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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

2012 na Política: As Eleições Municipais

No balanço dos principais acontecimentos políticos do ano, as eleições de outubro têm lugar garantido.
 
De um lado, porque eleições sempre são importantes. São raros os momentos em que o conjunto de um país se expressa de maneira direta e, em nossa tradição, menos frequentes que na de outros.
 
Desde a redemocratização, entre referendos e plebiscitos, só fizemos dois de âmbito nacional. O costume de convocá-los sempre, tão característico da cultura política norte-americana, nunca se enraizou no Brasil.
 
Restam-nos, portanto, apenas as consultas em que, a cada dois anos, são ouvidos os cidadãos para escolher os ocupantes dos cargos eletivos no Executivo e no Legislativo.
 
Nelas, ninguém fala pelas pessoas, ninguém tem o direito de se atribuir o conhecimento do que elas querem. Estão dispensados os intérpretes e os bem-intencionados que julgam saber o que é “bom para o povo”.
 
De outro lado, as eleições municipais deste ano se tornaram mais relevantes por acontecer em um momento de forte tensão em nosso sistema político. A sucessão presidencial está chegando e as oposições andam nervosas.
 
A perspectiva de um nova vitória do PT em 2014, sugerida pelas pesquisas que dão folgada vantagem para Dilma ou Lula, cria um cenário preocupante para todos os adversários, especialmente à direita.
 
Confirmado esse prognóstico e depois do quarto mandato petista seguido, quem apostaria em uma mudança em 2018? Teria o PT condições de realizar o desejo tucano de permanecer 20 anos à frente da presidência da República? E o que viria na sequência?
 
Tentando fazer desde logo o possível para evitar esse futuro, as oposições politizaram e nacionalizaram o processo de escolha de prefeitos e vereadores para além do habitual. Pensando adiante, decidiram entrar na eleição local com o que julgavam força máxima.
 
Atuaram em duas frentes. Investiram pesado na estratégia de desgastar a imagem do PT, esperando com isso prejudicar seus candidatos e preparar um discurso para os próximos meses. Escalaram seu “grande campeão”, o ex-governador José Serra, para vencer a simbólica batalha paulista.
 
Os partidos da oposição e a mídia conservadora fizeram tudo que estava a seu alcance. Na desconstrução do PT, bombando o julgamento do mensalão, no esforço de torná-lo o “maior escândalo de nossa história política”. Para eleger Serra, o que puderam.
 
Como sabemos, não deu certo. O PT venceu onde tinha que vencer e perdeu onde tinha que perder, sem que a vasta maioria dos eleitores fosse afetada pelo estardalhaço armado pela mídia. Teve em São Paulo uma saborosa vitória, não apenas pela derrota que impôs a Serra, mas por ter feito de Fernando Haddad um nome de óbvio futuro na política estadual e nacional.
 
Entre 1996 e 2000, PSDB e DEM cresceram no número de prefeituras conquistadas, indo de 1851 para 2018. Nas eleições legislativas, foram de 152 deputados federais em 1994 a 204, em 1998. Voltaram a 154, em 2002, quando Lula obteve seu primeiro mandato.
 
De 2000 para cá, os dois partidos sistematicamente perderam bases municipais: 1350 prefeituras em 2004, 1282 em 2008 e 980 este ano. Na Câmara dos Deputados, suas bancadas vieram de 131, em 2006, para os 96 que elegeram em 2010.
 
São números que sugerem haver relação estreita entre os dois processos. Partidos que se saem mal na eleição municipal tendem a diminuir de tamanho na representação na Câmara.
 
É o horizonte dos dois maiores partidos de oposição. Com metade das prefeituras que tinham na época de Fernando Henrique, vão para 2014 se arriscando a não passar de discreta minoria no futuro Congresso.
 
Mais que a contabilidade de quem venceu aqui ou acolá, esse é o saldo da eleição municipal de 2012.
 
