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sexta-feira, 18 de julho de 2014

BRICS: PiG leva uma surra

Navegante: editorialistas ingleses e colonistas pigais lambem a bota dos EUA


O ansioso blogueiro cometeu o deslize de ler um editorial do jornal inglês Financial Times sobre o retumbante sucesso da reunião dos BRICS, sobre a Copa das Copas, que foram os acordos da Dilma com Xi Jinping.

Foi um deslize.

Mas, instrutivo.

Mostrou a matriz do pensamento colonial dos mervalicos pigais: clique aqui para ler: BRICS: PiG diz o que os EUA querem ouvir.

Como se sabe, bons periódicos ingleses, como FT e a revista Economist, transformaram-se em trombones dos bancos americanos e sua ideologia neolibeles, uma vez que a Inglaterra (o Renato Machado, do Mau Dia Brasil, chama de Reino Unido) passou a ser uma agência chic de bancos americanos.

Mas, o deslize teve a virtude de revelar um amigo navegante do Financial Times, o Dhako.

O ansioso blogueiro gostaria de aplicar aos mervalicos colonistas (*) as mesmas pauladas que o Dhako aplica aos editorialistas do Times.

Não tem importância.

Uma vale pela outra.

Vai, Dhako, o Conversa Afiada te dá boas vindas !

Dhako

Houve um tempo (digamos, 10 anos atrás) em que se podia confiar na habilidade verbal para esconder o preconceito contra aqueles que não dançam conforme a música que toca o Oeste (leia-se Estados Unidos).

Lamentavelmente, hoje em dia, parece que vocês do PiG (**) (
quer dizer, do Financial Times – PHA) decidiram guardar na manga seus frágeis argumentos. Mais além, vocês do PiG (Financial Times)  parecem ter decidido que o que os Estados Unidos disserem passa a ser a verdade para qualquer questão, independente de os leitores desprezarem as ideias que só servem a vocês mesmos.

Quero dizer que vocês tentam menosprezar a agenda dos BRICS, como se não passasse de uma futrica contra os Estados Unidos. É como se os lideres desses Estados tivessem dado a volta ao mundo só para desagradar o Obama e o resto dos políticos anões que governam os países da União Europeia.

Vocês estão entrando na latrina muito rápido, especialmente agora que resolveram destilar a bílis contra quem não reza a missa por Washington. O jornal econômico sério virou um tablóide.

Quanto à reunião dos BRICS no Brasil, o que acontece é que, quaisquer que sejam as diferenças entre esses países, eles estão muito mais próximos uns dos outros, ou pelo menos concordam uns com os outros no que diz respeito a “guardar nos livros de história” a era em  que o FMI e o Banco Mundial mandavam na Economia nos países em desenvolvimento.

Não há países soberanos que não tenham suas diferenças, não importa quão próximos estejam uns dos outros.  Ou, talvez, pode-se dizer que a maior parte dos países tem algum tipo de diferença entre si, enquanto concordam com outros em outros assuntos.  E, portanto, a única exceção a essa regra é o relacionamento dos EUA com o Reino Unido, que se parece com o de presidiárias e suas carcereiras.

Por isso, você, editorialista do PiG (FT) deve ser perdoado se você, por outro lado, pensar que a maior parte das nações numa aliança devem sofrer  de psicopática submissão em relação ao mais forte da aliança – que é a forma de o velho Reino Unido e seu irrelevante Primeiro-Ministro, desde a II Guerra Mundial, se relacionarem com os Estados Unidos.

Consequentemente, a autoestima dos ingleses se afundou, porque é a forma como o Reino Unido se vê quando olha os Estados Unidos nos olhos. As mentes britânicas mais brilhantes – os editorialistas do Financial Times correm à minha mente – acham que o Brasil, a Russia, a Índia e a África do Sul deveriam se comportar em relação à China como o Reino Unido e Toni Blair faziam com o Presidente Bush, na campanha do Iraque: como o carregador da mala.

Se você não quiser que os outros  desprezem  a maneira rastejante como você engraxa as botas do Tio Sam (diariamente, pelo menos), é melhor que não meça os outros com os mesmos parâmetros suplicantes com os quais, desde sempre, você (do FT) trata  os EUA

Por último, qualquer que seja o futuro dos BRICS,  o que você precisa levar em consideração, é , primeiro: nenhum deles permitirá que a agenda financeira do Oeste (a agenda que os simpatizantes do Banco Mundial e FMI vendem desde a Segunda Guerra Mundial) dite as regras para esses países;

Segundo, os BRICS construirão, individual ou coletivamente, instituições que serão bem recebidas por todos os que estiverem fora das áreas tradicionalmente liderados pelo Oeste (EUA;

Os BRICS construirão instituições financeiras, como o Banco dos BRICS, instituições financeiras internacionais que ajudem outras que necessitem ter acesso a fundos de desenvolvimento para investimento de infraestrutura.

Então, não importa se você, editorialista do FT,  for contra esses países ou não, uma vez que os países que mais se beneficiarão com o Banco de Desenvolvimento do BRICS nunca esperaram misericórdia financeira daqueles cuja agenda você “vende” diariamente.

Portanto, se não recorrerem aos BRICS, a única coisa que esses países em desenvolvimento podem esperar do Oeste é o equivalente a um pedido de resgate.

Quero dizer que eu entendo perfeitamente esse “jogo do contente” que vocês, no PiG (FT), tentam usar: é  criar certo tipo de desconforto entre os países do BRICS.

