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segunda-feira, 21 de julho de 2014

O banco dos Brics colocou o Nordeste na geopolítica mundial, mas ninguém notou


Emergentes em ação

Emergentes em ação

Num primeiro momento, os jornais brasileiros tentaram ignorar a criação do Banco dos Brics.
Depois tentaram transformá-lo num bric-a-brac – um brechó. Reduziram a quinquilharias o acordo multilateral reunindo o Brasil, a Rússia, a China, a Índia e a África do Sul – que sozinhos poderão abrigar, nos próximos dez anos, segundo dados da revista Exame, 1,8 bilhão de consumidores com renda superior a três mil dólares anuais, entre os quais 200 milhões com ganhos acima de 15 mil dólares. (Grifos em verde negritado são do ContrapontoPIG)

Perderam uma excelente chance de falar mal da presidente Dilma com argumentos mais qualificados. Poderiam dizer, por exemplo, que esse dinheiro seria melhor empregado reduzindo a dívida pública e, portanto, a taxa de juros. Que ele poderia financiar projetos de infraestrutura de que o país tanto necessita. Que poderia pagar salários capazes de fazer os doutores dos Jardins de São Paulo e da Zona Sul carioca trocarem seus consultórios milionários por postos de saúde no Capão Redondo e na Baixada Fluminense.

Mas não, preferiram insinuar que o banco, com capital inicial de 100 bilhões de dólares divididos em partes iguais entre os cinco sócios, será dirigido pela Índia, a sede será na China e o Brasil só ficou com a presidência do conselho de administração.
Os cargos são rotativos…

Todo esse desdém acabou omitindo a cidade que sediou a fundação do banco, poucos dias após sediar alguns dos melhores momentos da Copa e a melhor exibição da seleção brasileira, contra a Colômbia.
Fortaleza!

A Declaração de Fortaleza, da VI Reunião de Cúpula dos Brics, começa assim:

“Nós, os líderes da República Federativa do Brasil, da Federação Russa, da República da Índia, da República Popular da China e da República da África do Sul, reunimo-nos em Fortaleza, Brasil, em 15 de julho de 2014 na VI Cúpula do BRICS.”

A notícia mais surpreendente que a nossa imprensa não deu não foi a fundação, a conveniência, a necessidade ou a importância do banco, uma espécie de BNDES+FMI intercontinental dos emergentes.

Tudo isso eles viram, mas calaram.

O que ninguém quis ver é que a criação do Novo Banco de Desenvolvimento colocou o nordeste brasileiro na geopolítica mundial, enquanto São Paulo seca.

A declaração de Fortaleza faz críticas às promessas não cumpridas de mudanças no FMI, do qual os Brics também são sócios. A presidente do FMI Christiane Lagarde, no entanto, saudou a criação do Novo Banco.
 
Depois de assistir a final da Copa entre Alemanha e Argentina no Maracanã, o presidente russo Vladimir Putin seguiu para a Cúpula de Fortaleza. De lá, voou de volta para Moscou.

No caminho o avião de Putin cruzou, perto de Varsóvia, com um atraso de 37 minutos, a rota do Boeing da Malaysian Airlines que pode ter sido abatido por um míssil sobre a Ucrânia.

De acordo com o Guardian, assim que desembarcou em Moscou, proveniente da reunião dos brics no Brasil, Putin ligou imediatamente para informar Obama sobre o incidente.

Como na criação do banco dos Brics, não faltaram especulações: o avião visado no atentado seria o de Putin, não o malaio. Ainda que Varsóvia seja a capital da Polônia e esteja muito longe do leste da Ucrânia, onde o Boeing da Malaysian caiu.

Se quisermos continuar especulando, Fortaleza poderia entrar para a geopolítica mundial não como Sarajevo – onde o assassinato do príncipe Ferdinando teria provocado a primeira guerra mundial – mas como ponto de partida da terceira.

Como nada disso aconteceu, o Ceará estreou muito bem na geopolítica mundial. E chega de especulações.

Jura Passos é jornalista especializado em comunicação do setor público, por enquanto. Foi corretor de imóveis, professor de matemática, fotógrafo, cozinheiro e físico, tendo fracassado em tudo isso. É um eterno aprendiz de capoeira e maracatu e adora viajar de bicicleta por ai, menos em São Paulo 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O banco dos BRICs e a bomba atômica

Quem disse ao mundo que o Brasil queria ser vira-latas para sempre ?


Não vai haver BRICs

O Brasil será o responsável pelo cargo de “Presidente de turno”, presidirá a diretoria executiva do Banco dos BRICs.

É uma função estratégica, honrosa.


Daqui a cinco anos, pelo sistema de rotatividade de todos os cargos, será sucedido pela Rússia.


Mas, o PiG (*)  tentará transformá-la numa derrota retumbante, do tipo “não houve BRICs.”


Poderá dizer que o Brasil perdeu a Presidência, como já diz o portal do Globo, a maior vítima do sucesso retumbante da Copa.


O Brasil conquistou aquilo que cabia no seu tamanho.


O tamanho de uma bomba atômica.


Porque, como dizia um chinês famoso, o poder está na ponta de uma baioneta

Quem tem mais bomba atômica, entre os BRICs ?


A Russia.


É dela a Presidência.


Depois, quem tem mais bomba atômica ?


A China.


A sede será em Xangai.


Depois, quem tem mais bomba atômica ?


A Índia (que, aliás, tem menos que o Paquistão e, talvez, menos que Israel).


Logo, coube à India a Presidência do banco.


Quem assinou o Tratado de Não-Proliferação das Armas Nucleares – o TNP – e avisou ao mundo que o Brasil que queria ser, para sempre, um vira-latas ?


O Fernando Henrique Cardoso.


Simples, meu caro Mao.


