Guerrilheiro Virtual
quinta-feira, 5 de junho de 2025
quarta-feira, 4 de junho de 2025
Deputado italiano defende extradição de Zambelli antes de sua entrada no país: 'paraíso para golpistas?'
quinta-feira, 27 de abril de 2023
Planalto monta estratégia com time dos 'bons de briga' e dos 'técnicos' para CPMI do 8 de janeiro
A estratégia do Palácio do Planalto para a CPMI do 8 de janeiro no Congresso Nacional está montada: a ideia é dividir em dois blocos os governistas no colegiado. O primeiro bloco será formado pelos parlamentares "palanqueiros" e "bons de briga", isto é: nomes com habilidade para o embate direto com bolsonaristas, com capacidade rápida de resposta a provocações e com expertise para disputar a narrativa nas redes sociais. O segundo bloco terá deputados e senadores técnicos, que darão profundidade aos depoimentos e densidade política à versão do governo.
"Articuladores do governo ainda estão mapeando quem é quem de acordo com as indicações dos partidos", informa o jornal O Globo. Para o bloco dos "bons de briga" são cotados os deputados Lindbergh Farias (PT-RJ) e André Janones (Avante-MG) - o Avante, porém, só terá direito a uma vaga reservada a um rodízio com outras cinco legendas. Do PT também são lembrados Rubens Pereira Junior (MA) e Rogério Correia (MG) - um deles deverá ficar na suplência.
As estratégias não acabam por aí: "o governo também quer evitar a todo custo que a oposição reduza as discussões da CPI aos atos de 8 de janeiro. Os aliados do governo estão sendo instruídos a alargar a discussão para os acampamentos golpistas em frente aos quartéis, que se iniciaram em novembro de 2022 e são considerados epicentro da trama golpista que resultou na invasão das sedes dos Três Poderes. O objetivo do Planalto é mostrar que os ataques foram maturados ao longo de semanas e que decisões do governo anterior culminaram nas invasões", diz a reportagem. Há ainda a orientação que sai do Planalto para que a CPMI não abra uma nova crise do governo federal com os militares.
Os responsáveis pela articulação do governo envolvendo a montagem da CPMI são os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Rui Costa (Casa Civil), Flavio Dino (Justiça), José Múcio Monteiro (Defesa), Jorge Messias (AGU) e Vinicius Carvalho (CGU).
Fonte: Brasil247
terça-feira, 4 de abril de 2017
A indústria parou! E a Maria Sílvia vai enterrar na cova do BNDES!

sábado, 23 de abril de 2016
Ibope: só 8% acham que Temer resolverá crise
Carta aos Ministros do Supremo, por Luís Nassif .
domingo, 21 de setembro de 2014
O que está em jogo no Brasil
Escrevo esta crônica de Cuiabá, capital do Estado do Mato Grosso e que é também a capital do que no Brasil se designa por agronegócio (agricultura industrial de monocultura: soja, algodão, milho cana do açúcar), a capital do consumo de agrotóxicos que envenenam a cadeia alimentar e da violência contra líderes camponeses e indígenas que defendem as suas terras da invasão e do desmatamento ilegais. Reúno-me com líderes de movimentos sociais, um deles (indígena Xavante) chegado à reunião clandestinamente por estar sob ameaça de morte. Deste lugar e desta reunião torna-se particularmente claro o que está em jogo nas próximas eleições no Brasil.
As classes populares – o vasto grupo social de pobres, excluídos e discriminados que viu o seu nível de vida melhorado nos últimos doze anos com as políticas de redistribuição social iniciadas pelo Presidente Lula e continuadas pela Presidente Dilma – estão perplexas mas têm os pés bem assentes no chão e não me parece que sejam facilmente iludidas. Sabem que as forças conservadoras que se opõem à Presidente Dilma estão apostadas em recuperar o poder político que perderam há doze anos. Conscientes de que a época Lula transformou ideologicamente o país, não o poderão fazer pelos meios e com os protagonistas habituais. Para pôr fim a essa época é necessário recorrer a alguém que a evoque, Marina Silva, o desvio contra-natura para chegar ao poder. A pouco e pouco as classes populares vão conhecendo o programa de Marina Silva e identificando, tanto o que nele é transparente, quanto o que nele é mistificatório.