Mas, esses países concordam em que é desesperadamente importante reduzir a hegemonia financeira do Oeste (EUA), imposta através das maquinações dos “gêmeos demoníacos”:  o FMI e o Banco Mundial.  Daqui em diante, qualquer iniciativa de criar instituições financeiras multilaterais para o mundo em desenvolvimento será muito bem-vinda por todos os países vítimas  da pobreza.


Clique aqui para ler “Brasil e China: pau no Google !”

E aqui para “Aécio: você é BRICS ou Wall St ?”

Aqui para “jn boicota BRICs”

Aqui para “BRICS: falta uma Noticiabrás”

E aqui para “O banco dos BRICs e a bomba atômica”

(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Como FHC faturou a Copa de 2002

Arrocho Neves, hipocrisia não dá voto.
 
Do incansável Stanley Burburinho, ombudsman de tucano:

Velha mídia e oposição dizem que Dilma faz uso político da Copa. Em 2002, ano de eleição presidencial, FHC, ao lado de Ricardo Teixeira da CBF, levantou a Copa em 2002 quando o Brasil foi campeão.


/Dica @ivaldodonato 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Pra que serve o FHC ?

O Príncipe é muito popular na base dos tucanos.
Ilustre colonista (*) da Folha (**) delimita os espaços do campo político brasileiro: num espaço, ela é um canhão; noutro, um doce de côco.

Recentemente, ela foi a Caracas derrubar o Maduro com o canhão e voltou tosquiada.

Nesta segunda-feira, descreveu com naturalidade cenas grotescas e revoltantes da intimidade da auto-proclamada aristocracia paulistana: CALCINHA, UÍSQUE E RIVOTRIL EM PROL DA AIDS.

Recomenda-se ler com um daqueles saquinhos plásticos que ficam na poltrona da frente do avião.

Agora a Ilustre revela a serventia do Príncipe da Privataria na chapa do Aécio:

“… FHC é tido como imbatível para o que estrategistas ligados à oposição definem como o primeiro colégio eleitoral do país: o de empresários, banqueiros e donos de emissoras de televisão, onde Aécio ainda (sic) precisaria conquistar credibilidade e simpatia.”








Navalha

Como se sabe, o Conversa Afiada sustenta que FHC não existe: ele um espécime de zoologia fantástica de Borges e só existe no PiG (***). 


Paulo Henrique Amorim

(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(***) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

terça-feira, 18 de março de 2014

FHC E ARTE DE ADOTAR A PATERNIDADE ALHEIA: E o filho não era de FHC, mas FHC decide que o filho continuará seu

E o filho não era de FHC, mas FHC decide que o filho continuará seu Todos sabem o quanto a história já rendeu, alvo que foi da exploração política a mais vigarista. Pois bem: Tomás, filho da jornalista Miriam Dutra (Nota do Blog do Saraiva: Da Globo), que o ex-presidente reconheceu como seu em 2009, não é, de fato, seu filho, como comprovam dois exames de DNA. A informação está na coluna “Radar”, de Lauro Jardim, na VEJA desta semana. Ao rapaz, FHC assegurou: nada muda. Ele não pretende rever a condição legal de Tomás. Leia as notas de Jardim:    

DNA revelador 1 

Dois exames de DNA, o último deles feito no início do ano, deram um desfecho surpreendente a uma história envolta em muita discrição há duas décadas: Tomás, de 19 anos, o rapaz que FHC reconheceu oficialmente como filho em 2009 em um cartório espanhol, não é filho do ex-presidente. 

DNA revelador 2 

Embora só tenha perfilhado Tomás há dois anos, FHC sempre ajudou a jornalista Miriam Dutra, sua mãe, a sustentá-lo. Como morava entre Portugal e Espanha, para onde Míriam foi enviada pela Globo pouco antes do seu nascimento, Tomás tinha contato com FHC quando o ex-presidente viajava para a Europa – tendo eles se encontrado também várias vezes no Brasil durante a passagem de FHC pela Presidência. A situação, porém, sempre foi envolta em total reserva, quebrada somente com a publicação pela Folha de S.Paulo, em 2009, de uma reportagem sobre o reconhecimento de Tomás. 

DNA revelador 3No ano passado, mesmo sem nenhuma contestação da paternidade, FHC e Tomás, hoje estudando relações internacionais nos EUA, decidiram fazer exames de DNA. Eles foram juntos ao laboratório. Antes, no entanto, FHC disse a Tomás que, qualquer que fosse o resultado, nada mudaria na relação entre os dois. Com o inesperado resultado dos exames em mãos, FHC reafirmou o que dissera. Portanto, nada muda na vida do rapaz no que diz respeito a seu ex-pai biológico. 

Leia a íntegra da coluna Radar na VEJA desta semana. 

Por Reinaldo Azevedo 

A PATERNIDADE ALHEIA No. 2 - O REAL 

Lambido do Brasil247 

A PATERNIDADE IRREAL DO REAL 

Ribamar  Fonseca RIBAMAR FONSECA 

Alguém precisa dizer ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (e a muita gente por aí, inclusive à apresentadora Sheherezade) que o Plano Real é fruto do governo de Itamar Franco e não do seu.  O ex-presidente, ao que parece, de tanto afirmar  ser o pai do plano acabou acreditando na própria mentira, que espalhou durante as duas eleições que o conduziram ao Palácio do Planalto e que continua ecoando até hoje nas páginas da chamada  Grande Imprensa. Com essa atitude FHC confirma uma das mais conhecidas máximas de Confúcio, segundo a qual “uma mentira repetida mil vezes vira verdade”.  