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Tribunal de Contas do Estado alerta prefeitos em fim de mandato

Alerta fica para um gerenciamento responsável por parte dos gestores
Para que os prefeitos eleitos iniciem os mandatos sem problemas, os órgãos de fiscalização recomendam que eles fiquem atentos a todas as informações que dizem respeito à administração municipal. 
As finanças devem ser o alvo principal. 
Para quem sai, o alerta é no que diz respeito à documentação e ações que comprometam a nova gestão. 
A contratação de empréstimos de última hora, atraso na folha de pessoal e no pagamento dos fornecedores e a apropriação de documentos podem gerar problemas e culminar em processos na Justiça (estadual e federal). 
O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), conselheiro Fernando Catão, afirmou que os gestores devem ficar atentos à situação fiscal da administração municipal. 
Segundo ele, as atenções devem ser voltadas para as dívidas existentes e ocultas, para as contratações vigentes e a execução de algumas obras e programas com verbas do Governo Federal. 
“Isso tudo tem que ser observado com muito cuidado no momento da transição, porque quem vai prestar contas do exercício 2012 será o novo prefeito. 
Então, ele deve ter conhecimento de tudo isso de forma antecipada”, alertou o conselheiro. 
Caso haja algum problema com a prestação de contas, quem responderá será o gestar anterior. 
“Ninguém pode ser penalizado pelo erro de outra pessoa”, complementou. 
Catão destacou que todas as informações referentes à prestação de contas das prefeituras estão disponíveis no Sistema de Gerenciamento de Recursos da Sociedade (Sagres), assim como todos os casos julgados estão disponíveis no portal do tribunal. 
O conselheiro contou que o órgão dará as orientações necessárias para que os gestores façam uma boa transição. 
No entanto, ressaltou que o órgão não pode agir como funcionário de quem quer que seja. “Nós só não podemos fazer o trabalho de assessoria para as prefeituras, até porque as informações já estão disponíveis no Sagres. 
Nossa demanda é grande e não tem sentido fazer um trabalho de assessoria para um gestor que terá as contas julgadas pelo tribunal”, ponderou o conselheiro. 
Fernando Catão recomendou aos prefeitos eleitos, que venham a enfrentar alguma dificuldade na obtenção de informações sobre a gestão atual, que acionem a Justiça para ter acesso a toda e qualquer informação da administração que irá assumir. 
“Todas as informações devem ser repassadas de forma republicana e civilizada para evitar problema tanto para quem está deixando a gestão como para quem irá assumir”, comentou o presidente do TCE. 
Resolução orienta sobre a transição 
Com o objetivo de auxiliar os prefeitos dos 223 municípios paraibanos no processo de transição, o Tribunal de Conta do Estado da Paraíba (TCE) editou, como é feito toda vez que há mudança de gestão, uma resolução com várias recomendações que devem ser observadas pelos gestores atuais e os eleitos. 
Com nove artigos, a resolução do TCE recomenda, entre outras coisas, que sejam disponibilizados aos prefeitos eleitos o Orçamento Anual e Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o exercício de 2013, além do Plano Plurianual (PPA) com as metas e os riscos fiscais. 
O documento pede ainda que sejam passados os demonstrativos dos saldos disponíveis e balancetes financeiros mensais referentes ao exercício 2012. 
Além disso, também será confeccionada uma cartilha contendo todos os passos que os gestores devem seguir para ter uma boa transição. 