Paulo Henrique Amorim 

Líderes do Brics anunciam banco comum e posições políticas globais


Em seu discurso, Dilma saudou os participantes e, em especial, o povo e o governo do estado do Ceará, que acolheram a reunião, enfatizando a relevância do Nordeste, “com uma população ativa e trabalhadora,” estados com grandes reservas minerais, infraestrutura em expansão, mercado consumidor em crescimento e maior segurança hídrica.

Para a presidenta, “o Brics ganha intensidade política e reforça seu papel no cenário internacional,” o que fica plasmado em medidas para o aperfeiçoamento da arquitetura financeira global e nas prioridades do documento resultante da reunião entre os líderes, a Declaração e Plano de Ação de Fortaleza, fundado no mote da 6ª Cúpula: Crescimento inclusivo: Soluções Sustentáveis. “Nossos países estão decididos a construir uma parceria produtiva com consequências positivas para a situação mundial, a fim de enfrentar os grandes desafios,” disse Dilma.

Os líderes incluíram nos debates a cooperação no setor da ciência e tecnologia, no comercial, econômico e financeiro, no cultural e político e na formulação de alternativas para o sistema internacional com a promoção de posições propositivas e que fortaleçam a democracia internacional. Além disso, a conectividade aérea e marítima e o combate ao crime organizado internacional – narcotráfico e terrorismo – foram sublinhados.

Dilma apontou a situação econômica e financeira mundial ainda “em modesta recuperação, enquanto parte da humanidade está mergulhada numa recessão,” que empobrece e atinge direitos sociais. “Nessa conjuntura, nossos países devem se manifestar, atuar (...). Por suas populações, dimensões, peso das economias e pelas influências que exercem, não podemos ficar alheios ao que ocorre no cenário internacional,” pontuou Dilma. “Os Brics são essenciais para a prosperidade do planeta, responsáveis pela mitigação dos efeitos da crise.”

Além disso, enfatizou a presidenta, “nossos países têm incentivado e atuado em mecanismos de integração econômica e de governança regionais,” o que explica o encontro realizado com líderes africanos quando a 5ª Cúpula ocorreu em Durban, na África do Sul, e o que se realiza nesta quarta-feira (16), em Brasília, com líderes da América do Sul.

Os líderes estrangeiros ainda elogiaram o Brasil pela organização da Copa do Mundo 2014 e pela recepção bem-sucedida deste grande e importante evento internacional. O presidente sul-africano Jacob Zuma enfatizou: “O Brasil mostrou que um país em desenvolvimento, do sul, pode hospedar um evento como este, de forma bem sucedida.”


Assim como Dilma, que explicou o debate tido entre os chefes de Estado e Governo sobre questões atuais, desde as mudanças necessárias para um sistema internacional verdadeiramente representativo e democrático, o presidente Vladimir Putin falou do papel da Rússia e da China no Conselho de Segurança, um órgão que já não representa a realidade mundial nem favorece a busca pelo multilateralismo. A situação na Síria, na Ucrânia, no Iraque e na Palestina, ocupada e bombardeada por Israel, também foram discutidas com atenção. Entre os consensos esclarecidos estão a reafirmação de que os conflitos devem ser resolvidos através do diálogo, com base na busca por soluções sustentáveis, que dependem do engajamento de todos os envolvidos e a atuação da comunidade internacional.

Os líderes apresentaram um consenso sobre a promoção de uma política internacional assentada na “multipolaridade transparente, democrático e eficaz”, como caracterizado por Dilma, esforço em que se insere a promoção das reformas abranges de todo o sistema internacional, em que predominam hegemonias centralizadoras. “As principais instituições de governança têm perdido representatividade e eficácia ao não se adequarem ao contexto atual”, disse a presidenta, apontando que o Conselho de Segurança não apresenta respostas, o que aprofunda a erosão da sua legitimidade e relevância.

Dilma pontuou, porém, que o Brics não deve ser confundido “com um exercício de poder hegemônico ou de dominação, nem como contraposição” a outros países, mas como um esforço “por um sistema que queremos sempre mais justo e igualitário.”

Cooperação financeira, econômica e de desenvolvimento

O Novo Banco de Desenvolvimento garantirá o financiamento de infraestrutura nos países em desenvolvimento, com um capital inicial autorizado de US$ 100 bilhões e um capital subscrito inicial de US$ 50 bilhões, informou Dilma, igualmente distribuído entre os membros fundadores dos Brics. A primeira direção do quadro de governadores será da Rússia e a do quadro de diretores será do Brasil, enquanto o primeiro presidente será a Índia – uma vez que foram os indianos quem sugeriram, há dois anos, a criação do banco – e o primeiro escritório regional será na África do Sul, enquanto a sede será em Xangai.

Já o Arranjo Contingente de Reservas (CRA) “atesta a maturidade da cooperação entre nossos países, ao estabelecer um fundo que apoiará a economia dos Brics em caso de pressões nas balanças de pagamento, também complementando os mecanismos de crédito existentes no mundo,” disse Dilma.

O acordo para o estabelecimento do banco e das reservas reflete, para a presidenta, uma resposta às necessidades dos países do Brics e do mundo em desenvolvimento. Como apontou Dilma, o PIB desses cinco países, em termos de paridade de poder de compra, representa mais de 20% do mundial, enquanto a sua representação somada, no FMI, é de apenas 11%, o que demonstra a necessidade de reforma da instituição. Para Dilma, os Brics buscam amplificar os “resultados de políticas públicas que contemplam a prosperidade das nossas economias e de nossos povos.”

“Estamos crescendo de modo verdadeiramente inclusivo. O Brasil conduzirá o Plano de Ação de Fortaleza, como presidente de turno do Brics, em coordenação com outras nações, especialmente em nossas regiões,” disse a presidenta. “Temos um desafio à altura das expectativas de nossas sociedades: é nossa obrigação e responsabilidade buscar resultados que tenham um impacto real nas vidas dos nossos povos.”