Fernanda Henrique foi ministro da Fazenda do governo Itamar mas, sendo sociólogo e não economista, não teve nenhuma participação na elaboração do Plano Real,  fruto do esforço de uma equipe de técnicos que, obedecendo à orientação do presidente, queimaram muitos neurônios na sua confecção.  FHC só teve o trabalho de levar o documento à apreciação de Itamar  que, aprovando-o, o executou.   Afinal, todo mundo sabe que é o Presidente da República o responsável por qualquer plano econômico do seu governo, assumindo o ônus ou o bônus por seu fracasso ou sucesso. Por isso os planos levam o seu nome, como o Plano Cruzado do Sarney e  Plano Collor, entre outros. 

Todo mundo sabe, também, que ministro é auxiliar e, portanto, só faz o que o presidente manda. Se o Real tivesse sido um fiasco   ninguém tem dúvidas de que o fracasso seria debitado a Itamar mas,  como deu certo,  Fernando Henrique, orientado pelos seus marqueteiros e com o apoio incondicional da Grande Midia,  creditou a si mesmo o sucesso, transformando a nova moeda no seu trunfo para ocupar duas vezes o Planalto. Ainda assim, ao transmitir o governo ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva entregou o país com inflação superior a dois dígitos.  E uma dívida externa multiplicada. 

Consciente de que FHC deixou o governo em baixa com o eleitorado, sobretudo por causa da fúria privatizacionista, o candidato tucano à Presidência da República em 2010, José Serra, tratou de escondê-lo dos olhos do público durante a campanha.  Agora, porém, motivado pelas  comemorações dos 20 anos do Plano Real, o presidenciável Aécio Neves tirou o ex-presidente das sombras e o trouxe para a frente dos holofotes, apenas insinuando, sem afirmar, ser ele o pai do Real.  Preferiu, em pronunciamento, creditar o sucesso do plano ao seu partido, o PSDB.  O ex-presidente, no entanto, estimulado pela nova exposição na mídia, passou a deitar falação quase todos os dias, com críticas ao governo de Dilma Rousseff. 

Fazendo coro ao senador mineiro e ao governador pernambucano Eduardo Campos, FHC  aproveita todas as oportunidades diante de uma câmera ou de um microfone para fazer severas críticas ao governo petista. E, a exemplo dos dois presidenciáveis, apenas critica, sem nenhuma proposta ou sugestão de solução para os problemas que levanta. Agora  ele  consegue  ver, da planície,  todos os problemas do país que antes não  vislumbrava do planalto. E critica até a política externa por não ter o Brasil se alinhado aos Estados Unidos na crise da Venezuela, o que certamente aconteceria se ele ainda fosse o presidente. A crítica, na verdade, desde que construtiva,  é saudável e fortalece o regime democrático, mas perde credibilidade quando sistemática e com objetivos puramente eleitoreiros.    

O fato, porém,  é que já é tempo de se por um ponto final nessa mentira sobre a paternidade do Real.  Afinal, FHC não engana mais ninguém. Depois da Internet, as “vozes roucas das ruas” não estão mais limitadas às páginas dos grandes jornais.  Agora elas chegam mais audíveis aos ouvidos de todos, através das redes sociais, e ninguém fica dependente da Grande Mídia para saber o que acontece no Brasil e no mundo.   Língua de Trapo. 

segunda-feira, 10 de março de 2014

FHC financiou as privatizações das teles com recursos do povo brasileiro e agora elas pegam os lucros e levam para seus países de origem. O FHC é brilhante. E ainda quer voltar, coitado.

Remessa de teles brasileiras às sedes sobe até 150%
  • Investimento no país poderia ser maior, direcionados, por exemplo, à infraestrutura
Bruno Rosa 
RIO - Não há usuário que não deseje mais investimentos em serviços de telecomunicações no Brasil, onde imperam a baixa qualidade e os preços altos. A julgar pelos lucros crescentes das companhias do setor, sobram recursos para realizar melhorias na infraestrutura. Parte do dinheiro, porém, segue direto para o exterior e engorda o caixa das matrizes dos grandes grupos globais. Segundo especialistas e empresas de classificação de risco, as subsidiárias brasileiras de telefonia vêm aumentando o envio de seus lucros para fora do país, impedindo um avanço maior nos investimentos aqui. Em alguns casos, a alta na remessa de dividendos atingiu 150% entre 2009 e 2013. E há empresas que “exportaram” até 95% de seus ganhos anuais.

TIM e Vivo enviaram para suas matrizes cerca de R$15 bilhões em dividendos desde 2009. A Oi, dizem analistas, remeteu R$ 1,2 bilhão para a Portugal Telecom (PT) no período. A GVT, da francesa Vivendi, não divulga o quanto envia, assim como as empresas do grupo mexicano América Móvil no Brasil: Embratel, Claro e Net.

Segundo consultores, o aumento no envio de dividendos das teles brasileiras ocorre porque suas sedes - a maior parte na Europa — não querem abrir mão desses recursos, uma forma de reduzir seu endividamento e de compensar a queda na receita, afetada com a crise econômica.

-Todas as empresas no Brasil têm enviado às sedes mais recursos, que poderiam ser direcionados para elevar investimentos em infraestrutura, já que a qualidade dos serviços é ruim. As teles distribuem dividendos em um patamar bem maior que o mínimo de 25% do lucro - atesta o consultor Virgílio Freire, lembrando que a Vivo envia quase a totalidade do lucro.

Do outro lado do Atlântico, as matrizes querem os recursos das subsidiárias para não terem as notas de risco rebaixadas.

