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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

DEMo: esquizofrênico e na extrema unção, perto de confirmar profecia de Lula

Lula, além de doutor honoris causa aqui e alhures, é um profeta.
 
Em setembro de 2010, o ex-presidente propôs uma ideia que está cada vez mais próxima de se realizar. “Precisamos extirpar [o DEM] da política brasileira”, disse Lula, em ato da campanha de Dilma Rousseff à presidência, em Santa Catarina.
 
Um ano depois, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconheceu a existência do Partido Social Democrático (PSD) e deixa o Democratas – ex-Arena, ex-PDS, ex-PFL – muito perto de receber a extrema unção, para citar a expressão utilizada pelo deputado federal Domingos Dutra (PT-MA), em reunião da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, nesta quarta-feira (28).
 
Adieu, PFL!
Dutra não se referiu ao Democratas por acaso. O partido é o principal adversário das políticas afirmativas implementadas com vigor a partir do governo Lula, embora num ritmo ainda muito aquém da demanda gerada pela dívida secular do Estado com os negros e outros segmentos sociais.
 
O DEMo é opositor de um conceito igualitário tão antigo quanto a democracia grega, a equidade, que prega o tratamento desigual a atores desiguais, de modo a torná-los mais iguais. Para o DEMo, o ideal “todos são iguais perante a lei” é o sumo princípio de regulação do convívio social, pouco importando se, no mundo real/material, as diferenças entre um senador e uma faxineira, ou entre um empresário multimilionário e um garçon, sejam abissais.
 
Esquizofrenia ideológica - Essa defesa ferrenha do ideário liberal clássico, entretanto, não impediu que um dos quadros do DEMo no Congresso, o deputado Onyx Lorenzoni (RS), cometesse um ato de esquizofrenia ideológica, em recente sessão da Comissão de Constituição e Justiça.
 
Na afoiteza de atacar uma matéria do governo – a prorrogação da DRU (Desvinculação de Receitas da União) – que estava sendo debatida na CCJ, o parlamentar gaúcho, integrante da bancada ruralista, citou o filósofo esquerdista italiano Norberto Bobbio para defender os chamados “direitos de terceira geração”, notadamente o direito ao meio ambiente [confira o vídeo abaixo].
 
O saudoso Bobbio deve ter se revirado no túmulo ao “ouvir” um autêntico representante do pensamento mais reacionário da humanidade usar o seu nome para fazer uma defesa hipócrita dos direitos sociais.
 
Onyx Lorenzoni cita Bobbio para defender direitos sociais
 
O fato é que Onyx Lorenzoni não teve pudor de falar em direitos fundamentais, mesmo sendo filiado a um partido que pretende anular, através do Supremo Tribunal Federal (STF), o decreto que regulamenta a titulação dos territórios quilombolas, norma que atende a um dispositivo da Constituição de 1988.
 
De maneira semelhante, aliás, o Democratas questiona no STF a legalidade das cotas raciais nas universidades, política afirmativa que não apenas é legal do ponto de vista formal, baseando-se na promoção da equidade, mas é um sucesso absoluto nas mais de 150 instituições de ensino superior onde já é aplicada.
 
Nos próximos dias, com a confirmação do registro do PSD, o DEM/PFL/PDS/Arena vai perder quase metade da sua bancada na Câmara, passando dos atuais 44 deputados para 27.
 
Muito pouco para quem chegou a eleger 105 deputados nas eleições de 1998.
Muito coerente, porém, com a realidade política de um País que tem rejeitado cada vez mais o jurássico pensamento representado pelo moribundo Democratas – que carrega uma contradição no próprio nome, vale dizer, dado o histórico da maioria dos seus líderes, antigos apoiadores e beneficiários do regime militar que sufocou as nossas liberdades entre 1964 e 1985.
 
Requiescat in pace, Democratas.
ACM Neto: "Esse vai ser o nosso tamanho. Ou não."
No Conexão Brasília Maranhão

Do Contextolivre

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