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domingo, 21 de setembro de 2014

Petrobrás é vítima de ataque especulativo por parte da campanha de Marina

O antro de especulação conhecido como Merril Lynch, adquirido pelo Bank of América depois de ter contribuído para quebrar instituições do mundo inteiro na crise de 2008, quando foi flagrado como um dos maiores distribuidores de títulos podres dos Estados Unidos (os famosos subprime), acaba de promover um criminoso ataque especulativo contra a Petrobrás, maior empresa brasileira.

Para quem ainda não sabe, Bank of America Merrill Lynch, banco americano, tem se reunido com a candidata Marina Silva, inclusive, foi deles que Marina cobrou entre 100 e 200 mil reais por um jantar. 

Agora vejam que interessante:  O coordenador de comunicação da campanha de Marina, o  jornalista Alon Feuerwerker, usou sua conta no Twitter para, "dar dica". Nada de mais se não fosse mais uma especulação com o intuito de prejudicar a Petrobras... 

Um relatório oficial do Merril Lynch, divulgado em outubro de 2013 com grande repercussão na mídia brasileira, apontou a Petrobrás como "a empresa mais endividada do mundo". O resultado foi a queda dos papéis da companhia na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que em janeiro deste ano alcançaram o recorde negativo de cerca de R$ 15 por ação.

Após empurrar as ações da estatal brasileira para baixo, em uma manobra ardilosa, o BofA/Merril Lynch executou a segunda parte do golpe. Segundo matéria no portal 247, entre os dias 20 e 24 de janeiro, quando as ações da Petrobrás chegavam ao seu ponto mais baixo, os especuladores de plantão na corretora do BofA se encheram de ações desvalorizadas da companhia.

Um levantamento publicado no site Infomoney, revela que o Merrill Lynch comprou no período nada menos que 12,9 milhões de ações ON e outros 3,7 milhões de papéis PN da companhia. Ou seja, primeiro difamou a empresa para derrubar o valor das suas ações e, em seguida, uma vez conseguido o intento, comprou os mesmos papéis com o objetivo de açambarcar os lucros da sua recuperação.

Será que estamos descobrindo de onde parte os boatos?

A presidente Dilma  reagiu com irritação às especulações das bolsas de valores dizendo que essa variação do mercado em função das pesquisas eleitorais é "ridícula". Para a presidente, "especulação tem limite" e "tem alguém ganhando dinheiro com isso", assegurando que não é ela.
A reação da presidente foi a uma pergunta sobre a oscilação do mercado nos últimos dias, quando as ações da bolsa caíram e o dólar subiu por causa da melhoria dos índices da pesquisa a favor da reeleição da petista. "Acho ótima a reação da bolsa. Quando a bolsa cai, eu falo: será que eu subi?", ironizou. "Está ficando ridículo isso. Especulação tem limite. E acho que tem gente ganhando com isso e eu não sou. Eu perco", desabafou a presidente, em tom de irritação. "Eu acho desagradável o fato de acharem que uma coisa está vinculada à outra, quando sobe ou quando desce", completou.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Petrobras aumenta produção e bate record

Petrobras é a única entre as majors a registrar aumento de produção de petróleo em seis anos


Do site da Petrobras:

Nossa produção no pré-sal bate novo recorde. Ultrapassamos o patamar de 480 mil barris por dia. Somos a única empresa de petróleo a apresentar aumento de produção nos últimos seis anos, comparada às outras majors (grandes operadoras de petróleo) da indústria mundial, segundo a conceituada consultoria britânica Evaluate Energy, especializada em pesquisas e estudos do setor de óleo e gás. Nossa produção de petróleo cresceu da média de 1 milhão 918 mil barris de petróleo por dia (bpd), em 2007, para 2 milhões e 59 mil bpd, em 2013, um aumento de cerca de 140 mil barris por dia, considerando os campos operados no Brasil e no exterior.

Esse resultado é fruto dos nossos investimentos maciços nas atividades de exploração e desenvolvimento da produção nos últimos anos. E a previsão é que chegaremos ao final de 2014 com um crescimento de 7,5% em relação a 2013, com margem de tolerância de 1 ponto percentual para mais ou para menos.

Produção no pré-sal

O ritmo acelerado da produção na província do pré-sal – que vem batendo recordes sucessivos nos últimos meses – comprova o acerto dessa estratégia de investimentos. No último dia 9 de junho, por exemplo, a produção de petróleo nessa província ultrapassou o patamar de 480 mil bpd nos campos que operamos nas Bacias de Campos e Santos, o que representa um novo recorde de produção diária.

Esse patamar de produção foi atingido apenas oito anos após a descoberta do primeiro campo na camada pré-sal, em 2006, com a contribuição de apenas 24 poços produtores, dos quais nove na Bacia de Santos e os demais na Bacia de Campos.