Para o presidente Putin, as cúpulas têm decorrido com sucessos. “Trabalhamos conjuntamente para resolver uma das questões mais relevantes da modernidade. Atingimos vários resultados importantes desde a última cúpula, atingimos nossos objetivos de curto prazo, como o banco para desenvolvimento, que vai assentar as bases para grandes mudanças macroeconômicas. Uma cooperação mais estreita entre os países dos Brics vai nos permitir realizar planos grandiosos de desenvolvimento.”

A Rússia preparou uma estratégia de cooperação internacional, com um grupo de trabalho permanente e um “mapa da rota” com vários projetos, “desde alta tecnologia até a área humanitária,” disse Putin, enfatizando na necessidade de maior associação energética dos Brics e em um banco internacional de combustível. Os países do Brics também são fonte de 36% dos recursos mundiais de matéria-prima, mercado em que deve haver cooperação.

Os líderes do bloco enfatizaram a necessidade de crescimento econômico sustentável com reformas para um desenvolvimento inclusivo e políticas macroeconômicas sociais, redes de segurança sólidas e a promoção de crescimento quantitativo em equilíbrio com o qualitativo. O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou: “Devemos fazer uma evolução importante em relação ao CRA e para promover melhores resultados da nossa cooperação, trazendo benefícios mais tangíveis a nossas populações.”

O presidente da África do Sul Jacob Zuma pontuou também os desafios da desigualdade, do desemprego e da pobreza ainda enfrentados, mas saudou o fortalecimento dos laços de cooperação entre os países para produzir resultados tangíveis e impactos nas vidas das pessoas, para aumentar as oportunidades de comércio e para avançar em novos caminhos e melhorar as capacidades.

“A África é a região que cresce mais rápido e oferece muitas oportunidades que o Brics precisa aproveitar. Hospedamos a última cúpula; vamos transmitir os resultados deste importante encontro aos nossos povos, na África do Sul e no continente. Vamos tentar apressar os processos parlamentares para ratificar os acordos assinados aqui, o mais rápido possível”, disse Zuma.

Paz, governança global e intercâmbios culturais

O presidente Zuma também mencionou a posição dos países do Brics sobre questões prementes. “Estamos muito preocupados pelo recente escalar da violência e da insegurança, com grande perda de vidas, entre Palestina e Israel. Os Brics devem continuar a apoiar uma iniciativa urgente para trazer de volta a esta crise política uma solução negociada. Concordamos que a solução de dois Estados, de Palestina e Israel, vivendo em paz, lado a lado, é a única forma para estabilizar o Oriente Médio.”

Já Putin ressaltou a importância de maiores “contatos humanitários” entre associações juvenis, culturais e parlamentares, mencionando a proposta de criação de uma universidade virtual dos Brics, também pontuada pelo primeiro-ministro indiano e pelo presidente sul-africano em seus discursos. Putin prometeu ainda que, como próxima presidente do Brics, a Rússia se empenhará por ampliar a presença do agrupamento “na solução dos problemas mundiais.”

O recém-eleito premiê da Índia, Modi disse que a cúpula acontece em um momento crucial, de grandes desafios, mas que a cooperação entre os países do Brics continua crescendo, com esforços para “restaurar um clima de paz e estabilidade”. Para ele, os Brics devem desempenhar “um papel proativo ao modelar um discurso global de desenvolvimento”, para manter o foco em eliminar a pobreza e promover a segurança alimentar, com reformas profundas a instituições como o FMI e o Conselho de Segurança, descentralizando a discussão e levando-a à população, principalmente à juventude, incentivando a inovação e promovendo maiores contatos culturais e educacionais. “Nosso bem maior está no aprofundamento dos nossos lados”, disse o premiê.

No mesmo sentido, o presidente chinês enfatizou que os países do Brics estão “comprometidos com promover o crescimento e a governança internacional. Há cinco anos a cooperação floresceu em diversas áreas, trazendo benefícios aos nossos povos e elevando nossa cooperação. Nesses anos, temos realizado esforços conjuntos e nada disso foi impedido por montanhas ou mares entre nós.” Para Xi, a cooperação entre os Brics é um processo histórico permanente que precisa ser impulsionado. “Buscamos uma parceria mais sólida; precisamos manter o espírito da abertura, inclusive na cooperação econômica, para melhorar a economia mundial; precisamos incorporar o espírito da inclusão, aprendizagens e benefícios mútuos entre modelos de desenvolvimento em prol da democracia em termos internacionais.”

Depois da sessão plenária, Dilma ainda deu uma entrevista coletiva em que voltou a explicar, com mais detalhes, os acordos assinados nesta terça-feira e os objetivos gerais dos países do Brics, assim como a sua posição a respeito de questões pontuais, como a espionagem e a governança da Internet. A presidenta manteve o tom otimista sobre um agrupamento de alternativas construtivas, com a promoção de uma política de cooperação que busca fortalecer a democracia e a multipolaridade, com desenvolvimento e inclusão social como pontos focais.

(Portal Vermelho) 

Nasce nova ordem mundial e mídia tenta esconder

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Principal fato econômico desde a crise de 2009, criação do Novo Banco de Desenvolvimento e Acordo de Reservas de Contingência fura esquema financeiro global traçado em 1944, em Bretton Woods; prevalência de americanos e europeus no Banco Mundial e no FMI é enfrentada com cartada que muda o jogo; Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul anunciaram US$ 150 bilhões para banco e poupança em comum; dólar e euro sob pressão de serem substituídos em transações comerciais entre os cinco países; moedas nacionais passariam a ser utilizadas; mídia tradicional faz cobertura protocolar; colunista Eliane Cantanhêde, na Globo News, insere fato como "mais badalação e fotografias para a presidente Dilma Rousseff"; no Financial Times, da Inglaterra, análise é outra: "BRICS dão notável demonstração de como a ordem econômica está mudando"

247 – Bretton Woods, 1944. Fortaleza, 2014. Setenta anos depois de terem sido traçadas as regras da governança financeira do mundo, um fato capaz de inserir outra cidade no mapa das grandes mudanças econômicas globais aconteceu.