É transparente o regresso ao neoliberalismo que permita os lucros extraordinários decorrentes das grandes privatizações (da Petrobras ao pré-sal) e da eliminação da regulação macroeconômica e social do Estado. Para isso se propõe a total independência do Banco Central e a eliminação das diplomacias paralelas (leia-se, total alinhamento com as políticas neoliberais dos EUA e da UE). É mistificatório o recurso a conceitos como o de "democracia de alta intensidade” e de "democratizar a democracia” – conceitos muito identificados com o meu trabalho mas de que é feito um uso totalmente oportunístico – como se fosse uma novidade política quando, de fato, do que se trata é, no seu melhor, a continuação do que tem vindo a ser feito em alguns estados de que é exemplo mais notável o do Rio Grande do Sul.
Acresce a tudo isto que o que há de verdadeiramente novo na candidatura de Marina Silva significa um retrocesso não só político como civilizacional. Trata-se da certificação da maioridade política do evangelismo conservador. O grupo parlamentar evangélico é já hoje poderoso no Congresso e o seu poder está totalmente alinhado, não só com o poder econômico mais predador (a bancada ruralista), a que a teologia da prosperidade confere desígnio divino, como com as ideologias mais reacionárias do criacionismo e da homofobia. Marina, se eleita, levará tais espantalhos ideológicos para o Palácio do Planalto para que de lá façam a pregação do fim da política, da ilusão da diferença entre esquerda e direita, da união entre ricos e pobres. Tirando o verniz religioso, trata-se do regresso democrático à ideologia da ditadura, no ano em que o Brasil celebra o mais longo e mais brilhante período de normalidade democrática da sua história (1985-2015).
Em face disto, por que estão perplexas as classes populares? Porque a Presidente Dilma nada faz ou diz para lhes mostrar que está menos refém do agronegócio que Marina Silva. Nada faz ou diz para mostrar que é urgente iniciar a transição para um modelo de desenvolvimento menos centrado na exploração voraz dos recursos naturais que destrói o meio ambiente, expulsa camponeses e indígenas das suas terras e assassina os que lhe oferecem resistência. Bastaria um pequeno-grande gesto para que, por exemplo, os povos indígenas e afrodescendentes se sentissem protegidos pela sua Presidente: mandar publicar as portarias de identificação, de declaração e de homologação de terras ancestrais, portarias que estão prontas, livres de qualquer impedimento jurídico e apenas engavetadas por decisão política.
O que as classes populares e os seus aliados parecem não saber é que não basta querer que a Presidente Dilma ganhe as eleições. É necessário vir para a rua lutar por isso. Ao contrário, os adversários dela sabem isso muito bem.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Acordos Brasil-China: é a Copa das Copas !
(Chora, elite branca !)
China e Brasil são as maiores economias em desenvolvimento nos respectivos hemisférios – e cada vez mais integradas. Partimos de uma corrente de comércio de US$ 3 bilhões para a cifra recorde de quase US$ 90 bilhões, em 2013. A China é, desde 2009, nosso principal parceiro comercial. O Brasil é o principal destino dos investimentos chineses na América Latina. Esses investimentos apresentam forte tendência ao crescimento e à diversificação em áreas como energia, tecnologias da informação e da comunicação, automóveis, alta tecnologia, bancos, petróleo, entre outros setores consolidam a China como grande parceira do desenvolvimento brasileiro.
Em matéria de energia, petróleo, externei ao Presidente Xi minha satisfação com a participação de duas empresas chinesas, a CNOOC e a CNPC, no consórcio liderado pela Petrobras, para a exploração do Campo de Libra. Também é bem-vinda a crescente presença chinesa no setor elétrico brasileiro por meio da State Grid.
