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terça-feira, 3 de julho de 2012

Assad diz que avião turco atacado foi confundido com caça israelense

 
O presidente da Síria, Bashar al-Assad, lamentou o ataque produzido contra um avião militar da Turquia há duas semanas, um incidente que fez crescer a tensão entre os dois países vizinhos, em entrevista publicada nesta terça-feira pelo diário turco Cumhüriyet.

Assad assegura que o avião turco voava em um corredor aéreo "que no passado tinha sido usado três vezes pela aviação israelense", pelo que se decidiu derrubar o caça, algo que hoje lamenta "100%".

O presidente sírio rejeita ainda a acusação turca de que a ação foi deliberada, alegando que o avião voava muito baixo e que o Exército pensava ser um caça israelense. O oficial responsável não dispunha de um radar próprio e não poderia conhecer a procedência do avião, reconhece Assad, que expressou condolências às famílias dos dois pilotos desaparecidos.

O avião foi abatido em 22 de junho, e a Otan, à qual pertence a Turquia, criticou duramente essa decisão. As autoridades turcas afirmam que o caça foi derrubado sem aviso prévio e em espaço aéreo internacional, algo que a Síria nega.

O presidente sírio destaca ainda que foi Damasco quem avisou Ancara sobre o ataque ao avião, mas lembrou que os contatos entre os dois exércitos foram rompidos há um tempo, por isso a Síria não podia ligar para nenhuma autoridade militar diretamente.

Perguntado se as tensões entre Síria e Turquia poderiam resultar numa guerra, Assad disse: "Não vamos permitir (que a tensão) vire um combate aberto entre os dois países, o que poderia prejudicar ambos." Assad também afirmou que a Síria não aumentou sua presença militar na fronteira com a Turquia, e que não vai fazer isso, independentemente das medidas tomadas pelo governo do primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan.

Por outra parte, Assad demonstra satisfação com o resultado da recente cúpula de mediação do conflito sírio em Genebra, onde foi feita a chamada para um governo de transição com presença do regime atual e da oposição, com "consentimento mútuo". "Nesse documento há só uma coisa que me interessa. A frase é: o povo sírio decidirá sobre o futuro da Síria", assegura.

Respondendo à secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, que exigiu novamente em Genebra a saída de Assad, o presidente sírio diz que "não leva a sério" as palavras dos oficiais americanos. "Desde o começo os EUA nos foram hostis. Eles estão do lado dos terroristas", avalia Assad.

Quanto à decisão de Ancara de concentrar mais forças militares ao longo de sua fronteira com a Síria, incluindo sistemas de mísseis de curto alcance, o presidente sírio assegura que não responderá com medidas similares, "já que o povo turco não é nosso inimigo".

Com informações adicionais da agência Reuters

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Turquia veta presença de Israel em cúpula da Otan

A Turquia vetou a participação de Israel em uma cúpula da Otan no mês que vem, em represália ao fato de o país não ter pedido desculpas por um incidente armado em 2010 que resultou na morte de ativistas turcos que tentavam chegar de barco à Faixa de Gaza, disse uma autoridade turca nesta segunda-feira. 

As relações entre as duas potências regionais tiveram uma notável piora desde a ação militar israelense contra o navio Mavi Marmara, que tentava furar o bloqueio imposto à Faixa de Gaza.
 
Em setembro do ano passado, a Turquia expulsou o embaixador israelense em Ancara e congelou a cooperação militar com Israel, que continuou sem pedir desculpas apesar das críticas que constavam em um relatório da ONU sobre o incidente. 

"Não demos nosso consentimento a essa questão", disse uma autoridade turca à Reuters, ao ser questionada sobre o veto da Turquia à presença de Israel na reunião dos dias 20 e 21 de maio em Chicago. Essa fonte disse que a Turquia ainda espera um pedido de desculpas e o pagamento de indenização de Israel para as vítimas da ocupação do Mavi Marmara.




"A Otan é uma aliança, e, embora Israel não seja membro, seu comparecimento significa (...) um diálogo positivo com a Otan e com todos os seus membros, e sem resolver essa questão consideramos não ser apropriado que Israel esteja por perto", afirmou o funcionário, pedindo anonimato. 

A imprensa turca noticiou que alguns países da Otan queriam a participação de Israel na cúpula como parte de um programa de parcerias da aliança com Estados que não são integrantes oficiais. Israel participa do Diálogo do Mediterrâneo, um programa da Otan para estabelecer contatos com sete países da região. 

O funcionário turco rejeitou o uso do termo "bloqueio", alegando que a participação israelense na cúpula nem será colocada em discussão, uma vez que os países do bloco sabem da resistência da Turquia.
 
 
O jornal turco Hurriyet disse que os EUA, a França e o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, criticaram veladamente a posição turca durante uma reunião ministerial na semana passada em Bruxelas.