Na capital do Ceará, nesta terça-feira 15, os cinco países que integram a sigla BRICS inauguraram, na prática, uma nova ordem para o mundo. Eles colocaram em prática a constituição de um bloco econômico repleto de afinidades políticas. A partir de agora, já se sabe que Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul terão o seu Novo Banco de Desenvolvimento, com capital inicial de US$ 50 bilhões, mas que poderá ser elevado a US$ 100 bilhões, para fazer frente ao Banco Mundial. E também formarão uma poupança de US$ 100 bilhões no Acordo de Reservas de Contingência, exatamente para não dependerem exclusivamente do Fundo Monetário Internacional para serem socorridos em crises. O jornal inglês Financial Times publicou análise da redação que dá a correta dimensão do conjunto desses fatos: "Notável demonstração de como a ordem econômica está mudando".

Na mídia tradicional brasileira, no entanto, o assunto foi publicado, como se diz no jargão do jornalismo, com "má vontade". A reunião de Fortaleza que impressionou o FT e chama a atenção de todos os líderes mundiais não mereceu, na terça-feira 15, ocupar o espaço da manchete de nenhum dos jornais Folha de S. Paulo, Estado e Globo. Na tevê, a colunista Eliane Cantanhêde, na Globo News, registrou o acontecimento dentro do contexto da sucessão presidencial:

- A Copa acabou, mas a presidente Dilma Rousseff engatou uma segunda e já está de novo nas fotografias, registrou a comentarista. Ao final do comentário, lembrou que nesta quarta-feira, em Brasília, cerca de 20 presidentes do continente americano serão recebidos para ter informações sobre como irá funcionar o banco de desenvolvimento e o fundo de reservas. E pontuou:

- Será mais um momento de badalação e fotografias para a presidente que é candidato à reeleição.

Ideia estudada pela nata dos economistas dos governos dos BRICS há pelo menos dois anos, o Novo Banco de Desenvolvimento poderá emprestar dinheiro para projetos de infraestrutura em países em desenvolvimento a juros menores que os praticados pelo Banco Mundial. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou que os recursos dos BRICS poderão ser aplicados em fundos especiais para renderem enquanto aguardam as demandas dos países.

Houve apostas nos jornais brasileiros de que uma briga de última hora entre as delegações da China e da Índia poderia matar a ideia de criação do banco de fomento. Não foi o que ocorreu. Os sócios acordaram rapidamente em que a sede será em Xangai, na China; o primeiro presidente será da Índia, inaugurando o rodízio de cinco anos no cargo; a presidência do conselho de administração será do Brasil; a Rússia ficará com a presidência do conselho de governadores; e a primeira sede regional da instituição ficará na África do Sul.

-  A democracia é uma das marcas do BRICS, disse Mantega.

Com um mercado consumidor de 3 bilhões de pessoas e um PIB conjunto que equivale a 20% da riqueza mundial, o BRICS poderá adotar, no futuro, as moedas nacionais para transações comerciais entre seus cinco sócios. Na véspera da cúpula, 700 empresários assinaram carta em que pedem aos líderes políticos a adoção dessa medida, que substituiria o dólar e o euro em compras e vendas.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, estimou no encontro de Fortaleza que a demanda de recursos para projetos de infraestrutura em países em desenvolvimento chega, hoje, a US$ 800 bilhões. Há, assim, demanda suficiente para o banco do BRICS ter um grande papel na nova ordem mundial que o grupo está criando a olhos vistos – ainda que a mídia brasileira tenha má vontade em enxergar.

Abaixo, notícia da Agência Brasil a respeito:

Países do Brics defendem mudanças no Fundo Monetário Internacional
Daniel Lima e Sabrina Craide - Enviados Especiais
        
Os representantes dos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) defenderam a implementação de reformas do Fundo Monetário Internacional (FMI), para modernizar a estrutura de governança do órgão e refletir melhor o peso das economias emergentes. Na Declaração de Fortaleza, documento resultante da 6ª Cúpula do Brics, realizada hoje (15) em Fortaleza, os cinco países cobraram a revisão geral das cotas do FMI, sem atrasos.
Após a reunião, a presidenta Dilma Rousseff também defendeu a reforma das cotas, com o cumprimento dos acordos firmados pelo G20, que previam a reforma do FMI e do Banco Mundial. Segundo ela, as modificações nas cotas poderiam garantir que essas entidades refletissem o real poder das economias emergentes.

A presidenta destacou que a criação do Novo Banco de Desenvolvimento, que irá financiar projetos dos países do Brics, não é uma resposta à falta de reforma do FMI. “É uma resposta às nossas necessidades. Acredito que, mesmo com a criação do banco do Brics, fica ainda colocada na pauta a mudança das cotas, que é importante para dar sustentação e legitimidade a uma instituição multilateral, que é o Fundo Monetário”, disse.

Outro tema abordado pelos líderes do Brics na declaração final do evento é a necessidade de reforma no Conselho de Segurança da ONU, para torná-lo mais representativo, eficaz e eficiente. “China e Rússia reiteram a importância que atribuem ao status e papel de Brasil, Índia e África do Sul em assuntos internacionais e apoiam sua aspiração de desempenhar um papel maior nas Nações Unidas”, diz o documento.

