Documentos secretos da Embaixada dos EUA em La Paz recentemente divulgados no site WikiLeaks revelam com precisão a profundidade das críticas americanas ao Brasil pelo que viam como falta de seriedade no esforço antidrogas na Bolívia.
Em despacho de junho de 2007, a diplomacia americana diz que "o Brasil realmente não tem um plano B caso a situação do narcotráfico saia de controle" e que os responsáveis pela elaboração de políticas públicas "não parecem passar muito tempo pensando sobre o impacto que o aumento do narcotráfico [na Bolívia] pode ter em seu país".
Também afirma que apesar "dos esforços da Polícia Federal na fronteira boliviana, a capacidade de Brasília de controlar a fronteira continua, na melhor das hipóteses, mínima".
O WikiLeaks vem divulgando gradualmente desde 2010 250 mil despachos secretos enviados por embaixadas americanas pelo mundo ao Departamento de Estado dos EUA.
No despacho de junho de 2007, divulgado recentemente, a PF é largamente poupada das críticas.
A embaixada americana acredita que os agentes brasileiros "estão muito preocupados" com a produção de folhas de coca --controlada, mas legal-- na Bolívia. Segundo o texto, policiais federais brasileiros estão "cientes de que o aumento da produção levará a um salto do tráfico e do consumo doméstico, e estão esperando [esse desenvolvimento]".
De 2007 para cá, a cooperação entre Brasília e La Paz aumentou. Entre outras ações, o Brasil fechou no fim de 2010 um acordo que inclui repasse de verbas para a Bolívia. Também vem aumentando a atuação na fronteira.
Mas os problemas trilaterais com os EUA e a Bolívia continuam. Um acordo entre os três para colaboração no monitoramento antidrogas, já redigido, está parado há meses a espera de assinatura. Fontes próximas ao governo boliviano afirmam que ainda há ceticismo e desconfiança em relação aos EUA.
Em documento de 2009, a embaixada americana em La Paz relata que diplomatas brasileiros confirmaram que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou (em vão) defender os EUA em conversa privada com Morales. "Continuaremos a encorajar o Brasil a tentar moderar Morales, apesar dos evidentes limites dessa abordagem."
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