O governo criou as melhores condições possíveis, no marco atual de
pressões recessivas internacionais, para que aumentem os investimentos –
diminuição significativa da taxa de juros, desvalorização do real,
retirada de impostos -, mas a reação do grande empresariado é quase
nenhuma. Antes criticavam o governo quando a taxa de juros era mantida,
quando o dólar estava muito desvalorizado. Quando o governo atende a
essas reivindicações, as entidades empresariais simplesmente se calam e
se somam ao coro aziago da diminuição do crescimento economico.
É um grande empresariado acostumado ao modelo anterior, baseado na
exportação, no consumo de luxo e na especulação. Acostumado com a
super-exploracao do trabalho, com modelos econômicos voltados para
atender as necessidades de um terço da população.
O modelo neoliberal promoveu a hegemonia do capital financeiro, sob sua
forma especulativa. Não a que financia a produção, o consumo, a
pesquisa, mas a que vive da compra e venda de papeis, a que não cria nem
bens, nem empregos.
Quando desregulamentou a economia, ao invés de ser retomado um ciclo
expansivo da produção, houve uma brutal transferência, em escala
mundial, de capitais do setor produtivo para o especulativo. Porque o
capital nao está feito para produzir, mas para acumular. A
desregulamentação deixou o capital livre para buscar os maiores lucros
possíveis. Encontrou na especulação financeira, onde ganha mais, com
menos impostos e liquidez total, o destino privilegiado dos seus
investimentos.
Não existem os empresários produtivos e os especulativos. Todo grande
grupo economico tem um ramo especulativo que, atualmente, via de regra, é
o que gera mais lucros.
Quem garante o financiamento aos programas sociais do governo são os
bancos públicos. Quem injeta dinheiro na economia, de diferentes
maneiras, é o governo.
Temos uma burguesia rentista, que vive da especulação, que resiste à
reconversão do modelo de hegemonia do capital financeiro a um modelo
produtivo. O governo tem que agir cada vez mais na direção do
condicionamento dos créditos, das isenções, de toda forma de
favorecimento do capital privado, com contrapartidas estritas em termos
de produção e de geração de empregos, com um peso cada vez maior do
Estado, para não depender do ânimo e do espiríto especulativo de grandes
setores do empresariado privado.

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