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quinta-feira, 5 de junho de 2025

 

Lula veste o keffiyeh, tradicional lenço símbolo da resistência palestina (Foto: Ricardo Stuckert)

Durante uma visita oficial à França, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu veementemente a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) e defendeu o reconhecimento do Estado Palestino como uma obrigação ética e medida necessária para a estabilidade global. Ele enfatizou que a ONU completou 80 anos com uma grave falta de legitimidade e eficácia, e que o atual sistema multilateral está paralisado devido a conflitos armados e crises humanitárias. Lula enfatizou que a reforma do Conselho de Segurança da ONU é inevitável.

Matéria completa no Brasil247

sábado, 23 de abril de 2016

Após fala na ONU, Dilma diz que há golpe em curso no Brasil

Presidenta anuncia à imprensa que pretende pedir ao Mercosul e à Unasul que suspendam o Brasil por conta da quebra do processo democrático do país 

Ichiro Guerra/PR/Fotos Públicas
Dilma Rousseff discursa à ONU
"Você rasga os princípios democráticos, está dado o golpe", disse Dilma à imprensa, em tom mais duro do que no discurso na ONU

Em um tom muito mais duro do que o usado na ONU, quando participou, na manhã de sexta-feira 22, da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris, que rege medidas de redução de emissão dióxido de carbono a partir de 2020, a presidente Dilma Rousseff afirmou, em coletiva de imprensa em Nova York, no fim do dia, que há sim um golpe em curso no Brasil, do qual ela é a principal vítima:

"Golpe é um mecanismo pelo qual você tira pessoas do Poder por razões que não estão expressas na lei.

Não há crime de responsabilidade contra mim. Os golpes militares se deram rompendo a Constituição. E no meu caso há um outro jeito de se dar o golpe: basta a mão (do voto dos congressistas), que é extremamente poderosa. Com ela você rasga a Carta Constitucional e está dado o golpe. Você rasga os princípios democráticos, está dado o golpe"

Enquanto cidadãos pró e contrários aos impeachment se manifestavam do lado de fora, na rua 79, residência do embaixador do Brasil na ONU, o ex-chanceler Antonio Patriota, no bairro residencial de classe alta Upper East Side, Rousseff conversou, por mais de uma hora, com jornalistas estrangeiros baseados na cidade, entre eles profissionais do The New York TimesWashington PostFinantial Times, Guardian, Bloomberg, Reuters, Associated Press e El País.

Em seguida, em coletiva para a imprensa brasileira, ela repetiu o que já havia adiantado à imprensa internacional: em caso de aceitação pelo Senado de seu julgamento por crime de responsabilidade e conseqüente afastamento do cargo por até 180 dias ela pretende pedir ao Mercosul e à União das Nações Sul-Americanas (Unasul) que suspendam o Brasil por conta da quebra do processo democrático do país.

Em 2012 o Paraguai sofreu a punição, defendida por Brasília, por ferir a chamada cláusula democrática do acordo sul-americano durante o processo de deposição do então presidente Fernando Lugo. 

"Se eu, que sou presidente da República, me sinto vítima de um processo ilegal, golpista e conspirador, imagine o que poderá ocorrer à população pobre do Brasil quando seus direitos forem afetados. A garantia de meu direito não é só minha, pessoal. É a de que a lei irá se sobrepor a qualquer interesse pessoal ou político na nação", disse a presidente.

Mais cedo, na cerimônia da ONU, Dilma frustrou seus apoiadores ao mencionar apenas no fim de um discurso de pouco mais de 9 minutos, centrado na exaltação do recorde ambiental de seu governo, e de forma velada, o impasse político brasileiro.

Ela encerrou sua fala dizendo que o Brasil conta com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia, com um povo trabalhador com apreço pela liberdade. E, em mensagem cifrada, afirmou que os brasileiros saberão "impedir eventuais retrocessos".

Dilma afirmou que jamais iria à ONU "falar mal do Brasil", mas sim "a verdade sobre o Brasil". O foco do discurso, diz, sempre foi o Acordo de Paris. Mais tarde, na conversa com a imprensa, disse repudiar a crítica de que a denúncia do golpe poderia ser traduzida como uma forma de vitimização.

E, em claras referências ao vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), companheiro de chapa de Dilma em 2010 e 2014, e ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que se tornará o segundo na linha de sucessão no caso de afastamento de Dilma, seguiu:

"Se isso ocorrer, assumem o Poder pessoas ilegítimas, que não tiveram um voto sequer para a presidência. Pessoas que têm em suas trajetórias acusações de lavagem de dinheiro em conta no exterior de processo de corrupção. Não há contra mim nenhuma acusação de corrupção, jamais recebi dinheiro para me beneficiar. A sensação de injustiça, de ser a vítima, não foi escolha minha, me colocaram nela. Construíram um processo sacrificial no Brasil", disse, em tom grave.

À constatação de que a imprensa internacional está cada vez mais sensível à narrativa do golpe, especialmente depois da caricata votação de abertura do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados, Dilma afirmou que se subestima a capacidade da compreensão das pessoas, tanto dentro quanto fora do Brasil ao se tentar cercear sua movimentação fora do país.

A Câmara dos Deputados custeou a viagem, em classe executiva, de dois parlamentares da oposição – José Carlos Aleluia (DEM-BA) e Luiz Lauro Filho (PSB-SP) – para se contraporem a eventual discurso na ONU de denúncia de golpe pela presidente. Os dois se disseram "muito satisfeitos" com o discurso de Dilma nas Nações Unidas, mas não participaram da coletiva no fim do dia.

