[OBS deste blog ‘democracia&política’:
Quem trouxe a público essa traição do Chile à vizinha Argentina foi a própria Margaret Tatcher em 1999, em declaração no “Times of London”. Ela escreveu: “I have better cause than most to remember that Chile, led at that time by General Pinochet, was a good friend to this country during the Falklands War. By his actions the war was shortened and many British lives were saved.”
O General Fernando Matthei, comandante da Força Aérea do Chile na ocasião da Guerra das Malvinas, também revelou o então apoio militar para os britânicos, em entrevista para jornal chileno, em março de 2002.
Ver complementação abaixo, logo após o texto de Gilson Caroni Filho]:
O AMARGO CHÁ DO COLONIALISMO INGLÊS
Por Gilson Caroni Filho
“Ao negar as acusações da presidente Cristina Kirchner de que esteja militarizando o Atlântico Sul e rejeitar qualquer solução negociada sobre a soberania das ilhas Malvinas, o governo do premiê David Cameron comprou uma briga complicadíssima, impossível de ser vencida: com seu próprio passado que combinou, com perfeição, a intransigência, o garrote e a libra.
A diplomacia britânica ainda conserva desconcertantes sutilezas herdadas do seu passado imperial. Sofismas e negação de evidências são a marca registrada quando se trata de ocultar velhos métodos. No transcurso de dois séculos, os ingleses usaram e abusaram da ingerência política, econômica, diplomática e militar. Possivelmente, mesmo depois do declínio, ainda conservem o modus operandi.
Para alcançar seus objetivos, os sucessivos governos de Sua Majestade recorreram a invasões, guerras, à desestabilização interna e ao acirramento de conflitos regionais para assegurar sua supremacia em regiões colonizadas. Também, em diferentes épocas, contaram com diversos aliados: presidentes, ministros, chanceleres, generais, banqueiros e mercenários de toda ordem.
Voltemos à guerra de 1982. Quatro anos antes, em 1978, Chile e Argentina estiveram a ponto de entrar em guerra pelo litígio do Canal de Beagle. Ao serem desatadas as hostilidades pelas Malvinas, o governo de Santiago recusou aliar-se aos seus vizinhos como fez o resto da América Latina; opôs-se à convocação do TIAR (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca) e absteve-se em todas as votações que condenaram a agressão britânica e o apoio norte-americano.
A posição chilena favorecia o Reino Unido e, contudo, os ingleses colocaram o parceiro em evidência, expondo-o a consequências desagradáveis.
Foi a própria mídia estatal inglesa a encarregada de revelar o papel determinante do Chile para a inteligência britânica que teria instalado naquele país um sistema de espionagem eletrônica das bases argentinas em Ushuaia, Rio Grande e Rio Gallego.
Não, não houve qualquer trapalhada diplomática. Essas declarações de “gratidão” não obedeceram aos bons modos britânicos, mas sim à sua prática constante de dividir para reinar, fomentando a ressurreição de antigos eixos geopolíticos, pelos quais cada país se considera inimigo de seu vizinho, em proveito do inimigo de todos eles que costuma ser também o abastecedor de armas. Um cenário felizmente superado na região.
Quando negam as intenções militares, os ingleses parecem ter esquecido que, em 1985, a Argentina protestou energicamente perante a OEA contra uma base aérea no arquipélago. O então ministro das Relações Exteriores, Dante Caputto, garantiu que a conversão das Malvinas numa poderosa base militar constituía “grave ameaça à segurança de nossa nação, à paz e à tranquilidade do nosso continente e, por conseguinte, à paz e à tranquilidade no mundo”.
O comunicado da Secretaria de Exterior britânica, afirmando que cabe aos Kelpers (como são chamados os habitantes das ilhas) decidirem seu próprio destino (“Eles escolheram a cidadania britânica, têm liberdade para determinar seu futuro e não haverá negociações com a Argentina a não ser que eles assim desejem”), prima pelo sofisma e pela jactância imperial.
Como recorda o historiador Dino Freitas “no século XVII, Oliver Cromwell esmagou a rebelião irlandesa usando tropas escocesas, e colonizou o norte da Irlanda com essas forças, que se ambientaram à região do Ulster, dando origem às raízes do atual conflito anglo-irlandês. Os chamados protestantes irlandeses, de irlandeses não têm quase nada.