Essa parceria ganha hoje renovado impulso com a assinatura de 2 novos acordos. O primeiro, entre a Eletrobrás e a State Grid para a construção de linhas de transmissão para ultra-alta tensão na usina de Belo Monte. O segundo, entre a Eletrobrás/Furnas e o Grupo Três Gargantas para a construção da hidrelétrica do Rio Tapajós.
O presidente Xi e eu reiteramos a importância de nossas relações financeiras, decorrência natural da crescente interação econômica. O Banco do Brasil inicia, em Xangai, as operações da primeira agência de um banco brasileiro na China e já operam no Brasil três bancos chineses.
Os acordos assinados hoje entre o BNDES e o Eximbank, e o BNDES e o Banco de Desenvolvimento da China e o Fundo Soberano CIC ampliarão a diversificação e diversificarão os canais de financiamento ao desenvolvimento.
Nos próximos anos, com o Programa de Investimentos em Logística, da ordem de 240 bilhões de reais, que o Brasil leva a cabo, o projeto de desenvolvimento entrará numa nova fase, portanto, a nossa parceria também.
Apresentei ao presidente Xi as oportunidades que se abrem em licitações nos setores ferroviário, portuário, aeroviário e rodoviário. Aqui, as empresas chinesas encontrarão segurança jurídica e marco regulatório estável, e também serão muito bem vindas.
Nesse sentido, ressaltamos o Memorando de Entendimento sobre Cooperação Ferroviária entre o Ministério dos Transportes e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma.
Reiterei ao presidente Xi Jinping minha expectativa sobre a participação de empresas chinesas nos projetos brasileiros de infraestrutura e logística. Damos especial atenção à licitação do trecho 4 da Ferrovia Transcontinental, que ligará Lucas do Rio Verde a Campinorte. Essa obra integra a Ferrovia Transoceânica Brasil – Peru, fundamental para a integração sul-americana e o escoamento das exportações brasileiras para a Ásia.
(Clique aqui para ver como a abertura de um canal na Nicarágua o escoamento de graos por ferrovias brasileiras se integram nesse planejamento)
No setor industrial, a relação bilateral sai fortalecida com os anúncios de investimentos significativos para a fábrica de maquinário para construção civil, pela Sany, no valor de US$ 300 milhões, e a instalação da montadora Chery, ambas em Jacareí. Cada uma gerará mil postos de trabalho.
(…)
Congratulei-me com o Presidente Xi pelo levantamento do embargo e disposição de compra de carne bovina para a China, que abre grandes oportunidades para o agronegócio brasileiro.
Insisti na necessidade permanente de diversificar e agregar valor às exportações e investimentos brasileiros. Exemplo importante de iniciativa nesse sentido foi a venda de 60 aeronaves da Embraer às empresas chinesas Tianjin Airlines e ICBC Leasing.
Concordamos em impulsionar nossa cooperação em ciência, tecnologia e inovação, em especial em tecnologias agrícolas – área em que a Embrapa e a Academia de Ciências da China já trabalham -, nanotecnologia e biologia, também. Manifestamos expectativas com o diálogo regular entre nossos parques tecnológicos.
Reafirmamos o compromisso de lançar, ainda em 2014, o quinto satélite da família Cbers. Nosso Plano Decenal Espacial prevê a extensão desse Programa, sua atualização tecnológica e, no futuro, lançamentos também a partir do Brasil.
Na área de Defesa, destaco o Protocolo para cooperação em tecnologia de informação e sensoriamento remoto, que permitirá o monitoramento mais preciso do desmatamento da Amazônia, de atividades ilícitas, além do desenvolvimento do interesse militar ao longo da fronteira brasileira.
Na área de tecnologias da informação e comunicação, que já contam com diversos investimentos de importantes… com diversos investimentos de importantes companhias chinesas, saudamos o anúncio do lançamento, no Brasil, do serviço de buscas, Baidu, na Internet.