Associado a isto, o TCE realizará um evento no dia 27 sobre o processo de transição. O presidente do órgão, conselheiro Fernando Catão, informou que todos os prefeitos serão convidados. 
“Nós já temos a confirmação da participação de integrantes da Controladoria Geral da União (CGU), do Tribunal de Contas da União (TCU) e de outros órgão para prestar alguns esclarecimentos aos prefeitos”, adiantou. 
Já o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público da Paraíba (MPPB), com o apoio do Fórum de Combate a Corrupção (Focco), também editarão um documento com recomendações que devem ser seguidas no processo de transição. 
Segundo o chefe da CGU na Paraíba e coordenador do Focco, Alberto Silva, a cartilha deve ser distribuída até o final do mês de novembro. 
Acesso às informações 
Chefe da CGU, Alberto Silva explicou que o processo de transição propicia ao novo gestor o acesso as informações relativas às ações, projetos e programas desenvolvidos pela prefeitura. 
“Nós esperamos que as informações sejam repassadas de forma clara e em sua totalidade para que não ocorram problemas com a continuidade das obras e das ações iniciadas”, afirmou Alberto Silva. 
Segundo o chefe da CGU, a orientação dos órgãos de fiscalização é de que os prefeitos que estão deixando os cargos atentem para a Lei de Responsabilidade Fiscal. 
“Eles têm que deixar a prestação de contas devidamente em dia. Informar em que fases estão às obras, apresentando as etapas que já foram executadas e as que ainda faltam e informar de quanto o novo prefeito disponibilizará em dinheiro para dar continuidades às obras”, alertou. 
Alberto Silva destacou que o prefeito que sentir dificuldade para ter acesso a essas informações deve procurar os órgãos de fiscalização. 
MPF 
O procurador chefe do Ministério Público Federal na Paraíba, Victor Carvalho Veggi, declarou que o período de transição é muito delicado. 
Ele destacou que os gestores devem observar determinados procedimentos para que a transição aconteça de forma mais transparente e mais tranquila possível, para que não seja necessária a intervenção de uma corte de contas, do Ministério Público ou do Legislativo municipal. 
Victor Veggi disse que um ponto preocupante no processo de transição diz respeito à documentação da administração.
“Uma coisa preocupante é com relação aos documentos da municipalidade. Ou seja: os gestores saem e levam consigo esses documentos, que pertencem à administração pública e não passam para a pessoa que assumirá o cargo”, declarou. 
Segundo ele, isso gera problemas na prestação de contas. 
“Isso pode gerar responsabilidades tanto para quem sai como para quem entra”, alertou. 
Para evitar problemas, Victor Veggi declarou que o MPF recomenda que todos os documentos relativos à gestão fiquem nas prefeituras para que os novos gestores tenham acesso às informações. 
Segundo Veggi, o novo prefeito também deve observar as políticas públicas que foram adotadas no município. 
Segundo o procurador, observando isso, o gestor terá condições de dar continuidade às ações já iniciadas. Para o procurador, o melhor caminho para se ter uma transição tranquila é o de fornecer todas as informações relativas à administração para o próximo gestor. 
“A administração é pública, não existe sigilo. Qualquer um pode ter acesso ao que está sendo feito no município. Então, não deve existe segredo. O que deve existir é a transparência que garante uma transição mais isenta possível. É para isso que a Lei de Acesso a Informação está ai”, declarou. 
O procurador destacou que o prefeito eleito deve voltar a atenção, no processo de transição, para tudo o que está sendo feito no município, a exemplo da execução de despesas e a forma como ela está sendo feita. 

