiador do chapão foi ele, com o objetivo de congelar a Câmara Municipal de São Paulo. Do jeito que ele está armando a situação, haverá um baixíssimo nível de renovação, o que vai de encontro com o que acontecerá na maioria dos parlamentos brasileiros", aposta.
Antigo adversário do candidato a prefeito José Serra dentro do partido, Aníbal vê o ex-governador aconselhando-se cada vez mais com Kassab. "Ele anda ouvindo muito o PSD e muito pouco o PSDB", resume. Entre seus correligionários, trabalha-se com a hipótese de que, qualquer que seja o resultado da eleição para a Prefeitura de São Paulo, no dia seguinte ao pleito Serra começará a agir como candidato a presidente da República em 2014. Neste quadro, o fortalecimento do PSD seria do interesse de Serra, que no partido teria a sua legenda para o caso de o senador Aécio Neves, com apoio da direção nacional tucana, firmar-se como candidato oficial.
Aníbal não teme, ao abrir críticas ao PSD, ficar isolado no PSDB. "O que está acontecendo é o contrário", diz. "Hoje, minha liderança no partido está absolutamente consolidada, com o reconhecimento de muito gente de que a minha posição visa fortalecer o nosso partido, e não deixá-lo virar escombros pela ação de oportunistas, os tais cupins".
Do Brasil247
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