"Lamento muito um tipo de editorial que vem sido lido e escrito no Brasil em relação a mim no momento em que decidi vir à ONU. Acho que esta precipitação mostra claramente o quanto temem serem tachados de golpistas. E sabe por que temem? Por que são."

Dilma também foi direta em relação aos três ministros do Supremo Tribunal Federal – Dias Toffoli, Celso de Mello e Gilmar Mendes - que afirmaram em entrevistas à imprensa recentemente ver carência de razão na argumentação usada pela presidente para definir que o processo de impeachment é um golpe.

Na opinião de Dilma, eles não deveriam sequer ter se pronunciado publicamente: "Antes de mais nada, esta não é a opinião do STF. É a opinião de apenas três ministros. E são ministros que não deveriam dar opinião porque vão me julgar", argumentou, já apontando para a possibilidade de um julgamento no Supremo em caso de afastamento permanente da presidência.

Dilma, que embarca de volta ao Brasil ainda esta noite, disse ainda que ela "tem a obrigação" de defender seu mandato, garantido por 54 milhões de votos dos eleitores brasileiros, e que irá "se esforçar muito" para convencer, nas próximas semanas, os senadores, com o apoio dos ministros da Justiça e da Fazenda, de que não há razão legal para o impeachment.

*Eduardo Graça, de Nova York

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Chefe da ONU elogia médicos de Cuba e afirma que país pode ensinar ao mundo como cuidar da saúde


Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, visita a Escola Latino-americana de Medicina, em Havana, Cuba. Foto: ONU/Mark Garten

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que os médicos cubanos têm salvado muitas vidas em diversos países em desenvolvimento e que podem ensinar ao mundo como cuidar da saúde.

Ban destacou os “resultados excelentes” da atenção primária à saúde, base da medicina cubana que tem reduzido a mortalidade infantil, aumentado a expectativa de vida e oferecido cobertura universal.

Ao visitar a Escola Latino-americana de Medicina (ELAM), em Havana, na terça-feira (28), o secretário-geral da ONU disse que tem visto com os “próprios olhos” que os médicos cubanos ou formados em Cuba são “operadores de milagres”. Segundo Ban, além de recuperar a visão de milhões de pessoas, compartilharam a visão de um mundo de “generosidade, solidariedade e cidadania global”.

O secretário-geral acrescentou que os médicos cubanos, por meio de uma longa história de cooperação Sul-Sul, estão presentes em comunidades remotas e difíceis, “nos bons e maus momentos – antes de catástrofes… ao longo das crises… e muito tempo depois de as tempestades passarem”. De acordo com Ban, eles têm sido fundamentais na redução do número de casos de cólera no Haiti.

Leia, abaixo, a íntegra em português do discurso do secretário-geral da ONU na ELAM:

“Obrigado por me receberem nesta escola extraordinária.

Há muitas coisas que eu poderia dizer aqui na ELAM, mas a mais importante é simplesmente muchas gracias[obrigado em espanhol].

Obrigado por suas contribuições excepcionais.

Obrigado por liderarem o caminho na cooperação Sul-Sul.

Obrigado por estarem na linha de frente da saúde global.

A ELAM faz mais do que formar médicos. Produz operadores de milagres.

Vi isso com meus próprios olhos.

Como secretário-geral das Nações Unidas, viajo para muitos lugares difíceis. Lugares desesperados duramente atingidos por terremotos, furacões e outros desastres naturais. Lugares remotos de profunda privação. Lugares esquecidos longe do radar de preocupações de muitas pessoas.

E tantas vezes nessas diferentes comunidades vi a mesma coisa.

Médicos de Cuba – ou médicos formados em Cuba ajudando e curando.

Muitas autoridades e ministros da Saúde que encontrei em países em desenvolvimento se formaram em Cuba – alguns, muitas décadas atrás. Isto mostra a longa história de cooperação de seu país.

Seus médicos estão com as comunidades nos bons e maus momentos – antes de catástrofes… ao longo das crises… e muito tempo depois de as tempestades passarem.

Eles são geralmente os primeiros a chegar e os últimos a partir.

Para aqueles estudantes que não podem vir para Cuba, vocês também estão ajudando a implementar escolas de medicina da Bolívia ao Timor-Leste, passando pela Eritreia.

A ELAM formou dezenas de milhares de estudantes, mas Cuba pode ensinar o mundo inteiro sobre cuidados de saúde.

Quero me juntar a tantos outros ao saudar o sistema de saúde de Cuba baseado na atenção primária à saúde que já rendeu resultados excelentes – menor mortalidade infantil, maior expectativa de vida, cobertura universal. Este é um modelo para muitos países em todo o mundo.

Em países como o Haiti, a Brigada Médica Cubana tem sido salva-vidas.

Como sabem, o Haiti está enfrentando muitos desafios, incluindo o cólera. Os médicos cubanos têm sido fundamentais para reduzir o número de casos de cólera no país.

No século 21, o cólera não deveria ser uma sentença de morte. É evitável e tratável – e os médicos formados aqui estão liderando o caminho.

E por meio de iniciativas como a Operación Milagro [Operação Milagre] – os médicos formados em Cuba salvaram ou melhoraram a visão de milhões de pessoas em dezenas de países.

Vocês os ajudaram a enxergar – mas também deram a visão de mundo – uma visão de generosidade, solidariedade e cidadania global.

Estou muito orgulhoso de ver isso com os meus próprios olhos. E agradeço a vocês por compartilharem isso com o mundo.

Muito obrigado.”

Para ler a versão em inglês, clique aqui

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

No Brasil, relator da ONU defende desconcentração de meios de comunicação e denúncias de espionagem

Nações Unidas participam de Conferência Global de Jornalismo Investigativo. Evento no Rio de Janeiro debate segurança dos profissionais de imprensa e liberdade de expressão.