-Ao analisar o rating de uma empresa, levamos em conta o quanto vão receber de dividendos das subsidiárias, pois esses recursos entram no caixa. Essas empresas tentam não abrir mão disso, extraindo o máximo possível das filiais, que poderiam usar esses recursos em mais investimentos (no Brasil) — diz Soummo Mukherjee, analista sênior da Moody’s.

Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, lembra que as empresas no Brasil estão em movimento de valorização, ao contrário de suas sedes na Europa:

-Aqui há um potencial de crescimento. Lá, a crise tem reduzido as receitas das teles. Por isso, elas precisam dos dividendos brasileiros. Esse dinheiro aqui poderia ser direcionado para mais investimentos.

Tude lembra, porém, que os investimentos aqui já são altos, pois a rede está em construção. Em 2013, até setembro, as teles destinaram R$ 17,6 bi — alta de 7% ante 2012. Mesmo assim, o número de reclamações só aumenta. Na Anatel, agência que regula o setor, as queixas cresceram 42%: de 8.452 em 2012 para 12 mil em 2013. A implementação da tecnologia 3G encontra desafios para avançar no país, onde 33,6% das cidades têm apenas uma operadora prestando serviços.

- O desafio é aumentar a capacidade da rede de dados. Além disso, o setor sofre com a alta carga tributária. A alíquota de ICMS varia de 25% a 35% — lembra Tude, destacando que o usuário brasileiro paga uma das contas mais altas do mundo.

Na Europa, desafios para elevar o caixa

Na TIM, 67% dos dividendos vão para o caixa da Telecom Italia. O envio subiu cerca de 150% de 2009 a 2013, de R$ 327,4 milhões para R$ 843 milhões. A empresa distribuiu 56% de seu lucro líquido aos acionistas no ano passado, patamar bem maior que os 35% de 2010. A empresa não quis comentar o teor da reportagem.

A Telefônica (dona da Vivo) destina 73,8% de seus dividendos para a Espanha. Assim, dos R$ 18 bilhões pagos entre 2009 e 2013, R$ 13 bilhões foram enviados à sede. A companhia afirma, no entanto, que no mesmo período os investimentos no país somaram R$ 27,4 bilhões.

- O Brasil é uma subsidiária importante para a Telefónica e tem rating melhor que o da sede. Se a matriz for rebaixada, a operação brasileira acompanhará a redução — diz Luísa Vilhena, diretora da S&P.

A PT, cuja geração de caixa é declinante, tende a se beneficiar da fusão com a Oi, prevista para ser concluída em junho.

- Com a fusão, o rating da PT pode subir e ficar igual ao da Oi. Se não ocorrer, a nota da PT pode cair - ressalta Luísa.

Entre 2011 e 2013, o grupo português reduziu o pagamento de dividendos em quase 60% à Telemar Participações (holding que controla a Oi e 10% da PT), de R$ 187,8 milhões para R$ 75,9 milhões. Já os dividendos da Oi à PT aumentaram mais de quatro vezes, diz uma fonte. Procurada, a Oi não comentou, pois está em “período de silêncio” devido à fusão com a PT.

A GVT, do grupo Vivendi, não quis se pronunciar, bem como Net, Claro e Embratel, do grupo América Móvil.

Ao contrário do Brasil, na Europa há redução dos dividendos aos acionistas locais. A Telecom Italia reduziu de € 900 milhões para € 450 milhões a distribuição de lucros entre 2013 e 2015. A Vivendi cortou dividendos em 28,5% nos últimos dois anos. Mesmo caminho fez a Telefónica, com corte de 34% entre 2012 e 2013.

- As empresas na Europa sofreram um período longo de desaceleração e retração. Há muitos desafios para elevar o caixa - diz Mukherjee, da Moody’s.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/remessa-de-teles-brasileiras-as-sedes-sobe-ate-150-11828644#ixzz2vWlxWUx2
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sexta-feira, 7 de março de 2014

Documentos revelam participação de FHC e Gilmar Mendes no ‘valerioduto tucano’

Mendes
Tanto FHC quanto o ministro Gilmar Mendes constam de documentação anexada a processo contra Marcos Valério

Documentos reveladores e inéditos sobre a contabilidade do chamado ‘valerioduto tucano‘, que ocorreu durante a campanha de reeleição do então governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998, constam de matéria assinada pelo jornalista Leandro Fortes, na edição dessa semana da revista Carta Capital. A reportagem mostra que receberam volumosas quantias do esquema, supostamente ilegal, personalidades do mundo político e do judiciário, além de empresas de comunicação, como a Editora Abril, que edita a revista Veja.

Estão na lista o ministro Gilmar Mendes, do STF, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), os ex-senadores Artur Virgílio (PSDB-AM), Jorge Bornhausen (DEM-SC), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Antero Paes de Barros (PSDB-MT), os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e José Agripino Maia (DEM-RN), o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) e os ex-governadores Joaquim Roriz (PMDB) e José Roberto Arruda (ex-DEM), ambos do Distrito Federal, entre outros. Também aparecem figuras de ponta do processo de privatização dos anos FHC, como Elena Landau, Luiz Carlos Mendonça de Barros e José Pimenta da Veiga.

Os documentos, com declarações, planilhas de pagamento e recibos comprobatórios, foram entregues na véspera à Superintendência da Polícia Federal, em Minas Gerais. Estão todos com assinatura reconhecida em cartório do empresário Marcos Valério de Souza – que anos mais tarde apareceria como operador de esquema parecido envolvendo o PT, o suposto “mensalão”, que começa a ser julgado pelo STF no próximo dia 2. A papelada chegou às mãos da PF através do criminalista Dino Miraglia Filho – advogado da família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, que seria ligada ao esquema e foi assassinada em um flat de Belo Horizonte em agosto de 2000.