"Vocês estão falando em sermos parceiros e em valores de parceria. Mas parceiros, antes de mais nada, devem agir como parceiros, para podermos tratá-los de forma compatível", respondeu o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, segundo relato do jornal.

Fonte: DefesaNet 


Postado por BURGOS
 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O que é isso, na fronteira Síria-Turquia?


Pepe Escobar, Asia Times Online

Há um vídeo [1] cujo título poder-se-ia traduzir mais ou menos como “fronteira turca terrorista abre fogo contra o lado sírio”, e que resume bastante bem o que está acontecendo naquele ponto de geopolítica mais ultravolátil do momento.

A voz que se ouve diz: “Essa é a fronteira Síria-Turquia, e aí se vê uma operação do Exército Sírio Livre [orig. Free Syrian Army (FSA)]. O Portão [que vem a ser o lado sírio da fronteira, onde se localiza o posto de controle] está para ser tomado.”

O que se vê, é a Turquia está dando abrigo ao Exército Sírio Livre, bem junto à fronteira, a poucos metros (metros, não quilômetros) do território sírio. Bem mais do que abrigar um centro de comando e controle da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, em Iskenderun já há meses – fato que Asia Times Online já noticiou –, a Turquia agora já avançou sobre a fronteira, permitindo um ir e vir constante de mercenários fortemente armados, em ataque contra país soberano.

Imagine cenário como esse, mas transferido para a região da fronteira EUA-México; com, por exemplo, os estados do Arizona ou Texas atacados por mercenários pesadamente armados, várias vezes por dia.

Pode-se ver aí uma interpretação muito esquisita, que Ankara dá ao que sejam “paraísos seguros” e “corredores humanitários”, delineados como o que já se pode ver como rascunho da mudança de regime na Síria: relatório [2] feito pelo Saban Center da Brookings Institution, assinado pelo coquetel habitual de militantes de “Israel-acima-de-tudo” e ‘especialistas’ em Oriente Médio aliados do Qatar.

Por tudo isso, esperem até ver esse filme gerar incontáveis sequelas; o Exército Sírio Livre atacando um posto sírio de controle de fronteira, matando soldados e recuando sob uma saraivada de balas, que inevitavelmente atingirão um campo próximo, de refugiados sírios.

A escalada na fronteira ilustra claramente o cenário geral: guerra civil.

O ministro turco de Relações Exteriores Ahmet Davutoglu – da afamada política de “zero problemas com nossos vizinhos” – teve de interromper abruptamente sua viagem à China e voltar à Turquia, por causa da escalada na fronteira. Seria muito iluminador saber como a liderança de Pequim contou a Davutoglu que o movimento de agentes provocadores turcos é equivalente a brincarem com fogo.

A escalada na fronteira também prova que a OTAN tem zero interesse no sucesso do cessar-fogo que tantos ostentam, conhecido como “plano Kofi Annan (que, de fato, não passa de versão diluída dos planos de russos e chineses). A confusão só fará aumentar – como sugeriu matéria de Russia Today [3].

Obviamente, um governo soberano – nesse caso, a Síria – teve de exigir garantias escritas de que seus oponentes super armados cumpririam a parte que lhes cabe, no cessar-fogo de Annan.

A razão mais importante pela qual não cumprirão – o que, aliás, já declararam publicamente – é que não só o Exército Sírio Livre e outros grupos mercenários continuarão a ser armados pelo Qatar e pela Casa de Saud, recebendo pitadas de ‘rebeldes’ líbios que acorrem à Síria; há também dois países membros do Conselho de Segurança da ONU (Grã-Bretanha e França – que têm forças em campo, dedicadas a operações de treinamento, de inteligência e de combate.

A pergunta que vale um trilhão de liras turcas é se Ancara dará um passo adiante e realmente implantará os tais “paraísos seguros”; seria envolvimento direto da Turquia na guerra civil síria, quer dizer: seria declaração de guerra contra Damasco. É precisamente o que o Exército Sírio Livre está suplicando que os turcos façam. Mas nem isso bastará para derrubar o governo de Bashar al-Assad.

Quanto ao aparato do estado policial militar de Assad, terá de ser suficientemente esperto para não se deixar arrastar, por provocação, para uma orgia de tortura, execuções sumárias e bombardeios de artilharia pesada – porque essa capacidade de automoderação é condição necessária para que Assad mantenha o apoio diplomático chave dos dois BRICs, China e Rússia. Mais uma vez, os sírios médios, colhidos no meio disso tudo, serão os mais trágicos perdedores.
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NOTAS

[1] Em http://www.youtube.com/watch?v=SteUoGZSH0w&feature=youtu.be

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Turquia se prepara para invadir Síria

A emissora pública de televisão Press TV informou nesta terça-feira (7), dando como fontes autoridades supremas do Irã, que, conforme o plano, preparado pelos EUA e outros países ocidentais, as tropas da Turquia planejam uma agressão armada dentro do território da Síria.
 