O relator especial das Nações Unidas sobre liberdade de expressão, Frank La Rue, defendeu no sábado (12), no Rio de Janeiro, a desconcentração dos meios de comunicação e a necessidade de denúncias públicas contra Estados que espionam a imprensa. Já a diretora da Divisão de Comunicação Estratégica da ONU, Deborah Seward, afirmou que os jornalistas precisam ter conhecimento das leis e atuar de forma integrada para garantir a proteção da categoria.

Ambos participaram da abertura da 8ª Conferência Global de Jornalismo Investigativo, realizada até 15 de outubro na Pontifícia Universidade Católica. É a primeira vez que o evento acontece no hemisfério Sul e, desta vez, conta com 1,2 mil participantes de 83 países. O encontro é promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo em parceria com a Global Investigative Journalism Network e o Instituto Prensa y Sociedad para debater a segurança de jornalistas e a liberdade de imprensa.

La Rue vê a concentração de meios de comunicação como um obstáculo para o pluralismo de ideias e avalia que o maior desafio da América Latina é a prevalência da visão comercial na comunicação.

É importante separar as funções de gerente empresarial de uns e diretor de redação de outros porque tem de se preservar a vocação de informar, o profissionalismo e a ética jornalística.

O especialista independente destaca que os países têm de proteger o desempenho da função jornalística sem impor condições.

Não tem que ter condição de título profissional, associação profissional nem registro oficial. Creio que as condições podem ser boas, que o jornalismo deve se profissionalizar e que associações devem ser formadas, mas não podem colocar isso como condição [para proteção], então, neste sentido, todos que pratiquem o trabalho jornalístico de reunir informação ou sistematizá-la para informar um setor da população deve ser protegido e podem ser jornalistas profissionais ou jornalistas cidadãos usando a Internet.

Para o relator especial, os atos de espionagem que diversos países praticam para
controlar o trabalho da imprensa colocam em risco a democracia.
“Os jornalistas devem ser muito cuidadosos no manuseio de informações e, especialmente, das identificações das suas fontes. Isso implica em ter arquivos próprios especiais, usar criptografia nos mecanismos de comunicação eletrônica ou não utilizar mecanismo de comunicação eletrônica, mas ter em mãos algumas dessas informações.”

La Rue explicou que, para combater atentados contra a liberdade de expressão, os profissionais de comunicação precisam denunciar essas ações publicamente e também junto a cortes internacionais.

“Querem nos convencer da necessidade de equilibrar segurança, privacidade ou liberdade de expressão e direitos humanos em geral. Esse equilíbrio não existe, tem que ter as duas coisas. Tem que ter segurança, sim, mas também tem que proteger as liberdades democráticas nessa segurança, incluindo a liberdade de expressão.”

Seward destacou o Plano de Ação da ONU para a Segurança de Jornalistas e a Questão da Impunidade, aprovado em abril de 2012, e que serve como base para governos nacionais estabelecerem medidas efetivas de combate à violência contra a imprensa.

Oitava Conferência Global de Jornalismo Investigativo, realizada até 15 de outubro na PUC-Rio,
acontece pela primeira vez no hemisfério Sul e conta com 1,2 mil participantes de 83 países.
Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto
“A principal mensagem da ONU para o Congresso e para os 1,2 mil jornalistas que estão aqui é conectar a ONU com eles e eles com a ONU e assegurar que estejam conscientes de todos os recursos que a ONU disponibiliza para eles e que eles tenham pleno entendimento da fundação e dos valores da ONU porque, em essência, a defesa da ONU pela liberdade de expressão é a mesma coisa que eles estão buscando.”

A abertura do evento também contou com a participação da relatora especial da Organização dos Estados Americanos (OEA) para a liberdade de expressão, Catalina Botero. Acesse as fotos das três apresentações clicando aqui.

No ONU

quarta-feira, 24 de julho de 2013

ONU solta comunicado atestando a coerência do Programa Mais Médicos

Jornal GGN - Segundo comunicado da Organização Pan-Americana da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), no Brasil, o Programa Mais Médicos, do governo federal, está em conformidade com as recomendações da organização em questões de saúde para a população. No texto, a informação de que a OPAS/OMS acompanha os debates e “vê com entusiasmo o recente pronunciamento do governo brasileiro sobre o Programa ‘Mais Médicos’”, lembrando que a média nacional de médico/habitantes é muito abaixo do ideal. O comunicado termina com a afirmação de que “em longo prazo, a prática dos graduandos em medicina, por dois anos no sistema público de saúde, deve garantir, juntamente com o crescimento do sistema e outras medidas, maior equidade no SUS”.

Leia abaixo o comunicado da ONU

Programa Mais Médicos é coerente com recomendações da Organização Pan-Americana da Saúde

A Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil informou que está acompanhando do debates nacionais sobre como fortalecer a atenção básica e primária de saúde no Brasil. A OPAS/OMS vem trabalhando com atores nacionais para dar seus aportes e vê com entusiasmo o recente pronunciamento do Governo brasileiro sobre o Programa “Mais Médicos”.

Segundo a OPAS/OMS, essas últimas medidas guardam coerência com resoluções e recomendações da Organização sobre cobertura universal em saúde, fortalecimento da atenção básica e primária no setor saúde equidade na atenção à saúde da população. O Programa também está direcionado a construir uma maior equidade nos benefícios que toda a população recebe do Sistema Único de Saúde (SUS).

