'Esse conflito assumiu uma direção particularmente brutal', afirmou Ban Ki-moon
Reuters
NAÇÕES UNIDAS - Os países que fornecem armas às partes
em conflito na Síria estão disseminando a miséria e correndo o risco de
causar "consequências indesejadas", disse nesta terça-feira, 4, o
secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, à Assembleia Geral da entidade. A
ONU e governos ocidentais acusam o Irã de fornecer armas às forças
governistas sírias, ao passo que Damasco culpa Catar e Arábia Saudita
por armarem os rebeldes que tentam derrubar o presidente Bashar Assad.
Veja também:
Ban Ki-moon critica fornecimento de armas na Síria
"Esse conflito assumiu uma direção particularmente brutal", disse
Ban. "A contínua militarização do conflito é profundamente trágica e
altamente perigosa. Os que fornecem armas a ambos os lados estão apenas
contribuindo com mais miséria - e com o risco de consequências
indesejadas conforme os combates se intensificam e se espalham."
Um comitê de especialistas que monitora as sanções contra o Irã,
subordinado ao Conselho de Segurança, já apresentou vários exemplos da
transferência de armas do Irã para o governo sírio. EUA e Grã-Bretanha,
por outro lado, admitem fornecer equipamentos de comunicações e outras
formas de assistência aos rebeldes, mas negam entregar armas.
"O conflito está se intensificando", disse Ban. "Quanto mais ele
durar, mais difícil será para contê-lo. Mais difícil será encontrar uma
solução política. Mais desafiador será reconstruir o país e a economia."
"O povo sírio já esperou demais", disse ele. "E agora a região inteira está sendo tomada pela complexa dinâmica do conflito."
A Assembleia Geral da ONU aprovou no mês passado uma resolução, sem
nenhuma consequência prática, manifestando "grave preocupação" com a
escalada da violência. Mas, no Conselho de Segurança, a China e a Rússia
usam seu poder de veto para impedir qualquer resolução que pressione
Assad.
O novo mediador da ONU e Liga Árabe para o conflito sírio, Lakhdar
Brahimi, assumiu o cargo no sábado e também fez um breve pronunciamento à
Assembleia Geral. "O saldo de mortos é assustador, a destruição está
atingindo proporções catastróficas, e o sofrimento é imenso", disse o
veterano diplomata argelino. "Estou ansioso por minha visita a Damasco
dentro de alguns dias, e (...) a todos os países que estejam em posição
de ajudar a que um processo político conduzido pelos sírios vire
realidade."Estadão
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