Me engana que eu gosto...

Será amnésia? Desinformação? Ou apenas nossa velha conhecida, a vontade que a realidade seja como desejada?

Quem lê a abundante produção de nossos comentaristas políticos a respeito das eleições municipais recém-concluídas não deve estar entendendo nada. Afinal, tudo que sabíamos sobre elas estava errado?

Não somos, propriamente, novatos na matéria. Se contarmos as que ocorreram desde a redemocratização, já são 8, cobrindo um período de quase 30 anos. Domingo passado, não era a primeira vez que as fazíamos.

Somos, portanto, tarimbados o suficiente para esperar mais discernimento na hora de interpretá-las.

Se há uma coisa que temos obrigação de saber sobre a relação entre a escolha de prefeitos e a de presidente da República é que ela inexiste. Só quem tomou bomba na escola primária da política ignora fato tão básico.

Parece, no entanto, que nossos analistas se esqueceram disso.

____Em primeiro lugar, porque, para a imensa maioria dos eleitores, o voto no prefeito nada tem a ver com o voto na eleição presidencial. Em segundo, porque é ínfima a proporção que escolhe o candidato a presidente "por influência" do prefeito____

Tanto que quase tudo que vêm publicando versa sobre as consequências das eleições deste ano na definição de quem ocupará o Palácio do Planalto a partir de 2015. Reeditam a teoria do "primeiro capítulo", que assegura que a eleição municipal "antecipa" a presidencial.

O problema dela é ser errada, com ampla evidência a demonstrá-lo.

Nenhuma das eleições presidenciais brasileiras modernas foi "antecipável" pelo ocorrido dois anos antes, quando o eleitorado, pensando em uma coisa completamente diferente, procurou identificar os melhores candidatos a prefeito e vereador nas cidades.

Collor não "tinha" mais que meia dúzia de prefeitos - fora em Alagoas - quando se lançou. Fernando Henrique ganhou e se reelegeu sem precisar de "prefeitama" nenhuma.

Na eleição de Lula, a vastíssima maioria dos prefeitos estava com Serra, que pilotava uma coligação imensa, congregando todos os partidos mais bem sucedidos na eleição de 2000 - incluindo os três maiores no número de prefeitos, PSDB, PMDB e PFL.

Na reeleição e com Dilma, a importância do tamanho das "bases municipais" voltou a se mostrar pequena.

Em que pese o óbvio, a mídia anda cheia de especulações sobre os impactos de 2012 em 2014. Talvez porque nossos comentaristas desejam que existam e modifiquem o cenário mais provável.

Qual o critério para definir os "grandes vencedores" de 2012? Ter feito mais prefeitos e vereadores, vencido em mais capitais, tido a maior taxa de crescimento, conquistado as prefeituras das capitais mais importantes, se desempenhado melhor em cidades médias, tido a performance mais bem equilibrada nas regiões do país? Ou haver conseguido a melhor combinação disso tudo?

PSD e PSB, entre os partidos médios, fizeram um bom número de prefeitos. O PSDB venceu em duas capitais do Norte e duas do Nordeste. São do PSB os prefeitos de cinco capitais, do PMDB os de duas, do PT os de quatro. O PTC venceu em uma.

E daí?

No plano objetivo, nada. Em primeiro lugar, porque, para a imensa maioria dos eleitores, o voto no prefeito nada tem a ver com o voto na eleição presidencial. Em segundo, porque é ínfima a proporção que escolhe o candidato a presidente "por influência" do prefeito.

No máximo, a eleição municipal projeta uma imagem de vitória. Como em alguns casos simbólicos - vencer em São Paulo, por exemplo.

É, talvez, por ter Fernando Haddad vencido na cidade que os analistas da mídia conservadora andam tão ansiosos à cata de qualquer "vencedor" que não seja o PT. - Por Marcos Coimbra - sociólogo e presidente do instituto vox populi» marcoscoimbra.df@dabr.com.br

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Mapa das prefeituras, por partido (2008-2012)

Como é possível perceber, os partidos de oposição regrediram. PSDB possuía 791 prefeituras e agora passa a governar 702; PPS possuía 129 e governará 123 e DEM cai de 496 para 278 prefeitos.

Do Contexto Livre

Mito desfeito sobre a baixa votação

Por Paulo Moreira Leite, na coluna Vamos combinar:

O mais novo mito das eleições municipais de 2012 informa que tivemos um alto número de brancos, nulos e abstenções. Até a presidente do TSE, Carmen Lucia, se disse preocupada com isso.

Como também tivemos um alto número de votos a favor dos candidatos do PT — partido que mais cresceu entre os grandes, tornou-se líder nacional de votos, além de levar o troféu maior que é São Paulo — é fácil imaginar que há muita gente associando uma coisa a outra. Assim: baixa participação popular, alta votação para o partido de Lula. Nós sabemos aonde essa turma quer chegar, certo?

Querem dizer que a população está se cansando de votar.