As tropas turcas, como afirma o canal televisivo, armarão os oposicionistas sírios, Israel atacará as bases militares sírias e derrubará Bashar al-Assad. Em seguida, virão as forças americanas junto com guerreiros wahabitas da Líbia.
 
O primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, fez um discurso que sinaliza abertamente sua posição anti-governo sírio nesta terça.
 
"Milhares de pessoas, mortas na Síria, são muçulmanas, por isso o mundo está silencioso face à violência neste país e até a apoia", anunciou.
 
"A Síria é um país fraternal para a Turquia, por isso Ancara estará perto dos sírios e apoiará as suas exigências", disse o político.
 
No Burgos
 
Do Contexto Livre

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Turquia pronta para invadir a Síria

*M K Bhadrakumar, Indian Puchline
Turkey is ready to invade Syria
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu
 
A Turquia e seus aliados ocidentais estão transferindo, para a Síria, os mercenários líbios que treinaram e armaram para depor Muammar Gaddafi. Cerca de 600 “voluntários” líbios já entraram na Síria. O jornal Daily Telegraph noticia que houve encontros secretos na 6ª-feira em Istambul, entre oficiais turcos, representantes da oposição síria e mercenários líbios. Infiltração de armas em grande escala, da Turquia e da Jordânia, já ocorre há meses, para criar condições para uma guerra civil na Síria, mas, até agora, não havia notícia de infiltração também de grande número de mercenários “voluntários”.

O movimento tornou-se necessário, porque o projeto de induzir grande número de deserções nas forças armadas sírias não produziu o resultado esperado (houve pouquíssimas deserções). A Turquia e as potências ocidentais precisam desesperadamente construir o mito de uma força síria “de resistência” contra o regime de Assad, sem o qual qualquer movimento contra a Síria estará exposto como o que realmente é, agressão nua e crua.
 
Moscou reagiu hoje: sugeriu firmemente que pode fornecer armas ao regime sírio, para sua autodefesa. O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Lavrov, parou um a um milímetro de dizê-lo claramente. Disse que qualquer embargo de armas para a Síria seria “injusto”. Moscou confirmou que uma esquadra de combate russa navega para a base russa no porto sírio de Tartus, no Mediterrâneo oriental, bem próxima da fronteira entre Turquia e Síria. Lavrov criticou a interferência estrangeira na Síria, mas sem citar Turquia, Jordânia, etc.

As coisas parecem estar andando céleres para a invasão. Sinal claro disso é que o vice-presidente Biden dos EUA, estará em Ancara no fim-de-semana. Com toda a certeza, lá estará para dar aos turcos o “sinal verde” dos EUA, para que ataquem a Síria, sem medo. E o rei Abdullah da Jordânia viajou outra vez para Israel. É o “canal oculto” direto entre Arábia Saudita e Israel e aliado regional chave da inteligência ocidental.
 
Verdade é que a Turquia está tendo de engolir o medo do desconhecido, e se exporá muito abertamente, com a intervenção armada na Síria.

Hoje, pela primeira vez, o ministro das Relações Exteriores da Turquia Ahmet Davotoglu sugeriu que a Turquia esteja em preparação para invadir a Síria; à espera, apenas, do “sinal verde” dos aliados ocidentais. Foi o que quase disse, pouco antes de uma reunião de ministros de Relações Exteriores da União Europeia e representantes da Liga Árabe (leia-se: Arábia Saudita e Qatar).

O dia dessa fala de Davutoglu, 29 de novembro, ficará marcado na crônica da República Turca que Kemal Ataturk fundou. A “linha vermelha” que Ataturk fixou determinava que em nenhum caso a Turquia se deixaria envolver nas questões do Oriente Médio muçulmano e que, em vez disso, se dedicaria à “modernização” do país. Evidentemente, o governo islâmico, hoje no poder, entende que a Turquia já é suficientemente “moderna” e já pode voltar atrás e ir à guerra para reclamar seu legado otomano.

Haver exército turco em ataque a país árabe – isso é virada histórica. Faz um século que os turcos foram vencidos pela “revolta árabe”. A coincidência pinga de ironia.

A revolta árabe contra os turcos foi instigada pela Grã-Bretanha. E a Grã-Bretanha, embora seja hoje poder muito enfraquecido, ainda desempenha papel seminal, com a diferença que, hoje, está empurrando os turcos de volta ao mundo árabe. Há cem anos, a Grã-Bretanha conseguiu empurrar os árabes contra os turcos. Hoje, os turcos dão as mãos a alguns árabes, contra outros árabes.

*MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu, Asia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.


Do redecastorphoto

sábado, 26 de novembro de 2011

A Praça Tahrir “desestabiliza” EUA, Turquia...