Segundo a revista, Fernando Henrique Cardoso, em parceria com o filho Paulo Henrique Cardoso, teria recebido R$ 573 mil do esquema. A editora Abril, quase R$ 50 mil e Gilmar Mendes, R$ 185 mil.

FHC “ADORA” O POVO. IMAGINE SE ODIASSE - Stanley Burburinho resgata frases de FHC na campanha presidencial de 1994



Conversa Afiada publica sugestão de Stanley Burburinho, que resgata matéria da Folha (*), de 1994, em que FHC se refere ao povo:
Veja o que FHC disse durante a campanha presidencial de 1994:
Folha de São Paulo, sexta-feira, 17 de junho de 1994:
1) “A gente sai do palanque e é obrigado a ganhar beijo de velhinha, levar beliscão”.
2) “As pessoas querem te cumprimentar, e, a toda hora, você precisa verificar se não te levaram o relógio de pulso”.
3) “Sou sociólogo. Nessa condição, defendi uma tese sobre negros, que me obrigou a frequentar esses ambientes. Não teria dificuldade em voltar lá, atendendo a conselhos de meu homem de marketing”.

FHC DIZ TER FEITO CRÍTICA ‘CARINHOSA’ A ELEITOR

EMANUEL NERI 
DA REPORTAGEM LOCAL
Fernando Henrique Cardoso (PSDB) reconheceu  Pter feito críticas ao comportamento dos eleitores, mas disse que estava sendo apenas “carinhoso”.
Uma das frases alerta para o risco de os candidatos terem seu relógio furtado no corpo a corpo com o eleitorado.
As frases foram publicadas na edição desta semana da revista “Veja”. Anteontem, a “Folha Bancária” – do Sindicato dos Bancários de São Paulo, filiado à CUT– reproduziu as frases.
FHC afirmou ter se referido ao risco do furto do relógio. “As pessoas te beijam, te abraçam. Há troca de energia e, de repente, pode acontecer isso” (o furto).
São três as frases publicadas pela revista: 1) “A gente sai do palanque e é obrigado a ganhar beijo de velhinha, levar beliscão”.
2) “As pessoas querem te cumprimentar, e, a toda hora, você precisa verificar se não te levaram o relógio de pulso”.
3) “Sou sociólogo. Nessa condição, defendi uma tese sobre negros, que me obrigou a frequentar esses ambientes. Não teria dificuldade em voltar lá, atendendo a conselhos de meu homem de marketing”.
Segundo a revista, as declaraçÕes foram feitas durante palestra para investidores estrangeiros, na sede do Banco Garantia, no Rio.
FHC falou ontem sobre as frases em Guarulhos (Grande São Paulo). Sobre a afirmação referente a beijos de velhinhas, disse ter falado “carinhosamente”.
“Disse carinhosamente que a campanha, no Brasil, tem beijos”, afirmou. Mas ele atribuiu a contextualização das frases a uma “montagem”. Afirmou que sua palestra foi “gravada”.
“Quando as pessoas começam a perder o sentido da ética, acabam fazendo esse trabalho sujo”, diz.
“Foi um episódio sem maior significado, dito há dois ou três meses. Agora, é montagem para fazer contra-informação”, disse.
FHC poderá acionar judicialmente o Sindicato dos Bancários de São Paulo por reproduzir as frases em seu jornal.
Clique aqui para ler “PML: o que atrapalha FHC é a memória do povo”
 
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/03/06/fhc-adora-o-povo-imagine-se-odiasse

Do Blog Justiceira de Esquerda

quinta-feira, 6 de março de 2014

FHC: O conformista inconformado

O surgimento do PT e a vitória de um operário em 2002 e 2006, que fez a sucessora em 2010, causaram um ruído insuportável no escopo biográfico e político de FHC
Fernando Henrique Cardoso

Por Saul Leblon 
Resgatar o legado de Fernando Henrique Cardoso é tido como o grande trunfo da campanha conservadora em 2014.

O escrutínio eleitoral desse patrimônio, como se sabe, não contabiliza um saldo favorável.

‘Por acanhamento do próprio tucanato’ -- alega o PSDB, que agora estaria disposto a redimir a herança de seu maior quadro.

Nas derrotas presidenciais de 2002, 2006 e 2010 a coalizão conservadora preferiu, ao contrário, guardar essa carta na manga do esquecimento.

Havia respaldo nas estatísticas sociais e econômicas, bem como nas enquetes de prestígio popular, à conveniência da decisão.

Talvez tenha chegado a hora de voltar a Fernando Henrique Cardoso, de fato, não propriamente pelo seu legado presidencial.

Mas pela atualidade que a tensão da história latino-americana – e brasileira, claro — veio adicionar à coerência do seu percurso intelectual, da sociologia à Presidência da República.

O próprio tucano ensaia esse aggiornamento das linhas estratégicas do projeto conservador, do qual ele se tornou uma referência.

Em artigo recente (‘Diplomacia inerte’), FHC faz a atualização do quadro analítico que desenvolveu como sociólogo, depois adotou como presidente, para responder aos desafios do desenvolvimento na periferia do capitalismo.

“(...) houve um erro estratégico desde o governo Lula na avaliação das forças que predominariam no mundo e da posição do Brasil na ordem internacional”, diz o ex-presidente.

O cabo eleitoral número um do PSDB reafirma o fatalismo implícito no festejado texto de 1967, Dependência e desenvolvimento na América Latina, escrito com Enzo Falletto, no Chile, quatro anos depois do golpe no Brasil, e publicado em 1973, ano da queda de Allende.