(Clique aqui para ler “pau no Google”)
Ainda nesse setor, estreitamos nossa cooperação com o Protocolo entre o Ministério de Ciência e Tecnologia e a Huawei, que prevê investimentos em processamento de dados e computação em nuvem.
Acordamos a ampliação da presença de estudantes brasileiros na China, no âmbito do Programa Ciência sem Fronteiras, e também o estabelecimento de estágio para esses bolsistas. Para atingir a meta de cinco mil estudantes na China, promoveremos o aprendizado do mandarim no Brasil, com a abertura de novas unidades do Instituto Confúcio em universidades brasileiras.
Em tempo: quando o Brasil vai criar o “Instituto Machado de Assis” para difundir a lingua e a cultura brasileiras pelo mundo afora, a começar pelos paises dos BRICS ? Clique aqui para ler sobre a necessidade de se criar uma Noticiabrás” PHA
Brasil e China: pau no Google !
O primeiro resultado da busca é:
Brasil e China: parceria promissora
Mais sobre o Baidu, que também tem a sua Wikipedia…:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Baidu
quarta-feira, 16 de julho de 2014
83% dos estrangeiros aprovam organização da Copa das Copas
A
imprensa tentou espalhar o terror para beneficiar seus candidatos. O
jornal Folha de São Paulo, aliado com políticos de oposição ao governo
Dilma, publicava diariamente notícias negativas contra a Copa. Hoje, o
Datafolha, empresa da Folha, saiu com a notícia que vai deixar imprensa e
oposição sem discurso. Será que agora eles vão admitir que a
presidente Dilma fez a Copa das Copas?Pesquisa feita pelo instituto Datafolha e divulgada nesta terça-feira pelo jornal Folha de S.Paulo aponta que 83% dos estrangeiros que vieram ao Brasil para acompanhar a Copa do Mundo se disseram positivamente surpresos.
De acordo com a pesquisa, 92% dos visitantes elogiaram o conforto e a segurança dos estádios da Copa, e 76% consideraram ótima ou boa a qualidade do transporte até as arenas do Mundial, enquanto 95% dos estrangeiros avaliaram a recepção como ótima ou boa.
Segundo o levantamento, 90% dos estrangeiros disseram ter acompanhado notícias sobre o Brasil antes de viajar e 50% ter ouvido mais relatos negativos do que positivos sobre o País.
A pesquisa aponta também que a organização da Copa foi avaliada como ótima ou boa por 83% dos entrevistados, enquanto para 12% foi regular, e para 3% ruim ou péssima.
Para 46% dos estrangeiros, a mobilidade urbana foi avaliada como melhor do que o esperado. Sistemas de comunicação e os preços praticados em geral com alimentação, hotéis e transporte aéreo tiveram avaliações negativas acima da média – 29% consideraram ruim ou péssimo o custo de vida; 27% o preço dos hotéis, enquanto apenas 41% aprovou os sistemas de comunicação.
A pesquisa entrevistou 2.209 estrangeiros de mais de 60 países nos aeroportos de São Paulo, Rio e Brasília e em Fan Fests e locais de grande concentração nas cidades de Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza, além de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília entre os dias 1º e 11 de julho.
Entre os entrevistados, 69% disseram que gostariam de morar no Brasil.
Uma maioria de 76% achou ótima ou boa a qualidade do transporte até os estádios. A mobilidade urbana foi avaliada como melhor do que o esperado para 46%, dentro do esperado para 40% e pior que o esperado para 11%.
O transporte aéreo recebeu avaliação ótima ou boa de 76% das pessoas ouvidas. 10% deram nota regular; e 4%, ruim.
O custo do setor hoteleiro foi considerado bom ou ótimo por 32%; 26% avaliaram os preços como regulares; e 27%, ruins ou péssimos. 16% não souberam responder.
Protestos e segurança
Dos entrevistados, 72% consideraram ótima ou boa a estrutura para segurança pessoal no Brasil; 19% deram avaliação regular e 6%, ruim ou péssima.