O Brasil apresenta uma média de médicos com relação a sua população menor que a média regional e a de países com sistemas de referência, tanto nas Américas como em outras regiões do mundo. Para a Organização, são corretas as medidas de levar médicos, em curto prazo, para comunidades afastadas e de criar, em médio prazo, novas faculdades de medicina e ampliar a matrícula de estudantes de regiões mais deficientes, assim como o numero de residências médicas. Países que têm os mesmos problemas e preocupações do Brasil estão colhendo resultados da implementação dessas medidas.

A OPAS/OMS afirma que, em longo prazo, a prática dos graduandos em medicina, por dois anos no sistema público de saúde, deve garantir, juntamente com o crescimento do sistema e outras medidas, maior equidade no SUS.
 
Postado por Jussara Seixas

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

ONU homenageia Niemeyer

:  
Diretora-geral da Unesco, Irina Bokova afirma que as Nações Unidas prestam homenagem à memória de "um grande humanista intimamente envolvido com as preocupações das cidades e defensor fervoroso da humanidade"; corpo de Oscar Niemeyer deixou o aeroporto Santos Dumont, no Rio (foto), e será velado a partir das 15h no Palácio do Planalto

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) homenageou nesta quinta-feira 6 o arquiteto Oscar Niemeyer, de 104 anos, que morreu nesta quarta no Rio de Janeiro. A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, disse que Niemeyer merece o título de "artista universal" por seu trabalho e legado. Ela lembrou que Brasília, cuja arquitetura tem assinatura de Niemeyer, está na Lista Mundial da Unesco desde 1987.

"Oscar Niemeyer viveu um século e merece o título de artista universal: pai fundador da arquitetura moderna, deu edifícios de referência às cidades que ele amava, centenas de monumentos reconhecidos por todos nós em Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, e, claro, em Brasília, uma obra-prima do planejamento urbano e da arquitetura moderna", disse Bokova.

A diretora-geral da Unesco brincou com a irreverência de Niemeyer, pois ele resistia a homenagens e defendia a paixão como combustível para o trabalho. "Oscar Niemeyer costumava dizer que não levava a sério as homenagens e permaneceria ativo até o fim de sua vida."

Em seguida, Bokova acrescentou que Niemeyer aplicava na prática a principal função da arquitetura. "Apaixonado por seu trabalho, ele estava convencido de que a arquitetura tem que fazer mais do que belos edifícios: tem que contribuir para melhorar a vida na cidade como um todo e incorporar os valores de inclusão, solidariedade e cooperação".

A diretora ressaltou que a Organização das Nações Unidas (ONU) presta homenagem à memória de "um grande humanista intimamente envolvido com as preocupações das cidades e defensor fervoroso da humanidade". "Expresso minhas sinceras condolências à sua família, ao povo do Brasil e ao governo brasileiro por esta grande perda ", disse Bokova.

Oscar Niemeyer morreu no Hospital Samaritano, em Botafogo, onde estava internado desde o dia 2 de novembro, vítima de complicações renais e desidratação. Por causa de uma infecção respiratória, o arquiteto que estava na unidade intermediária do hospital, ficou sedado e respirando com auxílio de aparelhos. Niemeyer morreu às 21h55. Ele completaria 105 anos no próximo dias 15.

Velório do corpo de Niemeyer no Palácio do Planalto começa às 15h

O velório do corpo do arquiteto Oscar Niemeyer no Palácio do Planalto começará às 15h. o corpo deve sair do Rio de Janeiro às 13h e chega à Base Aérea de Brasília às 14h20. Antes de chegar ao palácio, haverá um cortejo de aproximadamente 40 minutos, acompanhado pela cavalaria dos Dragões da Independência, de acordo com informações da Presidência da República.

Na chegada ao Palácio do Planalto, o corpo de Niemeyer será recebido pela presidenta Dilma Rousseff, junto com a guarda dos Dragões da Independência, que acompanhará o velório aberto a autoridades e parentes até as 16h. Entre 16h e 20h, o velório será aberto ao público.

Depois, o corpo volta para o Rio, onde será velado no Palácio da Cidade. O enterro do arquiteto está previsto para amanhã (7) no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Oscar Niemeyer morreu na noite de ontem (5), no Hospital Samaritano, em Botafogo, onde estava internado desde o dia 2 de novembro, vítima de complicações renais e desidratação. Por causa de uma infecção respiratória, o arquiteto que estava na unidade intermediária do hospital, ficou sedado e respirando com auxílio de aparelhos. Niemeyer morreu às 21h55. Ele completaria 105 anos no próximo dias 15.

Do 247 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Estudio científico responsabiliza a la ONU por epidemia de colera en Haití

Haitianos han realizado protestas contra la Misión de la ONU (Foto: Archivo)
La investigación determinó que la cepa de cólera en Haití es una copia exacta de la cepa de cólera en Nepal. En base a ello, la fuente más probable de introducción del cólera es una persona infectada proveniente de África, asociada a la Misión de la ONU.
 
Un estudio realizado en Haití determinó altas probabilidades de que la epidemia de cólera que afecta al país caribeño desde hace dos años, y que ha matado a más de siete mil personas, haya sido introducida a Puerto Príncipe por soldados nepaleses de la Misión de las Naciones Unidas para la Estabilización (Minustah).
 
Por ello, el reclamo de una indemnización multimillonaria, realizado por familiares de víctimas haitianas del cólera, cobra más fuerza, gracias a estas nuevas evidencias sobre la responsabilidad del máximo organismo mundial en el surgimiento de la epidemia.
 
"Ahora sabemos que la cepa de cólera en Haití es una copia exacta de la cepa de cólera en Nepal", reseña la investigación de la norteamericana Daniele Lantagne, encargada hace varios meses por las Naciones Unidas (ONU) para determinar el origen de la enfermedad.
 