O novo recorde se deve à entrada em operação do poço CRT-49, interligado à plataforma P-48, no campo de Caratinga, na Bacia de Campos. Trata-se do segundo poço do pré-sal conectado a essa plataforma, que foi concebida e instalada originalmente para produzir apenas a partir de acumulações do pós-sal.


A performance do poço CRT-49, cuja produção no dia do recorde foi de 19 mil barris diários, comprova a boa produtividade dos reservatórios do pré-sal localizados nas áreas que já contam com plataformas inicialmente instaladas para a extração de petróleo dos reservatórios do pós-sal da Bacia de Campos.


Nossa expectativa é ultrapassar a emblemática marca de meio milhão de barris diários de produção na camada pré-sal em algumas semanas, com a entrada em operação de novos poços localizados na Bacia de Santos.



Novas plataformas

Em 2013, concluímos a construção de oito novas Unidades Estacionárias de Produção (UEPs), além da plataforma de apoio à perfuração Tender Assisted Drilling (TAD) para o campo de Papa-Terra. Dessas unidades de produção, cinco iniciaram as operações ainda em 2013: o FPSO Cidade de São Paulo, no campo de Sapinhoá; e o FPSO Cidade de Paraty, no campo de Lula, ambas no pré-sal da Bacia de Santos; o FPSO-Cidade de Itajaí, no campo de Baúna, no pós-sal da Bacia de Santos; e as plataformas P-63, no campo de Papa-Terra, e P-55, no campo de Roncador, ambas no pós-sal da Bacia de Campos.


No começo de 2014, já foram postas em operação as plataformas P-58, no chamado Parque das Baleias; e P-62, no campo de Roncador, ambas na Bacia de Campos. No terceiro trimestre deste ano será instalada a P-61, associada à TAD, no campo de Papa-Terra. Ainda no segundo semestre, serão instalados, também, os FPSOs Cidade de Mangaratiba, no campo Lula/Iracema, e Cidade de Ilhabela, no campo de Sapinhoá, no pré-sal da Bacia de Santos.


Com a entrada em operação dessas onze unidades, acrescentaremos à nossa capacidade instalada de produção 1 milhão e 300 mil barris de óleo por dia – dos quais a parcela de 1 milhão e 4 mil bpd é própria e 296 mil bpd, de seus parceiros. 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Oposição quer vencer a eleição e desmontar o pré-sal, aponta Gabrielli

Jornal GGN – A quem interessa que a compra da Refinaria de Pasadena tenha sido um erro e que a Petrobras seja classificada como uma empresa mal gerida e quebrada? Essa foi uma das perguntas que os senadores membros da CPI da Petrobras - todos da situação - fizeram ao ex-presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, na manhã desta terça-feira (20).“A Petrobras não pode ser considerada uma empresa falida ou mal gerida. Isso é campanha da oposição e luta política. Essas forças são contrárias à Petrobras e querem desqualificá-la criando essa falsa imagem de que ela está em crise”, disparou Gabrielli.

Nenhuma liderança do PSDB ou do DEM - que recorreram, inclusive, ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir uma investigação exclusiva sobre a Petrobras no Senado - esteve no plenário ou integra a CPI como membro permanente. Eles declinaram a participação mirando uma CPI mista, com menos espaço para o governo.

Ao longo de três horas, Gabrielli respondeu a cerca de 200 perguntas, a maioria sobre a compra de uma refinaria no Texas, Estados Unidos, pelo total de 1,2 bilhão de dólares, em 2006. Segundo a atual presidente da Petrobras, Graça Foster, a aquisição, até o ano passado, acumulou prejuízo de 530 milhões de dólares, mas nos dois primeiros meses de 2014 registrou lucro líquido de 58 milhões de dólares.

"Em 2006, Pasadena era um bom negócio. Em 2008, se torna mau negócio porque reflete a mudança que houve no mundo em 2008 com a crise financeira. Reflete a mudança no mercado dos EUA, que conseguiu reverter a desvantagem que tinha no passado com a venda de petróleo mais leve. Em 2013 volta a ser bom negócio e em 2014 é lucrativa. Compra petróleo leve no Texas que pode ser processado com margem de 30 a 40 dólares por barril, e produz 100 mil barris por dia. São 30 milhões de barris por ano. Se a margem de rentabilidade for de 10%, são 100 milhões de dólares de lucro por ano. Os dados são do mercado, são públicos", pontuou.

Na avaliação do ex-dirigente, as denúncias que a oposição ao PT levantam há meses sobre a estatal têm como pano de fundo o destino da empresa e a exploração do pré-sal. Ele lembrou que, em 2010, o site estrangeiro Wikileaks expôs um telegrama em que o ex-presidenciável José Serra (PSDB) teria sinalizado à petroleira Chevron que mudaria as regras para exploração e repartição dos lucros do pré-sal caso vencesse a disputa eleitoral.

