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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

#CaféLiterário: Livro "Operação Satiagraha" conta os bastidores da ação da Polícia Federal


Uma operação da Polícia Federal (PF) que causou desdobramentos sociais e políticos até os dias de hoje. Trata-se da Operação Satiagraha que culminou na prisão de vários empresários, investidores, gestores e políticos, ligados ao banqueiro Daniel Dantas, desde a gestão dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso à Lula.

A Operação Satiagraha revelou ao grande público alguns desdobramentos importantes como o esquema do mensalão e uma enorme rede de tráfico de influências e desvio de verbas públicas. A grande repercussão da operação culminou no afastamento do então chefe do setor de inteligência da Polícia Federal e atual deputado federal, Protógenes Queiroz (PcdoB-SP).

Ele comandou durante um ano e meio uma equipe de 26 policiais naquela que ficou conhecida como a maior operação de todos os tempos. Com o propósito de dar a sua versão sobre a operação e levantar debates importantes sobre um dos maiores esquemas de corrupção de criminosos de “colarinho branco”, Protógenes Queiroz, lançou pela editora Universo dos Livros, o livro Operação Satiagraha.

A investição

Em 08 de julho de 2008, após quatro anos de investigações, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma grande ação contra o desvio de verbas públicas, crimes de lavagem de dinheiro e corrupção. A intervenção prendeu supostos contraventores como banqueiros, empresários, investidores e até um ex-prefeito.

Com tom de confidência, a obra traz à tona os bastidores de um dos maiores escândalos da história recente do Brasil, mostrando como o jogo do poder pode ser cruel quando os interesses comerciais são colocados acima de qualquer valor social.
Para preservar os investigados em processos que ainda estão em fase de julgamento, Protógenes optou por modificar o nome de pessoas e empresas envolvidas na investigação. “Estou sempre vigiado, mas nunca estou sozinho. Pertenço a um sistema que está ativo. É aquilo: uma vez integrante da área de inteligência, você nunca sai. Não lhe é permitido sair. Você pode ficar adormecido, mas excluído, nunca”, comenta o autor no início do livro.
 
Mesmo com os holofotes voltados para o caso, no dia 14 de julho de 2008, exatamente seis dias após a deflagração da operação, Protógenes Queiroz foi afastado pela PF, com a justificativa que ele iria fazer um “curso de reciclagem”. Mas, segundo o autor, seu desligamento foi proposital: “me afastaram para que eu não concluísse a investigação”, revela.

Na reviravolta do caso, Protógenes Queiroz foi acusado de investigar ilegalmente a vida de empresários e autoridades, como deputados, senadores e ex-presidentes. Porém, o fato acabou sendo desmentido e Protógenes foi considerado inocente pelo Ministério Público Federal, que não viu crime e nem nulidade.

Ao todo, a operação dirigida por Protógenes levou a polícia a cumprir 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão. Além disso, mobilizou cerca de 300 homens da PF e foi realizada nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e no Distrito Federal. No livro, o autor conta como passou de investigador a investigado, revelando detalhes de uma história da política brasileira que ainda está sendo escrita.

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