Com o estabelecimento de uma população de colonos britânicos no Atlântico Sul, os ingleses aplicam a mesma estratégia. Introduzem uma população fanática e cegamente leal para defender seus interesses, já que nunca desejarão ser argentinos. È previsível saber os futuros desejos dos Kelpers. Cameron, como um pugilista desonesto, procura meter o dedo no olho inchado de seu rival.
Se, no século retrasado, isso serviu para dominar os mares e o comércio – explorar os recursos naturais e amarrar os povos periféricos na roda dos juros compostos de seus créditos que nunca terminavam de se pagar – hoje os ingleses buscam, além do petróleo, conservar os remanescentes daquele esplendor, alimentando sua moderna indústria bélica e agregando valor a vários setores de sua combalida economia.
À América Latina não cabe outra posição que não seja de irrestrito apoio às reivindicações do governo de Cristina Kirchner.”
FONTE: escrito por Gilson Caroni Filho no portal “Viomundo” (http://www.viomundo.com.br/politica/gilson-caroni-filho-o-amargo-cha-do-colonialismo-ingles.html)
COMPLEMENTAÇÃO deste blog ‘democracia&política’:
CHILE – AID TO THE UK?
Quem trouxe a público essa traição do Chile à vizinha Argentina foi a própria Margaret Tatcher em 1999, em declaração no “Times of London”. Ela escreveu: “I have better cause than most to remember that Chile, led at that time by General Pinochet, was a good friend to this country during the Falklands War. By his actions the war was shortened and many British lives were saved.”
O General Fernando Matthei, comandante da Força Aérea do Chile na ocasião da Guerra das Malvinas, também revelou o então apoio militar para os britânicos, em entrevista para jornal chileno, em março de 2002.
Ver complementação abaixo, logo após o texto de Gilson Caroni Filho]:
O AMARGO CHÁ DO COLONIALISMO INGLÊS
Por Gilson Caroni Filho
“Ao negar as acusações da presidente Cristina Kirchner de que esteja militarizando o Atlântico Sul e rejeitar qualquer solução negociada sobre a soberania das ilhas Malvinas, o governo do premiê David Cameron comprou uma briga complicadíssima, impossível de ser vencida: com seu próprio passado que combinou, com perfeição, a intransigência, o garrote e a libra.
A diplomacia britânica ainda conserva desconcertantes sutilezas herdadas do seu passado imperial. Sofismas e negação de evidências são a marca registrada quando se trata de ocultar velhos métodos. No transcurso de dois séculos, os ingleses usaram e abusaram da ingerência política, econômica, diplomática e militar. Possivelmente, mesmo depois do declínio, ainda conservem o modus operandi.
Para alcançar seus objetivos, os sucessivos governos de Sua Majestade recorreram a invasões, guerras, à desestabilização interna e ao acirramento de conflitos regionais para assegurar sua supremacia em regiões colonizadas. Também, em diferentes épocas, contaram com diversos aliados: presidentes, ministros, chanceleres, generais, banqueiros e mercenários de toda ordem.
Voltemos à guerra de 1982. Quatro anos antes, em 1978, Chile e Argentina estiveram a ponto de entrar em guerra pelo litígio do Canal de Beagle. Ao serem desatadas as hostilidades pelas Malvinas, o governo de Santiago recusou aliar-se aos seus vizinhos como fez o resto da América Latina; opôs-se à convocação do TIAR (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca) e absteve-se em todas as votações que condenaram a agressão britânica e o apoio norte-americano.
A posição chilena favorecia o Reino Unido e, contudo, os ingleses colocaram o parceiro em evidência, expondo-o a consequências desagradáveis.
Foi a própria mídia estatal inglesa a encarregada de revelar o papel determinante do Chile para a inteligência britânica que teria instalado naquele país um sistema de espionagem eletrônica das bases argentinas em Ushuaia, Rio Grande e Rio Gallego.
Não, não houve qualquer trapalhada diplomática. Essas declarações de “gratidão” não obedeceram aos bons modos britânicos, mas sim à sua prática constante de dividir para reinar, fomentando a ressurreição de antigos eixos geopolíticos, pelos quais cada país se considera inimigo de seu vizinho, em proveito do inimigo de todos eles que costuma ser também o abastecedor de armas. Um cenário felizmente superado na região.
Quando negam as intenções militares, os ingleses parecem ter esquecido que, em 1985, a Argentina protestou energicamente perante a OEA contra uma base aérea no arquipélago. O então ministro das Relações Exteriores, Dante Caputto, garantiu que a conversão das Malvinas numa poderosa base militar constituía “grave ameaça à segurança de nossa nação, à paz e à tranquilidade do nosso continente e, por conseguinte, à paz e à tranquilidade no mundo”.