“Em 2009, o Congresso Nacional começou a discutir o marco regulatório do petróleo brasileiro. A primeira mudança com o marco foi definir que os lucros do pré-sal seriam compartilhados entre Petrobras e Estado brasileiro. A segunda, que a Petrobras será a operadora única do pré-sal. Há vazamento no Wikileaks colocando de forma clara que a prioridade do próximo governo [o da oposição, se vencer a disputa em outubro próximo] é desmontar essa lei. Apareceram nomes de políticos, que prefiro declinar, mas são políticos da oposição”, destacou.

Gabrielli apresentou dados do último balanço financeiro da Petrobras para rebater as acusações de que a empresa está afundada em dívidas. Segundo ele, os dados mais recentes comprovam que o lucrou do primeiro trimestre de 2014 foi de 5 bilhões de reais. "Só não chegou a 7 bilhões porque reservou 2 bilhões para o programa de aposentadoria dos funcionários. A Petrobras só toma empréstimo para crescer, não para resolver problemas de caixa. Como falar que ela está em crise? A empresa é pujante, está em crescimento.”

Corrigindo informações

O ex-presidente da Petrobras aproveitou o depoimento no Senado sem intervenções de oposicionistas para corrigir informações publicadas na grande mídia. Para ele, um dos erros foi terem apontado que a compra de Pasadena teria ocorrido “a toque de caixa”. Passou-se pelo menos um ano desde setembro de 2005, quando a Petrobras fez uma proposta à detentora de 100% da refinaria, a empresa belga Astra Oil, até que os contratos fossem assinados, no final de 2006, segundo explicou.

Gabrielli também comentou a entrevista que o jornal O Estado de S. Paulo publicou sobre o tema. Segundo ele, o veículo deu destaque para a parte em que o ele diz que Dilma precisa assumir sua responsabilidade sobre a compra da refinaria. A presidente havia afirmado que se soubesse das cláusulas Put Option e Marlim, que causaram desentendimentos entre as sócias, não teria autorizado a compra. “Pinçar aquela frase é deslocar o que foi dito”, avaliou Gabrielli. Não houve, de acordo com ele, tentativa de imputar a responsabilidade da compra de Pasadena a Dilma simplesmente porque a decisão sobre a compra é de um órgão colegiado.

“A presidente Dilma é uma gerente de extrema competência. Ela tem posições muito firmes. Porém as decisões Conselho de Administração da Petrobras são de colegiado. Se ela colocasse uma posição [contrária à compra de Pasadena após saber das cláusulas], em 2006, não posso dizer qual seria a conclusão. Haveria debate. A responsabilidade é da diretoria internacional da Petrobras e do Conselho. A responsabilidade não é individualizada. O processo de compra é coletivo.”

Gabrielli reforçou que historicamente o Conselho de Administração da Petrobras desempenha o papel de avalizar decisões estratégicas após as diretorias abaixo do Conselho na hierarquia debaterem os processos. No caso da compra de Pasadena, quem capitaneava a negociação desde o início era a diretoria internacional da Petrobras, chefiada por Nestor Cerveró - que depõe na CPI na próxima quinta-feira (22).

“O Conselho toma decisões com base em sumários executivos, não com base no sumário total, porque são processos grandes. Não há condições de analisar tudo. Tudo precisa passar antes pelo crivo das diretorias competentes. Logo, os membros do Conselho receberam um sumário executivo sobre Pasadena", um sumário sem explicações sobre as cláusulas citadas. Apesar disso, elas não eram "determinantes" para o negócio. "O que estava em jogo não eram as cláusulas, mas saber se iriamos expandir nossa produção pelo mundo ou se ficaríamos apenas na Argentina e Bolívia."

SBM Offshore e Paulo Roberto Costa

O ex-presidente da Petrobras evitou se aprofundar nas questões acerca da relação entra a estatal brasileira e a empresa SBM Offshore. Ele apenas refutou as acusações feitas na imprensa nos últimos meses, dizendo que à mídia internacional a holandesa desmentiu que haja informações contra a Petrobras por pagamento de propina a funcionários brasileiros. “Não há nenhum indício de propina. Não vou comentar porque desconheço esse tipo de informação”, resumiu.

Sobre a relação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras preso na Operação Lava-Jato da Polícia Federal - mas recentemente solto por determinação do STF -, Gabrielli também disse pouco. Apenas que no caso de Pasadena, Paulo Roberto teria participado apenas de uma reunião com a sócia Astra Oil para denotar que a Petrobras iria recorrer à justiça para concluir o processo de rescisão da parceria no Texas.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Batata da Globo assa: A Petrobras é bem maior do que a Escola de Base.

Nenhum telejornal da TV aberta da Globo deu a notícia publicada na manchete falsa do seu próprio jornalão "O Globo" contra a Petrobras na quinta-feira.
A primeira constatação é que a própria TV está admitindo que a manchete de seu jornalão é tão falsa quanto uma nota de R$ 3. Vexame total a TV desautorizar o jornalismo de seu grupo pela manchete ser falsa.