Ainda bem que existem repórteres interessados em descobrir a verdade por baixo das aparências e do senso comum. Roldão Arruda revela, no Estado de hoje, que o problema não está na vontade de votar — mas no registro eleitoral. Em cidades onde o cadastro eleitoral não é atualizado, a contabilidade das ausências produz números maiores. Uma consulta a votação nas capitais mostra isso. Em cidades como São Paulo e São Luiz, onde o cadastro não é atualizado há mais de 20 anos, a abstenção bateu em 20% entre os paulistanos e chegou a 22% entre os moradores da capital do Maranhão. Já em Curitiba, onde o cadastro foi feito há um ano, a abstenção fica em 10%. 

Os cadastros velhos mantém como eleitores aqueles cidadãos que já morreram, que se mudaram, que já não tem obrigação de votar. “Se todos os eleitores forem recadastrados, a abstenção tende a cair para 10%, soma razoável de pessoas doentes, que viajaram ou que tem mais de 70 anos e não querem mais votar,”afirma Jairo Nicolau, um dos mais respeitados estudiosos do comportamento do eleitor.

A má interpretação dos abstenções animou a turma que combate o voto obrigatório e pretende instituir o voto facultativo. Há bons argumentos a favor de uma coisa ou de outra, mas é bom lembrar que a distribuição renda favorece o voto facultativo. Ou seja: nos países onde o voto é facultativo, há uma proporção maior de ricos que comparecem às urnas, por motivos fáceis de explicar. A pessoa tem mais recursos, mais tempo livre, mais facilidades de locomoção, mais facilidade para deixar o trabalho e exercer o direito de escolher o governante. Imagine o voto facultativo no interior de um estado pobre, dominado por nossos coronéis. Bastaria suspender o transporte nos bairros adversários para se ganhar uma eleição, não é mesmo.

O dia seguinte das eleições

Por Renato Rovai, em seu blog:

Há muitas flancos possíveis para se analisar o resultado das eleições municipais recém-encerradas. Os analistas da mídia tradicional como não podem dizer que a oposição foi a grande derrotada enaltecem o crescimento (real, diga-se) do PSB. É mais ou menos como aquele torcedor que comemora a vitória de um terceiro time sobre o seu principal rival. Porque no pau a pau perde todas.

O fato é que a oposição diminuiu ainda mais de tamanho em 2012. E isso aconteceu mesmo em meio ao julgamento do mensalão e de toda a cobertura midiática tentando vincular aquele acontecimento ao momento eleitoral.

Outro fato é que o PT cresceu muito em São Paulo e passa a governar quase metade da população do Estado. Manteve o domínio da região metropolitana e ainda levou São Paulo e boa parte do Vale do Paraíba, incluindo a cidade de São José dos Campos.

O PSB também sai maior deste processo eleitoral. Conquistou Recife e Fortaleza, além de várias cidades importantes do Nordeste. E ainda reelegeu seu prefeito de BH e ganhou Campinas. Em BH e Campinas, porém, os eleitos são muito mais tucanos que socialistas.

O PSOL elege seu primeiro prefeito de capital, no Macapá, e entra no jogo real da governabilidade. Isso vai levar a muitas reflexões internas no partido e provavelmente vai fazer com que alguns grupos deixem a legenda. Ou vai levar o prefeito eleito a deixar o partido. A tese da governança e as teses de alguns setores do PSOL são incompátiveis.

O fato de o PSDB não ter conseguido eleger um prefeito de capital nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste também é um fato importante. Como também merece registro que nenhum senador eleito em 2010 conseguiu sucesso nas disputas de 2012. O povo parece já ter se cansado dessa história de o político se eleger para um cargo executivo e depois de um ano e meio disputar outro.

Outro ponto que não pode ser desprezado e que talvez seja o mais importante para pensar 2014 é que Dilma tem de cara três possíveis adversários relativamente fortes: Marina Silva, Aécio Neves e Eduardo Campos. Sem contar a provável candidatura do senador Randolfe, padrinho político do prefeito eleito em Macapá.