Sobre esse assunto, a presidenta Dilma ressaltou que a resolução de conflitos regionais evidenciam a necessidade de o Conselho de Segurança ser um órgão de maior representatividade. “Nós afirmamos a paz, a necessidade de priorizar o diálogo como forma de garantir a resolução de conflitos e consideramos que o melhor padrão é primeiros seguir as regras das Nações Unidas, respeitar o direito internacional e agir dentro desse marco.” 

terça-feira, 15 de julho de 2014

700 empresários turbinam pauta dos BRICS no Brasil


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Encontro organizado pela CNI, em Fortaleza, inclui ponto crucial na agenda de cúpula entre presidentes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul; empresários pedem o uso de moedas nacionais em transações comerciais entre companhias dos cinco países; previsão é de fechamento de negócios totais de US$ 3,9 bilhões nos setores de agronegócio, infraestrutura, logística, mineração e máquinas e equipamentos; ideia é que, no futuro, compras e vendas sejam feitas em reais, rublos, rupias, yuans ou rands – e não mais na moeda americana; ano passado, Brasil manteve com BRICS relacionamento de US$ 101 bilhões; EUA e Europa não vão gostar; novo eixo de desenvolvimento
 
247 – Uma carta aberta assinada por cerca de 700 empresários que participaram de encontro de negócios organizado pela Confederação Nacional da Indústria, em Fortaleza, na véspera da reunião de cúpula dos presidentes dos BRICS, pede a aceleração da substituição do dólar como moeda oficial para transações entre os cinco países do grupo.
 
A intenção é a de que haja incentivos oficiais para que compras, vendas e parcerias entre companhias privadas de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul sejam feitas com o uso de reais, rublos, rupias, yuans e rands – as respectivas moedas nacionais – e não apenas em dólar ou euro. Trata-se de uma inovação nunca praticada, em larga escala, no comércio internacional.
 
Assim como a criação do Novo Banco de Desenvolvimento e do Fundo de Contingenciamento Emergencial, a proposta de troca de moedas tem tudo para preocupar – e irritar – os meios financeiros dos Estados Unidos e Europa. Significa, na prática, uma declaração de independência do grupo de países que nasceu a partir de uma expressão criada pela economista Jim O’Neill e, em seis anos de encontros de cúpula, vai ganhando organicidade real.
 
Abaixo, notícias da Agência Brasil e da CNI a respeito:
 
Empresários do Brics vão sugerir troca direta de moeda entre países do bloco 
 
Daniel Lima e Sabrina Craide – Enviados Especiais 
 
Os empresários dos países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) vão apresentar amanhã (15), na reunião de chefes de Estado do grupo, um documento com sugestões para aprimorar a economia do bloco.
 
Uma das propostas é permitir a troca direta de moedas entre os países, para facilitar e baratear os custos de transação. Segundo o presidente da sessão brasileira do Conselho Empresarial do Brics, Rubens De La Rosa, a transação deverá ser feita no âmbito do Banco de Desenvolvimento do Brics, que deve ter sua criação formalizada na reunião de amanhã.
 
“Isso vai permitir que, se eu tiver que fazer uma remessa à Índia, eu não tenha que converter [o valor] em dólares e depois em rupias, gerando custos de transação. Assim, teremos pequenas baixas que diminuirão o custo financeiro de operação. É uma medida simples e possível de ser feita no ambiente do banco”, explicou Rosa.
 
Para os empresários, a criação de um banco para o bloco irá acelerar o comércio, negócios e investimentos entre os países do Brics.
 
Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, o banco será importante para todas as empresas dos cinco países, principalmente por permitir que investimentos entre eles tenham mecanismos de financiamento internacional com garantias dadas pelas matrizes das empresas. “É muito difícil para uma empresa fazer investimento lá fora simplesmente com seus próprios recursos. Então, esse mecanismo será fundamental para aumentar o número de empresas brasileiras com investimentos no exterior”, afirmou Andrade.
 
Os empresários vão sugerir também medidas para facilitar a emissão de vistos de negócios e a redução das barreiras não tarifárias, como restrições técnicas e fitossanitárias. “Hoje, as empresas brasileiras estão sujeitas a regras de agências reguladoras e, muitas vezes, os produtos importados não atendem às mesmas especificações, nem estão sujeitos às mesmas regras. O que queremos é que a empresa brasileira compita no mesmo ambiente, que os produtos importados tenham que atender às mesmas especificações dos produtos brasileiros”, ressaltou o presidente da CNI. 
 
CNI - Na tarde de hoje, mais de 700 empresários dos países do bloco participaram do encontro organizado pela CNI, realizado paralelamente à 6ª Cúpula do Brics. Durante o evento, o Conselho Empresarial do Brics vai debater as expectativas econômicas e de integração do bloco. Para a noite de hoje, está prevista uma rodada de negócios, que deve reunir representantes de mais de 600 empresas dos cinco países e movimentar US$ 3,9 bilhões.
 
Os empresários do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul trabalham pelo fortalecimento da integração econômica entre os países que formam os BRICS. Na segunda-feira (14), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) organiza o Encontro Empresarial dos BRICS, o Business Network e o Conselho Empresarial dos BRICS, com o objetivo de melhorar a pauta do comércio e o investimento entre os cinco países. 
 
Os três eventos ocorrem no Centro de Convenções do Ceará, em Fortaleza, às vésperas da reunião dos chefes de estado dos cinco países. A expectativa é que o Business Network, a rodada de negócios que reunirá 602 empresas, movimente US$ 3,9 bilhões. Há interesses nas áreas de agronegócios, infraestrutura, logística e equipamentos de transporte, mineração, máquinas e equipamentos, tecnologia da informação, farmacêutico e equipamentos médicos, energia e economia verde.  “Nossa prioridade é buscar uma agenda pragmática. Queremos que os BRICS avancem e aproveitem a aliança política para reforçar a agenda econômica. Conhecemos todos os desafios e as diferenças entre nós. Mas poderemos ser úteis uns aos outros se trabalharmos juntos”, diz o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.
 
Dentro das recomendações aos governos, os empresários dos cinco países defendem a aceleração da criação do Banco de Desenvolvimento dos BRICS para promover e facilitar o comércio, negócios e investimentos. Também entendem que é necessário facilitar a emissão de vistos para viajantes a negócios, reduzir barreiras não tarifárias, como restrições técnicas e fitossanitárias, eliminar obstáculos ao comércio, além do engajamento dos chefes de estado para solucionar problemas relacionados com políticas de comércio entre os BRICS, como dumping e subsídios.
 