*M K Bhadrakumar, Indian Punchline
Tahrir Square unnerves US, Turkey...
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Praça Tahrir em 24/11/2011
A irrupção de novos protestos de massa na Praça Tahrir no Egito, que exigem o fim do governo da junta militar, meteu EUA e Turquia nos cornos de um dilema.
 
Washington não pode não ver que os manifestantes exigem mudança democrática e fim da ditadura militar. De fato, os EUA exercem enorme influência sobre os militares egípcios, que recebem, anualmente, 5 bilhões de dólares dos EUA em ajuda militar. Mas Washington não deseja ver aqueles seus militares fora do poder. Porque a oposição democrática é comandada, no Egito, por forças que os EUA absolutamente não controlam, em particular, a Fraternidade Muçulmana.

Sim, é verdade que os EUA fizeram contatos ‘nos níveis inferiores’ com a Fraternidade Muçulmana, mas ainda falta muito para que se desenvolva “diálogo construtivo” propriamente dito. O que mais preocupa os EUA é a posição “dos Irmãos” da FM em inúmeras questões que envolvem Israel (a posição da FM sobre o tratado de paz entre Egito e Israel; a cooperação de segurança entre Egito e Israel; o Hamás; o Irã, etc. Israel já disse, até, que Teerã mantém contato com grupos da Fraternidade Muçulmana. (De fato, a Fraternidade Muçulmana nada tem de monolítica.) Em resumo, os interesses geopolíticos dos EUA estarão muito mais bem atendidos, se a mudança democrática for mandada para o fundo da sala, de castigo, no Egito.

Será engraçado ouvir o que dirá Barack Obama. Se falar duro demais contra os militares, o lobby israelense enlouquecerá em Washington, e os Republicanos saltarão para a ofensiva mais furiosa. Mas se ficar de bico fechado, se enredará na ironia mãe de todas as ironias. Não esqueçamos: Obama escolheu a Universidade do Cairo, em 2009, para cenário daquele famoso discurso. Foi ou não foi?

A Turquia também está andando sobre brasas, mas de outro ponto de vista. Os militares egípcios, querem, evidentemente, ter papel constitucional ‘independente’, “ao estilo turco”, na vida política do país. O primeiro-ministro turco Recep Erdogan visitou em grande estilo o Egito, há dois meses. E aconselhou o povo egípcio a seguir caminho secular. A Fraternidade Muçulmana enfureceu-se. Outros grupos islamistas fizeram eco aos “Irmãos” e também atacaram Erdogan. A Turquia, pois, está hoje em posição delicada e embaraçosa. Não quer mais que o Egito a tome como modelo a seguir. O “modelo turco” parece talhado sob medida para ditadores militares, sim... Mas essa imagem não é exatamente a que mais interessa à Turquia exibir no Oriente Médio.

Show à parte será a Jordânia. Estão ouvindo os primeiros sinais da tempestade que se arma na Jordânia? Outra vez, a Fraternidade Muçulmana pode abrir as comportas para fazer crescer a onda democrática na Jordânia, sobretudo se os protestos no Egito ganharem força. Não surpreende que agora – depois de onze anos! – o rei Abdullah da Jordânia tenha afinal feito uma visita à Cisjordânia.

O que acontecer no Egito terá consequências gigantescas para toda a política do Oriente Médio. Obama e Erdogan devem estar balançando a cabeça, em desespero. Nem um nem outro, até agora, achou o que dizer. Erdogan tem preferido falar sobre a Síria. Seus aliados no Golfo Persa sentir-se-ão gravemente incomodados caso os ventos democráticos que sopram no Egito venham, eventualmente, a sacudir também as ditaduras do Golfo.

Mais uma vez, o único país que terá razões genuínas para saudar a luta dos que lutam e resistem na Praça Tahrir será... Bem... Será o Irã.
 
*MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu, Asia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.


Do redecastorphoto

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Premiê turco diz que ataque de Israel justificaria começo de guerra

O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, afirmou que a ação de Israel contra um navio da Turquia rumo à Gaza era "causa de guerra", segundo relatos de entrevista que deu à emissora Al Jazeera, transcrita pela agência estatal de notícias Anatolia.

Entre os trechos, Erdogan dizia que o ataque israelense no ano passado, que deixou nove turcos mortos, teria justificado o início de uma guerra entre os países. Israel se recusa em se desculpar pela operação contra uma frota humanitária em 31 de maio de 2010 que tentava furar o bloqueio à faixa de Gaza.

"O ataque que aconteceu não ia de acordo com nenhuma lei internacional. Na verdade, era causa de guerra. No entanto, condizendo com a grandeza da Turquia, decidimos agir com paciência", afirmou.

Israel afirma que a ofensiva contra a frota foi em legítima defesa, após seus soldados terem sido atacados por alguns dos ativistas presentes. O país lamentou as mortes ocorridas e afirmou que é chegado o momento das duas nações se entenderem.