A segunda constatação é medo de processo.

A Constituição Federal é clara no artigo 5º:
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
.
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
A falta de regulamentação do direito de resposta não estabelece prazos nem o que seria considerado proporcional. E indenização não estabelece valores, dando ao juiz quase total liberdade de decisão sobre o assunto. Tanto pode decidir por uma reparação pífia, como pode decidir por uma reparação draconiana.
Assim, um direito de resposta pode demorar anos e indenização também, mas se houver prova de que houve dano, um dia a conta chega para ser paga, como chegou no caso da Escola de Base (o noticiário espalhou o boato de que os donos da escola infantil seriam pedófilos. Quase foram linchados, a escola fechou, suas vidas foram arruinadas, e foi tudo desmentido pela própria polícia dois meses depois).

O silêncio da TV é explicado porque é uma empresa diferente do jornal, mesmo que seja dos mesmos donos.

O jornal em papel já virou um mau negócio devido à internet e caminha para a extinção. Logo, mesmo se tiver que pagar uma indenização milionária, na hora em que a conta chegar o jornal já pode estar falido mesmo. Assim não há muito a perder.

Já a TV ainda é o filé mignon da fortuna da família Marinho. Um processo de indenização milionário e rumoroso por danos à imagem da marca e da empresa Petrobras poderia ser catastrófico para TV. Além do valor da indenização proporcional ao agravo, como manda a Constituição, é a imagem da Globo que sairia arruinada, e não é só perante os telespectadores. Será que uma empresa como o Bradesco continuaria associando sua marca como patrocinadora de um Jornal Nacional, se ficasse totalmente desmoralizado?

Mas mesmo a TV não publicando esta "reporcagem" específica do jornalão de quinta, os telejornais andaram abusando de noticiar boatos falsos durante semanas. Nem é por questão política, é por obrigação de qualquer gestor zelar pelo patrimônio da empresa perante seus acionistas, e esse patrimônio inclui a marca e a imagem, que o Departamento Jurídico será obrigado a exigir direito de resposta exemplar.

Um exemplo claro que cabe direito de resposta. Quando o Departamento Jurídico da Petrobras analisar todas as notícias veiculadas contra a empresa encontrará dezenas de casos semelhantes.
Acredito que o Departamento Jurídico da Petrobras esteja apenas aguardando o relatório da auditoria de 45 dias sobre todo o processo de compra da Refinaria de Pasadena, o que deve ocorrer na primeira quinzena de maio, para tomar as providências jurídicas que ele é obrigado a tomar, ou seja, exigir direito de resposta sobre todas as mentiras veiculadas e, conforme o caso, indenização por danos à imagem.
Abaixo um curta-metragem sobre o caso da Escola de Base e uma reportagem:

A contínua manipulação dos números de Pasadena

Números manipulados para confundir
"Segundo uma matéria da Reuters, as empresas Aramco da Arábia Saudita e a Total da França estão construindo uma refinaria de petróleo com capacidade de refino de 400 mil barris por dia. Ela custará U$ 10 bilhões.
A empresa chinesa Sinopec está construindo uma refinaria com capacidade de processamento de 200 mil barris por dia e o custo será de U$ 9 bilhões.

Outra refinaria está sendo construída no Texas pela Aramco saudita em parceria com a anglo-holandesa Royal Dutch Shell, com capacidade de processamento de 350 mil barris por dia. Custará R$10 bilhões de reais.
Por que estou citando esses valores?

Porque a imprensa está afirmando que foi um absurdo a Petrobras ter gasto 1,2 bilhão para adquirir uma refinaria na California com capacidade de processamento de 100 mil barris por dia e capacidade de estocagem de 6 milhões de barris.

O pior é que esse valor nem corresponde ao custo real da refinaria. Dos U$ 1,236 bilhões pagos na compra da refinaria, U$ 340 milhões foram gastos na compra dos estoques de petróleo e derivados que a refinaria possuía, que já foram processados e vendidos inclusive. Sendo assim, o custo da compra da refinaria seria algo em torno de U$ 896 milhões.

Para comparar os preços das refinarias, devemos dividir o valor investido na compra/construção da refinaria pela sua capacidade diária de processamento de barris. Por exemplo, se uma refinaria processa 1000 barris por dia e a construção da mesma custou U$ 1 milhão, então o custo dessa refinaria foi de U$ 1000 por barril/dia.

Fazendo a comparação de cada uma das refinarias citadas, chegamos aos valores abaixo:

Refinaria da Aramco com a Total: 25 mil por barril/dia
Refinaria da chinesa Sinopec: 45 mil por barril/dia
Refinaria da Aramco com a Shell: 28 mil por barril/dia
Refinaria de Pasadena: 8.9 mil por barril/dia

Para mim, esse valor pago por Pasadena não parece nem de longe algo exorbitante.

Mas a imprensa a todo momento está dizendo que a refinaria custou U$ 42 milhões à Astra em 2005. Como ela vendeu a metade em 2006 à Petrobras por U$ 360 milhões?