Entre as propostas empresariais aparece ainda o aumento das transações em moeda local, com a infraestrutura financeira, sistema de liquidação e o envolvimento dos bancos centrais para reduzir o uso de moeda fora do grupo nas transações comerciais e de investimentos dos BRICS. Por fim, os empresários defendem a eliminação de subsídios à exportação na agricultura. 
 
A FATIA DO BRASIL – O comércio entre o Brasil e os demais países dos BRICS cresce sem parar, principalmente pela participação da China. Em 2013, a corrente de comércio brasileira com as demais economias do grupo foi de US$ 101 bilhões, representando 21% da corrente de comércio brasileira com o mundo. Em 2008, esse percentual era de 14%. No ano passado, os BRICS foram o segundo bloco mais importante para as exportações brasileiras atrás apenas dos países da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). 
 
No entanto, do total, US$ 84 bilhões foram negócios com a China, o que torna a pauta brasileira com os BRICS concentrada em poucos produtos primários. Mais de 70% das exportações nacionais para aqueles países são de soja, minério de ferro, óleo combustível bruto. O inverso ocorre com as importações. Cerca de 95% da pauta de importações do Brasil é de produtos manufaturados. A CNI entende que uma maior aproximação do Brasil com os BRICS deve agregar valor às vendas externas do país. 

terça-feira, 19 de junho de 2012

No G20, Dilma afirma que países emergentes tem mais capacidade de resistir à crise


Presidenta Dilma Rousseff posa para foto oficial da cúpula do G20. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
 
A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (19), após concluir sua participação na VII Cúpula do G20, em Los Cabos, no México, que o Brasil e os países emergentes têm mais capacidade de resistir à crise econômica internacional. A presidenta defendeu ainda a retomada da Rodada de Doha e afirmou que a crise não pode servir de biombo para a prorrogação de uma situação de desequilíbrio global no que se refere ao comércio internacional.
“Você não pode ter uma queda da atividade econômica na Europa e nos Estados Unidos e achar que as coisas ficam perfeitas. Nós não somos uma ilha, a gente tem mais capacidade de resistir, nós temos, os países emergentes têm, os mais dinâmicos”, afirmou.
Sobre o encontro dos Brics, que antecedeu o início do G20, Dilma afirmou que os líderes de Rússia, Índia, China e África do Sul manifestaram preocupação com a crise global e concordaram que não adianta apenas implementar políticas de austeridade ou de consolidação fiscal e não ter, associado a elas, políticas de crescimento através de estímulos ao investimento. 

Dilma falou também sobre o aporte financeiro de US$ 83 bilhões feito pelo Brasil e os demais países dos Brics ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para compor um fundo anticrise que alcança a cifra de US$ 456 bilhões. Dilma reiterou que a contribuição está vinculada à implementação da reforma do FMI que amplia a participação dos países emergentes que estavam desproporcionalmente representados.
“Havia um consenso de que os países estavam desproporcionalmente representados no Fundo Monetário. Não mais pela sua presença na economia internacional, mas por uma situação anterior que já tinha sido superada. Assim sendo, o Brasil e os demais países emergentes, eles reivindicavam que houvesse uma proporcionalidade entre a participação destes respectivos países no PIB internacional. O acordo está feito, agora ele está em implementação. Obviamente há resistência por parte de quem perde essa representação, essa sua representação e o que nós colocamos é absolutamente imprescindível que seja cumprido”.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Brics pedem mais investimentos nos países em desenvolvimento

 Mais investimentos em países em desenvolvimento

A presidenta Dilma Rousseff e os demais líderes do Brics – grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – reiteraram nesta segunda-feira (18), durante reunião realizada em Los Cabos, no México, que estão dispostos a aumentar as próprias contribuições para o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fim de reforçar a quantidade de recursos disponíveis para os países em crise.

O aumento de aportes dos Brics seria feito com a condição de que seja concluída a reforma do FMI que prevê maior participação e poder de voto dos países emergentes, entre eles, o Brasil. E os recursos adicionais só seriam utilizados uma vez esgotados os recursos disponíveis atualmente.

Os líderes dos Brics também enfatizaram a necessidade de aumentar os recursos dos bancos multilaterais de desenvolvimento e canalizá-los para investimentos em infraestrutura e projetos sociais nos países em desenvolvimento.

Durante a reunião, que antecede a Cúpula do G20, os líderes concordaram que a crise na Europa ameaça a estabilidade global e avaliaram que a solução passa pela cooperação entre os países. Eles pediram que o G20, em face da necessidade de reforçar a confiança do mercados, emita uma forte declaração de intenções para amenizar os efeitos da crise na Europa.

Fonte: Blog do Planalto

Dilma e BRICs criam fundão de reservas. Chora, FHC !

É o tipo de coisa que faz o Farol de Alexandria cortar os pulsos.


 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje (18), em entrevista em Los Cabos, no México, que os Brics concordaram em iniciar um processo de criação de um fundo comum de reservas internacionais e acenaram com a possibilidade de assinatura de acordo de swap (troca de moedas) entre os países do grupo. Os líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul se reuniram hoje em Los Cabos antes da reunião do G20.

Segundo o ministro, a ideia é inspirada na iniciativa de Chiang Mai (acordo de cooperação financeira de países asiáticos) e nos acordos de swaps que o FED (Federal Reserve), Banco Central norte-americano, negociou durante a crise de 2008.
 
“Os Brics estão fortalecendo sua estrutura financeira. Esse fundo é algo importante para a confiança. Nos vamos criar uma solidariedade financeira entre nós, portanto, seremos ainda mais seguros e mais fortes do que já somos”, disse o ministro.

Sobre o aumento de recursos para o FMI (Fundo Monetário Internacional), o ministro confirmou que os Brics devem anunciar, durante o encontro do G20, o valor de suas contribuições individuais. Essas contribuições serão utilizadas como última linha de defesa e seu anúncio decorre do entendimento de que as reformas de cotas do fundo, que darão mais poder de voto para os países emergentes, serão implementadas no cronograma acordado pelo G20 em 2010.