Um relatório da ONU sobre o evento afirmou que o bloqueio feito por Israel foi legítimo, mas acusou o país de ter feito uso de força excessiva.

Na última terça-feira (6), o premiê turco anunciou a suspensão total dos laços comerciais e militares com Israel, depois de reduzir o status das relações diplomáticas com o país. "Laços comerciais, laços militares, relativos à indústria de defesa, nós estamos suspendendo-os completamente. Este processo vai ser seguido de diferentes medidas", disse.

No dia 2 de setembro, o chanceler turco Ahmet Davutoglu anunciou a expulsão do embaixador israelense em Ancara e suspendeu todos os acordos militares com Israel. O país era o aliado muçulmano do Ocidente com melhores relações com Israel e pressionava o país para que pedisse desculpas pelo incidente.

Turquia ameaça realizar ofensiva terrestre no norte do Iraque

A Turquia alertou na terça-feira que está preparando uma possível operação militar terrestre contra guerrilheiros curdos no norte do Iraque, mas que isso depende de negociações com o Iraque.

As forças turcas disseram na semana passada que seus ataques aéreos e de artilharia mataram em agosto 145 a 160 militantes do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) na região autônoma do Curdistão iraquiano. As operações aéreas prosseguem.

"Como uma operação transfronteiriça está sendo realizada por ar, uma operação terrestre pode ser lançada a qualquer momento, dependendo das conversas com nosso vizinho", disse o ministro do Interior turco, Idris Naim Sahin.

Um diplomata turco de alto escalão esteve nesta semana com o Iraque para conversas com o governo local. Ancara quer mais cooperação contra o PKK por parte do Iraque, país que tem uma importante minoria curda concentrada no norte do país, e muito influente politicamente.

A imprensa turca informou que o subsecretário da chancelaria, Feridun Sinirlioglu, se reuniu em Bagdá com o presidente do Iraque, Jalal Talabani, que é curdo, e também com autoridades regionais curdas em Arbil.

As especulações sobre os preparativos para uma ofensiva terrestre se intensificaram na segunda-feira, quando o primeiro-ministro Tayyip Erdogan se reuniu com comandantes militares antes de embarcar para uma visita ao Egito.

A Turquia já fez várias incursões ao norte do Iraque desde o início do conflito separatista com o PKK, na década de 1980. O PKK, antes separatista, diz agora lutar por maior autonomia e direitos para a minoria curda.

A última ofensiva importante ocorreu no começo de 2008, quando Ancara enviou 10 mil tropas amparadas por sua aviação para o norte do Iraque.

Há poucos dias, o Irã disse que suas tropas mataram ou feriram 30 membros do PJAK (Partido da Vida Livre do Curdistão), uma facção derivada do PKK. O partido, por sua vez, acusa Irã e Turquia de coordenarem ataques na região, e diz que irá unir forças ao PJAK por causa disso.

Turquia, EUA e União Europeia consideram o PKK como um grupo terrorista. Mais de 40 mil pessoas já morreram desde que os militantes iniciaram a luta armada, em 1984.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Turquia enfrenta nazi-sionistas

Manobras de preparação
A Turquia apaga todos os contratos comerciais e militares com israel, expulsa o embaixador israelita que deixa nos escritórios de Ankara o segundo secretário, a pessoa que na hierarquia diplomática tem a classificação mais baixa.

Diplomaticamente falando, a Turquia deu um pontapé nos dentes de Tel Aviv.

Tudo isso por causa dos episódios do ano passado, quando para-quedistas israelitas e unidades navais atacaram os navios da Flotilha da Liberdade: esta era uma iniciativa pacífica para romper o cerco de Gaza (que tinha começado em 2007), trazendo-lhe comida, medicamentos, cimento e outras coisas necessárias.

Os israelita atacaram em águas internacionais, a 90 milhas (150 km) da costa, massacraram pelo menos 9 pessoas (de acordo com outras fontes, foram 19) e sequestraram o navio que foi levado até o porto israelita de Ashdon.

Aqui o navio foi esvaziado de seu conteúdo com grande meticulosidade: os israelitas ficaram com os artigos mais simpáticos e úteis: no navio, por exemplo, havia cadeiras de rodas eléctricas para as crianças que perderam um ou ambos os pés, os israelitas ficaram com os paneis fotovoltaicos (que, de facto, dão sempre jeito), os acumuladores, e deitaram no lixo o resto.

Entretanto, é de poucas semanas a notícias de que, durante um ataque israelita contra civis em Gaza, as bombas atingiram um posto de controle no Egipto, matando cinco soldados. Episódio após o qual israel recusou-se a apresentar um pedido de desculpa público, enervando assim também o governo interino egípcio.