Os dois acontecimentos trágicos pareciam dar razão à analise sociológica sobre a inviabilidade de um modelo de desenvolvimento soberano na região.

O artigo do último domingo reitera essa inexorabilidade diante do que aponta como sendo ‘as forças que predominariam no mundo’ na última década.

“Nossa diplomacia guiou-se pela convicção de que um novo mundo estava nascendo e levou o presidente (NR Lula), em sua natural busca de protagonismo, a ser o arauto dos novos tempos. Não me refiro ao que eu gostaria que ocorresse, mas às tendências que objetivamente se foram configurando (...) A convicção implícita era a de que pós-Muro de Berlim, depois de breve período de quase hegemonia dos Estados Unidos, (dos) equívocos da política externa daquele país...assistiríamos a uma correção de rumos. (essa visão) encontra eco nos sentimentos de boa parte dos brasileiros, inclusive de quem escreve este artigo. Sempre sonhamos com um mundo multipolar (...) Nisso é que o governo Lula calculou mal.(...) o Brasil faz reuniões com países árabes (...) abre embaixadas nas mais remotas ilhas,(enquanto) a Petrobras é expropriada pela Bolívia, interfere contra o sentimento popular em Honduras, além de calar diante de manifestações antidemocráticas quando elas ocorrem nos países de influência ‘bolivariana’. Noutros termos: escolhemos parceiros errados, embora, em si mesma a relação Sul/Sul seja desejável, e menosprezamos os atores que estão saindo da crise como principais condutores da agenda global (...)”

Desguarnecido dos préstimos da toga colérica, que de herói da ética se confessou um delinquente jurídico ao manipular a dosimetria na AP 470, o conservadorismo renova assim o martelete do suposto anacronismo geopolítico dos projetos progressistas.  (Grifos negritado são do ContrapontoPIG)

A dependência é estrutural, dizia FH em 1967; a dependência é virtuosa, adicionaria FH presidente; a dependência é inexorável e o Brasil do PT perdeu seu tempo ao afrontá-la, diz o redimido patrono do PSDB.

O ponto de partida repisado no artigo de domingo encontrou suas bases empíricas em um texto que antecede o livro de 1967 da dupla FHC/Faletto.

Em 1964, dois meses antes do golpe de Estado, seria publicada uma pesquisa premonitória, Empresário Industrial e Desenvolvimento Econômico, coordenada pelo então sociólogo da USP.

Nela, Fernando Henrique encontraria o fundamento da futura visão sobre a dependência.

A pesquisa desnuda o equivoco de boa parte da esquerda, então, que via na burguesia nacional um aliado dos trabalhadores do campo e da cidade na luta pelo desenvolvimento industrial, contra o imperialismo e o atraso agrário.

O levantamento coordenado por FHC não apenas desmentia o idílio.

Ele antecipava a vontade predominante no empresariado industrial brasileiro de se aliar ao capital estrangeiro, ao largo de Jango, dos sindicatos e das reformas de base.

Em síntese, as bases burguesas do projeto nacional e popular eram tão sólidas quanto se revelaria o dispositivo militar de Jango.

O esquematismo importado das sociedades europeias viveu seu teste do pudim dois meses depois de publicado o diagnóstico e deu razão ao sociólogo.

Três anos mais tarde, com Faletto, ele ampliaria essa constatação, dando-lhe o escopo de uma matriz de validade latino-americana.

Focado na realidade efetiva dos interesses das classes dominantes, que opunha o capital às massas populares na disputa pela destinação do excedente econômico na região, ‘Dependência e Desenvolvimento na América Latina’, sinalizava a complementariedade de propósitos entre o capital local e o estrangeiro.

Tal convergência, antes de levar à estagnação pela atrofia do mercado interno, em decorrência do arquivamento das reformas de base, permitiria um padrão de desenvolvimento associado e dependente.

Ao privilegiar os conflitos de interesse no interior da sociedade à margem de idealizações ideológicas, o livro representou um avanço, sem todavia definir um novo marco histórico.

Faltava-lhe abordar o essencial: a problematização dos conflitos inerentes à endogamia entre o capital local e o internacional e o seu custo social.

A ausência desse olhar dialético e engajado o levaria a amplificar aquilo que corretamente criticava nos esquematismos de uma parte da esquerda: trocava-se a materialidade da luta de classes por um fatalismo alheio às contradições transformadoras do processo.

Até que ponto seria viável um desenvolvimento que alijava a grande maioria da sociedade das decisões relativas ao seu destino e à destinação do excedente econômico?

A visão de FH, de certa forma, repetia o tropeço dos que viam no desenvolvimento periférico quase que uma atividade reflexa do centro hegemônico.

A dinâmica interna estaria assim previamente dada; independente da prática política, ela orbitaria como um lubrificante, sem nunca alterar o núcleo duro da engrenagem.

Com a exacerbação da lógica financeira, a partir da desregulação propiciada pelas derrotas da esquerda mundial nos anos 70/80, esse enredo mecanicista ganha a robustez de um sujeito histórico hegemônico.

Os mercados autorreguláveis, seus agentes racionais e as agencias de risco assumem o rosto genérico de um interlocutor dotado de mando e ubiquidade.

Esse determinismo inquestionável, sob a ótica conservadora, daria estofo ao projeto político do sociólogo que exerceu a Presidência da República de 1995 a 2002, disposto a personificar sua teoria.

E assim o fez.