O problema é que a imprensa está ocultando muitos fatos sobre esse caso. A grande base da mentira está no valor pago pela Astra para comprar a refinaria da antiga dona, a Crown, que é algo que ainda está sendo esclarecido, mas que é muitíssimo superior aos U$ 42 milhões. A atual presidente da Petrobras Graça Foster e os ex-diretor da Área Internacional da Petrobras mencionaram cifras em torno de U$ 360 milhões.

Outras investigações independentes na internet, como a do jornalista Miguel do Rosário do blog O Cafezinho, já mencionam algo em torno de U$ 500 milhões, pois além da refinaria, a Astra também teria comprado da Crown uma “trading” (comercializadora) que teria custado algo entre U$ 200 milhões e U$ 300 milhões.

O valor real pago pela refinaria ainda está sendo estimado, mas cada vez surgem mais e mais provas de que o valor de U$ 42 milhões é puramente fictício e representa apenas o valor das ações compradas e não todo o investimento da Astra para comprar e fazê-la funcionar adequadamente, nem contempla os investimentos feitos posteriormente pela Astra na refinaria.

Uma das provas do quão fictícia é a idéia de que a refinaria tenha sido comprada por apenas U$ 42 milhões é a informação de que a Astra em 2006 comprou outra refinaria na cidade de Tacoma em Washington com capacidade de processamento de apenas 38 mil barris por dia (BPD) pela quantia de U$ 200 milhões. Querem nos fazer acreditar que uma refinaria que processava 38 mil BPD valia U$ 200 milhões, mas uma que processa 100 mil BPD só valia U$ 42 milhões.

O pior é que é muito fácil fazer a opinião pública acreditar nisso. Basta não fazer nenhuma comparação do custo da refinaria de Pasadena com outras refinarias. Basta ficar comparando o valor que a Petrobras pagou em relação a um valor fictício que supostamente a antiga dona teria pago pela refinaria. Quando isso é repetido várias vezes por dia, todos os dias, durante um mês, a informação fica consolidada na mente da maioria dos leitores/ouvintes/telespectadores/eleitores.

Segundo a presidente da Petrobras Graça Foster, em depoimento feito no Senado, a refinaria de Pasadena hoje representa claramente um mau negócio, porque teria ao longo dos anos resultado num prejuízo de U$ 536 milhões. Essa declaração serviu de manchete para toda a imprensa, que adorou ter em mãos o número do “grande prejuízo” causado pelo governo.

Só que a própria Graça Foster havia afirmado no mesmo dia que em janeiro e fevereiro de 2014, a refinaria teve um ótimo resultado, obtendo na soma dos dois meses um lucro de U$ 54 milhões, ou seja, 10% do prejuízo citado por graça Foster em apenas 2 meses.

Poxa, se em apenas 2 meses é possível recuperar 10% do prejuízo, isso significa que em menos de 2 anos todo o prejuízo já poderia ser recuperado. Mesmo que o resultado não fosse tão bom e levasse 3 ou 4 anos, ainda sim seria algo bom. Uma refinaria de petróleo não é um investimento de um ano ou dois. Segundo Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, esse é um investimento de 50 anos.

Se daqui a 4 anos, ou seja, 12 anos após a compra, o investimento já tiver sido pago, a refinaria daí em diante dará bons lucros. Então não vejo razão para Graça Foster dizer que claramente foi um mau negócio.

Acredito que esse episódio de Pasadena servirá como exemplo por muitos anos aos cursos de Relações Públicas sobre como não se deve agir. Reitero aqui o que já disse antes. Ou as assessorias de Dilma e da Petrobras são ruins ou estão aconselhando Dilma e Graça Foster para que se ferrem." 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Miguel do Rosário: Documentos comprovam que Astra pagou mais por Pasadena

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Miguel do Rosário, via O Cafezinho

Consegui, finalmente, a confirmação do preço de US$42,5 milhões pagos pela Astra pela refinaria de Pasadena em 2005. Um dos documentos obtidos com exclusividade pelo Cafezinho deixa bem claro, todavia, que o valor total investido foi bem além dos US$42,5, porque não este preço não inclui os estoques, nem considera a dívida líquida da empresa, que era de US$196,7 milhões em 2003.

O blog teve acesso a dois documentos. Um deles é uma análise da Jefferies, uma conceituada corretora de valores com escritórios em Nova Iorque, Europa e Hong Kong.

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O trecho acima relata que, no dia 22 de outubro de 2004, a Crown (então proprietária da refinaria) assinou um acordo com a Pasadena Refining Systems, Inc. (empresa criada pela Astra para tocar o negócio) para vender a refinaria por US$42,5 milhões, mais o valor do petróleo e dos derivados em estoque na data do fechamento.

O relatório da Jefferies qualifica a refinaria como um ativo strong buy, ou seja, era uma oportunidade excelente de compra.

