O senador evangélico Magno Malta (ES), líder do PR, declarou guerra santa ao ex-seminarista Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Em linguagem pouco cristã, chamou-o de “safado”, “mentiroso”, “irresponsável”, “cara de pau”, “camaleão” e “ministro meia-boca”.
Suposto aliado do governo, o senador peérre desancou o auxiliar que Dilma Rousseff chama de Gilbertinho do alto da tribuna. Ao noticiar o discurso de Malta, a agência de notícias do Senado cuidou de filtrar-lhe o destempero.
Em notícia levada ao site oficial, anotou-se que o orador considerara “irresponsável” um comentário do ministro sobre os evangélicos. De resto, reproduziu-se uma frase em que o senador diz sobre Gilbertinho: “Mente com muita facilidade, escamoteia, tem comportamento dúbio.”
Deve-se à repórter Maria Lima uma reconstituição mais completa. Testemunha da cena, ela empilhou em seu relato os outros adjetivos. O ministro acendeu o pavio do senador ao participar, dias atrás, de encontro com representantes de movimentos sociais. Deu-se no Fórum Social ocorrido em Porto Alegre (RS).
Durante a conversa, Gilbertinho aconselhara a turma dos “movimentos” a se aproximar do pedaço evangélico da sociedade. Uma gente que emerge para a classe média, mas continua dominada por telepastores.
Malta indignou-se: “Ora, vá procurar sua turma, seu Gilberto Carvalho! Está brincando com o quê? Não são os evangélicos que compram e vendem cocaína no Brasil!”
Disse mais: “Temos que reagir a essa fala irresponsável desse ministro meia-boca. Vou falar uma coisa agora porque depois vou ser processado: safado! Acho bom respeitar as pessoas!”
Prosseguiu: “Acho bom respeitar o povo e as pessoas que promovem a paz neste país, aqueles que podem subir o morro, ganhar almas para Jesus, abrir igrejas. Que Deus tenha misericórdia com Gilberto Carvalho.”
Admirador de Lula, a quem Gilbertinho serviu como chefe-de-gabinete, Malta recordou: na sucessão presidencial de 2002, valendo-se do pé que mantém nos templos, correra o país em campanha para “desdemonizar” Lula.
Afirma ter repetido a cruzada em 2010. Dessa vez, saiu em socorro de Dilma, “considerada abortista”. Dirigindo-se ao ministro, insinuou que o petismo pode voltar a precisar dele: “Barriga não dói só uma vez não, seu cara de pau! […] Lave sua boca com álcool”.
Como se vê, Deus existe. Mas não dá expediente em tempo integral. Convém ao Padre Eterno abrir os olhos. Do modo como a coisa caminha, o Tinhoso acaba convencendo a platéia de que Ele não merece existir.

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