La científica fundamentó su informe a partir de análisis de la secuencia completa del genoma de la cepa del cólera hallada en este país caribeño. “La fuente más probable de la introducción del cólera es una persona infectada con la cepa de Nepal, asociada a la Misión de la ONU en Mirebalais”, en el Departamento Central, añadió.
 
Esta investigación complementa el estudio desarrollado en junio de 2011 por el científico francés Renaud Piarroux, quien aseguró que la enfermedad fue reintroducida en ese país por efectivos de la misión de la ONU.
 
El informe anterior determinó que el contingente nepalí de la Minustah contaminó, con el vertido de materia fecal, uno de los afluentes que tributan en el río Artibonite, en las afueras de Mirebalais. Sin embargo, el país africano negó tal acusación.
 
Aquellos resultados causaron el descontento de la población en ciudades como Cabo Haitiano (Norte) y Mirebalais, donde las protestas obligaron a algunos organismos a suspender temporalmente su trabajo. Tras el anuncio de la doctora Lantagne, se desconoce las reacciones que tendrá el pueblo haitiano.
La indemnización que reclaman los familiares de las víctimas, impulsado por abogados haitianos y estadounidenses, es de 100 mil y 50 mil dólares por cada muerto y afectado, respectivamente.
 
Según cifras oficiales, desde octubre de 2010, cuando apareció el cólera en Haití, hasta el pasado 11 de agosto se registraron siete mil 519 defunciones por ese padecimiento.
 
En ese sentido, el total de afectados ascendió a 587 mil 319, cifra que constituye aproximadamente el cinco por ciento de la población haitiana.
 
De los 10 millones de habitantes de Haití, solo el dos por ciento tiene acceso a agua potable y la mayor parte realiza las necesidades fisiológicas en lugares al descubierto, como ríos o las cercanías de las viviendas.
 
El cólera es un mal provocado por la bacteria “vibrio cholerae”, la cual se manifiesta como una infección intestinal, pero que no provoca la muerte si es tratada a tiempo.
 
La Minustah fue establecida en Haití en junio de 2004, por una resolución del Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas. El organismo sucedió a una Fuerza Multinacional Provisional que se conformó provisionalmente en febrero de ese mismo año, tras el exilio del entonces presidente Jean Bertrand Aristide.
 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Chefe da ONU critica países que fornecem armas ao conflito sírio

'Esse conflito assumiu uma direção particularmente brutal', afirmou Ban Ki-moon

Reuters
 
NAÇÕES UNIDAS - Os países que fornecem armas às partes em conflito na Síria estão disseminando a miséria e correndo o risco de causar "consequências indesejadas", disse nesta terça-feira, 4, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, à Assembleia Geral da entidade. A ONU e governos ocidentais acusam o Irã de fornecer armas às forças governistas sírias, ao passo que Damasco culpa Catar e Arábia Saudita por armarem os rebeldes que tentam derrubar o presidente Bashar Assad. 

Veja também:

Ban Ki-moon critica fornecimento de armas na Síria - Jumana ElHeloueh/Reuters 
Ban Ki-moon critica fornecimento de armas na Síria

"Esse conflito assumiu uma direção particularmente brutal", disse Ban. "A contínua militarização do conflito é profundamente trágica e altamente perigosa. Os que fornecem armas a ambos os lados estão apenas contribuindo com mais miséria - e com o risco de consequências indesejadas conforme os combates se intensificam e se espalham." 

Um comitê de especialistas que monitora as sanções contra o Irã, subordinado ao Conselho de Segurança, já apresentou vários exemplos da transferência de armas do Irã para o governo sírio. EUA e Grã-Bretanha, por outro lado, admitem fornecer equipamentos de comunicações e outras formas de assistência aos rebeldes, mas negam entregar armas. 

"O conflito está se intensificando", disse Ban. "Quanto mais ele durar, mais difícil será para contê-lo. Mais difícil será encontrar uma solução política. Mais desafiador será reconstruir o país e a economia." 

"O povo sírio já esperou demais", disse ele. "E agora a região inteira está sendo tomada pela complexa dinâmica do conflito."

A Assembleia Geral da ONU aprovou no mês passado uma resolução, sem nenhuma consequência prática, manifestando "grave preocupação" com a escalada da violência. Mas, no Conselho de Segurança, a China e a Rússia usam seu poder de veto para impedir qualquer resolução que pressione Assad.
O novo mediador da ONU e Liga Árabe para o conflito sírio, Lakhdar Brahimi, assumiu o cargo no sábado e também fez um breve pronunciamento à Assembleia Geral. "O saldo de mortos é assustador, a destruição está atingindo proporções catastróficas, e o sofrimento é imenso", disse o veterano diplomata argelino. "Estou ansioso por minha visita a Damasco dentro de alguns dias, e (...) a todos os países que estejam em posição de ajudar a que um processo político conduzido pelos sírios vire realidade."Estadão

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A Educação Proibida

Fundamental!
No mês do seu lançamento mundial, com milhões de visualizações, lançamos um dos melhores documentários postados aqui no docverdade, indispensável a todos os educadores, alunos e pais que acreditam que a educação possa ser divertida, criativa, libertadora, reflexiva e agradável. 

"A Educação Proibida é um documentário que se propõe a questionar as lógicas da escolarização moderna e a forma de entender a educação, mostrando diferentes experiências educativas, não convencionais que propõem a necessidade de um novo modelo educativo. 

A Educação Proibida é um projeto realizado por jovens que partiram da visão de quem aprende e que embarcaram numa pesquisa que cobre 8 países realizando entrevistas com mais de 90 educadores de propostas educativas alternativas. O filme foi financiado coletivamente graças a centenas de co-produtores e tem licenças livres que permitem e incentivam sua cópia e reprodução. 

