Guerrilheiro Virtual

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Equador concede asilo. Inglaterra vai invadir?

Montagem/247 

Julian Assange, dono do Wikileaks, ganha direito a se exilar no Equador, dado pelo presidente Rafael Correa; mas Inglaterra ameaça invadir representação do país em Londres, onde ele está refugiado, para prendê-lo; ex-diplomata inglês alerta que embaixadores britânicos em todo o mundo estariam em risco; precedente de território nacional seria quebrado; é o ódio contra a liberdade de imprensa.

247 – O governo do Equador ignorou o informe da Inglaterra de que tomaria ações para prender Julian Assange, fundador do Wikileaks, e concedeu asilo ao jornalista australiano, que está refugiado na embaixada do país em Londres. O anúncio foi feito à imprensa pelo ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, por volta de 9h40. O Reino Unido se disse "desapontado" com a decisão. Em frente ao local, o clima é tenso e três pessoas já foram presas pela Scotland Yard durante protesto em defesa de Assange. Há mais de 700 pessoas diante do prédio, dispostas a evitar que polícia britânica invada a embaixada. Leia aqui, em espanhol, a íntegra do comunicado do Equador.

O jornal "The Guardian", um dos de maior prestígio da Inglaterra, já havia antecipado que a decisão seria favorável ao ativista, acusado de assédio sexual na Suécia. Num clima de intensa pressão, autoridades do Equador anunciaram que receberam ameaças da Inglaterra sobre uma possível invasão à embaixada – o que seria considerado, por parte do Equador, como um ato hostil e de guerra, por violar tratados internacionais. O governo de Rafael Correa já marcou uma reunião para discutir a ameaça e formular uma resposta ao governo britânico.

Não se sabe ainda qual será o próximo passo. Se Assange sair da embaixada agora, a Inglaterra tem a obrigação de prendê-lo, já que ele cumpre prisão domiciliar no país. A maior dificuldade é tirar o jornalista do prédio sem que ele seja preso pela polícia inglesa, que vigia o local sem trégua. Caso conseguisse deixar o local em segurança, ele poderia entrar num carro diplomático para ir até o aeroporto a fim de deixar a Grã-Bretanha, mas teria de sair do veículo em algum momento. Segundo Patiño, a situação do jornalista é "perigosa", já que ele é responsável pela divulgação de segredos muito bem guardados, inclusive do Pentágono na invasão do Iraque e, por isso, corre o risco de sofrer represálias.

Assange se tornou protagonista de uma batalha global pela liberdade da informação – além, é claro, de inimigo público dos Estados Unidos. Para defendê-lo, foi contratado como advogado o juiz espanhol Baltazar Garzón, que é também uma celebridade internacional e foi responsável pela prisão do ditador chileno Augusto Pinochet. O jornalista está refugiado desde 19 de junho na embaixada do Equador em Londres para não ser extraditado à Suécia, onde responde pelos processos e afirma que sua vida correria riscos.
Abaixo, noticiário da Reuters anterior à concessão do asilo, sobre possível rompimento diplomático entre Inglaterra e Equador:

LONDRES, 16 Ago (Reuters) - A Grã-Bretanha afirmou ao Equador nesta quinta-feira que conceder asilo político a Julian Assange não mudaria em nada a situação e que isso poderia causar a revogação do status diplomático da embaixada do governo equatoriano em Londres para permitir a extradição do fundador do WikiLeaks.

O governo equatoriano, que deve anunciar a sua decisão sobre o pedido de asilo de Assange às 9h (horário de Brasília) desta quinta-feira, afirmou que qualquer tentativa de remover o status diplomático de sua embaixada seria considerada "hostil e um ato intolerável".

"É muito cedo para dizer quando ou se a Grã-Bretanha irá revogar o status diplomático da embaixada equatoriana", afirmou um porta-voz do Departamento de Relações Exteriores pelo telefone.

"Dar asilo não muda fundamentalmente nada", disse o porta-voz, acrescentando que a Grã-Bretanha tinha o dever legal de extraditar Assange para a Suécia, onde ele é requisitado para enfrentar um julgamento por estupro.

O governo equatoriano se irritou com a ameaça.

"Queremos ser bem claros, nós não somos uma colônia britânica. Os tempos coloniais acabaram", disse o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, em comunicado furioso após uma reunião com o presidente do Equador, Rafael Correa.

"A medida anunciada no comunicado oficial britânico, caso aconteça, será interpretada pelo Equador como antipática, hostil e um ato intolerável, assim como um ataque à nossa soberania, o que nos forçaria a responder da maneira diplomática mais forte possível", Patiño disse a repórteres.

Em Londres, policiais britânicos e manifestantes cantando slogans em apoio a Assange entraram em confronto do lado de fora da embaixada equatoriana nesta quinta-feira, após a Grã-Bretanha afirmar que poderia entrar no prédio para deter o fundador do WikiLeaks, que está abrigado no local.

Cerca de 20 policiais estavam do lado de fora do prédio tentando afastar o grupo de cerca de 15 manifestantes. Pelo menos três pessoas foram arrastadas pela polícia, enquanto o grupo gritava: "Vocês estão tentando começar uma guerra com o Equador."

(Reportagem de Mohammed Abbas e Alessandra Prentice)

Do Brasil247

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