Marina e Aécio já tem quase como certas as suas candidaturas. Eduardo Campos ainda vai ter que fazer contas e provar para o próprio partido que um voo solo pode ser melhor do que uma aliança com Dilma. Afinal, se vier a sair candidato sem Lula e Dilma o PSB terá de enfrentar o PT em muitos lugares. Nesta eleição das capitais, venceu. Mas nada garante que isso venha a se repetir em 2014.

De qualquer forma, se todos os citados vierem a disputar a presidência, Dilma poderá ter que enfrentar um segundo turno aberto. Essa é uma péssima notícia para a presidenta, que não pode pensar em mudar a composição de sua chapa, até porque o PMDB foi o partido que elegeu mais prefeitos no Brasil.

Se o PT quiser ajudar Dilma a ficar mais forte para 2014, deveria tratar com carinho duas situações. Os recados das urnas no Rio Grande do Sul e na Bahia. A derrota para ACM Neto em Salvador e a pífia campanha do PT em Porto Alegre, por mais que se queira tapar o sol com a peneira, fragilizam os governos Tarso e Wagner. Ambos precisam repensar politicamente o tipo de gestão que estão fazendo porque senão o partido corre o risco de perder as eleições nestes dois estados.

A oposição na Bahia vai se assanhar com esta vitória de ACMinho e no Rio Grande do Sul nunca um governador foi reeleito. Isso pode vir a acontecer com Tarso se sua administração continuar, por exemplo, brigando com os professores. Aliás, professores que foram fundamentais para a derrota de Pelegrino na Bahia.

Uma vinheta da eleição paulistana

EM AGOSTO, quando o candidato Fernando Haddad prometeu a criação de um Bilhete Único Mensal, pelo qual o cidadão poderia comprar um passe livre para os ônibus municipais, a marquetagem tucana acusou-o de propor uma taxa, um "bilhete mensaleiro".

Dividia-se o eleitorado em dois grupos. Um, que já foi a Londres, Nova York ou Paris e sabia que esse tipo de bilhete com desconto não é uma taxa, pois ninguém é obrigado a comprá-lo. Noutro grupo estava a população que usa os ônibus. Para ela, bastava fazer a conta: se o novo bilhete custar R$ 150 e o cidadão fizer duas viagens por dia, a tarifa de R$ 3 cai para R$ 2,50.

Com o início da propaganda eleitoral gratuita Haddad tinha 16% nas pesquisas, bem atrás dos 35% de Celso Russomanno, que sobrevivia ao raquitismo de seu tempo de exposição e de uma ofensiva de parte da hierarquia católica. Uma semana antes da eleição, o "fenômeno Russomanno" começou a evaporar. Na véspera, tinha 27% das preferências. Abertas as urnas, ficou com 22%, fora do segundo turno. O que houve? No final de setembro Russomanno prometera a cobrança de tarifas diferenciadas nas viagens de ônibus. Simples assim: quem anda muito pagaria mais, como quem viaja muito é o trabalhador, lá vinha tunga. Até hoje a explicação mais convincente para a implosão de Russomanno está na migração dos eleitores mais pobres. Perceberam o perigo e saltaram.

O tucanato, que condenara o Bilhete Único Mensal acordou e, no segundo turno, correu atrás, propondo a extensão da sua validade. Desde 2004, quando a prefeita Marta Suplicy foi a primeira a instituir essa modalidade de tarifa numa grande cidade brasileira, governantes e candidatos do PSDB olham para a iniciativa com cara feia. Primeiro porque criticavam-na nos seus aspectos técnicos. Depois, porque ela parecia coisa do adversário. Acordaram com oito anos de atraso.