A Educação Proibida se propõe alimentar e lançar um debate de reflexão social sobre as bases que sustentam a escola, promovendo o desenvolvimento de uma educação integral centrada no amor, no respeito, na liberdade e na aprendizagem." 


Download:

Para baixar o documentário em alta qualidade (HD) use plugins como o Downloadhelper (no navegador Firefox) quando visualizá-lo no Youtube;

ou então, baixe pelo site do documentário.
Legendas em pt-br

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Gilberto Gil faz concerto contra a fome no mundo

Um Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo. Este foi o nome do show que Gilberto Gil escolheu para rodar o mundo no ano em que completou 70 anos. Sua mais recente apresentação foi no Parque da Música, em Roma, a convite da ONU.

 Logo no início do evento, Gil explicou: "Cordas são as minhas duas vocais, as do meu violão, as do violão do meu filho Ben Gil. Máquinas de Ritmo são os meus companheiros na banda".
Consequências

 Gil em show contra a fome no mundo
Gil em show contra a fome no mundo

Antes de a música começar, o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, lembrou ao público que atualmente, 1 a cada 7 pessoas no mundo sofre as consequências da fome.

Mais cedo, depois da passagem de som, Gil recebeu a Rádio ONU para uma entrevista.

"A fome sempre foi um problema onde e quando ela tenha existido. É um problema a ser resolvido pelas mães, pelos pais, pelas famílias, pelos coletivos. A questão atual fica muito mais grave – essa pode ser a maneira de ver – porque são grandes multidões num mundo com 7 bilhões, e ainda com possibilidade de crescimento muito maior da população mundial em que o sistema não tem sido capaz de alimentar todo mundo. É uma quantidade muito grande de gente com fome, abaixo da linha da pobreza. Então, não é mais um problema só dos pais e mães mas sim da família mundial, a família Terra, a família planetária está preocupada com isso porque é uma questão grave. E aí, então, todas as mobilizações, o fato de existir uma instituição já há muitos anos que vem monitorando os problemas da fome, a gravidade desses problemas, de sua intensificação".

Brasil na FAO

Gilberto Gil, que é embaixador da Boa Vontade da FAO, comentou algumas atividades da agência e o trabalho do novo chefe da FAO, José Graziano da Silva.

"O Graziano fez experiências muito interessantes no sentido de politicas compensatórias no Brasil, especificamente para atacar a fome e a pobreza, para possibilitar o surgimento de novas classes médias, com capacidade de consumir, de acesso à educação e cultura e é uma experiência importante reconhecida no mundo inteiro. Agora acredito que ele à frente da FAO pode trazer uma experiência que – apesar de muito difícil – foi muito importante e de uma certa forma muito bem sucedida no Brasil e isso agora pode ser um elemento para as políticas mundiais".
 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Economia verde e meio ambiente

Por Paulo Kliass, no sítio Carta Maior:

A História da humanidade está marcada por um processo contínuo e crescente de desenvolvimento das forças produtivas e de avanço do ser humano sobre o espaço natural. E isso se deu desde os primeiros registros de organização social, ainda sob a forma de coletores ou caçadores até o quadro atual de atividades que colocam em risco a sobrevivência do planeta e da própria espécie.


Dessa foram se sucedendo os saltos propiciados pela evolução das sucessivas formações sociais e pelo desenvolvimento técnico-científico. Fixação territorial das comunidades e início das atividades de agricultura e pastoreio, marcando o início dessa exploração e conquista do homem sobre a natureza. Domínio de técnicas para geração de energia a partir de recursos naturais (fogo). Consolidação de grupos sociais vivendo em espaços urbanos, afastados dos processos associados à produção de alimentos. Descobertas de novas formas de geração de energia (hidráulica), inovações para aumento da produtividade agrícola e início do processo de transformação produtiva sob a forma artesanal. Utilização em escala crescente dos bens da natureza para consolidar as bases estruturais da sociedade, como os minerais e a madeira para construir ferramentas, bens de uso, meios de transporte, residências, palácios, monumentos, estradas e outros.

O salto industrial e o aprofundamento da degradação

Uma mudança de qualidade nesse processo foi a inovação tecnológica que veio a propiciar a evolução da manufatura e o advento da produção em escala industrial. O desenvolvimento científico revolucionou setores fundamentais como saúde e transportes, possibilitando a redução da mortalidade, o aumento populacional e o deslocamento de bens e pessoas nas regiões e entre continentes. As descobertas relativas às fontes de energia de combustível fóssil (carvão e petróleo) impulsionaram a conquista do homem sobre a natureza, exatamente no momento em que o modo capitalista de produção se afirmava como hegemônico em escala internacional. Produção e consumo em massa se assentavam sobre o modelo colonialista em expansão, onde os países europeus imprimiam a marca da super exploração dos recursos humanos e naturais dos demais continentes.

Com exceção das populações tradicionais que conviviam em harmonia com a natureza e isoladas do ímpeto do chamado “progresso”, o avanço do modelo capitalista de espoliação do espaço natural não encontrava barreiras. Por outro lado, as próprias experiências socialistas do século XX não buscaram alternativas que não estivessem baseadas no extrativismo e no produtivismo exacerbados. Tudo se passava como se o processo civilizatório fosse sinônimo de avanço irracional da sociedade humana sobre o espaço natural.