A saber: com as privatizações, o desmonte do Estado (‘sepultar a Era Vargas’) , o descompromisso estatal com as grandes obras de infraestrutura, a renúncia a uma política industrial, a redução do Itamaraty a um anexo do Departamento de Estado norte-americano, a desmoralização do planejamento econômico, a terceirização do interesse público a agentes privados, a corrosão do poder aquisitivo dos trabalhadores, a desqualificação dos sindicatos e das organizações sociais, o sopão à pobreza (cuja sorte seria entregue à transição demográfica), a derrisão de tudo o que remetesse ao interesse público e, finamente, o deslumbramento constrangedor de um cosmopolitismo provinciano, festejado no Presidente que falava ‘línguas’ e era bajulado no exterior pelo bom comportamento.

Aquilo que em princípio era só uma constatação histórica, que desmentia o flerte da elite local com a agenda do desenvolvimento soberano, transformar-se-ia na determinação política de fazer da servidão uma virtude.

O surgimento do PT e a vitória desconcertante do líder operário em 2002 e 2006 –que fez a sucessora em 2010-- introduziu um ruído insuportável no escopo desse conformismo estratégico com a sorte do país e de sua gente.

Para revalidar a teoria –e os interesses aos quais ela consagra uma dominância irreversível, era preciso desqualificar a heresia de forma exemplar.

Não apenas derrotá-la nas urnas.

Quando a realidade teima, a redenção requer o açoite inapelável da moral.

E parecia que Joaquim Barbosa seria o anjo negro de origem humilde, desfrutável em mais de um sentido, capaz de executar a purga saneadora da história maculada pelo ‘voluntarismo petista’, como espicaçou FH em outro artigo (Estadão, 03-03-2014).

Não foi assim que se deu.

O artigo deste domingo retoma então os marcos analíticos de uma biografia em rota de colisão com a realidade e exorta o país a aceitar o seu confinamento no tabuleiro geopolítico que os vencedores manejam à revelia das ilusões multipolares.

Como em 1967, não se cogita discutir os requisitos para disputar a hegemonia do processo.

Não há atores e interesses capacitados a operar essa difícil disputa, sugere o ex-presidente.

Nem no Brasil, nem em outras latitudes da América Latina, onde hereges verão igualmente fracassar uma agenda social desprovida de sustentação econômica e inserção mundial.

A demonização das experiências venezuelana, boliviana e argentina faz parte desse tour de force que transforma o noticiário internacional em uma extensão da guerra interna contra a ingerência do Estado e da democracia nas diretrizes do desenvolvimento.

FHC e assemelhados tem razão ao apontar a espiral de desequilíbrios introduzida na matriz econômica brasileira desde 2003.

De fato, mais de 50 milhões de novos consumidores aportaram no mercado em apenas dez anos; 17 milhões de empregos foram criados no período; o salário mínimo registrou um aumento real superior a 60%.

O conjunto não apenas invadiu o mercado, mas a teoria de 1967 e com ela asfixiou o espaço politico e eleitoral d conservadorismo.

Um novo protagonista histórico, imprevisto e improvável na mecânica fatalista da dependência conservadora exige seu espaço na democracia depois de tê-lo conquistado no mercado: o consumo das famílias brasileiras cresce ininterruptamente há 120 meses; tempo suficiente para uma geração nascer, crescer e completar dez anos.

Como devolver essa pasta de dente ao tubo estreito da dependência se a disputa se acirrou com demandas crescentes por infraestrutura, serviços de qualidade, habitação, participação, segurança, lazer etc?

O conformismo de 1967 esgotou o prazo de validade e com ele a pertinência da agenda conservadora abrigada no PSDB e assemelhados?

Não, sugere FHC, se o caos urbano --e o constrangimento externo decorrentes de desequilíbrios na capacidade de pagar importações crescentes-- fizer regredir os avanços da última década.

Não se o torniquete financeiro internacional –ancorado nas agencias de risco e na potencial fuga de capitais-- tanger a pasta com a chibata dos juros altos, o estalo do arrocho fiscal, a volta do desemprego e reversão dos ganhos salariais.

A hora do acerto de contas chegou, brada o conservadorismo latino-americano de olho na reversão do ciclo mundial de liquidez que, de fato, restringe a margem de manobra progressista para mitigar a disputa pelo excedente.

É um pedaço da verdade. Mas a exemplo do que constatou o livro de 1967, não é toda a verdade.

O Brasil dispõe dos requisitos objetivos para um salto industrializante que irradie a produtividade necessária aos novos avanços em direção à cidadania plena de sua gente.

A saber:

1) as empresas instaladas no país dispõem de uma massa de capital monetário suficiente, hoje alocado na roleta rentista (que inclui a dívida pública; e em repouso em paraísos fiscais, onde Brasil figura como o 4º país com maior volume de depósitos: US$ 520 bi, ou mais de R$ 1 trilhão, segundo a organização inglesa "Tax Justice Network);
2) o mercado de massa brasileiro forma hoje, sozinho, o 16º maior país do mundo em movimento econômico;
3) a economia dispõe de sólidas bases de recursos naturais, incluindo-se o impulso industrializante inerente à exploração das maiores reservas de petróleo descobertas no planeta neste século.
Falta a amarração política desses ingredientes, processo que guarda semelhança com a disputa de um gigantesco jogo de truco estratégico.

A iniciativa privada mantém o pé no freio do investimento e a emissão conservadora exaspera a guerra de expectativas para desencorajar o capital privado a apostar no país.

Derrotado o ‘lulopetismo’, o lucro será maior, sugere-se.