Quando perguntados especificamente sobre a segurança dos turistas, 82% avaliaram como ótima ou boa; 13% acharam regular; 3%, ruim ou péssima.
71% disseram que não presenciaram protestos contra o Mundial. Outros 29% afirmaram ter presenciado os atos.
O Datafolha também perguntou a impressão dos estrangeiros sobre as manifestações, presenciadas ou não. 43% dos entrevistados afirmaram achar que os protestos foram pacíficos; 19% disseram que foram violentos; 37% disseram que não ficaram sabendo dos atos.
Mais pesquisas Brasil recebeu 1 milhão de turistas na Copa, e 95% querem voltar
A Copa do Mundo atraiu para o Brasil 1 milhão de turistas de 203 nacionalidades. A maioria deles (61%) nunca havia estado no País. As informações fazem parte de um balanço elaborado pelo Ministério do Turismo, em pesquisa na qual 92,3% afirmaram que vieram ao País em função da Copa e 95% declararam intenção de retornar.
terça-feira, 15 de julho de 2014
Deficiente no Maracanã vaia a elite branca
Não é autoridade nem cartola – um espectador comum, portador de ingresso como qualquer outro – ou seja, caro.
Um carro elétrico o conduziu até uma cadeira de rodas.
Da cadeira de rodas, ao assento marcado, com a ajuda de um steward.
No intervalo, com a ajuda de um steward, foi ao banheiro de deficientes.
Limpo.
Se quisesse podia se sentar. Lavou as mãos com sabonete e se enxugou com papel.
Na saída, foi levado do assento à cadeira de rodas e, de lá, ao carro elétrico, e ao carro que o esperava.
Essa, a Copa das Copas.
Lá dentro, o amigo navegante se impressionou com a hostilidade à Dilma.
De brasileiros – muitos bêbados – brancos.
Muitos que não assistiam ao jogo: iam lá pra cima tomar Budweiser.
Não havia um negro na plateia de um estádio que fica na porta da favela da Mangueira.
Vaiaram a Dilma e hostilizaram os argentinos com uma agressividade incomum.
O amigo navegante vaiou os que vaiavam a Dilma.
E vaiou os que xingavam os argentinos.
Um argentino, com um filho, no intervalo, perguntou a ele, depois que o viu reagir: por que essa agressividade contra nós ?
A mulher do amigo navegante, ao lado, respondeu: é inacreditável.
São uns ignorantes, disse o amigo. Saíram do Sul dos Estados Unidos, no século retrasado.
Observou o ansioso blogueiro: por isso que a Cristina K não veio ver final: para não ser vaiada por aqueles que a Evita Perón chamava de oligarcas de mierda !
Paulo Henrique Amorim
A Copa acabou, imagine nas Olimpíadas
O Brasil, que bom, não é selvagem como suas elites
Fernando Brito, Tijolaço
"Li, hoje, na crônica de Antonio Prata, na Folha, a mais sintética conclusão sobre o pós-Copa:
“(…)o que percebi em meio à muvuca e me salvou da depressão foi que, hoje, o Brasil é melhor do que a sua seleção”.
Fiquei pensando sobre isso.
Até o mês passado, tínhamos um país caótico, no qual só se salvava a seleção de Felipão, unanimemente reconhecida como “o melhor que tínhamos” e dirigida pelo melhor organizador de grupos de nosso futebol.
O país do caos não aconteceu, ao contrário.
A melhor seleção, também, não, apesar de nosso desejo e torcida.
Os compromissos do Governo para a realização do torneio foram cobrados, questionados, atacados, duvidou-se de seu sucesso até o último instante e o último detalhe.
A mídia brasileira vibrou com o “chute no traseiro” que Jerôme Valcke, da Fifa, recomendava fosse dado no governo brasileiro, a mesma Fifa que, pelos seus “padrões” elegia Luís Felipe Scolari como o terceiro melhor técnico de seleções e anunciado até como um possível treinador do Barcelona no pós-Copa.