E se nas próximas eleições o governo tivesse que ser formado pela Irmandade Muçulmana, difícil que as coisas possam melhorar.

E talvez seja mesmo esta a ideia.

Em suma, o governo de Tel Aviv está a fazer todo o possível para ficar odioso ao olhos do Países vizinhos. Turquia e Egipto eram os dois únicos Países islâmicos com relações diplomáticas normais com israel, e de facto tem havido muitas tentativas, especialmente da Turquia, para actuar como um intermediário nas negociações com os Países vizinhos.

Mas agora as coisas mudaram, óbvio, e na hora errada. De facto, na inútil Organização das Nações Unidas, no próximo dia 20 de Setembro será examinado o reconhecimento dum Estado palestiniano.

Já agora os favoráveis são 120 num total de 282. Com a possível influência da Turquia e do Egipto, o "risco" é um um Estado da Palestina possa mesmo surgir.

Verdade, israel pode contar com o apoio incondicional dos EUA (que já deixaram claro o próprio voto contrário), mas agora a sua influência sobre os Países africanos e da Ásia é extremamente reduzida.

Parece portanto que israel decidiu dificultar a própria posição. Pois o que resta nas mãos do dirigentes de Tel Avive? A força militar, com o arsenal nuclear. Sobretudo este último é grande, pois há suficientes mísseis nucleares para atacar todas as principais cidades do Médio Oriente e da Europa: mas ao longo de quanto tempo será suficiente?

São 40 anos que ninguém ataca israel, a última vez que isso aconteceu tinha sido em 1973, com a guerra do Kippur. Desde então, israel sempre foi ao ataque: em 1980 e 2006 no Líbano, nos territórios palestinianos, mas também na Síria, Irão, Iraque... praticamente não há nenhum País da área que não tenha sido atingido pela artilharia, soldados ou aviação com a estrela de David.

Ao longo de quanto tempo isso pode continuar? Nenhum País na história sobreviveu muito tempo usando apenas a força. Talvez por isso seja preciso passar para um nível de fricção superior: ao afundar o relacionamento com a Turquia e a complicar aquele com o Egipto, israel escolheu ficar irremediavelmente sozinho.

Uma clássica condição de vítima, a favorecida de israel, que justifica amplamente o uso da força.

Será até o povo escolhido por Deus. Mas também Deus poderia ter escolhido alguém mais simpático.

Ipse dixit.
Fonte: Saigon2K

sábado, 10 de setembro de 2011

Turquia em movimento: manifestações em Istambul e o novo-velho primeiro ministro

Via Correio da Cidadania
Rodrigo Erib, de Istambul para o Correio da Cidadania

No principal ponto da cidade de Istambul, Taksim, não é preciso esperar muito para presenciar manifestações populares. Jovens reivindicam o direito de votar contra o uso da energia nuclear, panfletam pela independência das universidades públicas e contra o pagamento de taxas para as mesmas; trabalhadores demitidos em massa pelo Burger King, por terem se organizado em sindicato, se postam em frente a uma loja da rede.

Outro grupo de estudantes clama vigorosamente por direitos iguais para ingressar na universidade, posto que as respostas do exame vazaram previamente e privilegiaram pessoas da classe dominante e filhos de políticos, num jogo de cartas marcadas. Tudo isso, junto de militantes dos partidos AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento, na situação há dois mandatos) e CHP (Partido Popular Republicano), faz o clima ser de movimentação política intensa na cidade de Istambul.

O CHP (na visão da juventude um partido nas vestes de um PT rosado de 2002) foi a escolha entre os jovens estudantes e estudados em Istambul e Ancara, uma vez que o AKP se mostrou reacionário a ponto de sugerir pacotes de internet específicos para sua população e demonstrou a intenção de controlar a universidade. Mesmo assim, o AKP, com a força do crescimento econômico ao seu favor, obteve 50% dos votos e elegeu o primeiro ministro Tayyip Erdoğan pela terceira vez seguida ao cargo, ou seja, desde 2002 no poder (o primeiro mandato foi de cinco anos).    
   
A estudante de administração Fulya Çentıbudak, 20 anos, estava em Istambul e voltou para casa, em Ancara, para votar. Mesmo sabendo que as chances do CHP não eram muitas, enfrentou as seis horas de ônibus para a capital turca. O voto é obrigatório na Turquia, mas, segundo ela, quem não comparece não enfrenta grandes problemas. Diz que votou para ajudar a deixar mais claro que nem todos estão contentes com a atual situação e os ideais do AKP. O CHP teve 25% dos votos. Outros 12% foram para os nacionalistas conservadores do MHP, e 7% para a soma dos candidatos independentes organizados sob a sigla BGSZ. O restante foi diluído entre outros 12 partidos, nenhum deles com mais de 10% de votos (mínimo para ser eleito e se manter no Parlamento).  
   