É uma exagerada temeridade atribuir o resultado eleitoral de São Paulo ao item do Bilhete Único, mas certamente ele foi um dos ingredientes do naufrágio, pela percepção oferecida ao eleitorado. No primeiro turno uma parte dele saltou de Russomanno porque o doutor queria cobrar mais caro pelas tarifas de quem fica duas horas no ônibus para chegar ao trabalho. Não se deve esquecer que os transportecas da prefeitura defenderam a instituição do pedágio urbano para veículos sobre pneus numa cidade em que a municipalidade nada cobra pelos pousos de helicópteros. Com uma cabeça dessas, um candidato tucano poderá ganhar a eleição em Fort Worth, no Texas, pois lá está a fábrica das aeronaves Bell.

A renovação de que o PSDB precisa e que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vocalizou é de nomes mas, sobretudo, de ideias. Não só de propostas novas, mas sobretudo de uma faxina nas velhas, demofóbicas. Os candidatos do PSDB deveriam ser obrigados a usar a rede de ônibus todos os dias, durante pelo menos uma semana. A experiência valeria mais que sete seminários com ex-ministros tucanos reapresentando ideias de um governo que acabou em 2002. Algo como barões do Império amaldiçoando a República em 1899, durante o governo Campos Salles.--  Por Elio Gaspari - Na Folha

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Eduardo é Dilma. Kassab é Lula

Na relação entre o PT e o PSB, enfatizou Campos, não há um único problema criado pelo PSB. O PSB, porém, não quer ser tratado como adversário, com desconfiança.

O programa Entrevista Record Atualidade da RecordNews dessa segunda-feira entrevistou, ao vivo, o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, presidente nacional do PSB, e, em São Paulo, o deputado federal Cândido Vacarezza, da direção nacional do PT.

Como sempre, Campos mostrou-se seguro, sereno – astuto.

Lembrou que, desde 1989, na primeira candidatura de Lula às Presidência, os socialistas têm uma tradição de companheirismo e lealdade ao PT.

Isso foi ainda no tempo do avô de Eduardo, Miguel Arraes.

Hoje, Campos sugere “deseleitorizar” o país, botar os pés no chão e ajudar a presidenta Dilma a enfrentar a séria crise econômica internacional e suas repercussões no Brasil.

Apesar disso, ele não está pessimista e cita o exemplo de Pernambuco que, este ano, deve crescer 4%, de novo acima do PIB nacional.

Se em Recife, Fortaleza, Belo Horizonte e Campinas – entre as grandes cidades – o PSB se confrontou diretamente com o PT, Campos lembra que as alianças entre o PSB e o PT em 2012 foram maiores do que as divergências.

Nesse ponto, Vacarezza disse que, no diretório nacional do PT, vai propor que o PT não faça oposição às prefeituras do PSB.

E que, na Câmara, enquanto foi líder do Governo, o PSB sempre foi fiel à Presidenta Dilma.

Campos lembrou que, quando foi candidato, em 2006, ao governo de Pernambuco, disputou com Humberto Costa, do PT e Mendonça Filho, do DEM e os três, depois, apoiaram a candidatura Lula.

Lembrou ainda que, em 2010, quando o PSB tinha um candidato a Presidente com dois dígitos nas pesquisas nacionais, Ciro Gomes, depois de uma aberta e renhida negociação interna, o PSB optou por desistir da candidatura em beneficio de Dilma Rousseff.

Ontem mesmo, segunda-feira, Dilma telefonou a Campos para dar parabéns pelas vitórias.

O PSB foi o partido que mais cresceu no número de prefeituras de grandes cidades do país e, hoje, controla 12% das cidades entre 200 mil e um milhão de habitantes; e 20% das cidades com mais de um milhão de habitantes.

E sobre 2014 ?

Onde estará Eduardo Campos ?

Os gestos valem mais que as palavras, disse ele.

Na relação entre o PT e o PSB, enfatizou, não há um único problema criado pelo PSB.

O PSB, porém, não quer ser tratado como adversário, com desconfiança.

E que está ao lado da Presidenta Dilma para cuidar da pauta do país.

Vacarezza disse que 2012 foi a maior vitória do PT no estado de São Paulo, em todos os tempos.

E a maior derrota do PSDB.

Das sete maiores cidades do Estado, o PT ganhou em seis.

