Autoridades norte-americanas decidiram que os oficiais vão enfrentar somente medidas administrativas
Autoridades militares dos Estados Unidos decidiram nesta
segunda-feira (27/08) punir com medidas administrativas nove membros das
Forças Armadas por dois episódios de abusos no Afeganistão no início do
ano, que provocaram a ira da sociedade e do governo do país.
Em um dos casos, tropas norte-americanas queimaram cerca de duas mil
cópias do alcorão em uma base militar aérea e no outro, quatro
fuzileiros navais aparecem em um vídeo urinando em cima de três supostos
insurgentes mortos (veja vídeo abaixo). Enquanto a
incineração dos livros sagrados levou centenas de afegãos às ruas por
diversos dias, a divulgação do filme pela internet chocou pessoas e
organizações por direitos humanos em diversos países.
Apesar de serem processos separados, os militares divulgaram suas
decisões no mesmo dia a partir de dois relatórios investigativos. Ambas
as punições não incluem acusações criminais nem tempo de prisão como
havia requerido Hamid Karzai, presidente do Afeganistão, e podem
enfurecer a população afegã.
Quatro oficiais do Exército norte-americano e dois soldados alistados
receberam cartas de repreensão por enviar caixas com cópias do alcorão
de uma biblioteca e de uma penitenciária de guerra para um centro de
incineração na base da Bagram, em fevereiro deste ano. Os militares
acreditavam que os detidos estavam se comunicando por meio de notas nos
livros a fim de planejar um ataque terrorista, o que foi confirmado por
um grupo de intérpretes do Exército.
As investigações concluíram que os militares não agiram com “má
intenção” de difamar a religião islâmica, mas por ignorância. Segundo o
documento, divulgado nesta segunda (27/08), os oficiais norte-americanos
foram punidos por não seguirem os procedimentos corretos no caso.
Afegãos saíram às ruas para protestar contra queima do livro segrado do Islã por soldados norte-americanos. Foto: reprodução
A Marinha puniu administrativamente três oficiais de baixa patente
envolvidos no vídeo e informou nesta segunda (27/08), de acordo com o
jornal norte-americano New York Times, que podem ser rebaixados, ter
seus salários reduzidos e receber restrições de acesso a algumas partes
de bases militares.
O relatório sobre o caso não foi divulgado, mas autoridades militares
afirmaram que o filme foi realizado em julho de 2011 por membros do
terceiro Batalhão e segundo Regimento da Marinha na vila de Sandala,
conforme relatou o jornal norte-americano Washington Post.
“Nós transmitimos nossas condolências ao governo e ao povo afegão”,
disse o coronel Thomas W. Collins, porta-voz da coalizão militar
internacional no Afeganistão. “Foram dois erros terríveis”, acrescentou.
De acordo com o New York Times, as autoridades norte-americanas temem
que as decisões não sejam bem recebidas pela sociedade afegã que pode
realizar mais protestos.
O Washington Post acrescentou que alguns analistas acreditam que
depois dos episódios, aumentaram os atentados contra tropas da OTAN no
país.
Marina Mattar, Opera Mundi
Nenhum comentário:
Postar um comentário
”Sendo este um espaço democrático, os comentários aqui postados são de total responsabilidade dos seus emitentes, não representando necessariamente a opinião de seus editores. Nós, nos reservamos o direito de, dentro das limitações de tempo, resumir ou deletar os comentários que tiverem conteúdo contrário às normas éticas deste blog. Não será tolerado Insulto, difamação ou ataques pessoais. Os editores não se responsabilizam pelo conteúdo dos comentários dos leitores, mas adverte que, textos ofensivos à quem quer que seja, ou que contenham agressão, discriminação, palavrões, ou que de alguma forma incitem a violência, ou transgridam leis e normas vigentes no Brasil, serão excluídos.”