A Veja garantia: “Felipão, que costuma ser classificado como um conservador do futebol, promoveu sua revolução na seleção no mês de junho, injetando juventude e ousadia na equipe e fazendo apostas certeiras. Ninguém mais teme um vexame histórico em casa em 2014″.
Agora, comemoram sadicamente o “vexame histórico”.
Os “sabidos” sabiam tudo e, quando ocorre o inverso do que previam, nem sequer a dignidade de sofrer junto com o povo brasileiro conseguem ter.
Tudo, agora, é tentar tirar pelo fracasso futebolístico o que tentaram (e em parte conseguiram) pelo suposto e imaginário fracasso organizativo da Copa.
A capa de ontem de O Globo, substituindo o “não vai ter Copa” pelo “não vai ter Olimpíada”, daqui a dois anos, é a mais perfeita tradução do pensamento mesquinho dessa elite.
Louvam a Alemanha por um projeto de dez, 15 anos para reerguer seu futebol, com vários insucessos pelo caminho, mas gritam histericamente com um resultado mensal de inflação ou contra um lucro mais modesto da Petrobras no trimestre, mesmo sabendo que isso é para alcançar a fartura do pré-sal.
O Brasil não é apenas melhor do que sua seleção foi na Copa.
O Brasil fez a mais encantadora – para o mundo, embora tão sofrida para nós – Copa do Mundo da história e a fez contra sua mídia e contra a sua elite.
Recebeu gente do mundo inteiro com alegria, carinho e civilidade.
Aliás, recebeu também a derrota esportiva avassaladora com profunda tristeza, mas não com ódio.
Tirando os mal-humorados crônicos, estamos todos orgulhosos.
As minorias coxinhas, babacas, que tinham “bala” para estar no Maracanã – agora um estádio “padrão Fifa”, onde pobre não entra – soltaram seu recalque nos xingamentos grosseiros, outra vez.
Porque o campo de guerra, no futebol, é o campo, não o estádio, nem as ruas, nem a cidade, nem os países.
A Copa do Mundo é uma festa, muito mais do que uma guerra; um congraçamento, muito mais do que a disputa que se dá nos 90 minutos, ou na prorrogação, ou nos pênaltis.
Não temos a taça, não ficamos com a moça mais bonita na festa que realizamos.
E a festa, na vida humana, já disse Leonardo Boff, é o tempo mais forte da vida.
Festejamos como ninguém, com direito a um domingo em que o céu amanheceu azul e branco e que deixou a noite chegar em tons amarelos, vermelhos e negros.
E, com todas as cores do mundo, mais profundamente brasileiros."
A nota de Blatter para Copa é porque pegaram os cambistas “padrão Fifa”?
Acho que aplicou um “desconto” por causa da revelação de que um grande amigo da cúpula da entidade tinha um esquema de cambismo de ingressos de cortesia.
Porque, no resto, a organização da Copa superou todas as expectativas.
Os aeroportos registraram um movimento de 16 milhões de passageiros na Copa, média de 516 mil por dia.
41% acima do registrado no Carnaval, data de maior turismo.
E sem caos.
E o número de turistas, no final das contas, vai ficar acima de 800 mil.
A FIPE, que não tem ligações com o Governo Federal, estimou que a Copa injetou R$ 30 bilhões na economia brasileira.
Dinheiro té para os ambulantes que venderam bebidas em torno do Itaquerão, que faturaram R$ 500 mil, só os oficializados.
São só primeiros números e os primeiros efeitos.
A Copa, é claro, não vai resolver os problemas econômicos do país.
Mas mostra que somos capazes de fazer eventos mundiais se realizarem em níveis de qualidade semelhantes ao de qualquer país do mundo.
Aliás, mais que isso.
Que podemos faze-lo contra a mais brutal, insistente e selvagem campanha de mídia pelo seu fracasso.