Sobre a crise internacional, o ministro informou que os Brics defenderam a necessidade de políticas de estímulos, sobretudo de investimentos, para que a Europa saia da conjuntura adversa em que se encontra.

Esse “fundão” foi anunciado na reunião dos BRICs na China e vai funcionar como uma caixa de reserva e um banco de fomento dos BRICs para os BRICs.

Ao usar suas próprias modas para operações financeiras e projetos de investimentos, os BRICs se livram dos custos da intermediação financeira em Nova York e em Londres.

E, cada vez mais, dão conversibilidade e curso a suas moedas.

O Brasil empresta à China em Reais para vender soja e aviões da Embraer e financia obras de infra-estrutura em Yuan.

É tudo o que está previsto na nova estrutura do “capitalismo de Estado”, que a Economist previu que seria a forma predominante nos BRICs, em detrimento do neolibelismo (*) urubológico.

É o tipo da coisa que o André Lara Rezende não previu no histórico seminário de que participou na Academia Brasileira de Letras (?) com o imortal Merval.

Clique aqui para ver o que disse o Vasco sobre o Aref e as laranjas do Cerra – e esse colóquio histórico.

É também o tipo de coisa que faz o Farol de Alexandria cortar os pulsos.

A Dilma entre os líderes dos BRICs a dar banana a Wall Street.

Onde já se viu isso ?

Quanto ao Cerra, tanto faz.

Ele pode ser a favor do Capitalismo de Estado, do Estado, do Capitalismo ou do Estado do Capitalismo.

Desde que ele mande.

Ele topa tudo.

Desde que seja candidato.

O Jânio também era assim.

Topava tudo.

Desde que fosse candidato.

E pudesse renunciar.

Paulo Henrique Amorim

(*) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neoli

Do Blog CONVERSA AFIADA.

terça-feira, 12 de junho de 2012

BRICS com Bê.

O poder econômico global está mudando de mãos.
 
A causa, é o grupo de países emergentes que se apresenta no cenário econômico internacional, de 10 anos para cá, como um bloco sólido e consistente, que cresce a taxas vistosas ano após ano.
 
Liderados pela China, os BRICS apontam para a construção de um PIB mundial, em 2015, maior que os países ditos desenvolvidos. Veja gráfico abaixo:
 
 
É provável que já neste 2012 estejamos empatados, ou seja, o PIB dos emergentes deve ser igual - ou ligeiramente inferior - ao PIB dos ricos.
 
Deve-se a vários fatores essa mudança de eixo, mas, essencialmente, pelo fato de termos, nós emergentes, iniciado um período de crescimento interno. Com muita força na China e Índia, mas também no Brasil, Russia e África do Sul.
 
Essa reversão da curva de poder econômico explica-se, ainda, pelo fracassado modelo ocidental de capitalismo. Enquanto as Nações ditas desenvolvidas cultuaram o "mercado" como uma divindade, lançando-se em aventuras consumistas sem qualquer controle ou medida, os emergentes, todos, tangenciaram as regras neoliberais usando a força de seus Estados para gerir, dirigir e orientar suas economias.
 
Em outras palavras, a intervenção do Estado nas economias emergentes foi decisiva - e ainda é! - para o crescimento sustentável de nossas sociedades. A geração de riqueza está atrelada, necessariamente, à repartição dos ganhos, seja através de emprego, seja através de programas sociais. Assim é na China, na Índia, Brasil, Russia e Africa do Sul.
 
A imagem abaixo mostra o salto da China, Brasil e Russia no comparativo das 10 maiores economias do planeta em relação ao PIB mundial, enquanto as economias desenvolvidas se arrastam, com crescimentos irrisórios.
 
 
A França, por exemplo, despenca do 5º para o 8º lugar do ranking, enquanto o Brasil salta para o 5º  lugar, seguido pela Russia, em 6º.
 
Os piores dados ficam com USA, Japão e Alemanha, com perda no percentual do PIB mundial. São justamente estas economias que menos interferem no mercado; onde o consumo das famílias é a base de sustentação, agora, enfraquecidas.
 
É bom notar que estes dados, colhidos do FMI, estão exageradamente otimistas, pois com a crise na Europa do Euro, as economias desenvolvidas podem sofrer ainda mais danos, enquanto os emergentes ainda têm fôlego para crescer de forma equilibrada.
 
Resta saber o que seremos capazes de fazer com este poder que estamos conquistando.
 
O mundo desenvolvido está mudando de endereço. E de cara.
 

terça-feira, 3 de abril de 2012

A CÚPULA DO BRICS E O BOICOTE DA MÍDIA OCIDENTAL

BRICS

Por Mauro Santayana:

“A cada ano, quando chega a época da Cúpula Presidencial do BRICS - a 4ª edição acaba de terminar em Nova Delhi - torna-se cada vez mais evidente, para o observador atento, o patético esforço da mídia "ocidental" (entre ela boa parte da nossa própria imprensa) de desconstruir a imagem de uma aliança geopolítica que reúne quatro das cinco maiores nações do planeta em território, recursos naturais e população e que está destinada a modificar a o equilíbrio de poder no mundo, no século 21.

Essa estratégia - com a relativa exceção dos meios especializados em economia - vai de simplesmente ignorar o encontro, à tentativa de diminuir sua importância, ou semear dúvidas sobre a unidade dos principais países emergentes, tentando ressaltar suas diferenças, no lugar do reconhecer o que realmente importa: a política comum do BRICS de oposição à postura neocolonial de uma Europa e de um EUA cada vez mais instáveis, que se debatem com um franco processo de decadência econômica, diplomática e social.