Não posso deixar de comentar, contudo, que o autor do relatório, Greg Imbruce, tem uma mancha. Imbruce, alguns anos mais tarde, seria acusado de inúmeras fraudes contra o sistema financeiro. Mas isso acontece quando ele vai trabalhar em outra empresa, a Madoff, que ficaria famosa por suas fraudes contra celebridades. Aqui Imbruce (assim espero) é apenas mais um analista financeiro da Jefferies, compilando dados da refinaria de Pasadena e sugerindo que se tratava de uma boa opção de compra. Na época, o Citibank também emitia notas otimistas para quem comprasse ações da refinaria de Pasadena.

Desconsideremos, portanto, o histórico posterior de Imbruce, até porque vamos nos ater aqui apenas a dados, que podemos confirmar em outras fontes. E a Jefferies é uma empresa séria, que resistiu aos últimos terremotos financeiros que abalaram o mundo, e continua firme e forte.

O relatório traz, por exemplo, uma tabelinha com o desempenho financeiro da refinaria em 2003 e estimativas para 2004 e 2005.
 
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 Desempenho da refinaria de Pasadena, de 2003 a 2005.

Ebitda é a sigla de “Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization”, que significa “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização”, em português. Pela tabela, observa-se que Pasadena, em seu pior momento, gerou lucro de US$2,8 milhões. Para 2004 e 2005, a expectativa era de um aumento forte nos lucros e também redução da dívida.
Em 2003, a dívida da refinaria correspondia a 70 vezes seu lucro; em 2004, essa relação cairia para 3,4; no ano seguinte, para 2,7.

A refinaria tinha uma dívida líquida de quase US$200 milhões em 2003. Ora, diante desta informação, a pergunta certa a fazer é: a Astra herdou essa dívida? Para mim, está claro que sim, já que se tornou proprietária integral da companhia.

Sendo assim, o custo para a Astra, ao adquirir Pasadena, deve incluir também a integração desta dívida.

E hoje, no jornal Valor, em matéria intitulada “Muitas questões e algumas respostas sobre o caso da refinaria de Pasadena”, há pelo menos uma informação nova.

A operação montada pela Astra para comprar a refinaria de Pasadena incluiu também a capitalização da nova empresa formada, a Astra Oil Trading, com US$300 milhões. Nesta capitalização estão incluídos, aparentemente (termo usado pelo Valor), os estoques.

Sendo assim, a Astra investiu os seguintes valores em Pasadena:

● US$42,5 milhões para adquirir o controle acionário da refinaria.
● Custo não informado para adquirir os estoques.
● US$300 milhões para capitalizar a trading que comercializaria os produtos da refinaria.

● US$100 milhões para reduzir a emissão de enxofre e adaptar a refinaria às exigências ambientais do Estado (esse custo, aparentemente, seria repartido com a Petrobras).

Segundo o Valor, a companhia valia US$678 milhões em 2006, incluindo estoques.

Em 2012, quando perde a disputa judicial na Corte de Arbitragem de Nova Iorque, a Petrobras terá pago, para ficar com 100% da companhia, um total de US$825 milhões. Outros US$355 milhões foram gastos com multas, juros, honorários e despesas processuais.

O total gasto pela estatal brasileira em Pasadena ficou em US$1,18 bilhão.

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O outro documento a que tivemos acesso exclusivo é o relatório da NPM/CNP, o grupo que controla todas as companhias da família Frére, incluindo a Astra.
O trecho que menciona o preço pago:

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No mesmo documento, informa-se que a Astra comprou, ainda em 2006, um outra refinaria, menor, com capacidade para processar apenas 38 mil barris por dia, pagando US$200 milhões.

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Voltando ao relatório da Jefferies, ele traz o histórico da Crown, com informações essenciais para se entender o preço pedido por ela por sua refinaria em Pasadena:

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O texto acima, em resumo, revela o seguinte:

1) A Crown pertencia aos Rosenberg, que a controlavam através da empresa Rosemore, a qual, por sua vez, estava em processo de liquidação desde 2003. Por isso, os ativos estavam sendo vendidos a preços abaixo do mercado, porque a família estava precisando pagar suas dívidas. Só a refinaria de Pasadena tinha uma dívida de US$200 milhões. Não é de se espantar, portanto, que os Rosenberg estivessem ansiosos para vendê-la e dispostos a aceitar qualquer oferta razoável que os livrassem daquele peso.

2) Por outro lado, a Astra não compraria uma refinaria tão endividada se não a considerasse um bom negócio. Um palpite é que boa parte daquelas dívidas era com fornecedores, e que poderiam ser pagas com venda dos estoques e produção. A dívida pode explicar também os US$300 milhões que a Astra investiu na capitalização da trading que cuidaria dos negócios da refinaria.

3) Em 2003, seu pior ano, a refinaria de Pasadena refinou em média 76.075 barris por dia, o que correspondia a 76% de sua capacidade, estimada em 100 mil barris por dia (outras estimativas falam e 120 mil por dia).