O comunicado da Secretaria de Exterior britânica, afirmando que cabe aos Kelpers (como são chamados os habitantes das ilhas) decidirem seu próprio destino (“Eles escolheram a cidadania britânica, têm liberdade para determinar seu futuro e não haverá negociações com a Argentina a não ser que eles assim desejem”), prima pelo sofisma e pela jactância imperial.
Como recorda o historiador Dino Freitas “no século XVII, Oliver Cromwell esmagou a rebelião irlandesa usando tropas escocesas, e colonizou o norte da Irlanda com essas forças, que se ambientaram à região do Ulster, dando origem às raízes do atual conflito anglo-irlandês. Os chamados protestantes irlandeses, de irlandeses não têm quase nada.
Com o estabelecimento de uma população de colonos britânicos no Atlântico Sul, os ingleses aplicam a mesma estratégia. Introduzem uma população fanática e cegamente leal para defender seus interesses, já que nunca desejarão ser argentinos. È previsível saber os futuros desejos dos Kelpers. Cameron, como um pugilista desonesto, procura meter o dedo no olho inchado de seu rival.
Se, no século retrasado, isso serviu para dominar os mares e o comércio – explorar os recursos naturais e amarrar os povos periféricos na roda dos juros compostos de seus créditos que nunca terminavam de se pagar – hoje os ingleses buscam, além do petróleo, conservar os remanescentes daquele esplendor, alimentando sua moderna indústria bélica e agregando valor a vários setores de sua combalida economia.
À América Latina não cabe outra posição que não seja de irrestrito apoio às reivindicações do governo de Cristina Kirchner.”
FONTE: escrito por Gilson Caroni Filho no portal “Viomundo” (http://www.viomundo.com.br/politica/gilson-caroni-filho-o-amargo-cha-do-colonialismo-ingles.html)
COMPLEMENTAÇÃO deste blog ‘democracia&política’:
CHILE – AID TO THE UK?
General Augusto Pinochet
“A final reason the triumphalists cannot use the Falklands/Malvinas case as evidence that democracies win their wars because they attract more reliable alliance partners in other democracies is the fact that a crucial supporter of Britain’s war effort was General Agosto Pinochet’s authoritarian regime in Chile. Very early in the Falklands campaign, press reports suggested that Chile was providing Britain with significant aid in its war against Argentina, its traditional rival in South America. Opposition members of Parliament questioned Defence Minister John Nott on April 27, but he refused to confirm or deny these rumors of British-Chilean military cooperation.
After the war, rumors of such cooperation persisted. In his early history of the war, Freedman characterized Chile as a “virtual ally” but did not elaborate upon what this meant. In 1999, when Pinochet was detained in Britain facing extradition to Spain for human rights violations committed against Spanish citizens after the overthrow of Salvador Allende, Baroness Thatcher publicly opposed the cooperation of the Blair government with the Spanish court based on the extensive British-Chilean cooperation during the war. As she wrote in the “Times of London”: “I have better cause than most to remember that Chile, led at that time by General Pinochet, was a good friend to this country during the Falklands War. By his actions the war was shortened and many British lives were saved.”
The exact nature of that cooperation was finally revealed in a March 2002 interview conducted by a Chilean newspaper with General Fernando Matthei, the former commander in chief of the Chilean air force and a member of Pinochet’s military government. Chile and Britain negotiated a deal in which the United Kingdom gave Chile arms in return for intelligence support and access to Chilean military bases from which to conduct operations against Argentina. Specifically, the British transferred to Chile attack aircraft, radars, surface-to-air missiles, and reconnaissance and electronic intelligence gathering aircraft (which were manned during the war by Royal Air Force personnel). In return, Chile provided the British military with intelligence on Argentine military dispositions and movements and allowed British Special Air Service teams to operate from Chile against Argentine air bases.
