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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Europa em crise: Portugal está à venda


Altamiro Borges

Em clima de euforia, o ministro das Finanças de Portugal, Vitor Gaspar, anunciou hoje (22) que o seu governo já cumpriu 60% da meta de privatizações das estatais do país. A notícia sobre a entrega da nação foi saudada pelos banqueiros europeus, que no final de 2011 aprovaram um “pacote de ajuda” à falida economia portuguesa de 78 bilhões de euros.

Segundo a agência de notícias Reuters, “os esforços de privatização de Portugal foram a melhor notícia econômica do país desde que teve de aceitar a ajuda de 78 bilhões de euros. O sucesso nessa área contrasta com a Grécia, que encontra dificuldades para atrair compradores para seus ativos dentro do plano de resgate”. É muita caradura da mídia rentista e privatista!

Privataria para pagar banqueiros

A meta foi atingida com a venda das ações das empresas de energia REN e EDP. “A renda destas vendas representa 60% do total previsto no plano de privatização”, comemorou o ministro vende-pátria de Portugal. Feliz a vida, ele ainda anunciou que estão previstas as vendas da empresa aérea TAP, da companhia de saneamento “Águas de Portugal” e do sistema de serviço postal.

Os recursos arrecadados com a privataria portuguesa servirão para saldar as dívidas com os banqueiros. Outra fonte de recurso se dá com a demissão de servidores públicos e a redução das aposentadorias. Não é para menos que os trabalhadores estão em guerra contra o governo de direita, com constantes greves gerais e passeatas. A luta de classes no país tem se acirrado!

Europa em plena liquidação

A dramática situação da nação-irmã é reflexo da crise econômica que atinge toda a Europa. Os estados nacionais, principalmente dos países periféricos – os chamados PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) – foram usados para socorrer os bancos desde a eclosão da crise em 2008. Totalmente quebrados, hoje são obrigados a pagar dívidas a outros banqueiros!

Neste esforço esquizofrênico, os governantes demitem, arrocham salários e cortam direitos sociais. Além disso, eles vendem a preço de banana o patrimônio público. Reportagem publicada pelo jornal The Independent descreve uma Europa em plena liquidação. Ela cita alguns exemplos, que lembram a onda privatista no reinado tucano de FHC. Veja a lista da privataria:

1- Irlanda

O governo já anunciou a venda da companhia de gás (Bord Gais), da empresa aérea (Aer Lingus), do serviço de desenvolvimento florestal (Coillte) e até do famoso parque National Stud, que atrai turistas do mundo inteiro.

2- Holanda

No ano passado, o Ministério da Defesa holandês vendeu um lote de 18 aviões de combate F-16 ao Chile. Também foram postas à venda algumas embarcações militares.

3- Reino Unido

O governo britânico pretende vender 49% das ações da National Air Traffic Services. Ele também vai leiloar embaixadas e casas de propriedade do Foreign Office em vários países. Já o Ministério da Defesa colocou a venda instalações e equipamentos militares.

4- Espanha

Está em curso o processo de alienação de uma participação minoritária, no valor de 3,5 bilhões de euros, na companhia de águas de Madri e também do Metrô do capital. A idéia de conceder a administração das loterias espanholas foi suspensa, por enquanto.

5- França

Em 2010, o governo francês já havia vendido 1.700 propriedades do estado. Agora, ela anuncia a venda de castelos históricos, de mansões em Paris e até do pavilhão de caça dos reis de França, em la Muette.

6. Áustria

Em junho, o governo anunciou a venda de dois parques públicos nos Alpes - Rosskopf e Grosse Kinigat (2700 m) –, mas foi forçado a recuar diante da onda de indignação. Agora, ele volta a manifestar sua intenção de vender as montanhas.

7- Itália

Em 2010, o governo iniciou a venda de 9 mil edifícios, fortes e ilhas. Dúzias de palácios venezianos foram adquiridas por hotéis e foi dada permissão para anúncios no Coliseu de Roma. Agora, a Alemanha pressiona para que sejam leiloadas suas minas de ouro.

8- Grécia

O jornal The Independent ironiza: “Praticamente tudo foi vendido (exceto Acrópole)”. O governo ainda quer leiloar o Aeroporto Internacional de Atenas (e 38 outros terminais), companhias petrolíferas e de gás, os portos de Tessalônica e do Pireu, estradas e 35 edifícios estatais.

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