15 anos pra trás

A República da Turquia foi fundada em 1923 por Mustafá Ataturk, um militar revolucionário, líder da independência turca e também o primeiro presidente. Seu retrato orna cada sala de aula no país. Ataturk modernizou, "ocidentalizou", fez da Turquia o primeiro país a separar as leis do islã das leis da nação. É uma unanimidade. Falecido em 1938 em decorrência de cirrose, talvez não gostasse muito da proposta do AKP de aumento da idade permitida para consumo de bebidas alcoólicas para 24 anos.      
 
Os capítulos não acabam por aí. Pré-eleições, o líder do partido CHP, Deniz Baykal, se envolveu em um escândalo sexual: um vídeo dele tendo relações com uma amante no seu escritório foi parar na internet, o que certamente diminuiu as chances do partido, mesmo tendo a sigla trocado de candidato, e mesmo que não tenha sido o único: políticos do MHP também se envolveram em escândalo sexual, para apimentar o tempero da salada turca.  
     
Os jovens turcos não festejam ou esperam muito de seus representantes na oposição pró-laica, mas certamente temem que o governo de raízes islâmicas do AKP tente impor a religião à sociedade. Na opinião do estudante de engenharia Emre Can Ersoy, 20 anos, "a Turquia vai andar 15 anos pra trás a partir de agora", resume, em tom conformado, logo após o resultado do pleito. E não sabia o que era aquele estrondo ouvido ao longe, já na madrugada do dia 13 de junho da varanda do 6º andar de seu prédio, mas ficou como a batida de um martelo. 
    
Também estudante de engenharia na Middle East Technical University, em Ancara, Berkman Kantar, 21 anos, lembra da história da luta idealista no fim da década de 60 liderada pelo revolucionário ativista político Deniz Gemis, que, após ser preso diversas vezes e ter a sentença de morte decretada, se escondeu na universidade da capital. Fundador do Exército de Liberação Popular da Turquia (THKO), esse marxista - como não poderia deixar de ser - simboliza a revolução pelos direitos populares e é um ícone entre os jovens na Turquia. Filho de um amigo próximo do herói Deniz, Berkman se diz tranqüilo, mas passaria a considerar o temor de um estado ditatorial no caso de nova vitória governista nas próximas eleições.

Rodrigo Erib é fotojornalista.
Contato: rodrigoerib(0)ig.com.br
Galeria de Imagens - Turquia

Estudantes clamam por uma nova prova de vestibular para a universidade pública após comprovação de fraude nos exames
Estudantes clamam por uma nova prova de vestibular para a universidade pública após comprovação de fraude nos exames

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Força Naval turca peita Israel

 
A Força Naval turca escoltará de agora em diante os barcos turcos que transportam ajuda humanitária a Gaza, disse nesta quinta-feira o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan.
A afirmação foi feita depois que Israel se negou a pedir desculpas pela morte de 9 ativistas turcos que estavam na flotilha
 
que tentou chegar à Faixa de Gaza - submetida a um bloqueio israelense - em 2010.
O navio Mavi Marmara (foto acima) fazia parte de uma flotilha ativista que levava ajuda humanitária a Gaza
quando foi abordado por fuzileiros navais israelenses em alto mar, no Mediterrâneo, em 31 de maio de 2010.
Os marines assassinaram a tiros nove turcos, incluindo um cidadão turco-americano, durante um combate a bordo.
"Os navios de guerra turco se encarregarão de proteger os barcos turcos que transportem ajuda humanitária à Faixa de Gaza", declarou Erdogan citado pela Al Jazeera.
"De agora em diante, não permitiremos que esses barcos sejam objetos de ataque por parte de Israel, como foi o caso da flotilha da Liberdade, então Israel enfrentará uma resposta adequada."
 
RECUSA
O colérico chefe de governo israelense, Binyamin Netanyahu, (foto) reiterou no domingo (4) sua rejeição absoluta a se desculpar a Ancara pela morte de nove ativistas turcos no ataque por soldados de elite israelenses à pequena Frota da Liberdade em maio de 2010.
"Não precisamos nos desculpar porque os soldados se defenderam do ataque de ativistas violentos."
 
SUSPENSÃO DE LAÇOS
O premiê turco, Recep Tayyip Erdogan (foto acima), anunciou na última terça-feira (6) a suspensão total dos laços comerciais e militares com Israel, depois de reduzir o status das relações diplomáticas com o país.
"Laços comerciais, laços militares, relativos à indústria de defesa, nós estamos suspendendo-os completamente. Este processo vai ser seguido de diferentes medidas", disse Erdogan a repórteres em Ancara.
As novas medidas vieram apenas dias depois de Ancara lançar uma série de ações para penalizar Israel por sua recusa em se desculpar pela operação contra uma frota humanitária em 31 de maio de 2010 que tentava furar o bloqueio à faixa de Gaza. A ação deixou nove ativistas turcos mortos.
O chefe militar de Israel Amos Gilad (foto acima), havia dito que os laços militares com a Turquia, uma importante parceira de Israel na região, ainda estavam em efeito.
Nesta semana, o chefe do Banco central de Israel(foto acima), Stanley Fischer, alertou contra as consequências econômicas de uma prolongada disputa com a Turquia, dizendo que a economia do país supera em muita Israel e cresce muito rápido.
 
