As investigações da Operação Trem
Pagador podem complicar ainda mais a situação do governador de Goiás,
Marconi Perillo (PSDB), que já tem que explicar a natureza de suas
relações com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Numa das interceptações da Trem Pagador, autorizadas pela Justiça
Federal, a Polícia Federal gravou conversas de Perillo com o
ex-presidente da Valec José Francisco das Neves, o Juquinha, preso pela
PF como resultado da mesma investigação.
Num dos diálogos obtidos,
Perillo promete dar ao ex-presidente da Valec a Secretaria das Cidades,
departamento com orçamento elevado, em troca de apoio político. Na mesma
conversa, o governador diz que quer para o comando da secretaria uma
pessoa que seja um "avião supersônico" para levantar dinheiro em
Brasília com o mesmo padrão de sucesso do ex-dirigente da empresa
pública de ferrovias.As informações são de O Globo
Quando fez a oferta, o
governador já sabia que Juquinha havia sido afastado da Valec, no ano
passado, em meio a denúncias de corrupção na construção da ferrovia
Norte-Sul. O diálogo entre os dois foi interceptado em 28 de junho deste
ano. Sérgio Cardoso, um auxiliar de Perillo, liga para o ex-presidente
da Valec. Depois de rápidos cumprimentos, passa o telefone para o
governador.
- Aquele assunto está redondo, resolvido - avisa Perillo.
Juquinha pede mais detalhes a Perillo.
- Aquele da Secretaria tá resolvido.
Segundo a PF, o naco de poder
negociado era a Secretaria das Cidades, responsável por obras de
saneamento, habitação e até pelo Detran (Departamento de Trânsito),
setores com orçamentos generosos na máquina do estado. Juquinha, que já
era alvo de uma investigação com crescimento patrimonial incompatível à
renda declarada, fica satisfeito.
- Então tá OK - responde o ex-presidente da Valec.
Também animado com o resultado na negociação, Perillo dá carta branca a Juquinha.
- Pode mandar quem você quiser - afirma o governador.
Neste caso, Juquinha poderia
indicar qualquer pessoa para ocupar uma das pastas mais importantes do
governo de Goiás. Perillo só faz uma exigência: quer que o futuro
secretário de Cidades seja um "avião supersônico" na captação de
dinheiro em Brasília.
- Tá fechado. Agora eu preciso
de um avião lá. Um tipo Juquinha. É a secretaria que mexe com o
saneamento e com a habitação. E com o Detran também - diz Perillo, que
acrescenta: - Tem de dar conta de alavancar dinheiro em Brasília e que
saiba mexer o doce - enfatiza.
- Tá bom então, chefe - concorda o ex-presidente da Valec.
Prisão sete dias após conversa
A partir daí, os dois começam a
falar sobre as eleições municipais deste ano. Sete dias depois da
conversa, Juquinha, a mulher e um dos filhos foram presos pela Polícia
Federal na Operação Trem Pagador. Eles são acusados de ocultação de
patrimônio e lavagem de dinheiro, supostamente desviado da construção da
Norte-Sul. A PF aponta desvio de R$ 129 milhões em trechos da ferrovia
em Goiás.
Relatório da PF informa ainda
que, no mesmo período da negociação com Perillo, Juquinha estava de olho
na Secretaria de Infraestrutura da prefeitura de Goiânia, administrada
por Paulo Garcia (PT). As referências às negociações aparecem em
conversas de Juquinha com aliados políticos. Num dos áudios, Juquinha
"expõe a Luiz Carlos que o prefeito (Paulo Garcia) vai dar a Secretaria
de Infraestrutura em Goiânia e pode ser que Luiz Carlos assuma a pasta",
afirma relato da operação da PF relacionado à prefeitura.
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