Guerrilheiro Virtual

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Jornalista, em Kabul, Afeganistão... pede dinheiro aos EUA para suas publicações

WikiLeaks – 2006/01/06KABUL426

WikiLeaks faz, hoje, o melhor jornalismo do mundo: a fonte fala o que bem entenda e ninguém altera nem reescreve ou edita o que a fonte diga, nem o Grupo GAFE (Globo-Abril-Folha-Estadão) paga a nenhum “jornalista especialista” empregado para que acrescente as suas opiniõezinhas pessoais ao que a fonte diga, para dirigir a interpretação do que a fonte diga... Até que a fonte já esteja “dizendo” o que nunca lhe passou pela cabeça dizer.

Por que, diabos, os jornalistas e colunistas empregados de jornais-empresas supõem que suas opiniõezinhas sejam sempre tão importantíssimas e indispensáveis?

No caso do Grupo GAFE (Globo-Abril-Folha-Estadão) no Brasil, essa questão é ainda mais misteriosa, porque todas as opiniõezinhas de todos os jornalistas empregados do Grupo GAFE são conhecidas de todos – repetidas sem parar, seja qual for o fato que se esconda sob cada opiniãozinha de jornalista-colunista, ou que cada jornalista-colunista ponha-se a inventar.

Os jornais do Grupo GAFE não existem para apresentar à opinião pública brasileira qualquer tipo de opinião nova, que, pela novidade, estimulasse o pensamento e a reflexão: eles existem para repetir, incansavelmente – como manda a lei de ouro da propaganda de fascistização da opinião pública – sempre as MESMAS opiniões, sempre dos MESMOS jornalistas e fontes (sempre dos mesmos “institutos” ou “universidades” ou empresas de “consultoria” e sempre os mesmos diplomatas de governos não eleitos, hoje ou desempregados ou empregados da FIESP ou da FEBRABAN ou de universidades privadas, e dizendo todos, sempre, a MESMA (velha) coisa.

WikiLeaks já provou que NENHUMA opiniãozinha de jornalista ou colunista ou comentarista empregados pode ser mais fidedigna que uma fonte empenhadíssima, por lei e por profissão, em relatar suuuuuper minuciosa e acuradamente, os, afinal de contas, únicos fatos sobre cuja ocorrência e significação não paira NENHUMA dúvida.

No Brasil, a notícia abaixo JAMAIS seria publicada.

O Brasil é o único país do mundo em que o quarto de hotel em que se hospeda um “poderosíssimo” ex-ministro de Estado é invadido por jornalista-assaltante; a blogaria divulga o crime e ri gostosamente do caso (“E o Cerra, lá, implorando: me invadam, me invadam!” – como se leu ontem no Twitter); conhecem-se nome, sobrenome, RG e CPF do jornalista-assaltante, endereço do trabalho onde pode ser facilmente encontrado e minuciosa narração do assalto; a polícia sabe de tudo; já há boletim de ocorrência policial em que a vítima relatou à autoridade policial o crime. Mas o crime não aparece noticiado em NENHUM jornal da “grande” imprensa, por mais que a “grande” imprensa brasileira só saiba ensinar crimes (dos outros, nunca os seus) à população.

No Brasil, esse assalto à boa fé dos leitores-consumidores é escandaloso, ostensivo, à luz do dia, tunga e mais tunga ao dinheiro do leitor-consumidor adimplente, que paga para receber informação e só recebe propaganda política “marketada”, sem que nenhum “direito do consumidor” seja assegurado aos consumidores pagantes de jornais e revistas, por nenhuma lei. Até quando?!

O Brasil também é país em que a Constituição assegura “direito de livre manifestação” só pra uns poucos e simultaneamente cassa o direito de livre manifestação da vastíssima maioria dos consumidores de jornais e televisões pagas.

A Constituição do Brasil diz “é livre o direito de manifestação”, e os empresários da “cumunicação” no Brasil dizem: “No meu jornal, NUNCA! Na minha televisão, never! No meu blog, núncaras!” E fica por isso mesmo? Até quando?!

O Brasil também é país em que os partidos políticos (todos, até os pressupostos mais progressistas) tanto temem a chantagem da imprensa assassina de reputações, que vivem a inventar meios para fugir do dever de modificar a lei oca e ineficaz (além de fascistizante). Até quando?!

Ah! E quem ainda suponha que algum “direito das mulheres” estaria adequadamente defendido, em Kabul, por imprensa paga pelos EUA – embaixada e soldados que toooodas as mulheres de Kabul, como seus homens, só querem ver longe de Kabul e o mais rapidamente possível –, pare e repense tudo: o mais provável é que aquelas cabeças também já tenham sido arrendadas (mas... sem pagamento?!) à embaixada dos EUA... em Kabul (e pelaí, pelo mundo inteiro). Até quando?!

Aí vai, então, o bom jornalismo de WikiLeaks. É ler e rir do jornalismo-empresa-que-há[1]– idêntico tanto do Afeganistão quanto no bairro do Limão em São Paulo, na Rua Barão de Limeira, no Jardim Botânico, na Avenida Marginal em São Paulo e em inúmeras outras latitudes e longitudes, e que, diariamente, assalta a boa-fé de leitores-consumidores pagantes e adimplentes.

Reference IDCreatedReleasedClassificationOrigin
06KABUL4262006-01-31 11:372011-08-26 00:00UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLYEmbassy Kabul
 
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