Para isso, a mídia ocidental - incluindo a "nossa" - ignora os despachos das agências oficiais do BRICS, principalmente as russas e as chinesas, que ressaltam a importância do Grupo e de suas iniciativas para suas próprias nações - o Brasil inexplicavelmente ainda não possui serviços noticiosos em outros idiomas, coisa que até mesmo Angola utiliza, e muito bem - e se concentra em procurar e entrevistar observadores "ocidentais" ou pró-ocidentais situados nesses países, que se dedicam a repetir a cantilena da "impossibilidade" do estabelecimento de uma aliança geopolítica de fato entre o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, baseada nos seguintes argumentos:

- A "distância" entre o Brasil, a África do Sul, e a Rússia, a Índia e a China, como se em um mundo em que a informação é instantânea e um míssil atinge qualquer ponto do globo em menos de quatro horas, isso tivesse a menor importância.

- O fato de a África do Sul, o Brasil e a Índia serem democracias, e a China e a Rússia não serem democracias "plenas" segundo o elástico conceito ocidental, que não considera a Venezuela uma democracia "plena", mas o Kuwait ou a Arábia Saudita - autocracias herdadas e governadas pelo direito de sangue - sim.

- A concorrência da Índia, da China e da índia no espaço asiático, como se esses três países não cooperassem, até mesmo no campo militar, e não mantivessem reuniões, há muitos anos, para resolução de problemas eventuais.

- A rotulagem desses países em "exportadores de commodities" como a Rússia e o Brasil, "provedores de serviços", como a Índia, e "fábricas do mundo", como a China, como se essa situação, caso fosse verdadeira, não pudesse ser usada a favor de uma aliança intercomplementar, ou como se Rússia, Brasil e índia também não produzissem manufaturados, e entre eles produtos industriais avançados, como aviões, por exemplo.

É óbvio que uma aliança como o BRICS, que reúne um terço do território mundial, 25% do PIB, e praticamente a metade da população humana não se consolidará, política e militarmente, de uma hora para a outra. Mas também é igualmente claro que não se trata de um grupo heterogêneo de nações que não tenham nada a ver uma com a outra.

Se assim fosse, o Brasil não estaria fornecendo aviões-radares para a índia, não estaríamos desenvolvendo mísseis ar-ar e terra-ar com a DENEL sul-africana, ou comprando helicópteros russos de combate, ou não teríamos, há anos, um programa de satélites de sensoriamento remoto com a China.

O primeiro traço comum entre os grandes "BRICS" como a Rússia, a China, a índia e o Brasil, e, em menor grau, a África do Sul, é, como demonstra a sua oposição à política ocidental para com a Líbia e a Síria, o respeito ao princípio de não intervenção.

Porque o Brasil, a Rússia, a índia, a China não aceitam que se intervenha em terceiros países em função de questões relacionadas aos "direitos humanos", por exemplo, ou devido à questão nuclear ?

Porque, como são países que prezam a sua soberania, não aceitam que, amanhã, o mesmo "ocidente" que hoje ataca a Líbia, a Síria, ou o Irã, venha se unir contra um deles, qualquer deles, por causa de outras questões, como poderia acontecer conosco, eventualmente, no caso dos "direitos" indígenas, ou da defesa da Amazônia, o "pulmão do mundo".

Quem tem telhado de vidro não joga pedra nos outros. Que atire a primeira quem nunca pisou na bola. Qual é o país, hoje, que pode acordar pela manhã, olhar-se, como sociedade, no espelho, e dizer que não tem nenhum problema de direitos humanos?

E mais, quem arvorou à Europa e aos norte-americanos a missão de julgar o mundo? Pode um país como os Estados Unidos, que invadiu e destruiu o Iraque por causa de outro mito intervencionista, o da existência - comprovadamente falsa - de armas de destruição em massa naquele país, falar em direitos humanos ?

Pode uma Nação que inventou e usou no Vietnam centenas de toneladas de um veneno químico chamado agente laranja, contaminando para sempre o solo e as águas de milhares de hectares de selva, falar em defesa da natureza e das florestas tropicais?

Ou pode um país que jogou duas bombas atômicas sobre dezenas de milhares de velhos, mulheres e crianças desarmadas, queimando-as até os ossos - quando poderia - se quisesse - tê-las testado sobre soldados do exército ou da marinha japonesa, falar, em sã consciência, de controle de armamento atômico e da não proliferação nuclear?

A realidade por trás do discurso de defesa dos direitos humanos e da natureza é muito mais complexa do que Hollywood mostra às nossas incautas multidões em filmes como Avatar. Por mais que muitos espíritos de "vira-lata" queiram - mesmo dentro do nosso país - que Deus tivesse dado à Europa e aos Estados Unidos o direito de governar o mundo, para defender seu artificial e efêmero "american way of life", ele não o fez.

Pequenos países, como a Espanha ou a Itália, na ilusão de se sentirem maiores, podem - assim o decidiram suas elites - abdicar de sua soberania política e econômica e bombardear a população civil na Líbia, no Iraque, no Afeganistão, em defesa de uma impossibilidade quimérica como a Europa do euro, e do mandato da "Pax Americana".

Nações como o Brasil, a Índia, a China e a Rússia, se aferram ao direito à soberania, ao recurso à diplomacia, à primazia da negociação. Não se pode salvar vidas distribuindo armas para um bando descontrolado de açougueiros que espanca e mata prisioneiros indefesos, desarmados e ensanguentados - mesmo que eles se chamem Kadafi - e obriga jovens muçulmanos a desfilarem em fila, de joelhos, repetidas e infinitas vezes, sob a lente da câmera e a ameaça de armas e chicotes, para mastigar e engolir nacos de cadáveres de cães putrefatos. O futuro da humanidade no século 21 e nos próximos depende, cada vez mais, da emergência de um mundo multipolar que se oponha à pretensa hegemonia "ocidental". E é isso - queiram ou não os jornais e comentaristas europeus e norte-americanos - que está em jogo a cada nova Cúpula do BRICS, como a de Nova Delhi.”

FONTE: escrito por Mauro Santayana e transcrito no portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=179657&id_secao=9) [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].