Quem pode induzir a gigantesca escala de investimentos e o salto tecnológico que os oligopólios globais e seus associados locais – assim convertidos, como previa FHC em 1967-- se recusam a deflagrar?

Para escapar ao fatalismo conservador, e à hipertrofia autoritária do Estado verificada na ditadura, só existe um caminho: encarar o fortalecimento da democracia participativa como um requisito indispensável à reordenação do desenvolvimento brasileiro.

Entenda-se por isso a criação dos instrumentos que forem necessários à ampla repactuação de metas e prazos que tornem críveis as linhas de passagem entre as urgências da sociedade e as possibilidades efetivas do crescimento.

Antes que a crispação conservadora resulte em um endosso ao fatalismo embutido em ‘Dependência e Desenvolvimento na América Latina’, será preciso escrever na prática uma outra referência histórica que liberte a democracia da passividade a que foi condenada no arcabouço conservador.

Democracia Social e Desenvolvimento na América Latina é um bom título para esse novo período à espera do seu autor coletivo.
Fonte: CartaMaior

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O PSDB é sarcófago do Plano Real

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Enquanto comemora o passado de 20 anos do Plano Real, o PSDB quer voltar a ser governo porque simplesmente não consegue e não aguenta mais ser oposição.

Antonio Lassance, via Carta Maior
O PSDB reuniu seus próceres e alguns convidados ilustres, como os governistas de sempre, Renan Calheiros e Romero Jucá, para comemorar os 20 anos do Plano Real. Atordoado com o indiciamento e a renúncia de Eduardo Azeredo (deputado do PSDB/MG); atropelado pelo escândalo da Siemens e chamuscado com o fio desencapado do caso Alstom; com a garganta seca pelo susto de uma crise de racionamento de água em São Paulo; enfim, com uma avalanche de notícias ruins, era preciso mudar de assunto.

Que tal comemorar, pela enésima vez, mais um aniversário do Plano Real?

A celebração, embora feita no Senado na terça-feira, dia 25, teve como referência o 27 de fevereiro de 1994, data em que foi publicada a certidão de nascimento do Plano Real.

A Medida Provisória nº 434, assinada pelo presidente Itamar Franco, criava a Unidade Real de Valor (URV) e previa sua posterior substituição por uma nova moeda, o Real – o que viria a ocorrer em 1º de julho daquele ano.

Aécio aproveitou o aniversário para criticar a política econômica do governo Dilma Rousseff. É seu foco principal, quase exclusivo. Sua crítica mais ácida é que Dilma não respeita o tripé que sustenta o Plano Real: o cumprimento das metas de inflação, o câmbio flutuante e a manutenção de um superávit primário elevado.

É difícil saber por que os tucanos reclamam. Das três vezes em que a inflação superou o teto da meta, duas foram no governo FHC (2001 e 2002).



No vídeo acima, FHC faz um relato de alguns dos fracassos de seu governo.

O câmbio flutuante só foi implantado por FHC em seu segundo mandato, de uma forma tão atabalhoada que gerou a crise econômica mais aguda que o Real já atravessou.

O superávit primário foi sempre maior nos governos de Lula e Dilma do que ao longo do governo FHC (a página do Banco Central na internet traz as séries históricas que permitem fazer todas essas comparações).

Os tucanos reclamaram, na solenidade, que o PT não apoiou o Plano Real e não reconheceu o “legado” de FHC. De fato, o PT foi contra o Plano Real e carimbou de “herança maldita” a situação que recebeu em 2003. Mas é fácil explicar a posição do PT. É isso o que se espera de um partido de oposição: que se comporte como oposição.

Difícil é entender que o próprio PSDB não tenha defendido o Real, com unhas e dentes, e não tenha se ufanado do legado de FHC durante as últimas três campanhas presidenciais.

Em 2002, 2006 e 2010, os candidatos tucanos, José Serra e Geraldo Alckmin, varreram FHC para baixo do tapete. Renegaram o legado que FHC invoca. Deixaram para trás o que julgavam passado.

Hoje, Aécio celebra o passado. O PSDB tem mesmo boas razões para comemorar. Demorou 12 anos para o partido voltar a defender o governo FHC. Antes que seja tarde, ambos, FHC e o PSDB, lutam para entrar para a História em uma posição melhor do que saíram.

O governo tucano terminou com inflação retornando à casa de dois dígitos, dólar fora de controle, zero de reservas internacionais, empréstimos do FMI, apagões e racionamento de energia.

Eis uma parte importante do legado que, décadas depois, preferem que seja esquecida. Os tucanos seguiram à risca o provérbio de Pedro Malan, segundo o qual, no Brasil, até o passado é incerto. A aposta e a celebração, portanto, fazem sentido. Olhar o passado é sempre uma oportunidade para tentar reescrevê-lo.

O PSDB demonstrou, neste aniversário do Real, que sobrevive e resmunga em seu sarcófago, esperando o retorno de seus dias de glória.

O partido quer voltar a ser governo porque simplesmente não consegue e não aguenta mais ser oposição. O difícil é chegar lá dormindo o sono profundo de sua falta de projeto para o país e confinado à letargia de suas iniciativas.

Essa elite política destronada e embalsamada roga aos deuses do universo que a despertem e a conduzam a seu Palácio; suplica que lhe devolvam o cetro, de preferência, em uma carruagem dourada.

Assim se explica que FHC tenha invocado, em seu discurso, a ajuda divina. Exclamou, ou praguejou, contra a reeleição de Dilma Rousseff: “De novo o mesmo, meu Deus?!”

Antonio Lassance é cientista político.
Do Blog Limpinho & Cheiroso