Só perdeu em Diadema.

E ganhou num reduto tucano de 16 anos: São José dos Campos.

Sobre 2014, Vacarezza acredita que a estratégia e o nome a Governador devem sair de uma ampla discussão com os partidos que fazem parte da base do PT em São Paulo, entre eles o PSB.

E provavelmente o PSD de Gilberto Kassab também.

Vacarezza conta com a adesão do partido de Kassab a Haddad e à Presidenta Dilma.

(Agora que Kassab se livrou de Cerra – PHA)

E sobre o fato de Haddad ter feito a campanha, em boa parte, a criticar a pessimamente avaliada administração Kassab ?

Uma coisa é uma coisa, outra coisa coisa é outra coisa, deu Vacarezza a entender.

Paulo Henrique Amorim

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

SILAS MALAFAIA - OS PERDEDORES EM SÃO PAULO - No. 2

SILAS MALAFAIA 


Representante do atraso e porta voz de mensagem preconceituosa e pseudo-moralista, o senhor Silas Malafaia perde mais uma eleição. Malafaia pode ser bom de "dízimo" mas é ruim de voto.
 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Relação de municípios que suspeitam de fraudes nas urnas eletrônicas

Segue a 2a. versão da Relação de Municípios com suspeita de fraude nas urnas eletrônicas durante as Eleições Municipais do ano de 2012.
 
Até o momento, são estes os municípios cadastrados:
 
Cidade Estado
Agudos SP
Alvarenga MG
Alvorada RS
Anaurilandia MS
Andradas MG
Angatuba SP
Aparecida de Goiania GO
Aramina SP
Araponga MG
Arraial do Cabo RJ
Avaré SP
Balsa Nova PR
Belém PA
Birigui SP
Bonito PE
Brejo Alegre SP
Brumadinho MG
Buritinópolis GO
Cajamar SP
Cambé PR
Campo Formoso BA
Campos dos goytacazes RJ
Carbonita MG
Caxias MA
Cotia SP
Cruzília MG
Cunha SP
Douradinha PR
Durandé MG
Ervália MG
Esperantinópolis MA
Frutal MG
Goioerê PR
Guaratã SP
Guarulhos SP
Ibaté SP
Ibimirim PE
Ipojuca PE
Iramaia BA
Itapecirica da serra SP
Itapetinga BA
Itatiba SP
Itu SP
Ituiutaba MG
Jaboticabal SP
Jí Paraná RO
Jucas CE
Jundiaí SP
Lajinha MG
Laranjal MG
Lençois BA
Londrina PR
Macaé RJ
Maracás BA
Mariana MG
Mineiros do Tietê SP
Mira Estrela SP
Miraí MG
Nova Aurora PR
Nova Granada SP
Nova Lima MG
Nova Luzitânia SP
Nova Venécia ES
Novo Santo Antônio MT
Olinda PE
Orizona GO
Ouroeste SP
Parguaçu Pauliasta SP
Paulinia SP
Pereira Barreto SP
Pilar do sul SP
Prado BA
Quissamâ RJ
Salesópolis SP
Salgueiro PE
Salvaterra PA
Santa Cruz Cambralia BA
Santa Isabel do Ivaí PR
São João da Boa Vista SP
São João de Meriti RJ
São José de Piranha PB
Saquarema RJ
Senador Canedo GO
Sentinela do Sul RS
Serranópolis do Iguaçú PR
Socorro do Piaui PI
Sumaré SP
Teotônio Vilela AL
Tomé-Açu PA
Tucuruí PA
Turumã SP
Uberaba MG
Ubiretã PR
Varzea Grande MT  
 
Se você acredita que sua cidade está sendo vítima de uma fraude eleitoral, venha discutir seus problemas em nosso grupo. Participe também do Grupo de Discussão Fraude Urnas Eletrônicas.
 
Denúncias podem ser enviadas por e-mail para o endereço fraudeurnaseletronicas@gmail.com, conforme o Cadastro Brasil de Fraudes.