4) O índice para avaliar o grau de produtividade e modernização de uma refinaria de petróleo é o Nelson Complexity Index. Quanto mais alto o índice, melhor. O de Pasadena era estimado, em 2004, em 8,4. O índice é inferior à média das refinarias norte-americanas, que é de 9,5. Mas é bem acima da média das europeias. No mundo inteiro, a média é de 5,9. Na América Latina, é de 4,7. Considerando que Pasadena é uma refinaria de tamanho médio, e extremamente bem localizada, contando com uma rede comercial e logística estruturada ao longo de seus quase 100 anos de existência, o índice 8,4 me parece bastante razoável. Mais uma prova que Pasadena jamais foi uma “sucata”, conforme os críticos da Petrobras querem nos fazer acreditar.

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Abaixo, trechos de matéria do Valor que considero pertinentes para se entender o imbróglio. Nela, citam-se exemplos de outras aquisições feitas na mesma época, e fica claro que o preço pago pela Petrobras não era abusivo. Ao contrário, estava inclusive bem abaixo da média de mercado, o que é explicável pelo fato da refinaria ainda não ter completado o processo de adaptação às novas exigências ambientais do governo.

A matéria do Valor também explica, em parte, a cláusula Marlim, que era uma forma da Astra se garantir contra riscos advindos da decisão da Petrobras de fazer uma verdadeira reviravolta na refinaria, adaptando-a para processar óleos pesados da Bacia de Campos. Outra explicação para a cláusula Marlim é uma compensação para um possível conflito de interesses entre uma empresa fundamentalmente voltada para a produção, como a Petrobras, e outra focada na comercialização, como a Astra.

***


Cláudia Schüffner e Fernando Torres, via Valor Econômico

Quanto a Petrobras pagou pela refinaria?

Embora o desembolso total da estatal com o negócio tenha sido de US$1,18 bilhão, esse não foi o valor pago pelo “ativo refinaria”. Pela primeira metade das ações da unidade, a Petrobras diz que pagou, em fevereiro de 2006, US$189 milhões. O valor era metade da avaliação feita por 100% do ativo, de US$378 milhões, que constava em contrato, e que se compara aos US$42,5 milhões pagos pela belga Astra Oil Trading (que depois mudou de nome para Transcor Astra) um ano antes. Soma-se a isso mais US$300 milhões, que era o capital investido pela futura sócia na trading (braço comercial da refinaria), que aparentemente eram estoques, e chega-se a um valor de referência de US$678 milhões para refinaria e trading, com estoques.

Segundo a versão da Petrobras, além dos US$189 milhões, mais US$170 milhões teriam sido pagos, também em fevereiro de 2006, por metade dos estoques que estavam na trading na época (esse valor não coincide exatamente com metade dos US$300 milhões citados no contrato, gerando uma diferença de US$20 milhões a ser esclarecida).

Após a disputa com o sócio, a corte arbitral determinou, em abril de 2009, que a Petrobras teria que pagar US$296 milhões pela outra metade das ações da refinaria (não fica claro porque o valor subiu 56% em relação ao desembolsado pela primeira metade, e se isso tem a ver com as cláusulas do contrato) e mais US$170 milhões referentes à segunda metade dos estoques existentes em julho de 2008, além de outros ajustes.

Assim, pelo “ativo refinaria” teriam sido pagos US$485 milhões e, incluindo os estoques de US$340 milhões, chega-se a um valor de US$825 milhões para o negócio. O restante, de US$355 milhões, foi pago em multas, juros e reembolsos com honorários motivados pela disputa arbitral, que não estão bem detalhados.

À Securities and Exchange Commission (SEC), regulador do mercado nos EUA, a Petrobras disse que pagou US$416 milhões pela primeira parcela da refinaria, valor distinto do informado no Brasil.

Nota de O Cafezinho: foi informado sim, está no relatório da Petrobras de 2006:
Petrobras_Pasadena10

Por que a refinaria é avaliada hoje em menos de US$200 milhões?

Pouco antes da crise de 2008, o mercado de refino de petróleo viveu uma fase de ouro, com o petróleo batendo recorde e as margens das refinarias nas alturas, o que esticou demais os preços dos ativos. Foi exatamente com essa perspectiva que a compra foi fechada.

Após a queda do Lehman Brothers, tudo mudou. Reportagens da imprensa internacional citam casos em que houve queda de 80% no valor das refinarias norte-americanas depois da crise. Como referência, a Valero Energy, maior empresa independente do setor de refino dos EUA, viu o valor de sua ação sair de US$63 em abril de 2006, perto do fechamento do negócio em Pasadena, para menos de US$15 em 2010 (queda de 76%). Atualmente, a ação está perto de US$50.

O que explica o salto do valor da refinaria de US$42,5 milhões em 2005 para US$378 milhões em 2006, sem os estoques?