"A economia turca está crescendo em um passo excepcional. Eles têm grande empreendedores e uma força de trabalho treinada na Europa. Turquia será um grande mercado na região e um grande exportador. As consequências de não ter relações comerciais com a Turquia serão custosas", disse.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Turquia anuncia total suspensão de laços militares e industriais com Israel

O premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou nesta terça-feira a suspensão total dos laços comerciais e militares com Israel, depois de reduzir o status das relações diplomáticas com o país.
"Laços comerciais, laços militares, relativos à indústria de defesa, nós estamos suspendendo-os completamente. Este processo vai ser seguido de diferentes medidas", disse Erdogan a repórteres em Ancara.

As novas medidas vêm apenas dias depois de Ancara lançar uma série de ações para penalizar Israel por sua recusa em se desculpar pela operação contra uma frota humanitária em 31 de maio de 2010 que tentava furar o bloqueio à faixa de Gaza. A ação deixou nove ativistas turcos mortos.
Mais cedo, o chefe militar de Israel Amos Gilad havia dito que os laços militares com a Turquia, uma importante parceira de Israel na região, ainda estavam em efeito.

Nesta semana, o chefe do Banco central de Israel, Stanley Fischer, alertou contra as consequências econômicas de uma prolongada disputa com a Turquia, dizendo que a economia do país supera em muita Israel e cresce muito rápido.

"A economia turca está crescendo em um passo excepcional. Eles têm grande empreendedores e uma força de trabalho treinada na Europa. Turquia será um grande mercado na região e um grande exportador. As consequências de não ter relações comerciais com a Turquia serão custosas", disse.

ONU

Na quinta-feira passada (1º), a ONU divulgou seu relatório sobre o incidente, no qual considera legal o bloqueio marítimo à Gaza que motivou a expedição solidária, embora acuse Israel de uso excessivo de força.
O Mavi Marmara fazia parte de uma flotilha ativista que levava ajuda humanitária a Gaza quando foi abordado por fuzileiros navais israelenses em alto mar, no Mediterrâneo, em 31 de maio de 2010. Os marines mataram a tiros nove turcos, incluindo um cidadão turco-americano, durante um combate a bordo.

Desde o ataque, as relações entre ambos os países permaneciam congeladas, embora nos últimos meses tenham acontecido contatos em segredo para tentar pôr fim à tensão.

A análise da ONU exorta Israel a emitir "uma declaração adequada de pesar" pelo ataque e estabelece o pagamento de uma indenização às famílias dos oito turcos e do americano de origem turca que morreram na operação, assim como aos feridos.

O relatório, no entanto, também diz que o bloqueio marítimo de Israel à região da faixa de Gaza está dentro das normas do direito internacional, o que preocupa o governo turco, que defende a total liberdade de navegação no Mediterrâneo.

A Turquia julga o relatório "nulo e sem valor", segundo o presidente do país, Abdulá Gül. O Hamas --movimento islâmico que governa a faixa de Gaza desde 2007-- considerou que o documento foi "injusto e desequilibrado", declarou na quinta-feira um porta-voz do movimento palestino em Gaza.
Além de discordarem da análise da ONU, que em sua opinião deveria ter culpado de maneira mais rígida o governo israelense, os turcos resolveram diminuir as relações diplomáticas com Israel em função do pedido de desculpas formais exigido ainda no ano passado, que nunca foi atendido pelo Estado hebreu.

"Israel reconhece a importância dos laços históricos no passado e presente entre os povos turco e judeu", disse um comunicado oficial israelense na tarde desta sexta-feira.

EXPULSÃO

Na sexta-feira (2), o chanceler turco Ahmet Davutoglu anunciou a expulsão do embaixador israelense em Ancara e suspendeu todos os acordos militares com Israel. O país era o aliado muçulmano do Ocidente com melhores relações com Israel e pressionava o país para que pedisse desculpas pelo incidente.

Segundo Davutoglu durante entrevista coletiva, Israel não atendeu às demandas turcas sobre o ataque no ano passado contra uma frota que se dirigia para Gaza.

"Neste momento, as medidas que tomamos são: as relações entre a Turquia e Israel ficam reduzidas ao nível de segundo secretário. Todos os funcionários com grau superior a segundo secretário, e, e primeiro lugar o embaixador, devem regressar a seu país no mais tardar na quarta-feira", afirmou o ministro à imprensa.