Such Chilean support materially aided the British war effort. There is some evidence, for example, that Chile supplied intelligence that assisted Britain in the sinking of the Argentine warship General Belgrano. More generally, the legacy of the recent Argentine-Chilean conflict over the Beagle Channel in 1978, plus the widely recognized fact in Buenos Aires that Chile was cooperating with Britain during the war, forced Argentina to fight the Falklands War with one hand tied behind its back. Argentina could not deploy the bulk of its best troops to the islands because seven of Argentina’s nine infantry brigades remained behind to guard the border with Chile. The Twenty-fifth Infantry Regiment, which the Argentines deployed to the Falklands as their initial occupation force, was hardly an elite unit. One U.S. government analyst later confirmed that the Argentines “were so worried that Chile would exploit the political situation that crack well trained Argentine Army units were stationed around Commodoro Rivadavia and near the Chilean border to prevent a Chilean attack in the Southern tip of Argentina.” Contrary to what triumphalists would expect, authoritarian Chile made a significant contribution to the British war effort. The British found the “unsavoury” authoritarian regime of Chilean strongman Augusto Pinochet to be a stalwart ally.
In sum, given that the support of democracies like the United States and the EEC was inconsistent and self-interested and that an authoritarian regime like Pinochet’s Chile was a “virtual ally” to democratic Great Britain, it is hard to hold up the Falklands case as providing clear-cut evidence that democracies make better allies and argue that is why democratic Britain prevailed over authoritarian Argentina.”
FONTE: publicado em 24/02/2011 no seguinte endereço: http://malvinasconflict.devhub.com/blog/598562-chile-aid-to-the-uk/. [Título, imagens do Google, trechos entre colchetes e complementação adicionados por este blog ‘democracia&política’].
After the war, rumors of such cooperation persisted. In his early history of the war, Freedman characterized Chile as a “virtual ally” but did not elaborate upon what this meant. In 1999, when Pinochet was detained in Britain facing extradition to Spain for human rights violations committed against Spanish citizens after the overthrow of Salvador Allende, Baroness Thatcher publicly opposed the cooperation of the Blair government with the Spanish court based on the extensive British-Chilean cooperation during the war. As she wrote in the “Times of London”: “I have better cause than most to remember that Chile, led at that time by General Pinochet, was a good friend to this country during the Falklands War. By his actions the war was shortened and many British lives were saved.”
The exact nature of that cooperation was finally revealed in a March 2002 interview conducted by a Chilean newspaper with General Fernando Matthei, the former commander in chief of the Chilean air force and a member of Pinochet’s military government. Chile and Britain negotiated a deal in which the United Kingdom gave Chile arms in return for intelligence support and access to Chilean military bases from which to conduct operations against Argentina. Specifically, the British transferred to Chile attack aircraft, radars, surface-to-air missiles, and reconnaissance and electronic intelligence gathering aircraft (which were manned during the war by Royal Air Force personnel). In return, Chile provided the British military with intelligence on Argentine military dispositions and movements and allowed British Special Air Service teams to operate from Chile against Argentine air bases.
Afundamento do cruzador argentino Belgrano, com suposta ajuda dos serviços de inteligência chilenos
Such Chilean support materially aided the British war effort. There is some evidence, for example, that Chile supplied intelligence that assisted Britain in the sinking of the Argentine warship General Belgrano. More generally, the legacy of the recent Argentine-Chilean conflict over the Beagle Channel in 1978, plus the widely recognized fact in Buenos Aires that Chile was cooperating with Britain during the war, forced Argentina to fight the Falklands War with one hand tied behind its back. Argentina could not deploy the bulk of its best troops to the islands because seven of Argentina’s nine infantry brigades remained behind to guard the border with Chile. The Twenty-fifth Infantry Regiment, which the Argentines deployed to the Falklands as their initial occupation force, was hardly an elite unit. One U.S. government analyst later confirmed that the Argentines “were so worried that Chile would exploit the political situation that crack well trained Argentine Army units were stationed around Commodoro Rivadavia and near the Chilean border to prevent a Chilean attack in the Southern tip of Argentina.” Contrary to what triumphalists would expect, authoritarian Chile made a significant contribution to the British war effort. The British found the “unsavoury” authoritarian regime of Chilean strongman Augusto Pinochet to be a stalwart ally.
In sum, given that the support of democracies like the United States and the EEC was inconsistent and self-interested and that an authoritarian regime like Pinochet’s Chile was a “virtual ally” to democratic Great Britain, it is hard to hold up the Falklands case as providing clear-cut evidence that democracies make better allies and argue that is why democratic Britain prevailed over authoritarian Argentina.”
FONTE: publicado em 24/02/2011 no seguinte endereço: http://malvinasconflict.devhub.com/blog/598562-chile-aid-to-the-uk/. [Título, imagens do Google, trechos entre colchetes e complementação adicionados por este blog ‘democracia&política’].



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