Essa pergunta continua sem resposta. Mas o preço que mais parece fora de lugar é o primeiro, conseguido na negociação da belga Astra com a antiga dona da refinaria, a Crown Refinery, que tentava se desfazer do ativo desde 2001 e fechou negócio em 2005. A Petrobras diz, em sua defesa, que, logo depois da compra, a Astra investiu mais US$84 milhões no negócio, o que elevaria o total gasto pela belga para US$126 milhões. Ainda assim, o valor está bem abaixo da avaliação inicial de US$378 milhões da refinaria (sem estoques) feita em 2006.

Qual era a média de preço de uma refinaria quando a Petrobras fez a aquisição?

Ao se considerar os US$378 milhões de avaliação para 100% da refinaria de Pasadena previstos na negociação de fevereiro de 2006, a compra da Petrobras teria sido fechada com um múltiplo de US$3,78 mil por barril. Contando o desembolso de US$360 milhões (incluindo os estoques), o múltiplo sobe a US$7,2 mil.

Em março de 2006, um mês depois de vender 50% de Pasadena para a Petrobras, a própria Transcor Astra comprou outra refinaria nos EUA, na região de Seattle, pagando US$200 milhões, para uma capacidade de refino de 38 mil barris por dia, com múltiplo de US$5,2 mil por barril. Com essa referência, chegar-se-ia a um valor de US$526 milhões para 100% da refinaria texana comprada pela estatal brasileira na mesma época. Em maio de 2005, a norte-americana Valero vendeu uma refinaria antiga em Denver (que precisaria de investimentos para reduzir o nível de enxofre dos derivados) por US$30 milhões, com capacidade de refino de 30 mil barris, com múltiplo de US$1 mil. Em agosto de 2006, o fundo canadense Harvest Energy comprou uma refinaria de 115 mil barris diários por US$1,6 bilhão, com múltiplo de US$13,9 mil por barril. Na operação da Astra com a Crown, o múltiplo ficou em apenas US$425 por barril, o mais barato.

O que mais parece estranho em relação aos preços?

A informação sobre o preço de compra da refinaria de Pasadena pela Astra, de US$42,5 milhões, aparece em um relatório anual da CNP (Compagnie Nationale à Portefeuille), empresa belga que controla a Transcor Energy, referente ao ano de 2005. A CNP, cujo site está fora do ar, pertence ao bilionário belga Albert Frère.

No ano seguinte, a CNP disse em seu relatório anual que conseguiu vender 50% da refinaria de Pasadena para a Petrobras, por US$330 milhões, o que lhe daria um lucro de US$150 milhões a US$180 milhões após impostos. Segundo a empresa, esse seria um ganho fora de “qualquer expectativa razoável”, trecho esse que foi destacado em relatório do TCU que investigou a aquisição. Passado mais um ano, contudo, a mesma CNP diz no relatório anual de 2006 que a venda dos 50% da refinaria para a Petrobras lhe deu um lucro de 75 milhões de euros (US$93 milhões da época). Por que o lucro ficou em metade do previsto?

A CNP menciona ainda, em seu relatório, que tinha direito a uma “alocação especial”, pelo seu relacionamento no mercado de trading, que lhe garantiria um retorno de 25 milhões de euros em 2007 e mais 17 milhões de euros em 2008, além da sua fatia de lucro na joint venture. A Petrobras não cita isso em seus comunicados, mas talvez isso explique o valor da segunda metade do negócio.

O que é a cláusula Marlim?

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Essa cláusula garantiria retorno de 6,9% ao ano para a sócia belga, caso a Petrobras tivesse levado adiante seu plano de transformar a refinaria de Pasadena, para que ela processasse petróleo pesado, extraído do campo de Marlim, e não mais óleo leve, conforme seu projeto original. Esse tipo de transformação é chamado de revamp, uma modernização que inclui equipamentos mais caros, capazes de transformar óleo pesado (e portanto mais “pobre”) em diversos combustíveis, aumentando a margem. O retorno de 6,9% seria garantido com o ajuste do preço de venda do petróleo bruto da Petrobras para a refinaria. Ou seja, o petróleo seria vendido a preço de mercado. Mas caso fosse necessário, a Petrobras teria que reduzir o preço de venda para assegurar esse retorno para sua sócia na refinaria.

Em tese, como a mudança de configuração da unidade era do interesse da Petrobras, mas não necessariamente da Transcor Astra, que é focada no negócio de trading, a estatal brasileira teria oferecido essa garantia para “convencer” a sócia belga de que seria uma boa estratégia.

Contudo, como a mudança nunca foi feita, já que a Petrobras mudou de planos após a descoberta de viabilidade econômica do pré-sal, a cláusula nunca deveria ter sido aplicada. Não fica claro, entretanto, se ela de alguma forma influenciou a determinação do preço pela Petrobras pela segunda metade da refinaria. A estatal brasileira disse ao TCU que não.

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