Os resultados mais recentes desse processo milenar estão mais do que conhecidos. O fato, porém, é que apenas ao longo das últimas décadas os riscos de sobrevivência do planeta começaram a se tornar mais evidentes e aceitos. Poluição generalizada e devastadora, aquecimento global, elevação do nível dos oceanos, desastres nucleares, efeitos perversos do uso indiscriminado de agrotóxicos e fertilizantes, incapacidade de dar conta de resíduos e lixo, conseqüências negativas e desconhecidas a respeito do uso de transgênicos, aprofundamento da falta de água: eis apenas alguns dos dramas que a sociedade deveria enfrentar seriamente nos tempos atuais. Esses fenômenos causados pela ação direta do homem aliam-se à dinâmica própria de alteração dos ecossistemas e as conseqüências tornam-se ainda mais imprevisíveis.


Desenvolvimento sustentável “versus” economia verde

Porém, parece claro que a questão ambiental não é uma questão isolada. Ela não pode estar dissociada da questão econômica e da questão social. A degradação da Terra ocorre justamente pelos interesses envolvidos no atual modelo de exploração econômica, onde a busca do lucro a curto prazo e a exploração da força de trabalho são partes integrantes do mesmo processo. As características da desigualdade e da concentração, tão típicas do capitalismo, se fazem presentes no que se refere à distribuição dos recursos naturais. A Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente de 1992 consagrou o conceito de “modelo sustentável”. E essa idéia força vinha sempre associada com a necessidade de enfocar o tema da sustentabilidade em seus 3 eixos interdependentes: a) ambiental; b) econômico; c) social.

Não é intenção deste artigo sugerir um balanço dos resultados obtidos com a Rio + 20. Mas, de toda forma, parece consensual a avaliação de que muito pouco foi realizado pelos governos, pelos organismos multilaterais e pelas grandes corporações multinacionais a respeito do tema ao longo dessas duas décadas. Como foram vinte anos dominados pelo discurso neoliberal e pela crença na supremacia absoluta nas forças do mercado para buscar as soluções ditas “mais eficientes”, muito pouco foi efetivado em termos de regulação, fiscalização e controle das atividades comprometedoras do equilíbrio do planeta – seja em escala global, nacional ou local.


Como a Conferência oficial deste ano ainda se pautou pela inércia da influência política e ideológica dos anos de chumbo do liberalismo irracional, as questões do mercado e da iniciativa privada terminaram por ganhar mais espaço nos debates e na até mesmo na Declaração Final. Aliás, essa foi uma das reclamações apresentadas pelas organizações envolvidas com a realização da Cúpula dos Povos, evento paralelo ao oficial da diplomacia e dos governos, organizado por um sem número de entidades envolvidas com o tema pelo mundo afora.


Uma das novidades do documento final da Rio + 20, “O futuro que queremos”, é a presença do conceito de “economia verde”. Apesar de pouco esclarecedor e merecedor de uma multiplicidade de definições, o fato é que ele abre espaço para as tentativas de consolidar a mercantilização do meio ambiente – fenômeno já em marcha há décadas. No entanto, antes de avançar por aqui, é importante deixar registrado que, ao longo das 59 páginas do texto da ONU, a expressão “economia verde” sempre aparece acompanhada da expressão “no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza”. Ou seja, há quem avalie que o termo ainda não se expressaria como um caminho exclusivamente de mercado para a crise ambiental.


Os instrumentos da mercantilização

Porém, a Declaração Final não é muito mais do que isso: apenas uma declaração de intenções. A realidade das dinâmicas econômica, política e social operam em uma velocidade bem superior à das negociações diplomáticas. E, aliás, isso é até natural e compreensível. Portanto, aproveitando-se dessa distância, o conceito de “economia verde” já está há um bom tempo sendo utilizado pelos governos, implementado pelas grandes empresas e divulgado pelos meios de comunicação como a grande panacéia para todos os males que o capitalismo tem provocado sobre o ecossistema. Só que a problemática é bem mais complicada do que aparenta.

Assim, em sua tendência a universalizar as relações mercantis, o atual sistema econômico passou a incorporar a dimensão do “meio-ambiente” também como instrumento de acumulação e dinamização do mercado. Os primeiros esboços concentraram-se na área de emissão de gases do efeito estufa (GEE). A partir das determinações previstas no Protocolo de Kyoto, lançado em 1997, começaram a surgir os “créditos de carbono”, que vieram a se constituir em instrumentos de negociação no próprio mercado financeiro. Com isso, as empresas que conseguissem reduzir seu volume de emissão de GEE teriam direito a emitir esses títulos de crédito de carbono, que passaram a ser precificados e negociados no mercado. De acordo com os padrões estabelecidos atualmente, um crédito de carbono equivale à redução de 1 tonelada de dióxido de carbono (CO2).


O objetivo implícito é que ele seria um mecanismo de estimular a substituição de processos produtivos “sujos” por novos processos “limpos”. O termo genérico desse tipo de ação ficou conhecido como “mecanismo de desenvolvimento limpo” (MDL) e contaria com algum tipo de regulação e fiscalização por parte da ONU, de maneira a evitar que os títulos de crédito de carbono pudessem ser objeto de fraude e descontrole. O crescimento do volume de títulos emitidos e a generalização de sua negociação criaram um verdadeiro mercado, com todo tipo de produto financeiro associado. O crédito de carbono tem uma cotação nas Bolsas de Mercadorias, tendências de alta, expectativas de queda, operações de mercado futuro e por aí vai. Como todos os títulos similares, está bastante sujeito a muita especulação.


Mais recentemente, outros instrumentos financeiros passaram a ser incorporados à prática dos grandes grupos multinacionais, mas ainda não são objeto de regulação e controle institucional. Trata-se do procedimento de “redução de emissão por desmatamento e degradação evitados” (REED), por meio do qual as corporações e seus empreendimentos de larga escala buscam obter ganhos econômicos a partir de iniciativas que possam diminuir o ritmo de destruição ambiental, como a redução de áreas de floresta ou comprometimento de áreas envolvidas com extração mineral. E aqui novamente o mercado financeiro pode atuar como facilitador dos negócios e da alavancagem de projetos, pois tudo se consolida em emissões de títulos que passam a ter um valor e são negociados nos mercados mobiliários por todos os cantos do planeta. E como quase tudo no mercado opera com base na especulação, o que dizer de operações sem nenhum lastro no setor real da economia?


Busca de alternativas à solução de mercado

Além disso, vale ressaltar que outros elementos da natureza já estão submetidos ao regime de mercantilização ou correm o risco de virem a passar pelo mesmo processo. É o caso da terra e do solo para atividades agropecuárias, extrativas e as demais no espaço urbano. A água, em sua condição de bem essencial para a vida, começa a dar os sinais de escassez preocupante em escala global e não apenas nas regiões historicamente afetadas pela seca. Os mares e oceanos pelo potencial energético, de alimentação e de pesquisa, além da questão estratégica de ser utilizado como meio de transporte. Os ares e a atmosfera por sua característica fundamental do oxigênio, além de outras como água, ventos e chuvas.

Portanto, a incorporação do conceito de economia verde no documento final da Rio+ 20 reflete o estágio atual da correlação de forças a nível internacional. Há setores fortemente interessados em que a dimensão do meio-ambiente continue nessa trajetória crescente de mercantilização, com abertura de novos espaços de negócios em nome da salvação do planeta. Porém, é preciso que se denuncie a incapacidade das forças de mercado em darem conta dessa árdua tarefa, inclusive porque sua preocupação maior é com o lucro imediato e não com a viabilidade no longo prazo.


A solução passa por buscas de uma abordagem integradora da sustentabilidade, incorporando suas dimensões econômica, social e ambiental. Afinal, não se pode exigir de países do interior do continente africano o mesmo “sacrifício” que se propõem a efetuar as populações dos países escandinavos. Uns ainda sobrevivem em péssimas condições, passam fome, apresentam elevadas taxas de mortalidade, não têm acesso às mínimas facilidades do padrão de vida do mundo dito desenvolvido. Outros se permitem até mesmo falar em estagnação econômica, pois atingiram um padrão social típico do Estado do bem estar.


O nível gritante de desigualdade sócio-econômica exige que os diferentes sejam tratados de forma diferenciada. Assim, a trilha para se alcançar uma humanidade mais justa e homogênea em termos de qualidade de vida não deve repetir a mesma trajetória equivocada, em particular a do padrão dos últimos 50 anos. No entanto, transformar o meio ambiente em mercadoria e operar apenas por meio de referência de preços artificialmente construídos tampouco se apresenta como solução para os graves problemas de nosso tempo.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

ONU lança Fome Zero mundial

O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lançou hoje (21), no Rio de Janeiro, o programa "Desafio Fome Zero", e convidou todas as nações a serem corajosamente ambiciosas para trabalharem para um futuro em que todos tenham direito à alimentação.

Ban Ki-moon convocou governos, empresas, agricultores, cientistas, sociedade civil e consumidores a participarem do desafio, honrando promessas do passado e trabalhando juntos para pôr fim à fome. “Em um mundo de abundância ninguém, nem uma única pessoa, deve passar fome”, disse ele.

Durante a Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), o secretário-geral elogiou os esforços combinados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, dirigida pelo brasileiro José Graziano da Silva), do FIDA (Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola), do PMA (Programa Mundial de Alimentos), do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), do Banco Mundial e da Bioversity International. “A fome zero impulsiona crescimento econômico, reduz a pobreza e protege o meio ambiente. Promove paz e estabilidade”.

De acordo com Ban Ki-moon, o objetivo do Desafio Fome Zero é garantir 100% de acesso a alimentação adequada durante todo o ano; nenhuma criança menor de dois anos desnutrida, eliminação da desnutrição na gravidez e na primeira infância; todos os sistemas alimentares sustentáveis; 100% de crescimento em produtividade e renda de pequenos agricultores, especialmente para mulheres e perda ou desperdício de alimentos zero, incluindo consumo responsável.

A inspiração para o Desafio veio do grande trabalho feito por muitos países e organizações para acabar com a fome, particularmente o Brasil, cujo programa "Fome Zero" auxilia na erradicação da fome usando alimentos locais de agricultores familiares e cozinhas comunitárias. (Do Vermelho)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

ONU recomenda o fim da Polícia Militar no Brasil

Via PCB

O Olhar Comunista desta quinta aborda dois assuntos interligados, divulgados na imprensa: a ONU recomenda o fim da Polícia Militar no Brasil ao mesmo tempo em que se fica sabendo que temos a 4º maior população carcerária do mundo.

A sugestão do Conselho de Direitos Humanos da ONU é para que o país combata os "esquadrões da morte" e que suprima a Polícia Militar, acusada de numerosas execuções extrajudiciais.

No Conselho, a Coreia do Sul falou diretamente de "esquadrões da morte" e a Espanha solicitou a "revisão dos programas de formação em direitos humanos para as forças de segurança, insistindo no uso da força de acordo com os critérios de necessidade e de proporcionalidade, e pondo fim às execuções extrajudiciais".

Quando o Estado não é assassino, é carcereiro. Com cerca de 500 mil presos, o Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo e um sistema prisional superlotado. Segundo a ONG Centro Internacional para Estudos Prisionais, só ficamos atrás dos EUA (2,2 milhões), China (1,6 milhão) e Rússia (740 mil).

Extermínio e Cadeia. A "solução" das elites locais nos últimos 512 anos para a contenção da miséria e o amedrontamento da população parece cada dia mais intragável, mesmo para as elites globais com assento na ONU...